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Manoel Antônio Bertoncini, de 47
anos, é médico e sócio do hospital
Socimed. Filiou-se pela primeira vez
a um partido político, o PSDB, há sete
anos e foi secretário de Saúde
no primeiro governo de Carlos
Stüpp. Foi o segundo vereador mais
votado de Tubarão em 2004, com
2.767 votos. É casado com Márcia,
médica cardiologista (46 anos) e tem dois
filhos: Laís (16) e Igor (11).
É pré-candidato à prefeitura.

 



 

MANOEL BERTONCINI
PRÉ-CANDIDATO A PREFEITO (PSDB)
Sábado, 21/ Domingo, 22/6/2008

a


“Sou a continuidade de um
governo que vem dando certo”

Diário do Sul - A sua candidatura vem sendo propagada como símbolo de renovação na política de Tubarão. Como o sr. pretende se apresentar desta maneira sendo o candidato de situação?
Manoel Bertoncini –
Nós temos pessoas com vários anos de prática político-partidária nesta eleição. Eu sou filiado ao PSDB há sete anos, tenho construído essa curta carreira política em cima de novas propostas e acredito que possa continuar fazendo isso como prefeito. Diferente do que acontecia em outros tempos, iremos receber a prefeitura sem folha de salários atrasadas e com dinheiro em caixa. Se fizermos um comparativo das histórias das candidaturas postas, a nossa é, sem dúvida, a que mais fecha com a questão da renovação.

Diário do Sul – Elegendo-se prefeito, o sr. pode herdar este orçamento engordado em cerca de R$ 100 milhões por conta da ação ganha pela prefeitura contra os bancos. Qual seria a sua ação prioritária à frente da prefeitura?
Bertoncini –
Nossa prioridade é infra-estrutura. A maior reivindicação da comunidade tubaronense é pavimentação e drenagem na periferia. O prefeito Stüpp teve condição e oportunidade de fazer uma transformação no Centro e nos bairros centrais, e vai continuar com estas ações até o final do seu mandato. Com bairros como Humaitá e Oficinas bem adiantados, vamos ter a condição de, com esses recursos, dar um atendimento especial aos bairros mais afastados, principalmente quanto à pavimentação, que é a reivindicação número 1 da sociedade. Mas não vamos esquecer dos pilares do governo do Carlos (Stüpp): educação, saúde e social. E também não podemos esquecer da continuidade das obras na beira-rio, para transformar num cartão-portal da cidade aquele projeto que já foi discutido e aprovado por toda a cidade e que o Stüpp fez a primeira etapa: a pavimentação das avenidas e a construção das calçadas.

Diário do Sul – A interligação entre as margens do rio está nos seus planos?
Bertoncini –
Uma cidade cortada por um rio não tem como não priorizar a construção de pontes. O prefeito Stüpp já tinha esse sonho e com essa vinda dos R$ 100 milhões nós vamos poder realizar esta conquista e fazer a interligação com pelo menos mais uma ponte no Centro. Também há estudos para a construção de uma ponte ligando as margens do rio na Guarda e no final da avenida Marcolino Martins Cabral, facilitando o acesso a Capivari de Baixo. E existe um projeto para uma passarela de pedestres em frente à Unisul.

Diário do Sul – O sr., como médico, projeta investimento na Saúde?
Bertoncini –
Há algumas necessidades que conhecemos desde o primeiro mandato do prefeito Stüpp. A primeira delas é um pronto-atendimento municipal, e nós temos alguns estudos de demanda na emergência do Hospital Nossa Senhora da Conceição que mostram que a necessidade maior se dá entre as 7h e as 23h. Nós poderíamos, junto com o hospital, resolver o problema do atendimento fora deste horário. Nós precisaríamos de um pronto-atendimento municipal, pelo menos, numa primeira etapa, das 7h às 23h. Para uma mãe que tem uma criança com febre, por exemplo. Em princípio não é uma emergência, mas é preciso ter um local para um primeiro atendimento. Esse pronto-atendimento teria que ter acesso facilitado pelo usuário do transporte coletivo para que haja facilidade em chegar. Fizemos estudos e o primeiro local estudado para isso é onde era a Unidade Sanitária, perto da antiga rodoviária. Mas, com as avenidas asfaltadas e as novas possibilidades de trânsito, isso pode ser revisto.

