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Felippe Luiz Collaço, apesar de ter
apenas 29 anos, já acumula considerável
história na política tubaronense.
Elegeu-se vereador de Tubarão em
2000, aos 21 anos, e conquistou novo
mandato em 2004. Envolvido no acordo
entre PP e PMDB que estabeleceu
revezamento na presidência da câmara,
chegou à cadeira máxima do legislativo
municipal em janeiro deste anoe assumiu interinamente a prefeitura por
duas semanas.
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PEPÊ COLLAÇO
PRESIDENTE DA CÂMARA DE VEREADOR
Sábado, 17/ e Domingo
18/5/2008 |
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a
“Em momento
algum pensei
em sair do PP e ir para outro partido”
Diário do Sul – O PP está trabalhando o seu
nome para ser candidato a perfeito ou para compor a vice de Manoel
Bertoncini (PSDB)?
Pepê Collaço - O partido me escolheu no começo de abril para ser
pré-candidato a prefeito. Sabemos que deveríamos ter começado mais cedo,
que dependemos da estrutura, mas eu vejo que meu nome tem evoluído,
principalmente depois que eu assumi a presidência da câmara. Eu consegui
apresentar um trabalho e aproximar o meu nome da população tubaronense,
popularizar o meu nome. Nós temos acompanhado pesquisas internas e meu
nome tem evoluído. Só que, para lançar e ter uma candidatura de
respaldo, é preciso fazer uma boa coligação, encontrar partidos que
estejam inseridos neste projeto para que a campanha possa ganhar corpo e
sair vitoriosa no final da eleição. A gente só vai construir essa
candidatura com capacidade de vitória.
Diário do Sul – No que você acha que o
mandato à frente da presidência da Câmara de Vereadores pode ajudar o
sr. na eleição?
Pepê - A presidência da câmara me deu um momento político ímpar no
tabuleiro do jogo. Eu consigo ocupar mais espaço nos meios de
comunicação, na sociedade, nas entidades, estou conseguindo implementar
uma forma de trabalho que fez a população entender a minha forma de
pensar em termos de futuro para a cidade, o que ela precisa para
evoluir. Eu tenho conseguido, principalmente através da imprensa, dar
declarações sobre o que eu penso para o futuro.
Diário do Sul – O PP escolheu um
pré-candidato sob a justificativa de que precisava de uma definição
rápida para poder conversar com os outros partidos sobre coligações.
Depois disso, com quem o PP conversou?
Pepê - Isso aconteceu não só para que a gente pudesse negociar com
outros partidos, mas também para fortalecer um nome, que pudesse chegar
com corpo e estrutura para a campanha majoritária. Um mês depois dessa
escolha, já tivemos demonstrações de que o meu nome tem condições de
encarar uma eleição. Claro que, se fosse escolhido antes, nós estaríamos
melhor. Mas para ter uma estrutura é preciso ter mais partidos conosco,
e nós já conversamos com vários partidos: com o PDT, extra-oficialmente
com o DEM, com o PT, que tem uma proposta de sair sozinho e a
possibilidade foi descartada, e uma aproximação visível com o PSDB, com
quem estamos há oito anos. É claro que houve desgaste, até porque em
qualquer coligação há desgaste, mas se fizermos um balanço destes oito
anos do município conosco, foi positivo. Temos uma certa preferência com
o PSDB, e eu falo por mim e por um sentimento que existe dentro do
partido. O PSDB está muito próximo de uma coligação conosco.
Diário do Sul – E essas resistências podem
se transformar em dissidências?
Pepê - Acredito que não. Vai haver uma resistência muito pequena.
O José Santos Nunes (derrotado por Pepê na pré-convenção do partido para
a indicação para a majoritária) estará conosco. Logo depois que fui
escolhido pré-candidato do partido, eu tive o cuidado de convidá-lo pelo
apreço e pela amizade de anos que eu tenho com ele. Fomos eu e o
presidente do partido (Benito Botega) convidá-lo para participar da
coordenação da minha campanha. Ele se colocou à disposição e tem me
ajudado muito nesse período pré-eleitoral. Ele estará conosco, pedindo
votos, até porque é secretário de Educação e sabe das nossas
dificuldades. O vereador José Luís Tancredo (que abriu mão da disputa
interna em nome de Pepê) também está trabalhando forte. O meu nome já
foi escolhido, é consenso e não haverá dissidências. Podem haver algumas
arestas a serem aparadas por uma ou duas pessoas que sejam contra
coligações com certos partidos, sempre vai ter alguém insatisfeito. Mas
a gente já está preparando o campo para que isso seja leve e nós vamos
inteiros para a coligação.
