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Irmoto José Feuerschuette uma das figuras
mais antigas em atividade na política tubaronense. Referendado como
pré-candidato do DEM a vice-prefeito na
chapa de Genésio Goulart (PMDB), buscará
seu segundo mandato na função, depois de
ter sido eleito em 1988 como vice de
Estener Soratto. Também foi prefeito
entre 1973 e 1976 e entre 1993 e 1996.
Depois de décadas de PP, deve disputar
seu primeiro pleito pelo DEM.

 



 

IRMOTO FEUERSCHUETTE
PRÉ-CANDIDATO A VICE-PREF. (DEM)
Sábado, 14/ Domingo, 15/6/2008

a


“Quem apostar em desentendimento
entre Genésio e eu vai errar”

Diário do Sul – Como o sr. se sente ao lado do PMDB, partido que em muitas eleições foi seu rival?
Irmoto Feuerschuette –
Eu vejo os adversários político de ontem como amigos hoje. Eu sou o adversário mais histórico do PMDB de Tubarão, mas sem jamais ultrapassar o limite da adversidade política. Tanto que na campanha de 1988, com o Estener Soratto, nós já estivemos com o dr. Stélio, que era o principal líder do PMDB e se tornou meu secretário de Saúde. Sempre houve um relacionamento muito bom, inclusive com o Genésio, quando ele foi vereador e prefeito.

Diário do Sul – Mas não houve alguma resistência dentro do PMDB ou do DEM por esse seu passado?
Irmoto –
Que eu saiba, nenhuma resistência. E eu recebia informações de fontes fidedignas de que não havia por parte da direção partidária, do candidato e do diretório do PMDB qualquer rejeição. Pelo contrário, havia uma certa tendência para que eu fosse o vice do Genésio. No DEM, cheguei a convite do grupo que venceu as eleições e hoje detém o comando do partido. Creio que possa ter havido essa resistência de algumas pessoas à indicação do meu nome, mas o Jairo não foi candidato porque não quis. Na véspera da pré-convenção conversei com ele e disse que se ele quisesse ser candidato, não haveria nenhuma objeção da minha parte.

Diário do Sul – Há alguns meses eram vários os pré-candidatos democratas à majoritária, como Geraldo Althoff e Ângelo Zabot, mas a defesa da escolha pelo sr. sempre foi em cima da densidade eleitoral. Há três eleições sem concorrer, o sr. ainda tem votos?
Irmoto –
Eu tenho um estilo de fazer política diferente do de muitos. É um estilo de visitação em massa, que me caracterizou na minha primeira eleição a prefeito, quando eu venci com 31 anos, ainda antes da enchente. É um estilo de fazer campanha correndo casa a casa, loja a loja, visitando a cidade como um todo, além das reuniões e dos grandes comícios.

Diário do Sul – O sr. acha que ainda tem a popularidade de anos atrás?
Irmoto –
Há uma diferença na minha forma de fazer política: eu jamais abandonei a medicina, mesmo sendo prefeito e secretário de Estado. E a medicina é uma maneira fácil de se fazer política, porque vocês está sempre do lado de quem precisa de alguma coisa. Então fica fácil de se estabelecer uma empatia com o paciente que muitas vezes resulta no benefício político. Eu posso não ter no momento o "push" inicial da campanha, mas isso vou buscar com o passar do tempo. Quem ficou sem jogar bola por um tempo e volta, demora um pouco para pegar a embocadura, mas depois a bola rola sem problema nenhum. Tanto a medicina cumpre este papel que grandes líderes políticos de Tubarão são médicos: o Manoel Bertoncini, que deve ser o nosso adversário; o PMDB teve o Stélio e o Nilo; o PT tem o Akilson e o Volnei. São todos grandes líderes políticos de Tubarão. E o meu pai (Otto Feuerschuette) também foi médico e prefeito.

Diário do Sul – O sr. acha que a sua candidatura pode dividir o apoio da classe médica, que tenderia ao Manoel Bertoncini?
Irmoto –
Divide. Eu não diria que isso é um trunfo, mas sem dúvida a classe médica tem companheiros e amigos pessoais que por certo estarão ao nosso lado, de maneira que isso possa influenciar, muito ou pouco, e a classe pode rachar. A classe médica poderia apoiar maciçamente o Manoel, mas hoje está dividida comigo. Na minha primeira eleição, em 1972, uma parte ficou comigo e outra ficou com o Stélio. Na época eram menos médicos, mas a maioria ficou com ele. Hoje eu não sei qual seria o diferencial, mas há um divisor de águas bem nítido entre os dois candidatos a prefeito, sendo um médico e outro tendo um vice médico.

