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O entrevistado desta semana no Diário do
Sul
é o deputado estadual Genésio Goulart
(PMDB), de 54 anos. Empresário do setor
de transportes e da agropecuária, foi
eleito vereador de Tubarão, sua terra natal,
em 1992, chegando à prefeitura quatro
anos mais tarde. Foi candidato à reeleição
em 2000, mas acabou derrotado
por Carlos Stüpp (PSDB). Elegeu-se
para a Assembléia Legislativa
em 2002 e 2006.

 



 

GENÉSIO GOULART
DEPUTADO ESTADUAL
Sábado, 5 / domingo, 6/4/2008

a


“Vou trabalhar durante todo o
mandato; não apenas no ano da eleição” 

Diário do Sul - O prefeito Carlos Stüpp disse ao Diário do Sul que, se estivesse na sua situação jurídica, não deixaria o mandato de deputado para ser candidato a prefeito. O sr. irá abrir mão da imunidade parlamentar?
Genésio -
Eu sou pré-candidato a prefeito de Tubarão. Quando eu fui prefeito, por quatro anos, eu tive problemas e não pude fazer tudo o que eu queria. No primeiro ano, para me adequar, para ter conhecimento; no último ano, por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal. Então eu tive praticamente dois anos de administração para fazer um bom trabalho.

DS - O que o sr. destaca como positivo na sua gestão?
Genésio -
Tubarão foi a 20ª cidade em qualidade de vida do país, foi a segunda cidade com menor mortalidade infantil do país, foi matéria do Fantástico como o município que mais criou emprego em Santa Catarina em 1999. Foram 208 ruas asfaltadas, pavimentadas e recapeadas, 42 mil tubos de esgoto foram implantados, fizemos mais de 100 casas populares, fizemos a rodoviária dentro de uma área de banhado, fizemos o esgoto ali, o Museu Willy Zumblick, construímos o Cecontu, o Fórum, várias escolas, vários postos de saúde. Com a experiência que eu tenho e com a vontade que tenho de fazer o melhor pelo município, pretendo fazer da cidade a de melhor qualidade de vida do país.

DS - Mas com o sr. se elegendo prefeito, a região perde o único deputado estadual da base governista. Não seria pior para a Amurel?
Genésio -
Hoje não seria, pela experiência que nós temos. Eu vou cuidar bem da nossa cidade e as secretarias regionais (são três na nossa região) e os deputados Edinho Bez e Joares Ponticelli, junto com a prefeitura, vão fazer o melhor pela região.

DS - Neste caso, quem seria o candidato a deputado estadual pelo PMDB em 2010? O sr. pretende deixar a prefeitura para concorrer?
Genésio -
Não. Eu vou continuar sendo prefeito e o espaço está aberto para o PMDB de Tubarão lançar outro candidato.

DS - Por que o PMDB abriu mão da secretaria regional?
Genésio -
Esse foi um acordo feito na coligação do governo do Estado e cumprido. Na época eu participei disso e nós temos que cumprir com a nossa palavra. Prometemos a secretaria regional para o DEM e cumprimos.

DS - Houve um boato de que o ex-secretário Ademir Matos estava se destacando e poderia ser candidato a deputado estadual em 2010, e isso estaria incomodando outras lideranças do PMDB. Isso é verdade?
Genésio -
Não tem nada a ver com isso. Ao contrário, o Ademir pediu para ficar até dezembro, e nós conseguimos deixa-lo até fevereiro. Ele teria que sair para ser candidato a prefeito de Braço do Norte. Foi feito o acordo e cumprido.

DS - Por que o sr. que ser novamente prefeito de Tubarão?
Genésio -
Eu quero ser prefeito novamente porque, pela experiência que eu tenho e pela boa vontade que nossa equipe tem em fazer as coisas, tenho certeza de que faremos uma ótima administração. Tenho certeza de que os tubaronenses voltarão a sentir orgulho da cidade.

DS - O sr. governaria como governou da última vez?
Genésio -
Governaria muito melhor, por causa da experiência que eu, que sou empresário, tive como prefeito. Abri espaço junto aos governos estadual e federal como deputado e tenho as minhas empresas, que são bem administradas, como exemplo. Hoje eu tenho conhecimento de toda a necessidade de nossa cidade. Eu repito: estou preparado para fazer da nossa cidade a de melhor qualidade de vida do país.