Diário do Sul – As saídas de Irmoto e Con
do PP foram motivadas pela possibilidade ventilada meses atrás de o PP
não estar coligado com o PSDB na eleição deste ano?
Pepê - Eu não conheço a posição pessoal do Irmoto quanto ao governo
Stüpp, mas nunca soube de uma aproximação dele com o PSDB. Esse não
seria o motivo. No caso do Con, poderia até ser, até porque ele
aparentemente continua próximo ao prefeito, mas saiu há um bom tempo. O
motivo da saída dele não foi a eleição de 2008, foram eleições passadas
e não sou eu quem vai dizer os motivos.
“O governo Lula tem demonstrado
muito carinho pela nossa região.
Não me arrependo de tê-lo apoiado”
Diário do Sul – O presidente do DEM de
Tubarão, César Damiani, disse que você esteve muito próximo de assinar
filiação com o partido. Isso de fato aconteceu?
Pepê - Essa é a primeira oportunidade que eu estou tanto de falar
sobre minha saída ou não do partido. Eu sempre tive uma maneira de fazer
política agregando. Na política, a gente tem que somar, e não dividir.
Eu sempre tive um bom relacionamento com todos os partidos de Tubarão e
a minha casa sempre vai estar aberta para qualquer pessoa conversar
sobre política. O César Damiani é uma pessoa por quem eu tenho um apreço
enorme, é um amigo de anos do meu pai. O Geraldo Althoff é um amigo da
minha família, foi meu médico de infância. Então eu vou sempre conversar
sobre política com eles. Mas em momento nenhum eu pensei em sair do PP e
ir para outro partido. Insatisfações com o meu partido eu já tive, e
isso é natural: gritar, falar de coisas que não te deixam contente. Mas
até chegar a sair do partido é muito diferente. Eu tenho uma raiz enorme
dentro do Partido Progressista, o sangue da minha família está dentro do
partido. Seria muito difícil eu me enxergar em outro partido sabendo que
eu tenho um tio que foi vereador e o meu pai é filiado há anos.
Diário do Sul – E houve proposta do DEM?
Pepê - Houve proposta do DEM para ser candidato a prefeito e
houve propostas de outros partidos, que eu me reservo ao direito de não
revelar.
Diário do Sul – E essa proposta do DEM era
de seguir o mesmo caminho que o partido está seguindo agora, próximo de
indicar a vice de Genésio Goulart (PMDB)?
Pepê - Não chegamos a conversar sobre isso. Eu tive a oportunidade
de conversar com o Geraldo e o César, mas eu não cheguei a admitir a
eles a minha saída. Eles tentaram me convencer, mas eu não saí.
Inclusive foi dito que eu não sairia do partido por causa da decisão do
Supremo Tribunal que poderia cassar meu mandato de vereador. Mas eu dei
entrevistas antes dessa decisão em todas as rádios de Tubarão dizendo
que eu não sairia do partido. Falei para toda a Executiva do partido,
está na ata de uma reunião em que uma correligionária me perguntou isso,
um mês antes da decisão. Eu fui enfático e disse que não sairia, está na
ata para quem quiser ler.
Diário do Sul – Na entrevista que deu aqui, o Joares
disse que você tinha errado e se arrependido no caso da possível ida ao
DEM. Você concorda que errou?
Pepê - Não errei e nem me arrependi. Eu tenho um respeito enorme
pelo Joares, um contato político e uma amizade imensos que nos dão a
liberdade de discordar e discutir. Nós discutimos mesmo e não tenho
vergonha de falar isso, porque Santa Catarina deveria ter mais políticos
como o Joares. Mas eu não errei porque em momento nenhum falei em sair
do partido, falei apenas de insatisfações.
Diário do Sul – E esse episódio todo criou
resistências a você dentro do PP?
Pepê - Muitas inverdades foram faladas nos ouvidos do Joares e
outras pessoas do partido, que escutaram palavras de maneira diferente.
Na política é assim, as viúvas de plantão estão sempre prontas para
fazer o "buxixo". Mas da minha boca ninguém ouviu nada.
Diário do Sul – E por que você acha que o
César Damiani disse que você teria estado perto do DEM?
Pepê - Na política pode se dizer isso, como eu posso dizer que
várias pessoas estão vindo para o PP, como havia muita gente com
possibilidade de vir. Mas eu prefiro não falar, não se faz política
jogando ou agredindo.
Diário do Sul – Nessa época você já tinha
planos de se lançar à majoritária? Essa proposta não pressionou o PP a
optar pelo seu projeto?
