Página principal Sobre o DS Redação Assine agora Para anunciar
 
 


 


 



O Diário do Sul publica neste
final de semana uma entrevista
com o deputado estadual Joares
Ponticelli. Maior liderança do PP
no Sul e uma das mais expressivas
do Estado, Joares fala sobre a
eleição para a prefeitura de
Tubarão, a conjuntura
estadual e os planos para
a eleição de 2010.

 



 

JOARES PONTICELLI
DEPUTADO ESTADUAL
Sábado, 12 / domingo, 13/4/2008

a


“ Tubarão é discriminada pelo
governo como nunca visto na história ” 

Diário do Sul - Seus grandes momentos na Assembléia Legislativa foram como líder de oposição. Mas o sr. também ficou conhecido como "trem-pagador", na época em que era líder de governo e trazia convênios para a região. É melhor ser deputado de situação ou de oposição?
Joares Ponticelli -
Sem nenhuma dúvida, de situação, embora o trabalho da oposição seja extremamente importante. Quando fui governo, nós trouxemos várias obras para a região. Apesar de termos encontrado o Estado em processo de falência, deixamos duas grandes ações das quais o governador Luiz Henrique se beneficiou: o BID 4, com R$ 300 milhões de financiamento, e o Microbacias 2, com R$ 108 milhões. As ações que aconteceram durante o atual período de governo na Amurel fomos nós que iniciamos: a pavimentação da Guarda, que deixamos no BID 4, e o Aeroporto de Jaguaruna, que só foi concluída a etapa que nós iniciamos _ a segunda etapa não foi iniciada ainda. A nossa região está abandonada e o governo não gosta daqui, não prioriza e não investe.

DS - Como vereador, o sr. se destacou como opositor ferrenho do então prefeito Genésio. No ano passado, no entanto, o sr. e ele chegaram a conversar sobre uma aliança para a prefeitura. O sr. poderia, no futuro, fazer uma aliança com Luiz Henrique?
Joares -
Não, absolutamente. Consideramos várias possibilidades e chegamos a conversar sobre um projeto político, mas PP e PMDB numa composição é algo inimaginável e nós teríamos muito trabalho para explicar isso.

DS – O PP realmente poderia ter se coligado com o Genésio?
Joares -
Não. Nós chegamos a considerar um projeto para a cidade num eventual governo de coalizão. Eu gostaria que nosso partido formasse um grande arco de alianças e disputasse a eleição. Mas, se não conseguir vencer, que num segundo momento formasse uma aliança com qualquer um.

DS - Quem fez o melhor governo? Irmoto, Genésio ou Stüpp?
Joares -
Paulinho May. Foi o governo que mais pensou o futuro da cidade. Temos quantos cemitérios no estilo do Horto do Ipês em Santa Catarina? As cidades modernas têm esse estilo de cemitério. Agora que o prefeito está mexendo na beira-rio, mas quem pavimentou e primeiro cuidou das margens do rio foi o Paulinho May. A pavimentação da Guarda era o melhor calçamento de Santa Catarina. Foram obras de responsabilidade, não foram para durar apenas um mandato. A Fundesco teve um papel destacadíssimo porque ele já tinha essa preocupação com o crescimento social. Os outros governos ainda nem falavam sobre a questão social.

DS – Mas a pergunta se restringiu aos três últimos prefeitos.
Joares –
Aí não há como negar que, depois do Paulinho, pelo conjunto de obras que nós estamos vendo, o governo que mais realizou foi o do prefeito Stüpp.

DS - O sr. começou sua carreira política no PMDB. Então já chegou a votar no PMDB alguma vez?
Joares -
Eu sou originário de família tradicional da Arena. Meu tio foi prefeito de Pouso Redondo três vezes, e eu sempre tive uma militância pelo PDS. Mas quando vim para Tubarão recebi um convite para me filiar ao PMDB. Fiquei entre 1987 e 1988. Aí começaram algumas desavenças entre eu e o Maurício da Silva e senti que não teria espaço. Até que recebi um convite para ingressar no PP. Eu nem cheguei a votar no PMDB porque não deu tempo, já tinha saído do partido.

DS - PP e PSDB já selaram a aliança em Tubarão?
Joares-
Não, nós escolhemos o nosso candidato a prefeito, o Pepê Collaço. Daqui até a convenção vamos tentar viabilizar nossa candidatura e vamos conversar com todos os partidos, sem fechar portas para ninguém. Inclusive com o PT. Dizem que o PT tem posição fechada, mas algumas lideranças estaduais do partido não pensam assim.

