“O governador é um delinqüente reincidente.
Recentemente ele foi condenado pelo uso
da máquina enquanto prefeito de Joinville.”
DS - Nas últimas eleições, o sr. ampliou a sua base
fora, mas por que fez menos votos em Tubarão, que é o seu reduto?
Joares - Eu fui votado em 247 municípios. Mas fiz
menos votos em Tubarão porque me dediquei demais à presidência estadual
do partido, e isso me afastou da cidade. Também porque entregamos o
comando do partido a pessoas que não cuidaram do meu projeto estadual
como deveriam. E porque a coligação que nós integramos lançou o dr.
Bertoncini. Um forte candidato, carismático e com muito apoio da
máquina. Os funcionários, ao natural, trabalharam para ele.
DS – O Bertoncini, que lhe tirou votos na eleição, é
agora candidato a prefeito. O sr. o apoiaria para a prefeitura?
Joares - Eu faço política olhando para frente. A
eleição de 2006 já passou e a mais importante é sempre a próxima. Não
guardo mágoa, tenho pelo Manoel Bertoncini um profundo respeito.
DS – O sr. ficou magoado com o prefeito Stüpp, por
ele ter lançado o Bertoncini candidato a deputado?
Joares - Não, o PSDB tinha o direito de lançar
quem quisesse. Fiquei magoado pelo fato dele ter apoiado o Luiz
Henrique, mas ele já se desculpou publicamente, o que foi muito bem
recebido pelo partido.
DS - O PP tem como meta ter 200 candidatos a prefeito
em Santa Catarina. Em Tubarão, que é a sua base eleitoral, não é questão
de honra ter um?
Joares - Por isso que escolhemos o nosso
candidato a prefeito e faremos um esforço grande para viabilizá-lo. Se
nosso candidato superar outras candidaturas, nas pesquisas, não
abriremos mão da cabeça-de-chapa.
DS - O PP não lança um candidato a prefeito de
Tubarão há 16 anos. Não é um caminho perigoso para o futuro do partido,
já que acaba não formando lideranças?
Joares – Muito perigoso. Por isso eu insisto e
faço um esforço muito grande para que lancemos um candidato na
cabeça-de-chapa.
DS - O PP fechou aliança com o PT nas eleições de
2006. Agora parece mais próximo do PSDB. Em 2010, é mais provável uma
aliança ao governo com o PT ou com o PSDB?
Joares - Nós encabeçaremos uma frente contra o
candidato do PMDB. Na eleição municipal você não pode estabelecer uma
diretriz estadual. Nós vamos ter coligação para todo gosto. Vamos estar
coligados em alguns municípios com o PT, em outros com o PSDB.
DS - Nas próximas eleições, o sr. será candidato a
deputado estadual, federal ou estará na chapa majoritária?
Joares - Eu não quero ser candidato a deputado
federal, não faz parte do meu projeto de vida. Vou fazer um esforço para
buscar uma vaga na majoritária. O último tubaronense no governo do
Estado, Heriberto Hülse, chegou ao governo em 1952. Se outras regiões
ganham tanto e nós choramingamos com razão, é porque não temos
representação.
DS - O sr. tem tido uma relação muito próxima com o
vice-governador Leonel Pavan. Pode ter uma dobradinha Pavan-Ponticelli,
com Amin ao Senado em 2010?
Joares - À exceção do Réveillon, quando o Pavan
soube que eu estava na região e me fez uma agradável recepção, esses
encontros têm sido casuais.
DS - O Pavan se queixou alguma vez da aliança com o
PMDB?
Joares - Naturalmente ele, disciplinado que é e
sabendo que eu sou um dos principais opositores do governo, sabe o que
pode e o que deve falar. Mas é visível que não há um contentamento, está
muito claro o projeto do PMDB com o DEM.
DS - O sr. acha que Tubarão é discriminada por parte
do governo estadual?
Joares - Como nunca visto na história, é uma
violência. Eu acho que são três fatores: primeiro, para me atingir.
Tanto que o governador chegou a chamar Tubarão de terra do desmanche;
segundo, porque o Eduardo Moreira é muito ingrato com a terra que lhe
deu a esposa. Ele, como sabemos, também não gosta de Tubarão. Faz muito
por Laguna e por Criciúma, mas tira daqui tudo que pode. Foi governador
por oito meses, ganhou uma aposentadoria vitalícia de R$ 26 mil e não
fez absolutamente nada. Terceiro, o governador talvez tenha medo que
Tubarão possa representar alguma ameaça numa composição futura.
