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O
nascimento de um jornal
A tradição
recomenda abrir a primeira edição de um jornal com um editorial,
uma espécie de compromisso público onde se vão listando resoluções
que se pretende seguir - tal como muita gente costuma fazer a cada
novo ano. No entanto, nos dois casos é comum, com o passar dos
dias e mesmo sem se notar, ir se distanciando dos objetivos, até
se chegar ao ponto do completo esquecimento dessas promessas
solenes.
No caso de jornais, costuma-se prometer
coisas que são fundamentais para a sua própria sobrevivência,
como buscar a imparcialidade, a isenção, a correção das matérias,
como se na lista de resoluções de ano novo fosse normal incluir
coisas que são vitais, como comer, dormir ou respirar.
Fujamos, então, desse modelo
ultrapassado. Falemos, nesse momento, do jornal que nasce, e não
de suas aspirações, que é algo que só o tempo se encarregará
de fazê-lo.
Um novo jornal está nascendo hoje. Sem
pompa nem festas, mas com a humildade própria dos recém-nascidos,
que chegam desamparados e precisam de apoio até poder seguir seu
próprio caminho. Esse começar do zero não é algo que nos
envergonha, pelo contrário, só aumenta o nosso desafio e a nossa
responsabilidade. E permite ao leitor do novo jornal também fazer
parte desta nova história, pois ele é quem será o principal
responsável pela continuidade do novo diário.
O nascimento de alguém ou de algo sempre
desperta a curiosidade de todos nós. E o surgimento de uma
empresa em quase nada difere do nascimento de uma criança. Cada
novo bebê traz consigo as melhores expectativas. É uma nova história,
única, cercada de sonhos e projetos. Talvez a maior diferença é
que o nascimento de um jornal requer muitos pais e muitas mães.
Uma decisão importante que surge com o
nascimento é a definição do nome. No nosso caso, temos orgulho
de estampar Criciúma no próprio nome do jornal, e ostentar as
cores que, embora não sejam as mesmas da bandeira do município,
representam o que nos enche de maior orgulho - o Tigre.
Por coincidência, o Diário de Criciúma
levou exatos nove meses de gestação - desde a concepção da idéia
até este dia de seu lançamento. E hoje ele nasce com a proposta
de crescer com a região. Para aqueles que se perguntam se há
espaço para mais um diário na cidade, é importante dizer que
quanto mais jornais houver, e jornais independentes, melhor
contribuição estará sendo dada à pluralidade de opiniões,
vital para o fortalecimento das instituições democráticas, já
que a ninguém interessa uma única versão para um mesmo fato.
O que orientou o projeto editorial do Diário
de Criciúma foi a busca pelo novo, pelo caminho diferente. Ao invés
de contratar jornalistas e colunistas de outros jornais, o que em
nada contribuiria para a melhoria da imprensa local, estamos
abrindo novas oportunidades de trabalho. Lançamos novos
colunistas, e trouxemos para a mídia impressa aqueles que estavam
injustamente esquecidos por ela.
O novo diário também pretende
conquistar os leitores que procuram, além das melhores informações
locais, renomados colunistas nacionais. Por isso, estamos trazendo
para a imprensa local nomes consagrados no cenário nacional. É o
caso de Paulo Coelho - o escritor mais lido em todo o mundo, do
padre Marcelo Rossi, do professor Marins; do comentarista
Reginaldo Leme, do televisivo Nelson Rubens, do consagrado Orlando
Duarte, entre tantos outros, incluindo o famoso meteorologista
Ronaldo Coutinho - que ganhou fama nacional com a acertada previsão
do furacão Catarina, de triste lembrança.
São pessoas que têm um nome a zelar, e
só aceitaram veicular suas colunas no Diário de Criciúma porque
viram o projeto e acreditaram nele. São padrinhos, que
presentearam o caçula da imprensa criciumense com o que há de
mais importante para um jornal: a credibilidade.
O Diário de Criciúma tem um dos mais
bonitos projetos gráficos entre os jornais do sul do país. A
diagramação valoriza as fotos e infografias, o que o torna de
leitura fácil e agradável. A contracapa abre espaço para o
esporte, num modelo inspirado nos grandes jornais americanos, que
reservam o privilégio da contracapa não para a publicidade, mas
para o que uma cidade tem de mais precioso em termos de divulgação
- o time local.
Mesmo assim, é importante terminar essas considerações com as
palavras de Guimarães Rosa, em trecho de Grande Sertão Veredas:
“O mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas
não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que
elas vão sempre mudando”. É o que irá acontecer também com o
Diário de Criciúma, que, com o tempo, irá crescer, lançar
novos cadernos, ganhar mais páginas. Como todos nós, irá
aprimorar-se.
Por fim, saudamos a todos os criciumenses
- de nascimento ou coração. Os que adotaram a cidade, e os que
foram adotados por outros países - mas não esqueceram a sua
terra. Os que nos ajudam a construir a Criciúma do novo milênio,
e os que lutam para sobreviver em outras cidades.
Saudamos os moradores das cidades
vizinhas. As lideranças políticas, empresariais e comunitárias.
As associações de classe, os clubes e sindicatos. Os nossos
colegas de imprensa, estejam eles nas assessorias, nas emissoras
de rádio e TV, ou nos demais jornais locais que já construíram
a sua história.
Que as palavras do genial Charles Chaplin sirvam de inspiração
não apenas para essa vida que se inicia, mas para todos nós: “Bom
mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver
com paixão. Perder com classe e vencer com ousadia, pois o
triunfo pertence a quem mais se atreve. E a vida é muito para ser
insignificante”.
Lúcio Flávio de Oliveira
Diretor de Redação
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