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João Olávio Falchetti é um novato
na política. Aos 59 anos, é engenheiro
da Caixa Econômica Federal há mais
de 30 anos e proprietário da Pedreira
Falchetti, fundada por seu pai, Delírio
Falchetti. Filiado ao PT desde 2003,
concorre a um cargo eletivo pela
primeira vez em outubro, buscando a
prefeitura de Tubarão pelo PT. A
principal marca da sua candidatura é a
condição que impôs ao partido para
aceitar lançar seu nome: chapa pura.

 



 

OLÁVIO FALCHETTI
Pré-candidato a prefeito (PT)
Sábado, 7/ Domingo, 8/6/2008

a


“Não vou governar sozinho,
mas não vou lotear cargos a partidos”

Diário do Sul - Por que o sr. decidiu ser candidato sem coligações?
Olávio Falchetti –
Quando eu fui convidado para ser candidato a prefeito, eu propus algumas condições para que pudesse atender a este chamado do partido, e a mais impactante delas foi essa, de não fazer coligações. Eu penso que não há necessidade de ter partidos ao nosso lado, porque o PT tem uma ideologia, o PSDB tem outra, o PP tem outra e por aí vai. O momento da eleição é um momento que nós temos de falar e fazer o que nós pensamos, não podemos deixar isso se perder com essas misturas, a coligação é prejudicial. Com ela, é muito fácil eleger um prefeito, mas é muito difícil governar. E mais: o pouco que eu conheço é de engenharia, me falta conhecimento nas áreas da saúde, da educação, da cultura, do turismo e em muitas outras. Então eu preciso estar cercado de técnicos competentes, de um secretariado forte, e isso não seria possível se houver partidos querendo fazer politicagem em cima da administração. Não são todos que fazem isso, mas numa coligação nós correríamos esse risco de termos um engenheiro na área da saúde, um médico na área social, tudo para agradar as indicações dos partidos que comporiam uma coligação e teriam direito a cobrar vagas depois. Eu disse ao partido e ainda repito: se o PT optar por fazer coligação, segue tendo o meu apoio, mas eu não serei mais candidato.

Diário do Sul – O sr. impôs outras condições ao partido?
Olávio –
As que sempre foram respeitadas pelo PT, por isso foram menos comentadas: fazer uma campanha limpa, sem atacar a moral de ninguém, sem ofender ninguém. Mesmo que o adversário tente nos manchar inventando qualquer coisa. Nossa campanha servirá para dizermos o que pretendemos fazer por Tubarão, deixemos que cada candidato fale por si mesmo. Também não admito, assim como o partido, a compra de votos. Fazer o cidadão entender a nossa mensagem é muito mais importante que fazer as coisas horríveis que se vê em campanha.

Diário do Sul - Comentou-se que o sr. pretende fazer uma campanha sem cabos eleitorais. É possível chegar à vitória desta maneira?
Olávio -
Algumas coisas não ficaram bem explicadas. Nós não teremos cabos eleitorais do estilo que todos já vimos por aí, com o bolso cheio de dinheiro, tíquetes de gasolina e outras coisas para distribuir aos eleitores. Todas as pessoas que quiserem brigar pela candidatura e pelo projeto por apoio será bem-vinda, mas não iremos comprar votos de jeito nenhum. O eleitor precisa se conscientizar de que quem compra voto faz coisas erradas com o nosso dinheiro e a conta vem muito maior.

Diário do Sul - Se eleito, como o sr. pretende governar e ter maioria na câmara, já que chegaria ao poder sozinho? Admite fazer alianças com outros partidos depois da eleição?
Olávio –
Eu já falei aos correligionários que, depois de eleitos, nós vamos conversar com todas as instituições e inclusive com todos os partidos, para escutar sugestões. O secretariado também poderá ter e terá pessoas de outros partidos, desde que apresentem perfil para exercer aquele cargo. Eu não aceito coligação, mas aceito apoio. Meu maior aliado será o povo, ele me fará ter maioria. Se são eleitos, os vereadores são pessoas dignas, que querem o melhor para a nossa cidade e sempre votariam pelo que a cidade precisa. Se eu tenho a comunidade comigo, eles dificilmente votarão contra os interesses do povo.