Diário do Sul – Enfrentar uma chapa composta por dois ex-prefeitos faz a candidatura de vocês sair atrás?
Bertoncini –
Não. O sentimento que nós encontramos nas pessoas é de renovação. Nós teremos três chapas, e uma delas tem dois ex-prefeitos, o que vem contra o que a população deseja, que é tentar um novo desafio. Isso facilita o trabalho da população, que sabe como foi a administração deles e como foi a administração do governo Carlos Stüpp, da qual nós participamos ativamente. O que vimos dentro do PMDB e do DEM, que são partidos que respeito muito, são lideranças expressivas sendo discriminadas. Vou citar dois exemplos: Maurício da Silva (PMDB) e Geraldo Althoff (DEM).  São políticos sérios, com trabalho comprovado, com novas idéias. Estes nomes seriam nomes de renovação, mas foram tirados da eleição de forma discriminatória, vergonhosa e com exposição intensa na imprensa.

Diário do Sul - O sr. se considera um sucessor do prefeito Stüpp?
Bertoncini – Eu sou continuidade de um governo que vem dando certo, mas nós temos as nossas próprias idéias, que vão melhorar ainda mais a administração municipal.


“A maior reivindicação da
comunidade tubaronense é pavimentação
e drenagem na periferia”.


Diário do Sul – O prefeito Stüpp vem recebendo críticas por estar fazendo obras no ano da eleição. O sr. não acha que elas podem ser consideradas eleitoreiras?
Bertoncini –
Tudo o que for feito dentro do mandato não pode ser considerado eleitoreiro. Eleitoreiro é fazer asfalto que esfarela e ponte que desaba.

Diário do Sul - A sua candidatura a deputado estadual, em 2006, foi considerada por alguns membros do PP como a responsável pela baixa votação do deputado Joares Ponticelli. O sr. acha que o PP estará unido em torno da sua candidatura?
Bertoncini –
A coligação PSDB/PP vem das bases partidárias. Em primeiro lugar, a minha candidatura vinha da direção estadual do PSDB, que tinha na sua maior liderança, Leonel Pavan, um candidato a vice-governador. Em segundo lugar, nós tínhamos convicção absoluta da reeleição do deputado Joares Ponticelli, pelo seu trabalho no Estado. E isso ficou comprovado pelo resultado da eleição. Nós expusemos aos integrantes do PP essa nossa certeza na reeleição do Joares.

Diário do Sul - O PSDB teve momentos de desgaste com quase todos os partidos da base governista ao longo do governo Stüpp por reclamação de falta de espaço. Como resolver o problema da disputa por cargos na administração?
Bertoncini –
Nós temos conversado com todas as lideranças partidárias e explicado que não estamos loteando a prefeitura, mas os convidando para participar de um projeto de administração da prefeitura de Tubarão. O exemplo que foi dado no segundo mandato do prefeito Stüpp, com a diminuição da máquina, é um exemplo que tem que ser seguido. E isso tem sido colocado para os partidos: a necessidade de termos uma estrutura enxuta, sem loteamento, mas com oportunidades de participação.

Diário do Sul – E qual será o critério para a escolha do secretariado?
Bertoncini –
Critério técnico, sempre que possível escutando as lideranças político-partidárias. Eu fui convidado para ser secretário da Saúde e, quando entrei na secretaria, tinha como objetivo analisar única e exclusivamente o critério técnico da secretaria. Hoje eu vejo que a questão política não pode ser desprezada, mas o critério técnico continua sendo primordial.

Diário do Sul - Em 2004, o PSDB elegeu dois vereadores, e neste ano não contará com a sua candidatura na proporcional. O partido corre o risco de ver sua representação na câmara diminuída? 
Bertoncini –
Com a câmara com dez vereadores, e serão mesmo dez, eu tenho certeza de que o PSDB elegerá no mínimo dois. E nós estamos trabalhando para que a nossa coligação tenha ampla maioria na câmara. Nós temos lideranças que já estavam no partido e outras novas que surgiram para ocupar o espaço da minha candidatura. Nós temos que tentar junto aos demais partidos da coligação formar uma nominata representativa que englobe todos os segmentos da nossa sociedade.

Diário do Sul – Como estão as negociações com o PDT?
Bertoncini –
Eu acredito muito numa coligação com o PDT. Nós temos conversado muito com o presidente Ronério, com o vereador Edson Firmino e com a liderança que é o dr. Reny e temos uma conversa séria, adiantada e com ampla possibilidade de se concretizar.

Diário do Sul – Isso pode incluir uma coligação na proporcional?
Bertoncini –
Pode. Estamos buscando fortalecer e ampliar a possibilidade de cada partido ter a sua participação na câmara. Não estamos buscando apenas apoio, mas uma parceria. Nós também temos tido conversas com as lideranças de partidos que podem contribuir com o nosso governo, como PPS, PTB, PR, PTdoB, PV e PTC.

