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"Eu
não sou candidato.
As obras (do asfalto) não são eleitoreiras"
Diário do Sul - O senhor, em outras entrevistas, disse que o deputado
Genésio Goulart não seria candidato neste ano para não perder a
imunidade parlamentar. Ainda acredita nisso?
Carlos Stüpp - Se eu estivesse
na condição jurídica em que ele se apresenta, eu não pensaria duas
vezes: me manteria na condição de deputado estadual.
Diário do Sul
- Qual o seu relacionamento com Genésio, atualmente?
Carlos Stüpp - Frio, gelado,
não existe nenhuma aproximação política. E, partidariamente, eu diria
que quero distância do PMDB.
Diário do Sul
- E com o deputado Joares Ponticelli?
Carlos Stüpp - Eu diria que
estamos recuperando um relacionamento que já foi muito bom, um
relacionamento irmão. As eleições de 2006 nos afastaram, mas eu ainda
gosto demais do Joares como pessoa, como político o respeito muito e
tenho certeza que ainda teremos muitas alegrias pela frente.
Diário do Sul
- O senhor se arrepende de ter apoiado o governador Luiz Henrique em
2006?
Carlos Stüpp - Por inteiro. Eu
aproveito a oportunidade, mais uma vez, para pedir desculpas àqueles que
induzi ou sugeri que votassem no governador. Porque, de forma clara,
direta e objetiva: eu me senti usado e o que reclamo como prefeito e
como cidadão é que ele dê a mesma atenção a Tubarão que tem dado a
Criciúma, a Joinville, a Blumenau, e que nós em Tubarão infelizmente não
temos tido.
Diário do Sul
- E como é o seu relacionamento com o vice-governador Leonel Pavan, que
é do seu partido?
Carlos Stüpp - Ótimo,
maravilhoso, mas quem tem a caneta na mão é o governador, não é o vice.
Ele esteve recentemente em Tubarão e estamos mais que afinados
politicamente. Acredito que ele há de ser o candidato ao governo do PSDB
nas próximas eleições.
Diário do Sul
- O PMDB pode estar junto nesta chapa com o PSDB ao governo do Estado?
Carlos Stüpp - Eu acho que a
tríplice aliança não se sustenta até o final do mandato do PMDB. Eu não
acredito que a tríplice aliança, hoje formada por PMDB, PSDB e DEM,
chegue inteira à eleição de 2010. E aí novos casamentos hão de
acontecer. Talvez PSDB-PP, talvez PSDB-DEM. Eu acho que as composições
nacionais também dão um norte. Mas eu não acredito numa composição
PSDB-PMDB para as eleições de 2010.
Diário do Sul
- O Pavan pode também ser cassado, como o Luiz Henrique. Como ficaria a
situação?
Carlos Stüpp - Ele cassado ou
não, ele no governo ou não, eu não acredito nele candidato ao governo do
Estado em 2010 numa composição com o PMDB, independentemente dessa
questão jurídica que está se desenrolando.
Diário do Sul
- Ele também se sente traído pelo PMDB?
Carlos Stüpp - Não posso
responder por ele. Nas conversas que tenho tido com ele, falo da atenção
que é dada a duas das principais prefeituras do PSDB. Balneário Camboriú:
nada de atenção do governo; Tubarão: nada de atenção do governo. Eu não
diria que seria a parceria ideal. A não ser que o governo não se faz
através dos municípios, e esse sempre foi o discurso do governador.
Diário do Sul
- A prefeitura tem ou não tem as certidões negativas?
Carlos Stüpp - A resposta é
clara: eu não tive uma única oportunidade em que o governo tenha me
chamado para assinar convênio dos projetos que entreguei para mostrar as
negativas. Eu tenho um litígio com a Casan que é público, mas acredito
que no dia que, eventualmente, precisar de fato das negativas, a justiça
me dará. Mas não tive a oportunidade de provar, nunca me pediram as
negativas porque nunca me chamaram para assinar um convênio.
Diário do Sul
- Por que não vêm verbas do governo para cá?
Carlos Stüpp - Me sinto
discriminado. Não eu, mas a cidade de Tubarão. Nós temos muitas
demandas, muitas necessidades. Nós não podemos ficar à míngua, como
temos ficado em todas as esferas. Não dá para conceber o time do
Criciúma recebendo verbas milionárias e o nosso time não conseguir
absolutamente nada. A gente vê arena multiuso pipocando pelo Estado
inteiro. Cadê a nossa, que foi prometida, que foi anunciada, que tinha
até data? Não acontece. Realmente precisamos de alguma solução. O
presídio: em Criciúma, eles resolvem, não precisam de prefeitura, não
precisam de nada; em Tubarão, o culpado é o prefeito. Que tipo de
governo é esse?
