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Seis meses     

Hoje faz seis meses que esse diário circulou sua primeira edição. A data é importante porque, no caso de uma nova empresa, esse é o tempo estipulado pelo senso comum se a empresa vai dar certo ou não. Muitas pessoas, movidas pela maldade ou mesmo porque ouviram falar, acabam repetindo a sentença que estamos cansados de ouvir sobre os sonhos e projetos da maioria das pessoas que ousam abrir um empreendimento: "Não dura seis meses".

No caso do Diário do Criciúma, o tempo estimado por alguns colunistas de plantão era ainda menor. Esperava-se que chegaria apenas ao final das eleições. Citaram até que esse foi o prazo estipulado pelas cabeças pensantes da cidade. Pelo visto, precisam pensar menos e agir mais - característica dos que fazem alguma coisa de útil da própria vida e em prol dos outros.

Espalharam o boato de que esse jornal pertencia a um deputado; depois, a um grupo político. Por fim, novas notas nos colunistas de sempre, desta vez afirmando que o jornal tinha fechado. Como não fechou, era de se esperar pelo menos uma nota nessas colunas informando os seus leitores do equívoco. No entanto, a ética passou longe, talvez nunca tenha sido apresentada a um e a outro.

Em jantares onde o cardápio principal era a paella, tramou-se boicote de anunciantes ao jornal. Articulou-se, em reuniões secretas, formas de evitar que o Diário de Criciúma continuasse crescendo. Ameaças de todos os tipos, veladas ou não, que culminaram com a suspeita censura imposta a este jornal pela atual direção do Criciúma, numa atitude sem precedentes na história do jornalismo catarinense.

Essa censura, aliás, foi o resumo da trajetória do DCri nesses primeiros seis meses. Enquanto algumas poucas pessoas tentavam boicotar o trabalho do novo diário, muitas outras vozes se levantaram para defender a liberdade de expressão. Colegas de imprensa, em quase todos os veículos de comunicação do Estado, expressaram sua indignação pela perseguição injusta imposta aos nossos profissionais.

Mas quem visita o DCri vê um quadro, logo na entrada, onde se lê uma frase de Victor Hugo, que resume o que tentamos expressar nessas linhas e não conseguimos com a mesma clareza do grande escritor francês.

Foi inspirado nessa mensagem que nosso diário se empenhou em ampliar o raio de circulação, antes restrito apenas a Criciúma. Hoje o jornal já circula em várias cidades da Amrec e, no ano que vem, irá expandir mais ao sul.

Além disso, juntaram-se a nós jornalistas e colunistas da melhor qualidade, preocupados em oferecer ao leitor menos fofocas e mais matérias, menos vaidades pessoais e mais informação de interesse público. Estamos todos construindo um jornal diferente, que tenha não só a melhor impressão e a melhor diagramação, mas a melhor qualidade editorial.

Para os dois próximos anos, projetamos um indicador a mais: a meta é ser o jornal com o maior número de assinantes, motivados que estamos pela própria aceitação do nosso DCri.

Finalizemos com o quadro. Nele está escrito: "Há uma coisa mais forte do que todos os exércitos do mundo: uma idéia cujo tempo chegou." É o tempo de se escrever uma nova página na história da nossa imprensa.

Lúcio Flávio de Oliveira 
Diretor de Redação


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