Diário do Sul – O PSDB exclui apenas os partidos de situação definida (PT, PMDB e DEM)?
Bertoncini –
Com o PT, sabíamos desde o início que as chances seriam mínimas, assim como o PMDB. Chegamos a conversar com o DEM, e nada se concretizou. Mas com os demais partidos a chama está acesa.

Diário do Sul – Tubarão tem um sério problema para a atração de empresas, que é a falta de terrenos para doar. Como o sr. pretende cuidar da geração de empregos?
Bertoncini –
Eu vou dar um depoimento de alguém que ajudou, com mais de 50 sócios, a construir uma empresa: um hospital, que exigiu um grande investimento e que o terreno representou muito pouco deste total. Nosso grande desafio é a criação de novas oportunidade de trabalho. Turismo e prestação de serviços, que já são características de nossa cidade, devem ser priorizadas. Alem disso, devemos estimular a Unisul como fomentadora na implantação de um parque de evolução tecnológica. Indústrias limpas que trazem o desenvolvimento sem prejuízo ambiental para o município. Criaremos também programas de incentivo ao empresário local, dando a ele condições de crescimento de suas atividades.

Diário do Sul - Como prefeito, o sr. teria dois anos de governo Luiz Henrique da Silveira. Buscaria melhorar o relacionamento com o governo do Estado?

Bertoncini – Nós temos a responsabilidade de governar um município de 100 mil habitantes e existem ações em que é fundamental a participação do governo do Estado. Eu pedi votos para eleger o governador Luiz Henrique. Fui candidato a deputado estadual e junto ao meu número estava o 15. O governador está devendo muito a Tubarão e nós vamos ter oportunidade de resgatar essa dívida nestes dois anos.

Diário do Sul – O sr. pretende procurar o governador?
Bertoncini –
Uma de minhas primeiras medidas será marcar uma audiência com o governador para reivindicarmos o que achamos de direito para Tubarão. Há obras que dificilmente teremos condições de fazer apenas com recursos do município. Por exemplo, a ligação entre Tubarão e Laguna. O governo do Estado tem que estar junto, não apenas para facilitar a vida dos tubaronenses, mas também para desenvolver a região maravilhosa das praias de Laguna.

Diário do Sul – O sr. pretende trabalhar com parcerias público-privadas?
Bertoncini –
Aí está a questão da modernização. Eu sou da iniciativa privada e prego uma participação cada vez maior porque a iniciativa privada sabe fazer bem e com custo baixo, menor que o público.

Diário do Sul – Essas parcerias não poderiam melhorar a segurança na cidade?
Bertoncini –
Poderiam, mas isso depende de resolução acima do poder executivo municipal. Mas nós temos exemplos no Brasil de presídios administrados por empresas privadas com excelentes resultados, inclusive para os apenados.

Diário do Sul – Até que ponto o sr. defende a terceirização na administração municipal?
Bertoncini –
Em tudo aquilo que for possível. A participação da iniciativa privada em qualquer área do poder público pode ser efetiva, mas o poder público nunca pode deixar a questão da segurança, e o prefeito Stüpp fez isso, ampliando a secretaria de Segurança e criando a Guarda Municipal. Na área da educação, precisamos ampliar o atendimento ao pré-escolar.

Diário do Sul – Seria viável a terceirização na saúde?
Bertoncini –
Existem serviços feitos hoje. Todas as análise laboratoriais do município hoje são terceirizadas. A prefeitura tem convênio com o Hospital Nossa Senhora da Conceição, com várias clínicas. O Sais é um centro de atendimento multiprofissional de saúde dentro da Unisul com uma equipe de PSFs de saúde bucal mantida pelo poder público municipal. Quando o curso de Medicina foi criado, fizemos vários convênios. Um deles fazia com que os professores, ao darem suas aulas, dessem atendimento com seus alunos aos nossos pacientes em áreas em que não tínhamos especialistas.

Diário do Sul - Qual a sua opinião acerca da discussão sobre o número ideal de vereadores para Tubarão?
Bertoncini –
O aumento do número de vereadores aumentaria a representatividade dos bairros. Hoje existem dez vereadores que precisam se desdobrar para atender todo o município. E desde que me elegi vereador eu questiono o repasse. Não é justo o município ter a obrigatoriedade de repassar 15% de sua arrecadação para a saúde, que é o que a Constituição preconiza, e 8% para a câmara. Se fizermos a comparação entre as necessidades, vamos constatar que a necessidade da saúde é muito maior. É preciso uma readaptação deste valor. Não precisa ser o que foi proposto no Congresso, mas sim um meio termo entre essa proposta e o que é feito hoje.