DS - O que o sr. fez de errado em sua primeira gestão que não repetiria?
Genésio -
No meu primeiro mandato eu tive uma assessoria com muitas pessoas que não contribuíram muito. No meu segundo mandato eu estarei cercado de pessoas técnicas. Os partidos terão direito a seus cargos, mas as pessoas que vão ocupá-los precisarão ter experiência na função que vão assumir.

DS - Na sua gestão a cidade receberia recursos do governo do Estado?
Genésio -
Eu tenho um projeto que foi parabenizado pelo governador, que inclusive quer falar mais comigo sobre isso. Ele sempre quis ajudar Tubarão, mas está tendo dificuldades com o atual prefeito, que não tem as negativas e não pode receber esta ajuda do governo.

DS - Que projeto é esse a que o sr. se referiu?
Genésio -
Eu quero fazer uma descentralização e dividir o município em quatro regiões e criar sub-prefeituras, mas não para criar cargo. Elas seriam ocupadas por funcionários de carreira e cada uma delas, principalmente as dos bairros do interior, teria um trator, uma retro-escavadeira, uma patrola e uma caçamba, para cuidar dos bairros.


“Quero criar sub-prefeituras, ocupadas por funcionários
de carreira e cada uma com trator, retro-escavadeira, patrola e
caçamba, para cuidar dos bairros.”


DS - Como seria essa divisão de regiões?
Genésio -
Não está definido ainda, mas a idéia é contemplar as regiões de São Martinho, Guarda, Congonhas, enfim, dividir o município em quatro regiões e cada uma delas ter o seu equipamento. Nós temos 48 comunidades na cidade, e eu quero fazer 48 audiências públicas logo depois da eleição, antes de assumir a prefeitura. Quero fazer uma reunião para ouvir as reivindicações dos moradores e comerciantes de cada comunidade.

DS - É uma espécie de orçamento participativo?
Genésio -
Exatamente. A comunidade é que vai dizer o que cada região precisa, os moradores vão dizer as suas necessidades. Eu quero ouvir todos os moradores. Falei isso para o governador e ele me parabenizou. Disse que ele fez o mesmo no segundo e terceiro mandatos como prefeito de Joinville. A cada 90 dias pretendo reunir a imprensa para ouvir sugestões e fazer uma avaliação do mandato com Acit, CDL, Sindilojas, Lions, Rotary, enfim, fazer reuniões individuais com cada entidade a cada 90 dias.

DS - O sr. tem mais planos concretos para a prefeitura?
Genésio -
Eu vou fazer também um centro administrativo, que vai funcionar do gabinete do prefeito às secretarias de Transporte e Obras. Eu também quero administrar com os funcionários. Vou perguntar a eles: "Qual a necessidade de vocês? Façam projetos e me apresentem, depois eu darei a assistência". Os funcionários estão no cargo e têm conhecimento.

DS - O sr. pretende enxugar o número de cargos na prefeitura?
Genésio -
Vamos analisar se é preciso.

DS - Qual seria a sua primeira ação como prefeito?
Genésio -
Fazer essas audiências públicas em todos os bairros da cidade e buscar reuniões com os funcionários, trazer a descentralização ao município. Isso eu faria depois de eleito, mas ainda antes de assumir a prefeitura.

DS - O sr. teria municipalizado a gestão da água, se fosse o prefeito?
Genésio -
Teria municipalizado, mas não terceirizado. Disso eu discordo. Eu negociaria com a Casan para fazer o esgoto e depois acertar um contrato. Se não tivesse acerto, as águas seriam administradas pela prefeitura, que é quem deve fazer isso através do Samae. Mas antes de tomar qualquer tipo de decisão eu consultaria as entidades já citadas, que trabalhariam na descentralização. Eu quero ouvir dos meus parceiros se essa é a coisa certa.

DS - O sr. pretende concluir a avenida Padre Geraldo Spetmann (da rodoviária nova), que o sr. iniciou mas não foi concluída pelo prefeito Stüpp?
Genésio -
Claro. Quando nós fizemos aquela avenida já adequamos o projeto à duplicação da BR-101, porque será uma das entradas do município, juntamente com a Patrício Lima. Por isso que ela foi feita daquela forma, larga e com o esgoto reforçado.

DS - Mas e a ondulação da pista, tem como ser consertada?
Genésio -
Tem, porque ela não foi terminada.

DS - O sr. esteve muito próximo do deputado Joares Ponticelli no ano passado. Vocês chegaram a falar em uma aliança para esta eleição?
Genésio -
Chegamos, e eu sempre tenho dito que a minha vontade é buscar uma união do povo de Tubarão.

