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O Diário do Sul lança uma série de
entrevistas, visando esclarecer seus
leitores sobre as eleições 2008. Todos
os finais de semana, personalidades do
mundo político serão ouvidas pela nossa
equipe de jornalistas. Trata-se de uma
tradição do jornal, iniciada em 1994, ano
de lançamento do DS. O prefeito de
Tubarão, Carlos Stüpp, abre a série.
Veja a seguir.

 



 

CARLOS STÜPP
PREFEITO DE TUBARÃO
22/3/2008

a


"Eu não sou candidato.
As obras (do asfalto) não são eleitoreiras"

Diário do Sul - O senhor, em outras entrevistas, disse que o deputado Genésio Goulart não seria candidato neste ano para não perder a imunidade parlamentar. Ainda acredita nisso?
Carlos Stüpp - Se eu estivesse na condição jurídica em que ele se apresenta, eu não pensaria duas vezes: me manteria na condição de deputado estadual.

Diário do Sul - Qual o seu relacionamento com Genésio, atualmente?
Carlos Stüpp - Frio, gelado, não existe nenhuma aproximação política. E, partidariamente, eu diria que quero distância do PMDB.

Diário do Sul - E com o deputado Joares Ponticelli?
Carlos Stüpp - Eu diria que estamos recuperando um relacionamento que já foi muito bom, um relacionamento irmão. As eleições de 2006 nos afastaram, mas eu ainda gosto demais do Joares como pessoa, como político o respeito muito e tenho certeza que ainda teremos muitas alegrias pela frente.

Diário do Sul - O senhor se arrepende de ter apoiado o governador Luiz Henrique em 2006?
Carlos Stüpp - Por inteiro. Eu aproveito a oportunidade, mais uma vez, para pedir desculpas àqueles que induzi ou sugeri que votassem no governador. Porque, de forma clara, direta e objetiva: eu me senti usado e o que reclamo como prefeito e como cidadão é que ele dê a mesma atenção a Tubarão que tem dado a Criciúma, a Joinville, a Blumenau, e que nós em Tubarão infelizmente não temos tido.

Diário do Sul - E como é o seu relacionamento com o vice-governador Leonel Pavan, que é do seu partido?
Carlos Stüpp - Ótimo, maravilhoso, mas quem tem a caneta na mão é o governador, não é o vice. Ele esteve recentemente em Tubarão e estamos mais que afinados politicamente. Acredito que ele há de ser o candidato ao governo do PSDB nas próximas eleições.

Diário do Sul - O PMDB pode estar junto nesta chapa com o PSDB ao governo do Estado?
Carlos Stüpp - Eu acho que a tríplice aliança não se sustenta até o final do mandato do PMDB. Eu não acredito que a tríplice aliança, hoje formada por PMDB, PSDB e DEM, chegue inteira à eleição de 2010. E aí novos casamentos hão de acontecer. Talvez PSDB-PP, talvez PSDB-DEM. Eu acho que as composições nacionais também dão um norte. Mas eu não acredito numa composição PSDB-PMDB para as eleições de 2010.

Diário do Sul - O Pavan pode também ser cassado, como o Luiz Henrique. Como ficaria a situação?
Carlos Stüpp - Ele cassado ou não, ele no governo ou não, eu não acredito nele candidato ao governo do Estado em 2010 numa composição com o PMDB, independentemente dessa questão jurídica que está se desenrolando.

Diário do Sul - Ele também se sente traído pelo PMDB?
Carlos Stüpp - Não posso responder por ele. Nas conversas que tenho tido com ele, falo da atenção que é dada a duas das principais prefeituras do PSDB. Balneário Camboriú: nada de atenção do governo; Tubarão: nada de atenção do governo. Eu não diria que seria a parceria ideal. A não ser que o governo não se faz através dos municípios, e esse sempre foi o discurso do governador.

Diário do Sul - A prefeitura tem ou não tem as certidões negativas?
Carlos Stüpp - A resposta é clara: eu não tive uma única oportunidade em que o governo tenha me chamado para assinar convênio dos projetos que entreguei para mostrar as negativas. Eu tenho um litígio com a Casan que é público, mas acredito que no dia que, eventualmente, precisar de fato das negativas, a justiça me dará. Mas não tive a oportunidade de provar, nunca me pediram as negativas porque nunca me chamaram para assinar um convênio.