Pepê - Eu já tinha planos e fiquei feliz com o reconhecimento de
tantos partidos que me procuraram, mas isso me prejudicou e foi colocado
de uma forma para prejudicar. As coisas não aconteceram da maneira como
se disse, eu nunca pensei em sair do partido.
Diário do Sul – É conhecido que o deputado
Joares Poncielli, presidente estadual do partido, tinha uma preferência
por outro nome para a majoritária: Dionísio Bressan Lemos. Esse episódio
do assédio do DEM sobre você não poderia ter feito o seu nome ganhar
força?
Pepê - O Dionísio seria um grande candidato, eu tenho um apreço
enorme por ele e nós somos parceiros há muito tempo. Mas eu não acredito
que o Joares tivesse preferência, ele quer um nome de consenso, que seja
leal a ele e ao partido. E no quesito lealdade, tanto o Joares quanto o
partido não podem reclamar e nem duvidar de mim. Eu nunca troquei de
partido na vida, voto no Joares desde que ele foi candidato a vereador e
sempre rezei a cartilha do PP, o Joares e o Leodegar Tiscoki, que eu
sempre apoiei, são prova disso. Quando foi preciso apoiar o Lula, e
muitas pessoas do partido tiveram dificuldades em fazer isso, eu apoiei.
Eu sempre fui mais ligado aos candidatos vindos do PSDB, mas apoiei o
Lula e não me arrependo. O governo Lula tem demonstrado muito carinho
pela nossa região, pelo sul do Estado, apesar de o PT não estar conosco
na região. Só a duplicação da BR-101 já demonstra isso. A senadora Ideli
Salvatti tem demonstrado apoio quando se fala no Aeroporto Regional. Por
isso eu não me arrependo de tê-lo apoiado.
Diário do Sul – Mas o Joares deu várias
entrevistas falando dessa preferência pelo Dionísio. Isso não pode ter
sido uma represália à sua possível saída do partido?
Pepê - Ele pode ter me visto como candidato a vereador novamente,
que eu não quisesse a majoritária. Eu não vejo essa preferência no
Joares.
Diário do Sul – Voltando à união entre PP e
PT em torno das candidaturas de Amin e Lula em 2006: naquela época,
cogitou-se uma aliança entre você e um candidato do PT para 2008?
Pepê - Sim, mas o PT optou por sair sozinho. A gente procurou o PT
para sairmos juntos, mas foi uma opção deles.
Diário do Sul – Se não houvesse essa
disposição em se coligar com o PSDB, pode-se dizer que a segunda opção
do PP hoje seria o PT?
Pepê - Teriam o PT e o PDT, mas não como vice, só como
cabeça-de-chapa. Eu não estou dizendo que serei vice do PSDB, mas hoje
os dois partidos podem montar uma estrutura viável para vencer a eleição
em Tubarão. Nós já fomos duas vezes vice do PSDB e desta vez vamos lutar
para ter a cabeça-de-chapa, os diretórios dos dois partidos vão ter que
decidir.
Diário do Sul – Nessas conversas com outros
partidos já se fala na próxima eleição para prefeito?
Pepê - Sempre se fala no futuro. É visível o interesse que o nosso
partido tem para 2010. Alguns trabalham 2008 visando 2008. Nós
trabalhamos 2008 visando 2010. O que for preciso para a gente compor e
fazer uma grande eleição em Tubarão e fortalecer o partido para 2010
será feito. Por isso eu não descarto a possibilidade de ser vice do
PSDB, se essa for a melhor alternativa para fortalecer o partido para
2010. Na minha visão, se a gente trouxer o PSDB e o PDT, podemos fazer
um grande projeto para a cidade e chegar fortes em 2010.
Diário do Sul – Quais são os seus projetos
políticos?
Pepê - Eu iniciei a vida pública com 21 anos, fui o vereador mais
jovem de Tubarão. Também fui o mais jovem presidente da câmara e o mais
jovem prefeito. Houve um time de jovens que acreditou em mim, numa
esperança de renovação do quadro político, e a democracia exige essa
alternância de poder. Se eu disser a esse grupo que acreditou em mim que
estou desistindo da política, isso seria uma grande frustração. Eu tenho
aspirações políticas, tanto que eu desisti de ser candidato a vereador,
e eu tinha uma grande eleição na minha mão, para dar este grande salto.
Mas a política vive de momentos e tudo vai depender, em primeiro lugar,
da eleição deste ano. Mas eu tenho planos de ser prefeito ou deputado,
como muita gente tem me procurado com o sonho de ser vereador.
Diário do Sul – Você cogita ser candidato a
deputado estadual em 2010, caso o Joares não concorra para compor a
majoritária?