Diário do Sul
- E do governo federal?
Carlos Stüpp - Do governo
federal nós temos tido os recursos, que rotineiramente e legalmente são
cumpridos à risca. Alguns programas, como o Sentinela e outros, têm uma
seqüência. Mas numa demanda maior que nós temos, o saneamento, a única
coisa que me foi oferecida foi financiamento. Recurso a fundo perdido,
não. Sobre outra questão, também relevante, que é a retirada dos
trilhos, ainda há uma discussão burocrática dentro do Dnit a ser
resolvida. Mas uma certeza eu já tenho: dentro do meu mandato a
conclusão não acontece.
"Já entraram nos cofres, até 7 de março, R$ 5
milhões (de IPTU). Aproveito essa oportunidade para
agradecer à população pelo voto de confiança."
Diário do Sul
– O trânsito é um problema no Centro da cidade. Por que não se proíbe o
estacionamento na Marcolino, para o trânsito fluir?
Carlos Stüpp - Eu deixo as
questões de trânsito a cargo do nosso secretário de Segurança e
Trânsito. Ele, com seus engenheiros, tem feito um trabalho dentro das
nossas dificuldades. Com a cidade dividida por um rio, com duas pontes
centrais, você só transfere o congestionamento de lugar no horário de
pico. Você tira daqui e joga para ali. Algum lugar acaba sendo o
gargalo. No final do dia, no horário da faculdade, nos dias de chuva. Em
alguns momentos você de fato vê essa concentração. Mas precisamos
evoluir, apesar do que tem acontecido. É tão contundente o crescimento
de veículos em Tubarão que a receita do IPVA já superou a do IPTU. No
ano passado nós arrecadamos R$ 5,3 milhões brutos (de IPTU). De IPVA,
arrecadamos R$ 5,8 milhões.
Diário do Sul
- Por que há tantas reclamações com relação à Área Azul?
Carlos Stüpp - Nós estamos
evoluindo a cada dia nesta questão. Como estava não poderia ficar.
Diário do Sul
- Financeiramente, valeu a pena para a prefeitura terceirizar?
Carlos Stüpp - Do jeito que
estava ela não era superavitária, ela gerava custos. Hoje ela gera
receita, um percentual sobre o faturamento.
Diário do Sul
- E com relação à água? Por que há mais reclamações hoje sobre a cor da
água do que na época da Casan?
Carlos Stüpp - São duas as razões. A primeira é o cadastro técnico (que
a Casan não entregou para a prefeitura): o fato de a gente estar
tateando. Hoje nós já construímos um novo cadastro, já conhecemos a
rede. A segunda é a questão envolvendo a tubulação antiga da cidade. Nós
temos 250 quilômetros de rede com mais de 50 anos. Tubos de ferro com
uma crosta enorme dentro. Para dar um pouco mais de pressão para fazer
chegar água na ponta da rede, você acaba criando o problema da ferrugem.
Uma das principais demandas da cidade é resolver a questão da água.
Diário do Sul
– Mas a água é de boa qualidade?
Carlos Stüpp - A água tem
condições de consumo, a qualidade da nossa água é inconteste, apesar de
ser uma das piores águas para tratar de Santa Catarina. Essa agressão
que a nossa água sofre, como estrume de porco em quantidade mais que
demasiada, extração de carvão, esgoto cloacal e agrotóxicos do arroz são
agressores que deixam nossa água como uma das piores a ser tratadas, mas
mesmo assim temos dado conta do recado, mas temos que avançar.
Diário do Sul
– E quais são as medidas para avançar?
Carlos Stüpp - Com o Pmae
(Plano Municipal de Água e Esgoto) estamos buscando parceiros para fazer
com que a questão de água e esgoto tenha uma solução de longo prazo, e
não de curto prazo, como é hoje. Hoje nós só estamos cuidando do
dia-a-dia, mas não resolve nosso problema. A cidade está crescendo,
recebendo investimentos e precisa resolver a situação do esgoto.
Diário do Sul
- A Unisul também vai ter eleição este ano, para reitor. O senhor, como
prefeito e presidente do Conselho Curador da universidade, acompanha
este processo?
Carlos Stüpp - Eu não interfiro
no dia-a-dia da universidade. Não vou dizer que não estou atento, a
universidade é uma das nossas principais motivadoras do desenvolvimento.
O orçamento de Tubarão é algo em torno de R$ 100 milhões e o da
universidade supera os R$ 200 milhões. A universidade tem mais de 25 mil
alunos. É uma instituição das mais importantes da nossa cidade.
Diário do Sul
– Por que Tubarão não consegue atrair grandes indústrias?