DS - Na câmara de Tubarão, PMDB e PP estão juntos há quatro anos num revezamento da presidência. Essa aliança nas eleições está descartada ou ainda há conversas?
Genésio -
Ainda tem conversa com todos os partidos. Essa aliança na câmara foi feita informalmente entre os vereadores, sem o envolvimento do partido.

DS - Como o governo do Estado vê essa aliança com o PP do Joares, maior crítico do governo?
Genésio -
Ninguém faz comentário nenhum porque o município é que decide. O governador deixaria o PMDB de Tubarão se aliar com o PP. O que o partido decidir em Tubarão ele e o Eduardo Moreira, presidente do partido, avalizam.

DS - O vereador Maurício da Silva é do seu partido, mas defende publicamente que o sr. não deveria ser candidato. Isso significa que o partido vai rachado para a campanha?
Genésio -
Não. Dentro do partido nós temos bom relacionamento. Há essa posição do Maurício, e até dentro da nossa família acontece este tipo de coisa, isso também é da política. Eles querem espaço político, mas eu não estou bloqueando este espaço dele ou de outros, é o partido que define. Eu sou pré-candidato a prefeito porque pessoas do partido quiseram e pediram. Fomos à votação e o partido me escolheu.

DS - Se o sr. se eleger, o vereador Maurício pode ser o candidato a deputado estadual em 2010?
Genésio -
Pode, vai depender do partido.

DS - Quem será o seu candidato a vice-prefeito?
Genésio -
Não tem nada definido, isso só sairá em junho. Hoje há cerca de dez nomes, não necessariamente dos partidos da tríplice aliança. Isso vai ser definido pelos partidos que estiverem coligados conosco. Se nós estivermos com sete partidos, vamos nos reunir para ouvir deles quem está à disposição.

DS - O DEM não teria preferência pelo fato de ter assumido a secretaria regional? Não foi colocado no acordo?
Genésio -
Não há essa obrigação, mas está em aberto. Hoje nós temos facilidade em negociar com todos os partidos, com exceção do PSDB e do PT, que disse que não quer fazer coligação. Estamos conversando com todos, mas sem definição de vice, porque isso só pode ser definido em junho. Até lá se pode conversar, mas não haverá uma definição.

DS - O sr. tem preferência pessoal por algum pré-candidato?
Genésio -
Não. Eu vou respeitar o apoio da coligação e o vice que for indicado. Não sou eu quem vai escolher o vice.

DS - Uma ala do partido, liderada pelo próprio Maurício, defende que o partido lance chapa pura. Esse vice poderia ser do próprio PMDB?
Genésio -
Não. Em circunstância alguma o PMDB vai sair em chapa pura.

DS - Como é o seu relacionamento com o governador Luiz Henrique?
Genésio -
Muito bom. É difícil um dia em que ele não me ligue ou eu não ligue para ele. Ele me convidou para ir a Joinville; quer me mostrar o projeto implementado por ele lá e quando soube o que eu pretendo fazer em Tubarão me parabenizou e disse que era isso mesmo que queria me mostrar.

DS - E com o deputado federal Edinho Bez?
Genésio
- Muito bom.

DS - E com o presidente estadual do partido, Eduardo Moreira?
Genésio -
É ótimo, como sempre foi.

DS - Por que falam que ele não gosta de Tubarão?
Genésio -
Isso é bobagem, ele fica muito triste com isso. Vai mais verba para Criciúma porque o prefeito daqui não tem as negativas e não pode receber. Nós fizemos uma reunião onde estavam a Acit, CDL, Ampe e o reitor da Unisul para tratar da arena multiuso e o governador reclamou disso.

DS - Essa dívida que impede a prefeitura de tirar as certidões negativas é grande?
Genésio -
Pelo que o Ademir Matos (então secretário regional) nos passou certa vez, a prefeitura tinha débito com a Celesc, com o Besc e com a Casan, mas não sei o valor da dívida.

DS - O prefeito disse, em entrevista ao Diário do Sul, que apresentaria estas negativas, se tivesse sido chamado para assinar um convênio. O que o sr. diz a respeito?
Genésio -
Ele foi chamado pelo secretário Ademir Matos e nós o levamos para falar com o governador. Na época foram trazidas 100 casas populares, duas viaturas e R$ 150 mil para arrumar o asfalto entre a Madre e o Passo do Gado, mas não pôde ser assinado o convênio. Ele está dizendo isso para se justificar, mas, com todo o respeito, eu não estou criticando, mas sim justificando o porquê de não vir verbas.