Pepê - Se isso acontecer, há o meu nome e outros nomes que estarão à
disposição, como os do Dionísio, do Zé Santos, do Zé Luís.
Diário do Sul – A disposição do Zé Santos
em não ser candidato a vereador é irreversível?
Pepê - É, até porque ele não deixou a Secretaria da Educação. E
nós temos que entender, ele não está deixando de concorrer por estar
magoado. Ele já havia declarado que não tinha interesse em ser candidato
a vereador e já participou de três eleições. Eu dou razão a ele: se não
está com vontade, não deve sair mesmo.
“Alguns partidos trabalham 2008 visando
2008. Nós trabalhamos 2008 visando
2010, visando fortalecer o partido”
Diário do Sul – Como você pretende pregar um discurso
de renovação tendo uma raiz tão forte em uma família tradicional da
política tubaronense?
Pepê - A minha família nunca participou ativamente da política,
apesar de o meu primo Mário Botega ter sido presidente da câmara e o
Benito, meu tio, também ter sido vereador. Mas eu nunca tive na minha
família, recentemente, alguém que tenha sido prefeito, a não ser meu
bisavô e meu tataravô, que foram prefeitos no início da cidade. Mas essa
raiz não me prejudica, ao contrário, facilita, porque a população me
conhece e conhece a família Collaço e a família Botega. Sabem da
seriedade dessas pessoas que trabalharam por Tubarão. Quem conheceu a
minha mãe e conhece o meu pai sabem disso.
Diário do Sul - Na última eleição para a Câmara, o PP
teve muitos candidatos muito bem votados, mas só conseguiu lançar dez
nomes e elegeu só dois vereadores. O partido projeta uma coligação na
proporcional para este ano?
Pepê - Foi um erro sairmos sozinhos. Se nós tivéssemos coligado na
proporcional em 2004, poderíamos ter três vereadores. Mas eu não tenho
dúvida que essa proporcional é a maior que já fizemos nas últimas
eleições, apesar de muita gente achar o contrário. Nós perdemos a minha
candidatura e a do Zé Santos, mas estamos ganhando inúmeros nomes: o do
Dionísio; do Laércio Menegaz; do Deka May; do Luiz da Refrigeração, pelo
Bom Pastor; o Madeira, pela Polícia Militar; o Vorli da Pedra, que
representa a Guarda; a Rosimery, minha oficial de gabinete, pelas
mulheres; o Cascão e o Chumbinho vêm fortalecidos. Nós vamos completar a
nossa nominata com 15 candidaturas. Estamos bem servidos para, no
mínimo, repetir o que fizemos na eleição passada, mas estamos procurando
coligações, porque sem coligação podemos lançar 15 nomes. Com coligação,
podemos chegar a 20.
Diário do Sul - E essa coligação poderia ser com o
PDT?
Pepê - A gente conversou com PDT, PR, PTC, PPS, PV, PTdoB. Temos
conversado com inúmeros partidos para fazer um frentão.
Diário do Sul – Você não acha estranho que a Unisul,
dona do maior faturamento e do maior número de empresários da cidade, à
frente até da prefeitura, tenha seu reitor escolhido por indicação,
enquanto na prefeitura há uma eleição?
Pepê - Um dos pedidos que eu fiz ao Aílton (Nazareno Soares, futuro
reitor) é que fizesse com a maior transparência possível o processo de
eleição da reitoria. Eu defendo um modelo diferente, acho que as
eleições não devem ser diretas. A Unisul, como gestora de educação, não
depende mais da prefeitura, tem capacidade de gestão própria, mas tem
que ser mais aberta. Eu acho que as eleições diretas seriam muito
perigosas e várias universidades do país perceberam isso. Poderia haver
uma participação maior dos alunos na escolha dos coordenadores de curso
ou um colégio eleitoral mais amplo.
Diário do Sul – Na prefeitura, você buscaria uma
aproximação com o governo do Estado, apesar de o PP ser o maior opositor
do governador?
Pepê - Essa é a minha característica. Eu defendo um relacionamento
com o governo do Estado e cobro muito isso do prefeito Stüpp, mas eu sei
que quem não tem nos dado atenção é o governador. Dizer que o prefeito
não participava das reuniões do Conselho de Desenvolvimento Regional é
conversa. Vários projetos foram enviados. A população não pode culpar o
prefeito por o governador não estar fazendo obras, até porque o prefeito
buscou aproximação e até o apoiou na eleição. Nós temos que cobrar do
deputado estadual de situação. O governador vem aqui anunciar uma série
de obras na semana que vem, mas seu partido acusa o prefeito de fazer
obras só no ano eleitoral. Pelo menos o prefeito atual faz obras. Eles
só fazem promessas.
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