DS - O Pepê ia se filiar ao DEM, mas desistiu na última hora para não perder o mandato na Justiça. Ele não ficou enfraquecido no partido, depois do episódio?
Joares -
Ele tem consciência de que errou. Erros todos cometemos, é preciso ter grandeza para reconhecer e pedir desculpas e, para os que se sentiram atingidos pelo erro, ter a capacidade de perdoar. Eu já disse ao vereador Pepê que a cota de erros partidários que tinha, já cometeu. E eu tenho certeza de que ele não errará mais.

DS - O fato do prefeito ter cedido a prefeitura ao Pepê Collaço, por 11 dias, não é um gesto voltado à coligação?
Joares -
Claro que ajuda, mas o prefeito fez isso com todos. Com o Maurício, com o José Luiz e com o Jarrão. Eu reconheço esse gesto do prefeito. Não por estar realizando esse gesto com o presidente, mas com o Poder Legislativo. Isso fortalece a democracia e mostra a segurança que ele tem na câmara.


“O governador é um delinqüente reincidente.
Recentemente ele foi condenado pelo uso
da máquina enquanto prefeito de Joinville.”


DS - Nas últimas eleições, o sr. ampliou a sua base fora, mas por que fez menos votos em Tubarão, que é o seu reduto?
Joares -
Eu fui votado em 247 municípios. Mas fiz menos votos em Tubarão porque me dediquei demais à presidência estadual do partido, e isso me afastou da cidade. Também porque entregamos o comando do partido a pessoas que não cuidaram do meu projeto estadual como deveriam. E porque a coligação que nós integramos lançou o dr. Bertoncini. Um forte candidato, carismático e com muito apoio da máquina. Os funcionários, ao natural, trabalharam para ele.

DS – O Bertoncini, que lhe tirou votos na eleição, é agora candidato a prefeito. O sr. o apoiaria para a prefeitura?
Joares -
Eu faço política olhando para frente. A eleição de 2006 já passou e a mais importante é sempre a próxima. Não guardo mágoa, tenho pelo Manoel Bertoncini um profundo respeito.

DS – O sr. ficou magoado com o prefeito Stüpp, por ele ter lançado o Bertoncini candidato a deputado?
Joares -
Não, o PSDB tinha o direito de lançar quem quisesse. Fiquei magoado pelo fato dele ter apoiado o Luiz Henrique, mas ele já se desculpou publicamente, o que foi muito bem recebido pelo partido.

DS - O PP tem como meta ter 200 candidatos a prefeito em Santa Catarina. Em Tubarão, que é a sua base eleitoral, não é questão de honra ter um?
Joares -
Por isso que escolhemos o nosso candidato a prefeito e faremos um esforço grande para viabilizá-lo. Se nosso candidato superar outras candidaturas, nas pesquisas, não abriremos mão da cabeça-de-chapa.

DS - O PP não lança um candidato a prefeito de Tubarão há 16 anos. Não é um caminho perigoso para o futuro do partido, já que acaba não formando lideranças?
Joares –
Muito perigoso. Por isso eu insisto e faço um esforço muito grande para que lancemos um candidato na cabeça-de-chapa.

DS - O PP fechou aliança com o PT nas eleições de 2006. Agora parece mais próximo do PSDB. Em 2010, é mais provável uma aliança ao governo com o PT ou com o PSDB?
Joares -
Nós encabeçaremos uma frente contra o candidato do PMDB. Na eleição municipal você não pode estabelecer uma diretriz estadual. Nós vamos ter coligação para todo gosto. Vamos estar coligados em alguns municípios com o PT, em outros com o PSDB.

DS - Nas próximas eleições, o sr. será candidato a deputado estadual, federal ou estará na chapa majoritária?
Joares -
Eu não quero ser candidato a deputado federal, não faz parte do meu projeto de vida. Vou fazer um esforço para buscar uma vaga na majoritária. O último tubaronense no governo do Estado, Heriberto Hülse, chegou ao governo em 1952. Se outras regiões ganham tanto e nós choramingamos com razão, é porque não temos representação.

DS - O sr. tem tido uma relação muito próxima com o vice-governador Leonel Pavan. Pode ter uma dobradinha Pavan-Ponticelli, com Amin ao Senado em 2010?
Joares -
À exceção do Réveillon, quando o Pavan soube que eu estava na região e me fez uma agradável recepção, esses encontros têm sido casuais.

DS - O Pavan se queixou alguma vez da aliança com o PMDB?
Joares -
Naturalmente ele, disciplinado que é e sabendo que eu sou um dos principais opositores do governo, sabe o que pode e o que deve falar. Mas é visível que não há um contentamento, está muito claro o projeto do PMDB com o DEM.