Diário do Sul - Como o sr. avalia o seu mandato como vereador? Quais foram as suas principais bandeiras à frente do legislativo? 
Bertoncini –
Eu tentei fazer um pouco pelo meu setor, o da saúde. Como eu fui líder do governo, meu mandato visou defender os interesses do executivo. Todas as aprovações que tivemos me exigiram bastante dedicação e acredito que tive sucesso.


"Não é justo o município ter a
obrigatoriedade de repassar 15% de
sua arrecadação para a saúde e 8% para a câmara".


Diário do Sul - A bancada do PMDB na câmara tem recebido muitas críticas porque não teria feito uma oposição muito ferrenha ao governo municipal. O sr. concorda? 
Bertoncini –
Eu já li e escutei muitas críticas dizendo que não há oposição na câmara de Tubarão. Não existe é a oposição do quanto pior, melhor. E essa é uma oposição que nenhum município merece. Mas nós tivemos discussões bastante arraigadas, mas preponderou o convencimento do que era o melhor para a cidade. Mas dizer que não tivemos oposição é injusto com quem nos cobrou nos projetos e leis, mas cobraram dando sugestões, que muitas vezes foram acatadas. Talvez por isso haja essa impressão de que não temos oposição.

Diário do Sul – Onde o prefeito Stüpp errou e o sr. pretende fazer diferente?
Bertoncini –
Onde ele errou, teve a oportunidade de consertar e o fez. No tamanho do governo no segundo mandato. O erro não foi só do prefeito, mas de todos que estavam com ele na composição do governo. Mas a correção veio através dele próprio, que assumiu o desgaste junto aos partidos, mas conquistou o apoio de toda a população, trazendo o quadro da prefeitura para o tamanho que ela tinha condição de sustentar. Um erro que não foi só do prefeito, mas ele é o comandante.

Diário do Sul - Se eleito, o sr. pretende manter a base do secretariado formado por Stüpp? 
Bertoncini –
Não temos compromisso com nenhum nome e vamos discutir com os partidos, também porque pretendemos fazer uma reforma administrativa.

Diário do Sul – O dr. Irmoto, vice do Genésio, disse que pretende fazer um governo a quatro mãos. O seu vice, Pepê Collaço, faria apenas o papel de substituto?
Bertoncini –
O Pepê é um jovem que, na questão político-partidária, tem mais experiência que eu. Tem dois mandatos de vereador, é presidente da câmara e não será coadjuvante, nem na eleição e nem na governabilidade. Ele vai participar ativamente das decisões e dar sua contribuição. O Pepê tem condições de ser prefeito e nos próximos quatro anos estará pleiteando esta condição.

Diário do Sul - Além de rivais, Stüpp e Genésio são desafetos declarados. Como é o seu relacionamento com o Genésio?
Bertoncini –
Não tenho nenhum relacionamento com o deputado Genésio. Apenas o cumprimento, e nada além disso.

Diário do Sul - Quais são as suas referências para a atuação política? 
Bertoncini –
Nós temos referências locais que sobrariam como exemplos para cada um de nós. O prefeito Stüpp é uma referência. O exemplo de luta e combatividade do deputado Ponticel-li, que é um trator na questão política de buscar a melhoria daqueles que ele representa, também. Em nível nacional, eu tive a oportunidade de conhecer muito de perto o trabalho do ministro da Saúde José Serra, também no governo de São Paulo. Ainda no PSDB, o governador Aécio Neves pegou o estado de Minas Gerais praticamente quebrado e o deixou numa condição excepcional de governabilidade.

Diário do Sul – Como prefeito, o sr. pode passar por uma situação embaraçosa se a tríplice aliança for mantida até as eleições, estando aliado com o PMDB no Estado e com o PP no município. Como o sr. projeta este momento?
Bertoncini
– Eu acredito que cada partido terá um candidato. Nós vamos respeitar a nossa coligação em Tubarão, mas vamos seguir um direcionamento do diretório estadual. Acredito que o vice-governador Leonel Pavan estará disputando o governo e nós estaremos o apoiando e já temos um direcionamento para o segundo turno, dependendo de quem chegar lá. Se tivermos um embate entre os nossos parceiros daqui com outros que não são, estaremos com os nossos parceiros.
 

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