Diário do Sul - Por que não vêm verbas do governo para cá?
Carlos Stüpp - Me sinto discriminado. Não eu, mas a cidade de Tubarão. Nós temos muitas demandas, muitas necessidades. Nós não podemos ficar à míngua, como temos ficado em todas as esferas. Não dá para conceber o time do Criciúma recebendo verbas milionárias e o nosso time não conseguir absolutamente nada. A gente vê arena multiuso pipocando pelo Estado inteiro. Cadê a nossa, que foi prometida, que foi anunciada, que tinha até data? Não acontece. Realmente precisamos de alguma solução. O presídio: em Criciúma, eles resolvem, não precisam de prefeitura, não precisam de nada; em Tubarão, o culpado é o prefeito. Que tipo de governo é esse?

Diário do Sul - E do governo federal?
Carlos Stüpp - Do governo federal nós temos tido os recursos, que rotineiramente e legalmente são cumpridos à risca. Alguns programas, como o Sentinela e outros, têm uma seqüência. Mas numa demanda maior que nós temos, o saneamento, a única coisa que me foi oferecida foi financiamento. Recurso a fundo perdido, não. Sobre outra questão, também relevante, que é a retirada dos trilhos, ainda há uma discussão burocrática dentro do Dnit a ser resolvida. Mas uma certeza eu já tenho: dentro do meu mandato a conclusão não acontece.


"Já entraram nos cofres, até 7 de março, R$ 5
milhões (de IPTU). Aproveito essa oportunidade para
agradecer à população pelo voto de confiança."


Diário do Sul – O trânsito é um problema no Centro da cidade. Por que não se proíbe o estacionamento na Marcolino, para o trânsito fluir?
Carlos Stüpp - Eu deixo as questões de trânsito a cargo do nosso secretário de Segurança e Trânsito. Ele, com seus engenheiros, tem feito um trabalho dentro das nossas dificuldades. Com a cidade dividida por um rio, com duas pontes centrais, você só transfere o congestionamento de lugar no horário de pico. Você tira daqui e joga para ali. Algum lugar acaba sendo o gargalo. No final do dia, no horário da faculdade, nos dias de chuva. Em alguns momentos você de fato vê essa concentração. Mas precisamos evoluir, apesar do que tem acontecido. É tão contundente o crescimento de veículos em Tubarão que a receita do IPVA já superou a do IPTU. No ano passado nós arrecadamos R$ 5,3 milhões brutos (de IPTU). De IPVA, arrecadamos R$ 5,8 milhões.

Diário do Sul - Por que há tantas reclamações com relação à Área Azul?
Carlos Stüpp - Nós estamos evoluindo a cada dia nesta questão. Como estava não poderia ficar.

Diário do Sul - Financeiramente, valeu a pena para a prefeitura terceirizar?
Carlos Stüpp - Do jeito que estava ela não era superavitária, ela gerava custos. Hoje ela gera receita, um percentual sobre o faturamento.

Diário do Sul - E com relação à água? Por que há mais reclamações hoje sobre a cor da água do que na época da Casan?
Carlos Stüpp - São duas as razões. A primeira é o cadastro técnico (que a Casan não entregou para a prefeitura): o fato de a gente estar tateando. Hoje nós já construímos um novo cadastro, já conhecemos a rede. A segunda é a questão envolvendo a tubulação antiga da cidade. Nós temos 250 quilômetros de rede com mais de 50 anos. Tubos de ferro com uma crosta enorme dentro. Para dar um pouco mais de pressão para fazer chegar água na ponta da rede, você acaba criando o problema da ferrugem. Uma das principais demandas da cidade é resolver a questão da água.

Diário do Sul – Mas a água é de boa qualidade?
Carlos Stüpp - A água tem condições de consumo, a qualidade da nossa água é inconteste, apesar de ser uma das piores águas para tratar de Santa Catarina. Essa agressão que a nossa água sofre, como estrume de porco em quantidade mais que demasiada, extração de carvão, esgoto cloacal e agrotóxicos do arroz são agressores que deixam nossa água como uma das piores a ser tratadas, mas mesmo assim temos dado conta do recado, mas temos que avançar.

Diário do Sul – E quais são as medidas para avançar?
Carlos Stüpp - Com o Pmae (Plano Municipal de Água e Esgoto) estamos buscando parceiros para fazer com que a questão de água e esgoto tenha uma solução de longo prazo, e não de curto prazo, como é hoje. Hoje nós só estamos cuidando do dia-a-dia, mas não resolve nosso problema. A cidade está crescendo, recebendo investimentos e precisa resolver a situação do esgoto.

Diário do Sul - A Unisul também vai ter eleição este ano, para reitor. O senhor, como prefeito e presidente do Conselho Curador da universidade, acompanha este processo?
Carlos Stüpp - Eu não interfiro no dia-a-dia da universidade. Não vou dizer que não estou atento, a universidade é uma das nossas principais motivadoras do desenvolvimento. O orçamento de Tubarão é algo em torno de R$ 100 milhões e o da universidade supera os R$ 200 milhões. A universidade tem mais de 25 mil alunos. É uma instituição das mais importantes da nossa cidade.