DS - O sr. acha que Tubarão é discriminada por parte do governo estadual?
Joares -
Como nunca visto na história, é uma violência. Eu acho que são três fatores: primeiro, para me atingir. Tanto que o governador chegou a chamar Tubarão de terra do desmanche; segundo, porque o Eduardo Moreira é muito ingrato com a terra que lhe deu a esposa. Ele, como sabemos, também não gosta de Tubarão. Faz muito por Laguna e por Criciúma, mas tira daqui tudo que pode. Foi governador por oito meses, ganhou uma aposentadoria vitalícia de R$ 26 mil e não fez absolutamente nada. Terceiro, o governador talvez tenha medo que Tubarão possa representar alguma ameaça numa composição futura.

DS – A secretaria regional não ajuda para trazer verbas?
Joares -
A demonstração de ódio pela nossa região é tão grande que eles a repartiram em três secretarias de quinta categoria, sem força nenhuma. A única secretaria de Criciúma tem muito mais poder que as nossas juntas, que só servem para dar emprego a esse bando de cabos eleitorais.

DS - O sr. acredita que o governador será mesmo cassado?
Joares -
Não há como refutar as provas do uso escandaloso da máquina em favor da reeleição do governador, e ele é um delinqüente reincidente. Recentemente ele foi condenado pelo uso da máquina enquanto prefeito de Joinville. Não é a primeira vez que usa a máquina na campanha.

DS - O Pavan também seria ou pode ser cassado só o governador?
Joares -
Também, porque a chapa é indissolúvel. Mas a estratégia do governo é jogar a decisão para o ano que vem, porque passa da metade do mandato, e aí a escolha do novo governador seria na Assembléia Legislativa, onde o governo tem 27 dos 40 votos.

DS - Se Amin for governador, o sr. será secretário?
Joares -
É uma reflexão que eu não fiz. Essa questão é muito mais jurídica que política.

DS - O Amin iria manter as secretarias regionais?
Joares -
Não. Nós defendemos a descentralização fortalecendo os municípios. Entendemos que o conselho de desenvolvimento regional pode ser mantido e até fortalecido porque são cargos que não têm remuneração. Mas manter esse cabide de empregos espalhados por toda Santa Catarina é uma coisa que não faremos. Eu duvido que o governador saiba dizer, sem olhar no papel, o nome de dez dos quase 60 secretários que ele tem.

DS - Se o Genésio se eleger, ele irá criar sub-prefeituras, uma espécie de descentralização. Se o PP tivesse se aliado a ele nestas eleições, o sr. apoiaria esta descentralização?
Joares -
Em nenhuma hipótese. Não é disso que Tubarão precisa.

DS - O sr. já pediu por várias vezes a instalação de câmeras de segurança nas ruas centrais de Tubarão. Ao não ter seus projetos aprovados pelo governo, o sr. se considera perseguido pelo governador?
Joares -
Sem dúvida. A câmera é equipamento que produz sensação de segurança e permite a segurança ostensiva e o policial ser deslocado para os bairros mais afastados. Mas infelizmente é mais uma demonstração de perseguição e discriminação com nossa cidade.

DS - O PP perdeu deputados importantes, logo no começo do governo LHS. Houve cooptação de deputados por parte do governo?
Joares -
O Altair Guidi foi expulso do nosso partido por isso. O governo o cooptou.

DS – Foi o que o deputado José Paulo Serafim, do PT de Criciúma, chamou na época de "show do milhão"?
Joares -
O show do milhão continua através do Fundo Social, do Fundo Cultural. Basta ver o festival de apropriação destes recursos que está acontecendo com os amigos do governador. O sobrinho do secretário Ivo Carminatti ganhou R$ 1,2 milhão em Criciúma para fazer um filme chamado "Quebrador de Corações". Isso é ser quebrador de cofres. Deu R$ 500 mil para uma peça da Vera Fischer. Um clube no Rincão, de dez sócios, ganhou R$ 250 mil. O Próspera, que nem disputa o Estadual, ganhou R$ 300 mil. O Tubarão, que está na primeira divisão, ganhou quanto? Aí nós temos que ficar comprando rifa!

DS – Tem verba no Orçamento do Estado para o presídio sair ainda neste ano?
Joares -
O presídio regional só está no Orçamento porque eu, o Genésio e o Júlio Garcia apresentamos uma emenda. Infelizmente está há três anos no Orçamento e até aqui nada aconteceu. Se não houver uma ação forte e insistente da comunidade a enrolação vai continuar.

DS - E a arena multiuso? Por que só Tubarão não tem uma?
Joares -
Essas pipocaram no Estado todo. Teve em Jaraguá do Sul, Brusque, Doutor Pedrinho. Eu saio desses municípios com muita inveja, porque o problema é com Tubarão mesmo. Só aqui não sai.


“Eu duvido que o governador saiba dizer,
sem olhar no papel, o nome de dez dos
quase 60 secretários que ele tem.”