Diário do Sul – O sr. pretende formar seu secretariado apenas com integrantes do PT? Ou pode buscar um governo de coalizão com outros partidos?
Olávio –
Vamos convidar pessoas, sem distinção de partidos, porque não vamos governar só para o PT, mas para toda a cidade. Vamos aplicar as bandeiras do PT, e a principal delas será a do orçamento participativo virando lei. Conselhos em diversas regiões vão elencar as necessidades de cada bairro.

Diário do Sul - Haveria restrição a alguns partidos?
Olávio –
Todas as pessoas de boa fé com capacidade serão chamadas para compor. Procurarei dentro do partido e fora. Nós temos de 68 mil a 70 mil eleitores em Tubarão e pouco mais de 10 mil são filiados. Então ainda temos muitas e ótimas opções que não são filiadas a partido algum, e não é preciso estar no partido A ou B para vir ajudar a administração. Se for preciso, vamos buscar os cargos também em outros partidos, sem restrição a nenhum. Basta ser uma pessoa séria que será compromissada com os interesses da população.

Diário do Sul - O sr. é filiado ao PT desde 2003. Por que escolheu o partido?
Olávio –
Pela ideologia do PT, que defende o que eu penso: a defesa do social, dos excluídos, dos diferentes. A busca pela dignidade, pelo mais correto possível. Isso me cativou. Sou filiado desde 2003, mas já desejava fazer isso há muitos anos. Uma pessoa muito chegada a mim disse que era muito difícil o Partido dos Trabalhadores me aceitar por eu ser empresário, mas eu vi que o partido não era fechado à classe empresarial através de algumas lideranças do partido que me procuraram e abriram as portas para mim.

Diário do Sul – O sr. tem planos políticos? Pretende ser candidato a deputado em 2006?
Olávio –
Não. Estou pensando unicamente nesta eleição.

Diário do Sul – O sr. é de uma família tradicionalmente direitista e não encarna o estereótipo do petista clássico, justamente por ser empresário. Como surgiu a sua aproximação com o PT?
Olávio –
Há uma coisa que eu não entendo. Um empresário, antes de tornar-se empresário, pode ter sido um trabalhador. Eu tive a satisfação de ter tido um pai (Delírio Falchetti) empresário, mas ele, antes de chegar a esta condição, foi um puxador de carroça, um grande operário. Um trabalhador que virou empresário. Então o trabalhador, membro do Partido dos Trabalhadores, teria que mudar de partido ao, por sua capacidade e força de vontade, se tornar empresário? São conceitos errados. Muitas pessoas ficam admiradas e perguntam: "Mas Olávio, por que logo o PT?". O PT é uma das coisas mais belas que eu já vi na vida, dentro da sua ideologia e do seu modo de pensar e agir.

Diário do Sul – Em 2004, o PT esteve perto de firmar uma coligação com o PMDB aqui em Tubarão. Se ela tivesse se concretizado, o sr. teria apoiado a candidatura do partido?
Olávio – O PT não deixaria de ser o meu partido, até porque eu respeito todos que fazem coligações, tanto do nosso partido quanto dos outros. Eu tenho muito respeito e admiração pelo Décio (Góes, ex-prefeito e pré-candidato em Criciúma), e ele só vai ser candidato se houver coligação. Aqui é o contrário, eu sou candidato sem coligação. Vamos ter coligações em Capivari de Baixo, Laguna, poderemos ter em Braço do Norte, pelo que se acompanha, e eu respeito todas estas decisões. Cada um trabalha com o que julga ser importante, da sua maneira, e para mim isso é uma questão de ordem.