Diário do Sul – Por que Tubarão não consegue atrair grandes indústrias?
Carlos Stüpp - Nós temos limitações. O cenário de industrialização da nossa cidade vai acontecer quando quatro fatores acontecerem: a duplicação da BR-101, a ampliação da malha ferroviária litorânea, os investimentos nos portos de Laguna e Imbituba e a construção do aeroporto. Se você não tiver esse ambiente formado, você não convence ninguém a vir botar uma grande indústria na nossa cidade.

Diário do Sul - Mas é preferível estimular a vocação comercial da cidade ou empreender esforços para uma industrialização?
Carlos Stüpp - Minha vontade é que a cidade cresça, mas sem perder esse ar de interior que nós temos. Uma cidade que tem 100 mil habitantes e mantém a média de um homicídio por ano é um lugar maravilhoso para se viver. Vamos pegar o exemplo de outra grande cidade de Santa Catarina: Chapecó. Só em janeiro, foram dez homicídios. Nós não conseguimos mensurar esta tranqüilidade e nem valorizamos esse nosso belo recanto.

Diário do Sul – A cidade consegue crescer mesmo sem grandes indústrias?
Carlos Stüpp – Crescimento é importante e nós temos crescido. Hoje somos pólo regional importante nas áreas do varejo, do comércio, dos serviços, da saúde e da educação. Temos crescido algo em torno de 25% na construção civil nos últimos anos, acima da média nacional disparado, acima da média estadual. Mas também tendo preocupação com a necessidade de geração de novos negócios e empregos. Só durante meu mandato foram gerados 10 mil novos empregos formais em Tubarão, segundos dados do Sine, do governo federal. Contribuí com as ações voltadas à valorização dos empresários locais, como o projeto Santo de Casa Faz Milagre. Esses investimentos feitos na formação de mão-de-obra, na profissionalização dos nossos empresários, têm ajudado a crescer.

Diário do Sul - Por que só agora, em ano eleitoral, a cidade está recebendo este asfalto?
Carlos Stüpp - Eu não sou candidato. Isso não tem nada a ver com a eleição deste ano. Tem tudo a ver com o meu mandato. Me elegeram para governar a cidade por quatro anos e ser responsável.

Diário do Sul - Mas o seu partido tem um candidato a prefeito, apoiado pelo senhor.
Carlos Stüpp - Eu não quero misturar as obras com a eleição. As obras têm razão própria. Estradas irregulares, vias públicas que estavam me dando gasto muito grande nas operações tapa-buracos. Só no primeiro vencimento de IPTU deste ano nós arrecadamos quase o valor de todo o ano passado. Já entraram nos cofres, até 7 de março, R$ 5 milhões. Aproveito essa oportunidade para agradecer à população pelo voto de confiança. E esse mesmo recurso é que está virando obra. Hoje nós estamos com nossos compromissos religiosamente em dia. Na segunda-feira a folha de pagamento de março está indo para a conta.

Diário do Sul - No ano passado entraram, como o senhor disse, R$ 5,8 milhões de IPVA. Por que as ruas não foram asfaltadas no ano passado com este dinheiro?
Carlos Stüpp - Porque eu dei um passo maior do que poderia dar. Quando estávamos tendo sucesso na liberação de recursos dos bancos, nós avançamos o sinal. Contratamos mais asfalto que poderíamos pagar porque contamos com a liberação do recurso. Infelizmente, num belo dia de 2004, nós tivemos um estancamento disso, eu fiquei com o passivo descoberto e levei um tempo para resolver. Aí botei o pé firme no freio: reduzi a máquina, enxuguei os cargos de confiança, economizei onde pude para que pudesse ser realizador. Felizmente estou terminando meu mandato muito orgulhoso da oportunidade que estou tendo de realizar. Tudo que um gestor público quer é fazer obra. Se eu fosse irresponsável, teria feito, ano passado, o que estou fazendo agora. Hoje um empreiteiro faz o asfalto e sete dias depois está com o cheque na mão. Eles estão loucos para fazer obras, mas eu vou à medida que as coisas vão caminhando dentro do cofre da prefeitura.

Diário do Sul - O senhor perdeu a primeira eleição para o Genésio, em 1996. Em 2000, ganhou dele. O senhor considera que esta próxima eleição vá ser uma espécie de desempate entre vocês?
Carlos Stüpp - Seria se eu estivesse na eleição. Não posso medir votos, até porque eu nem sei se o Genésio vai ser candidato. Mas uma certeza eu tenho: o Bertoncini vai ser e é a melhor opção política para Tubarão. Tanto na vida pública quanto na vida privada ele já deu demonstrações de que merece a nossa confiança e o nosso voto. É com ele que qualquer um que vier do outro lado vai ter que disputar. E vai ser muito difícil tirar essa eleição do Bertoncini. Não por mim, mas por ele, pela figura que é, pelo caráter, pelo grande médico.