Carlos Stüpp - Nós temos
limitações. O cenário de industrialização da nossa cidade vai acontecer
quando quatro fatores acontecerem: a duplicação da BR-101, a ampliação
da malha ferroviária litorânea, os investimentos nos portos de Laguna e
Imbituba e a construção do aeroporto. Se você não tiver esse ambiente
formado, você não convence ninguém a vir botar uma grande indústria na
nossa cidade.
Diário do Sul
- Mas é preferível estimular a vocação comercial da cidade ou empreender
esforços para uma industrialização?
Carlos Stüpp - Minha vontade é
que a cidade cresça, mas sem perder esse ar de interior que nós temos.
Uma cidade que tem 100 mil habitantes e mantém a média de um homicídio
por ano é um lugar maravilhoso para se viver. Vamos pegar o exemplo de
outra grande cidade de Santa Catarina: Chapecó. Só em janeiro, foram dez
homicídios. Nós não conseguimos mensurar esta tranqüilidade e nem
valorizamos esse nosso belo recanto.
Diário do Sul
– A cidade consegue crescer mesmo sem grandes indústrias?
Carlos Stüpp – Crescimento é
importante e nós temos crescido. Hoje somos pólo regional importante nas
áreas do varejo, do comércio, dos serviços, da saúde e da educação.
Temos crescido algo em torno de 25% na construção civil nos últimos
anos, acima da média nacional disparado, acima da média estadual. Mas
também tendo preocupação com a necessidade de geração de novos negócios
e empregos. Só durante meu mandato foram gerados 10 mil novos empregos
formais em Tubarão, segundos dados do Sine, do governo federal.
Contribuí com as ações voltadas à valorização dos empresários locais,
como o projeto Santo de Casa Faz Milagre. Esses investimentos feitos na
formação de mão-de-obra, na profissionalização dos nossos empresários,
têm ajudado a crescer.
Diário do Sul
- Por que só agora, em ano eleitoral, a cidade está recebendo este
asfalto?
Carlos Stüpp - Eu não sou
candidato. Isso não tem nada a ver com a eleição deste ano. Tem tudo a
ver com o meu mandato. Me elegeram para governar a cidade por quatro
anos e ser responsável.
Diário do Sul
- Mas o seu partido tem um candidato a prefeito, apoiado pelo senhor.
Carlos Stüpp - Eu não quero
misturar as obras com a eleição. As obras têm razão própria. Estradas
irregulares, vias públicas que estavam me dando gasto muito grande nas
operações tapa-buracos. Só no primeiro vencimento de IPTU deste ano nós
arrecadamos quase o valor de todo o ano passado. Já entraram nos cofres,
até 7 de março, R$ 5 milhões. Aproveito essa oportunidade para agradecer
à população pelo voto de confiança. E esse mesmo recurso é que está
virando obra. Hoje nós estamos com nossos compromissos religiosamente em
dia. Na segunda-feira a folha de pagamento de março está indo para a
conta.
Diário do Sul
- No ano passado entraram, como o senhor disse, R$ 5,8 milhões de IPVA.
Por que as ruas não foram asfaltadas no ano passado com este dinheiro?
Carlos Stüpp - Porque eu dei um
passo maior do que poderia dar. Quando estávamos tendo sucesso na
liberação de recursos dos bancos, nós avançamos o sinal. Contratamos
mais asfalto que poderíamos pagar porque contamos com a liberação do
recurso. Infelizmente, num belo dia de 2004, nós tivemos um estancamento
disso, eu fiquei com o passivo descoberto e levei um tempo para
resolver. Aí botei o pé firme no freio: reduzi a máquina, enxuguei os
cargos de confiança, economizei onde pude para que pudesse ser
realizador. Felizmente estou terminando meu mandato muito orgulhoso da
oportunidade que estou tendo de realizar. Tudo que um gestor público
quer é fazer obra. Se eu fosse irresponsável, teria feito, ano passado,
o que estou fazendo agora. Hoje um empreiteiro faz o asfalto e sete dias
depois está com o cheque na mão. Eles estão loucos para fazer obras, mas
eu vou à medida que as coisas vão caminhando dentro do cofre da
prefeitura.
Diário do Sul
- O senhor perdeu a primeira eleição para o Genésio, em 1996. Em 2000,
ganhou dele. O senhor considera que esta próxima eleição vá ser uma
espécie de desempate entre vocês?
Carlos Stüpp - Seria se eu
estivesse na eleição. Não posso medir votos, até porque eu nem sei se o
Genésio vai ser candidato. Mas uma certeza eu tenho: o Bertoncini vai
ser e é a melhor opção política para Tubarão. Tanto na vida pública
quanto na vida privada ele já deu demonstrações de que merece a nossa
confiança e o nosso voto. É com ele que qualquer um que vier do outro
lado vai ter que disputar. E vai ser muito difícil tirar essa eleição do
Bertoncini. Não por mim, mas por ele, pela figura que é, pelo caráter,
pelo grande médico.