“Os carros estão abarrotando as nossas
cidades e nós não temos ciclovias. Isso traria menos
congestionamento e mais saúde”


Diário do Sul – O PT não elege um vereador desde 1992. Quais as perspectivas do partido para este ano com relação à proporcional?
Olávio
Eu acredito piamente que nós podemos eleger até três vereadores com este aumento do número de vagas para 17. Na última eleição nós já teríamos garantido a nossa representação se não tivesse baixado para dez vagas e agora viemos melhor, com mais nomes de expressão e com algumas candidaturas que não desenvolveram todo o seu potencial em 2004 mais estruturadas. Nossa meta é aumentar consideravelmente o número de votos para prefeito, até para conseguirmos vencer a eleição, e vamos conscientizar o nosso eleitor da necessidade de votar também nos nossos candidatos a vereador.

Diário do Sul – O pré-candidato a vereador Matusa disse que a sua candidatura traria a possibilidade de o PT ter apoios que não teria com a candidatura dele próprio. Como o sr. tem sentido a recepção de empresários à sua candidatura?
Olávio –
Eu tenho feito várias visitas, ainda sem falar nas eleições, porque não é permitido, mas apresentando a minha forma e a forma do PT de administrar, transparente, me apresentando a quem não me conhece. E a receptividade tem sido muito boa, estou recebendo apoios que nem eu mesmo esperava, e não só de empresários, mas também de médicos, dentistas, professores, operários, gente de todas as classes sociais. Na estou pedindo votos e sei que entre aceitar as idéias e votar vai uma grande diferença, mas o trabalho será consistente. Nós precisamos buscar muitos votos de pessoas de outros partidos e de quem não tem um partido, precisamos de mais de 20 mil votos além dos que o PT já tradicionalmente faz.

Diário do Sul – O governo Lula tem enfrentado altos e baixos, mas o presidente vive, hoje, o seu melhor momento em termos de popularidade. Como o sr. acha que isso pode ajudar a sua campanha?
Olávio –
Vai ajudar muito. Eu trabalho na Caixa Econômica Federal desde 1976, e na época éramos dois engenheiros de Tubarão ao extremo sul e nós dávamos conta da demanda de trabalho porque quase não havia projeto do governo federal, dificilmente se assinava convênio com as prefeituras. Nos últimos anos aumentou consideravelmente o número de engenheiros e nós não conseguimos atender a demanda _ este processo é feito junto à Caixa, que libera a verba do governo. E na maioria das vezes a contrapartida da prefeitura é de 3%. Vêm recursos do Ministério das Cidades, do Ministério do Turismo, do Ministério da Agricultura, do Ministério dos Transportes, Ministério da Educação. É verba para pavimentações, drenagens, casas populares e os prefeitos da região sabem muito bem disso, basta fazer os projetos. A duplicação da BR-101 também será uma grande propaganda do PT, já que está facilitando e protegendo as vidas de muita gente e fará ainda mais quando estiver concluída. Foram anos de espera e o governo Lula realizou este sonho e esta necessidade que todo o Sul do Estado e quem passa por aqui tinha. Assim como o Aeroporto Regional e a estruturação dos portos, que estavam sucateados. Não adianta chegar empresas à região se nós não tivermos energia para que ela possa se instalar e trabalhar.

Diário do Sul – Como o sr. avalia os mandatos de Carlos Stüpp e Genésio Goulart à frente da prefeitura de Tubarão? Considera as obras do asfalto eleitoreiras?
Olávio –
Cada um governou no seu tempo. Daqui a 50 anos, o que eu falo hoje se tornará obsoleto, então nós temos que respeitar cada prefeito e o seu trabalho. Eu faria muitas coisas diferente deles, porque cada um tem a sua maneira de agir.

Diário do Sul – Como o sr. avalia o asfaltamento de várias ruas da cidade, que tem sido tachadas de eleitoreiras por terem saído apenas no ano da eleição, assim como em 2004?
Olávio –
A prefeitura é como o corpo humano. Nós precisamos nos alimentar todos os dias. Caminhar, trabalhar, tomar banho também. A prefeitura também precisa trabalhar todos os anos e todos os meses, e coincidentemente, no governo Stüpp, as obras aparecem no último ano de mandato. Mas ainda bem que elas estão acontecendo, porque é bom para a cidade e para todos nós.