Diário do Sul - E quem vai ser o vice?
Carlos Stüpp - Aí vai depender da habilidade que ele tem. Eu sei que ele é capaz de costurar uma boa aliança, costurar apoios.

Diário do Sul - Mas quem seria o vice dos sonhos?
Carlos Stüpp - Eu não posso emitir minha opinião. Se eu fosse o candidato, eu poderia dizer quem seria meu candidato a vice.

Diário do Sul - E quem seria o seu candidato a vice, nesta hipótese?
Carlos Stüpp - Você não vai ter essa resposta de mim. Eu vou aguardar a composição partidária, não sou eu quem vai costurar esse encaminhamento, o candidato tem essa missão. Eu sei que o Manoel tem conversado com o PP, com o DEM, com o PDT, com o PR, com o PSB, com PPS, com o PV. Se ele vai conseguir construir essa grande aliança, só o tempo vai dizer. Mas eu acredito, pela habilidade que ele tem, pela forma simples e objetiva, que ele vai buscar um grande parceiro para enfrentar as urnas.

Diário do Sul - E o seu futuro político? O senhor pretende se candidatar a deputado?
Carlos Stüpp - Quem não é senhor na sua casa não é senhor fora. Eu quero terminar bem o meu mandato. O passo seguinte vai depender do quadro que se formar nas eleições de 2008. Tenho certeza que lá na frente vão analisar todo o período em que estive à frente da prefeitura. Vão entender que quando eu entrei nós tínhamos a metade das unidades de saúde do dia em que deixei a prefeitura. Vão analisar quantas salas de aula e escolas construí. Vão analisar o salário do professor e a forma como recebia quando entrei e quando deixei a prefeitura. Vão ter que ter muita competência para me superar na merenda escolar, nos encaminhamentos na saúde, na educação, no social, que foi uma bandeira forte. Na qualidade do meu asfalto. Jamais quem me suceder vai poder falar em asfalto frio, em remendo, em meia-boca em termos de obra porque a cidade não vai mais aceitar. Não dá mais para fazer ponte e cair no dia da inauguração. Tem que ter qualidade. Terminando bem o mandato, e vou terminar bem, eu me credencio a outros passos.


“Só durante o meu mandato foram gerados 10
mil novos empregos formais em Tubarão,
segundos dados do Sine, do governo federal.”


Diário do Sul - O senhor tem pesquisas sobre a avaliação do seu governo?
Carlos Stüpp - Eu não tenho, mas meu feeling diz o seguinte: façam as pesquisas. Eu tenho certeza de que há gente me avaliando de forma positiva. Eu podia pintar essa cidade de preto, fazer asfalto em todas as ruas, mas não me daria bem se não estivesse fazendo bem o que me propus: saúde, educação, social. Essas ações de governo voltadas ao cidadão é que dão sustentação ao meu projeto, porque isso estando bem o asfalto vem como chantilly do bolo, dá o acabamento. Eu me orgulho mais das ações voltadas ao cidadão que do asfalto. Se esse governo fosse irresponsável, não tratasse as entidades que cuidam do menor com responsabilidade, os professores com dignidade e salário justo, não teria ambiente para sair asfaltando ruas. Mas eu construí esse ambiente. Eu tenho o respeito dos servidores e da população. Este pagamento do IPTU é um carimbo de responsabilidade.

Diário do Sul - Como o senhor entregará a prefeitura ao seu sucessor?
Carlos Stüpp - Salários em dia, fornecedores em dia, responsabilidade com encargos em dia, sem financiamentos. Nem eu, quando fui reeleito, assumi a prefeitura nas condições em que vou entregar ao meu sucessor. E espero que o meu sucessor seja o Bertoncini, porque ele merece assumir essa condição porque é um gestor responsável.

Diário do Sul - Se o senhor pudesse, se candidataria novamente nesta próxima eleição?
Carlos Stüpp - Em hipótese alguma. Oito anos é um período para deixar qualquer um bastante cansado. É precisamos reoxigenar, a política se faz com isso. Precisamos de sangue novo, gente com idéias novas. Tenho certeza de que os dois mandatos estão de bom tamanho.

Diário do Sul - Nem no futuro?
Carlos Stüpp - Não, eu já dei a minha contribuição. Meu futuro não passa pela prefeitura.
 

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