Diário do Sul – O deputado estadual Joares Ponticelli fez algumas críticas ao sr. e disse que a sua saída do PP foi motivada apenas pela derrota de Esperidião Amin na eleição ao governo do Estado. Como o sr. avalia isso?
Irmoto –
Eu não soube disso e faço questão de não saber, até porque o Joares pode dizer que é filhote meu. Quem trouxe o Joares da JPMDB (Juventude do PMDB) para o PP fui eu e ele foi candidato a vereador quando eu era prefeito. A vez de ser deputado era minha e eu a repassei ao Joares (em 1998). Eu fiz o discurso na convenção lançando a candidatura dele. Mas não houve, da parte dele e dos seus companheiros, um reconhecimento por quem tudo fez para eles. Ele chegou aqui como um professor vindo do Alto Vale e se filiou na JPMDB. Depois veio para os quadros do PP, foi secretário, candidato impugnado, teve defesa e venceu. Continuou com apoio, chegou à vereança e foi deputado quando a vez era minha. Momentos antes da convenção, disse a ele que não queria ser candidato e que não tinha a aspiração de ser deputado. Eu dei a deixa e votei nele.


“Quem vai ao médico está precisando de
alguma coisa e essa relação pode trazer
resultado político-partidário””


Diário do Sul – Comenta-se que o sr. queria ser o candidato e ficou chateado por ter perdido a oportunidade para ele.
Irmoto –
Pois se fui eu quem fez o discurso de lançamento da candidatura dele, e ele deve lembrar bem que me procurou na noite da convenção. Se a memória dele é curta, farei lembrá-lo: naquela noite ele me procurou, me achou e falou comigo no meu carro. Naquela noite eu recebi telefonemas de pessoas de Florianópolis que queriam que eu fosse candidato. Logicamente havia no partido uma preferência pelo meu nome. Mas eu não tinha o desejo de ser deputado. E a minha saída não tem nada a ver com a derrota no governo estadual. Talvez até tivesse continuado e feito parte do governo, mas não foi por isso. Foi pela falta de reconhecimento.

Diário do Sul – A sua insatisfação tem algo a ver com o fato de não ter sido candidato a vice-prefeito nas duas eleições vencidas pelo prefeito Carlos Stüpp (PSDB), quando o PP indicou o vice, em 2004?
Irmoto –
Nas duas eleições (2000 e 2004, vencidas por Stüpp) eu seria o candidato a vice. Na primeira, abri mão para o Ângelo Zabot e fiz o pronunciamento do lançamento dele. Eu era o candidato natural e provavelmente ganharia no discurso, se fosse disputar, mas acho que a disputa sempre leva à divisão e achei melhor evitar. Na segunda, eu tinha desejo de ser o candidato e havia vários compromissos comigo, mas rapidamente eles foram esvaindo-se. Deve haver algum motivo, mas como não me quiseram mais, fui para o DEM. Mas não há revanchismo nenhum. Eu vim sem nenhuma pretensão eleitoral e segui o movimento de renovação do partido com alguns companheiros, como o César Damiani, que era presidente e ingressou na política pela minha mão. Ele foi candidato a vereador em 1972, justamente quando me elegi prefeito, e compôs a minha bancada. Como não havia mais um bom relacionamento dentro do PP e não havia participação nenhuma, não havia porque ficar no partido.

Diário do Sul – No seu discurso, depois de ser escolhido pré-candidato a vice-prefeito, o sr. disse que achou que seu tempo na política já havia passado. O sr. chegou a se considerar aposentado?
Irmoto –
Eu não tinha nenhuma pretensão, mas a minha atividade médica e o meio social criaram esta situação. Eu não disputei as últimas três eleições, mas meu nome sempre foi lembrado, e isso não é em vão. Meu nome sempre surge, emerge quando chega o momento das eleições.

Diário do Sul – Enfrentar o PP e muitos históricos aliados de partido não constrange o sr.?
Irmoto –
Não há nenhum constrangimento. Eu não vou dizer nada que não seja verdade ou que eu não possa provar. Não vou inventar coisa alguma e por isso não vejo empecilho algum para subir em um palanque contra meus amigos.

