|
Poluição mata peixes na região
JAGUARUNA - O cheiro
forte de peixe podre indica de longe a mortandade de
animais aquáticos na comunidade de Jabuticabeira, em
Jaguaruna. É difícil calcular a quantidade de peixes
mortos. Alguns agricultores arriscam mais de uma tonelada,
outros preferem calcular que o número lotaria um caminhão.
Os animais começaram a
aparecer mortos no sábado, no Rio Sangão, que tem
aproximadamente 30 km, principalmente na extensão que
passa por Jabuticabeira e desemboca na lagoa do Camacho. O
trecho mais crítico fica próximo à fazenda do arroz
Campeiro. São tilápias, tainhas e principalmente sardas
amarelas, uma espécie de sardinha.
Segundo agricultores da
região, que preferiram não se identificar, a mortandade é
comum nesta época do ano. “É a temporada de beneficiamento
de mandioca. Então, os resíduos que devem ser armazenados,
em época de chuva, são liberados no rio. Como a correnteza
não está forte, os resíduos, que fermentam a água, matam
os animais”, opina o agricultor.
O engenheiro agrônomo da
prefeitura de Jaguaruna Jeferson Garcia já esteve no local
e afirma ter acionado a Fatma e a Polícia Ambiental. “Por
enquanto não podemos afirmar qual é a causa, apenas
sabemos que existem muitos peixes mortos. A suspeita é de
que os engenhos existentes em Sangão teriam liberado os
resíduos no rio, já que agrotóxico de arroz não deve ser,
pois não estamos em época deste plantio. Se fosse em
setembro poderíamos pensar nesta outra hipótese”, explica
Jeferson.
O agrônomo também
acrescenta que em Sangão existem quatro engenhos de
mandioca e que há 10 anos, sempre nesta temporada, o
problema reaparece. “Os engenhos já respondem a um Termo
de Ajuste de Conduta. Vamos analisar o caso e tentar
buscar os culpados, mas não podemos afirmar que são
resíduos de mandioca. É apenas uma hipótese”, lembra.
Nos próximos dias, o
número de peixes mortos boiando pode aumentar, pois
alguns, embora mortos, ainda estão no fundo do rio. Os
agricultores da região vão aguardar a chuva e o aumento da
correnteza para que o local seja limpo. Caso não aconteça,
eles irão esperar os peixes se decomporem.
Policiais ambientais de
Laguna já estiveram no local, no último domingo, e
juntamente com representantes do Comitê da Bacia do Rio
Tubarão percorreram todo o leito do rio e retiraram
amostra da água. O resultado deve sair em pelo menos 15
dias. “Não podemos afirmar que é resíduo de mandioca
porque depois pode o resultado apontar outro fator
químico, mas assim que sair os resultados vamos apurar
quem são os responsáveis e puni-los”, acrescenta o capitão
da Polícia Ambiental Jefer Francisco.
|