“Vai mais verba para Criciúma porque
o prefeito daqui não tem as negativas e
não pode receber verbas do Estado.”


DS - O governador mostrou boa vontade em resolver o problema?
Genésio -
Uma vez o governador me chamou e perguntou o que nós deveríamos fazer com relação a essa dívida. Eu respondi que tenho me colocado à disposição, mas o prefeito não tem me procurado. Só para o hospital de Tubarão eu já trouxe R$ 4 milhões. O prefeito, quando assumiu o cargo, ficou três anos dizendo que estava arrumando a casa. Quando chegou a eleição, ele foi a Joinville, na casa do governador, que ele não tinha apoiado quando era candidato. Pelo contrário, espalhou panfletos na cidade e usou carro de som para criticá-lo. No entanto, ele foi pedir para o governador avalizar um empréstimo de R$ 3,8 milhões junto ao Badesc. O governador liberou na época da eleição, quando ele começou a fazer asfalto, que se trata apenas de manutenção. Ele fez aquilo, não terminou e não fez mais nada. Recomeçou agora.

DS - Não vem verbas para cá, então, não por descaso do governo para com a cidade?
Genésio -
Ele reclama do governo do Estado, mas por que não pede então ao vice-governador, que assume de vez em quando e é do partido dele? O presidente do Badesc também é do partido dele. Dava para pegar um empréstimo de R$ 10 milhões, por que não pegou? Porque não tem as negativas. O governador liberou quase R$ 2 milhões para o prefeito de Jaguaruna, que é do PP, também pelo Badesc.

DS - Mas se o governador for cassado, o sr., como prefeito de oposição, não terá dificuldades de receber verbas também?
Genésio -
Tenho certeza que não vai ocorrer cassação, porque isso é coisa da oposição. Mas quando eu fui prefeito também não recebi nada do governo do Estado e fiz uma bela administração em praticamente dois anos. Não estou preocupado se o governador vai ser de oposição, porque eu estou preparado para administrar a cidade com a minha experiência.

DS - O prefeito Carlos Stüpp disse que o relacionamento dele com o senhor é "frio, gelado" e ele quer distância do PMDB. O sentimento é recíproco?
Genésio -
É. Eu não tenho relacionamento com ele, apesar de ter bom relacionamento com o partido dele. Ele tentou me prejudicar muito. Quando eu fui prefeito, não respondi a nenhum processo. Quando ele assumiu, abriu 11 ações para tentar denegrir a minha imagem. Não me preocupa porque eu não fiz nada de errado, mas me deixa triste. Depois passou três anos sem fazer nada, dizendo que precisava arrumar a casa. No último ano, fez esse empréstimo e ficou mais três anos sem pintar um meio-fio. Agora começou de novo.

DS - O sr. afirma, então, que essas obras são só por causa da eleição?
Genésio -
Sim. Parabéns ao município, porque ele está fazendo, mas é só na época da eleição. Nos oito anos, ele trabalhou seis meses no primeiro mandato e seis meses agora.

DS - O sr. subiria no mesmo palanque que o Stüpp se tivesse que apoiar um candidato ao governo apoiado por PMDB e PSDB?
Genésio -
Não. Eu aceitaria com o PSDB, mas com ele não. Até porque nossa cidade está abandonada, o que está sendo feito é manutenção, e isso precisa ser feito sempre. Ele assumiu a prefeitura dizendo que deixei quatro folhas de pagamento atrasadas, mas isso é bobagem. Eu deixei meia folha atrasada, por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal, que foi criada no último ano do nosso governo. O Tribunal de Contas nos orientou sobre o que deveria ser pago.

DS - O sr. daria continuidade a alguma ação do governo Stüpp?
Genésio -
Com certeza. Meu projeto é para melhorar tudo o que foi começado e faz bem para a cidade. Mas eu vou trabalhar durante todo o mandato, não vou esperar o ano da reeleição.

DS - O prefeito Stüpp criticou nesta entrevista ao DS, sem citar nomes, prefeitos que teriam feito asfalto frio. O sr. acha que essa crítica foi direcionada ao sr.?
Genésio -
Eu só usei asfalto quente. Só teve um trecho frio, de 5,5 km, que eu fiz logo que assumi a prefeitura, na Madre. Pretendo refazer e terminar os 1,2 mil metros que faltam.
 

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