DS - O sr. tem uma relação próxima com o PT, principalmente com a senadora Ideli. Por que não consegue canalizar verbas federais para Tubarão?
Joares -
A nossa região nunca ganhou tanto dinheiro federal quanto agora. Seria injusto não reconhecermos o esforço do governo Lula. A duplicação da BR-101 está gerando muitas divisas. O investimento no Porto de Laguna é uma obra que vai transformar a região.

DS - As obras da duplicação não estão em ritmo lento?
Joares -
Não, estão nos prazos. Em alguns trechos a empreiteira não ajudou, mas não é por falta de recursos do governo federal, que paga religiosamente em dia. Acredito que até o final do ano estará concluída 70% da obra. Não sei se o presidente consegue entregar tudo até o final do mandato, porque só a ponte de Cabeçuda, por exemplo, tem quase três quilômetros.

DS - O governo federal vai fazer a ligação entre o aeroporto regional e a BR-101?
Joares -
Vai fazer. A senadora garantiu. Eu quero ver é o governo do Estado fazer o terminal. No governo federal eu confio. Ele assume e faz. No governo do Estado é um blablablá permanente. Entra secretário, sai secretário e a enrolação permanece.

DS - O secretário (de Articulação Nacional) Geraldo Althoff não tem sido um parceiro destes pleitos em Brasília?
Joares -
Eu não sei por onde ele anda. Para Tubarão, se ele trouxe algo, não divulgou. Ele é mais importante e deve mais explicações que o Genésio e o Edinho Bez. Ele é o homem de confiança número um do governador aqui. Já foi senador, conhece os caminhos em Brasília, ocupa um bom espaço no governo. É o único secretário de Tubarão. Criciúma tem sete, então ele deveria valer por sete.

DS - O Eduardo Moreira teve um sobrinho preso no caso da bomba no estádio do Criciúma, e o sr. foi acusado de usar o episódio politicamente. O sr. se excedeu no episódio?
Joares -
Não, absolutamente. Eu fiz um comentário sobre o nepotismo que ele pratica. Não é o único sobrinho dele empregado no governo. Esse rapaz que estourou a mão do seu Ivo e ainda está preso ocupava um importante cargo no governo e só foi exonerado na noite em que foi preso. O Eduardo Moreira tem mais parentes, e quando precisar eu vou dar a lista.

DS – Quantos parentes ele tem no governo?
Joares -
É quase meia dúzia. E os prefeitos passam por essa perseguição! Os prefeitos tiveram que exonerar a primeira-dama. Eu disse ao dr. Gercino (procurador-geral de justiça) que não entendo o excesso de rigor do Ministério Público com as prefeituras e a falta de zelo com o governo do Estado. A deputada Ada de Luca (PMDB) tem o marido presidente da Casan e a cunhada, Dalva Dias, secretária da Família. O deputado Manoel Motta (PMDB) tem a irmã presidente da Cohab. Está faltando o mesmo rigor do MP com o nepotismo no governo do Estado.

DS – Não foi uma crítica, então, à família Fretta?
Joares -
Eu respeito muito a família Fretta, onde tenho muitos amigos. Mas ninguém pode se esconder atrás de um sobrenome e achar que pode sair estourando a mão dos "seus Ivos" da vida. Até porque a ficha deste rapaz nós conhecemos. Ele não é primário. Ele fez parte do outro governo do PMDB, de Paulo Afonso Vieira, quando também tinha sido exonerado. A lei que existe para o pobre também tem que existir para o rico e para o nobre.

DS - Se o Genésio se eleger prefeito, e o sr. for candidato na majoritária, a região perde seus dois deputados estaduais. Quem o sr. aponta como prováveis sucessores de vocês dois na Assembléia?
Joares -
O PMDB elegeu o Genésio e tem força. Não acredito que eles não consigam eleger um deputado. Tem o Ademir, o Brunel, o Maurício. Se eu estiver na majoritária, meu partido tem, além dos nomes de Tubarão, um grande conjunto de prefeitos da região. São pelo menos dez nomes à altura para me substituir e, se meu nome estiver na majoritária, essa candidatura ganharia muito peso.

DS - O sr. pretende ser candidato a prefeito de Tubarão algum dia?
Joares -
Talvez no fim da minha carreira política, já que eu queimei esta fase. O normal seria eu ser vereador, depois prefeito e então deputado, mas houve um salto. Qual político não sonha em ser prefeito da sua cidade? Eu também sonho e talvez esse seja o fechamento da minha carreira.
 

Leia outras entrevistas

 

© 2008 Jornal Diário do Sul. Todos os direitos reservados. 
Desenvolvimento: Adriano Fernandes da Silva / André Henrique