DS – A secretaria regional não ajuda para trazer
verbas?
Joares - A demonstração de ódio pela nossa região
é tão grande que eles a repartiram em três secretarias de quinta
categoria, sem força nenhuma. A única secretaria de Criciúma tem muito
mais poder que as nossas juntas, que só servem para dar emprego a esse
bando de cabos eleitorais.
DS - O sr. acredita que o governador será mesmo
cassado?
Joares - Não há como refutar as provas do uso
escandaloso da máquina em favor da reeleição do governador, e ele é um
delinqüente reincidente. Recentemente ele foi condenado pelo uso da
máquina enquanto prefeito de Joinville. Não é a primeira vez que usa a
máquina na campanha.
DS - O Pavan também seria ou pode ser cassado só o
governador?
Joares - Também, porque a chapa é indissolúvel.
Mas a estratégia do governo é jogar a decisão para o ano que vem, porque
passa da metade do mandato, e aí a escolha do novo governador seria na
Assembléia Legislativa, onde o governo tem 27 dos 40 votos.
DS - Se Amin for governador, o sr. será secretário?
Joares - É uma reflexão que eu não fiz. Essa
questão é muito mais jurídica que política.
DS - O Amin iria manter as secretarias regionais?
Joares - Não. Nós defendemos a descentralização
fortalecendo os municípios. Entendemos que o conselho de desenvolvimento
regional pode ser mantido e até fortalecido porque são cargos que não
têm remuneração. Mas manter esse cabide de empregos espalhados por toda
Santa Catarina é uma coisa que não faremos. Eu duvido que o governador
saiba dizer, sem olhar no papel, o nome de dez dos quase 60 secretários
que ele tem.
DS - Se o Genésio se eleger, ele irá criar
sub-prefeituras, uma espécie de descentralização. Se o PP tivesse se
aliado a ele nestas eleições, o sr. apoiaria esta descentralização?
Joares - Em nenhuma hipótese. Não é disso que
Tubarão precisa.
DS - O sr. já pediu por várias vezes a instalação de
câmeras de segurança nas ruas centrais de Tubarão. Ao não ter seus
projetos aprovados pelo governo, o sr. se considera perseguido pelo
governador?
Joares - Sem dúvida. A câmera é equipamento que
produz sensação de segurança e permite a segurança ostensiva e o
policial ser deslocado para os bairros mais afastados. Mas infelizmente
é mais uma demonstração de perseguição e discriminação com nossa cidade.
DS - O PP perdeu deputados importantes, logo no
começo do governo LHS. Houve cooptação de deputados por parte do
governo?
Joares - O Altair Guidi foi expulso do nosso
partido por isso. O governo o cooptou.
DS – Foi o que o deputado José Paulo Serafim, do PT
de Criciúma, chamou na época de "show do milhão"?
Joares - O show do milhão continua através do
Fundo Social, do Fundo Cultural. Basta ver o festival de apropriação
destes recursos que está acontecendo com os amigos do governador. O
sobrinho do secretário Ivo Carminatti ganhou R$ 1,2 milhão em Criciúma
para fazer um filme chamado "Quebrador de Corações". Isso é ser
quebrador de cofres. Deu R$ 500 mil para uma peça da Vera Fischer. Um
clube no Rincão, de dez sócios, ganhou R$ 250 mil. O Próspera, que nem
disputa o Estadual, ganhou R$ 300 mil. O Tubarão, que está na primeira
divisão, ganhou quanto? Aí nós temos que ficar comprando rifa!
DS – Tem verba no Orçamento do Estado para o presídio
sair ainda neste ano?
Joares - O presídio regional só está no Orçamento
porque eu, o Genésio e o Júlio Garcia apresentamos uma emenda.
Infelizmente está há três anos no Orçamento e até aqui nada aconteceu.
Se não houver uma ação forte e insistente da comunidade a enrolação vai
continuar.
DS - E a arena multiuso? Por que só Tubarão não tem
uma?
Joares - Essas pipocaram no Estado todo. Teve em
Jaraguá do Sul, Brusque, Doutor Pedrinho. Eu saio desses municípios com
muita inveja, porque o problema é com Tubarão mesmo. Só aqui não sai.