Diário do Sul - Quando chegou ao DEM, o sr. se dispôs a ser candidato a vereador. Depois, mudou de opinião e decidiu concorrer apenas à majoritária. Por quê?
Irmoto –
Eu iniciei minha carreira como prefeito e nunca passei pelo legislativo, com exceção a uma suplência de deputado. Na ocasião, não me elegi por 83 votos e por falta de apoio de lideranças de Tubarão, inclusive do meu partido, que trabalharam frontalmente contra a minha candidatura. Sempre tive desejo de ocupar uma tribuna, mas vimos que havia passado o momento, não trabalhei na linha de uma candidatura desse tipo e não seria mais viável.

Diário do Sul – Como o sr. avalia os oito anos de governo Stüpp?
Irmoto –
Eu não gostaria de me manifestar neste momento. Isso vai ser discutido muito na campanha e vem televisão por aí, que vai proporcionar debates históricos. E, nesse momento, vai se mostrar quem foi quem para Tubarão, porque se tomaram certas atitudes, o porquê de certos direcionamentos nas áreas de saúde, educação, segurança, na esportiva. As duas maiores festas que Tubarão teve foram nos Jogos Abertos em 1976 e 1993. O prefeito nas duas ocasiões era eu e foram festas magníficas, que ficaram marcadas. A primeira contou com a presença do João do Pulo, que esteve em Tubarão. O estádio Domingos Gonzalez ficou lotado, como num Ferro-Luz.

Diário do Sul – O sr. acha que a prefeitura poderia agir diferentemente quanto ao futebol profissional?
Irmoto –
A fusão entre Tubarão e Hercílio Luz foi feita no meu gabinete, numa segunda-feira chuvosa, me lembro bem, com a presença de Túlio Zumblick, Evaristo Niehues e Rui Lima. E ele nasceu vencedor: foi campeão do primeiro turno do Estadual naquele ano. Não há como investir dinheiro público no futebol profissional, diante da necessidade de outros setores, como saúde e educação. Mas a prefeitura pode, indiretamente, ajudar. A drenagem do campo do Hercílio Luz ainda é a mesma feita após as cheias de 1974. A drenagem do Domingos Gonzalez foi feita por nós por causa dos Jogos Abertos. Fizemos isso para que trouxesse benefício para a cidade e fazíamos com todos que assumissem a manutenção das obras, para que isso não virasse custo para o poder público. Nos Jogos Abertos de 1993, nós reconstruímos a pista de atletismo da 3ª Cia de Infantaria do Exército, que estava com as portas fechadas e ameaçada de transferência. Nós conseguimos a permanência da companhia.

Diário do Sul – O sr. acha que hoje Tubarão teria estrutura e condições de sediar mais uma edição dos jogos Abertos?
Irmoto –
Na minha mão, jogo brincando. Genésio e eu, prefeitos, havemos de demonstrar à nossa juventude a nossa capacidade no esporte através dos Jogos Abertos.

Diário do Sul – O sr. se referiu a "prefeitos". Acredita que, se eleitos, vocês fariam um governo a quatro mãos?
Irmoto –
Há de se respeitá-lo como prefeito, mas eu e o Soratto já fazíamos um governo a quatro mãos. Assim como fazíamos eu e o Celso (Meneghel, vice de Irmoto eleito em 1993) no começo da gestão. Quem aposta no desentendimento entre Genésio e eu, perderá.

Diário do Sul – O sr. falou que governou a quatro mãos com o Celso Meneghel, mas houve uma polêmica, porque o sr. teria se compromissado a ceder o cargo ao seu vice e não o fez. O que houve naquela oportunidade?
Irmoto –
Esse problema começou na eleição da Câmara, e não convém buscar isso porque envolve uma série de pessoas. Houve um não-cumprimento de acordo nesta eleição e houve a origem do PMDB na Câmara e aí começaram a construir a candidatura do Genésio a prefeito.

Diário do Sul – Houve uma polêmica dentro do diretório do DEM porque o secretário de Estado Geraldo Althoff teria sugerido uma aliança com o PSDB por avaliar que esta seria a candidatura vencedora. O sr. acha que receberá o apoio de Geraldo?
Irmoto –
Eu acho que, pelo fato de a secretaria regional pertencer ao DEM, ele pode reavaliar esta idéia. O Geraldo sempre foi um batalhador do PFL, chegou a senador e o representa muito bem no governo do Estado e em Brasília. Então, creio que ele entrará aos poucos na campanha e não será nosso adversário.