Diário do Sul
- E quem vai ser o vice?
Carlos Stüpp - Aí vai depender
da habilidade que ele tem. Eu sei que ele é capaz de costurar uma boa
aliança, costurar apoios.
Diário do Sul
- Mas quem seria o vice dos sonhos?
Carlos Stüpp - Eu não posso
emitir minha opinião. Se eu fosse o candidato, eu poderia dizer quem
seria meu candidato a vice.
Diário do Sul
- E quem seria o seu candidato a vice, nesta hipótese?
Carlos Stüpp - Você não vai ter
essa resposta de mim. Eu vou aguardar a composição partidária, não sou
eu quem vai costurar esse encaminhamento, o candidato tem essa missão.
Eu sei que o Manoel tem conversado com o PP, com o DEM, com o PDT, com o
PR, com o PSB, com PPS, com o PV. Se ele vai conseguir construir essa
grande aliança, só o tempo vai dizer. Mas eu acredito, pela habilidade
que ele tem, pela forma simples e objetiva, que ele vai buscar um grande
parceiro para enfrentar as urnas.
Diário do Sul
- E o seu futuro político? O senhor pretende se candidatar a deputado?
Carlos Stüpp - Quem não é
senhor na sua casa não é senhor fora. Eu quero terminar bem o meu
mandato. O passo seguinte vai depender do quadro que se formar nas
eleições de 2008. Tenho certeza que lá na frente vão analisar todo o
período em que estive à frente da prefeitura. Vão entender que quando eu
entrei nós tínhamos a metade das unidades de saúde do dia em que deixei
a prefeitura. Vão analisar quantas salas de aula e escolas construí. Vão
analisar o salário do professor e a forma como recebia quando entrei e
quando deixei a prefeitura. Vão ter que ter muita competência para me
superar na merenda escolar, nos encaminhamentos na saúde, na educação,
no social, que foi uma bandeira forte. Na qualidade do meu asfalto.
Jamais quem me suceder vai poder falar em asfalto frio, em remendo, em
meia-boca em termos de obra porque a cidade não vai mais aceitar. Não dá
mais para fazer ponte e cair no dia da inauguração. Tem que ter
qualidade. Terminando bem o mandato, e vou terminar bem, eu me credencio
a outros passos.
“Só durante o meu mandato foram gerados 10
mil novos empregos formais em Tubarão,
segundos dados do Sine, do governo federal.”
Diário do Sul
- O senhor tem pesquisas sobre a avaliação do seu governo?
Carlos Stüpp - Eu não tenho,
mas meu feeling diz o seguinte: façam as pesquisas. Eu tenho certeza de
que há gente me avaliando de forma positiva. Eu podia pintar essa cidade
de preto, fazer asfalto em todas as ruas, mas não me daria bem se não
estivesse fazendo bem o que me propus: saúde, educação, social. Essas
ações de governo voltadas ao cidadão é que dão sustentação ao meu
projeto, porque isso estando bem o asfalto vem como chantilly do bolo,
dá o acabamento. Eu me orgulho mais das ações voltadas ao cidadão que do
asfalto. Se esse governo fosse irresponsável, não tratasse as entidades
que cuidam do menor com responsabilidade, os professores com dignidade e
salário justo, não teria ambiente para sair asfaltando ruas. Mas eu
construí esse ambiente. Eu tenho o respeito dos servidores e da
população. Este pagamento do IPTU é um carimbo de responsabilidade.
Diário do Sul
- Como o senhor entregará a prefeitura ao seu sucessor?
Carlos Stüpp - Salários em dia,
fornecedores em dia, responsabilidade com encargos em dia, sem
financiamentos. Nem eu, quando fui reeleito, assumi a prefeitura nas
condições em que vou entregar ao meu sucessor. E espero que o meu
sucessor seja o Bertoncini, porque ele merece assumir essa condição
porque é um gestor responsável.
Diário do Sul
- Se o senhor pudesse, se candidataria novamente nesta próxima eleição?
Carlos Stüpp - Em hipótese
alguma. Oito anos é um período para deixar qualquer um bastante cansado.
É precisamos reoxigenar, a política se faz com isso. Precisamos de
sangue novo, gente com idéias novas. Tenho certeza de que os dois
mandatos estão de bom tamanho.
Diário do Sul
- Nem no futuro?
Carlos Stüpp - Não, eu já dei a
minha contribuição. Meu futuro não passa pela prefeitura.
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