Diário do Sul – O que o sr. pretende mudar na cidade na sua gestão?
Olávio –
Uma das minas preocupações é com o trânsito. Nós estamos no terceiro milênio e os carros estão abarrotando as nossas cidades e nós não temos ciclovias. Se desenvolvermos um projeto neste sentido, vamos conseguir diminuir o número de veículos dos bairros em que é preciso se deslocar dois ou três quilômetros para chegar ao Centro. Isso, além de desafogar o trânsito e as ruas, é bom para a saúde. Mas é preciso ter segurança e respeito à sinalização para a ciclovia e para os pedestres. Mas quando a administração pública não pensa nisso, não se respeita o espaço de cada um. Daqui a 20 anos vai ficar tudo parado, é só vermos a experiência de grandes cidades, como São Paulo. Claro que depende da distância a ser percorrida, mas hoje, em Tubarão, se vê pessoas pegando o carro para percorrer distâncias de dois ou três quilômetros. Vamos ter que estudar minuciosamente o problema para chegar à solução, sabemos que o trânsito da cidade é complexo nas suas principais vias, mas é preciso voltar no tempo neste sentido.


“A idéia (Lei dos Bares) foi adulterada
na sua essência. Como a mudança não
tem legitimidade, não funciona”.


Diário do Sul - Incentivar o uso de transportes alternativos bastaria para resolver o complexo problema do trânsito de Tubarão?
Olávio -
Não, precisamos urgentemente do anel viário para criar mais opções. É um absurdo que toda a cidade tenha que passar pelo Centro para pegar a BR-101 em direção a Florianópolis ou Laguna. O prolongamento da avenida Pedro Zapelline até a Visconde de Barbacena e a construção de uma nova ponte viabilizariam isso, fazendo com que o acesso à BR-101 seja menos complicado. Outra idéia é criar uma ligação direta com a BR-101 da SC-438 em São Martinho, desafogando o trânsito da Patrício Lima.

Diário do Sul – O sr. tem projetos para a educação?
Olávio –
É preciso valorizar e pagar melhor os professores. Em qualquer área da nossa vida, é preciso valorizar, e o professor inicia a formação de engenheiros, médicos, advogados, jornalistas. Todos progridem e só o professor fica na mesma. De mudar isso eu não abriria mão nunca. Nas áreas de risco, a criança sai da escola e não tem onde ficar. É preciso dar atividades integrais a elas: pela manhã, ensino fundamental ou médio; à tarde, dança, teatro, esporte, atividades adicionais. Isso facilitaria a vida dos pais, que poderiam ir trabalhar despreocupados, e dos próprios filhos, que teriam acesso a outras atividades e trabalhariam melhor suas aptidões e ficariam ao largo da marginalidade. Tudo está ligado ao social, porque o nosso maior problema para o futuro está nesses bairros de risco. É preciso acompanhamento social de famílias que vivem em casas sem condições mínimas. Tubarão tem muitas entidades que olham para isso, mas falta uma atenção maior do poder público. E também é preciso integrar a saúde, com um pronto-atendimento 24 horas para pequenas cirurgias.

Diário do Sul – O sr. nunca concorreu a um cargo eletivo. Como pretende convencer o eleitor de que, apesar da inexperiência, pode ser prefeito?
Olávio - O artigo 37 da nossa Constituição fala da moralidade e pela impessoabilidade do gestor público, que passa pela transparência. Ele mostra para o administrador que ele não é o dono, está ali como administrador dos bens públicos. E isso precisa ser sempre destacado, para que as pessoas não pensem que todo mundo que entra na política é picareta, como muita gente vem me dizer. Nós precisamos jogar sementes novas e renovar a política. O governo estará cercado de pessoas experientes e envolvidas com a gestão pública e nós não precisamos ter medo do novo.
 

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