Diário do Sul – No quadro estadual, o sr. acha que o DEM deve lançar uma candidatura própria em 2010 ou lutar para manter a tríplice aliança unida?
Irmoto –
Se não houver a manutenção, cada partido corre com o seu candidato. Provavelmente de um lado o PP será um dos mais votados e todos estarão contra eles no segundo turno. E provavelmente eles não sairão vencedores, porque o PP sempre saiu perdedor no segundo turno quando eu estava filiado lá. Todos se unem contra ele. Mesmo agora, quando o Esperidião tentou uma aproximação com o PT, a diferença ultrapassou a casa dos 150 mil votos.

Diário do Sul – Dividir as candidaturas seria uma forma de forçar o segundo turno e a derrota do PP?
Irmoto –
Eu não diria forçar a derrota do PP, mas se houver uma divisão de candidaturas entre PMDB, PSDB e DEM, o mais votado entre os três, contando com o apoio de todos, será governador.


“Se a tríplice aliança se dividir, quem fizer
mais votos será governador, se todos se unirem.
O PP sempre perde no segundo turno”


Diário do Sul – PMDB e DEM estão prestes a entrar nas eleições com conflitos internos recentes. Eles estão rachados?
Irmoto –
Compete às direções político-partidárias trabalhar estes episódios, que prejudicam o processo eleitoral. O que eu disse do Geraldo eu digo do professor Maurício, que sempre foi partidário e segue nas fileiras do partido, inclusive como candidato. Os eleitores do Maurício são eleitores do PMDB e é uma questão de tempo. Com o passar do tempo e à medida que o calor da campanha for crescendo, as coisas vão se ajeitar.

Diário do Sul – PMDB e DEM lançarão uma chapa composta por dois ex-prefeitos. Falta renovação na política tubaronense?
Irmoto –
O Joares surgiu na política pelas mãos de quem? O José Luís Tancredo surgiu na política pelas mãos de quem? E o Cássio Medeiros? E o Zé Santos, vereador e deputado? Existe uma quantidade grande de nomes que surgiram e eram todos componentes da nossa última equipe da prefeitura, trabalharam conosco, tomaram a decisão política e lograram êxito. De nossa parte houve um incentivo muito grande à renovação nos quadros políticos do PP, mas isso não aconteceu com quem me sucedeu. O quadro político tubaronense poderia estar muito diferente se tivessem me acompanhado, mas fui voto vencido. Vamos ver a nominata de vereadores do PP. O PMDB tem nomes novos, o DEM tem nomes novos e o PP certamente terá alguma renovação. Vamos aguardar para ver. Até porque uma renovação na Câmara seria excelente. Sangue novo sempre é bom. E renovação não significa idade, mas sim função. Por isso eu, que estou fora, tento voltar à prefeitura de Tubarão.

Diário do Sul – Por que o sr. acha que a representatividade política de Tubarão é tão inferir à de Criciúma?
Irmoto –
Num país capitalista, quem manda é quem tem capital. Por que São Paulo é mais forte que Santa Catarina, que é mais forte que o Piauí? Porque tem mais capital. Manda quem tem dinheiro. Todos os presidentes saem dos grandes Estados, só o Collor saiu de Alagoas e deu com os burros n’água. Não é um problema de desunião, acontece que Criciúma é forte economicamente e isso gera maior representação política.

Diário do Sul – Vários prefeitos da região têm reiterado que nunca houve tantos recursos do governo federal para os municípios. O governo do Estado também tem feito muitos convênios, com exceção a Tubarão, que tem o famoso problema das negativas. Está mais fácil governar hoje do que na época dos seus mandatos?
Irmoto –
Muito mais fácil. Há mais facilidades. Há o Ministério das Cidades e o governo federal tem muito mais dinheiro, mês a mês a arrecadação aumenta. Acabaram com a CPMF e parecia que o país iria falir, mas nada disso aconteceu. E Tubarão tem uma situação sui generis: nós arrecadamos mais com ISS e IPVA do que com IPTU.

Diário do Sul – O que é preciso fazer para captar mais recursos para Tubarão?
Irmoto –
Conseguir as certidões negativas, até para exigir do governo estes convênios. Eles dizem que têm dinheiro para investir aqui, então vamos trazer isso para cá. É só ver o custo-benefício: se pagar o que se deve gerar muito mais em investimentos, é preciso fazer urgentemente. Também é preciso enxugar o custo da prefeitura para fazer um governo empreendedor. Quando fui prefeito, tive muito pouco auxílio do governo federal e muito menos do estadual. Nos dois anos do governo Paulo Afonso, eu chupava o prego e sentia o gosto da ferrugem.
 

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