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Flávio da Silva Alves é presidente
do PPS de Tubarão e, pela primeira vez
desde 1992, não será candidato a
vereador, ficando apenas na coordenação
de campanhas do partido. Foi funcionário
da Celesc por 25 anos e candidatou-se
quatro vezes, por quatro partidos diferentes:
PDS (hoje PP) em 1992, PMDB em 1996,
PDT em 2000 e PPS em 2004. Além
de comandar o diretório municipal, é coordenador regional da sigla.

 



 

FLÁVIO ALVES
Presidente do PPS
Sábado, 24/ Domingo, 25/5/2008

a


“O governo não nos chamou
para discutir absolutamente nada”

Diário do Sul - O PPS de Tubarão está mais próximo do PSDB ou do PMDB?
Flávio Alves - Nós ainda temos uma pré-candidatura aberta a coligações, mas vemos um pouco de dificuldade em conduzi-la até os últimos dias. Como ainda estamos tratando de pré-candidaturas, tanto a prefeito, quanto a vice, quanto a vereador, não temos uma definição sobre os rumos do partido. O partido hoje é constituído por um diretório municipal, deixou de ser comissão em novembro do ano passado. A partir do momento que formou-se o diretório, é ele quem vai escolher os rumos em Tubarão. Nós temos o aval do deputado federal Fernando Coruja e do deputado estadual Altair Guidi e faremos em Tubarão a melhor coligação para o PPS, a que o partido entender ser melhor para a sociedade tubaronense e para o desenvolvimento da nossa cidade.

Diário do Sul - Existe uma tendência maior de apoiar uma das duas pré-candidaturas que aparecem dispostas a fazer coligações?
Flávio - Nós falamos em três candidaturas, pelo respeito que eu tenho pelo PT e pelo seu candidato Olávio Falchetti. Mesmo que em nenhum momento o PT tenha nos procurado, até porque eu entendo isso da parte deles. Nós, em nível nacional, estamos muito distantes. Já estivemos mais próximos no passado, mas hoje estamos muito distantes. Mas eu respeito a decisão deles e também não os procurei porque existe uma orientação do nosso diretório estadual e dos nossos deputados Coruja e Altair de procurar preferencialmente os partidos integrantes da tríplice aliança do governo do Estado (PMDB, PSDB e DEM). Então eu não posso reclamar de não ter sido procurado porque também não os procurei, por respeito a essa distância que existe no governo federal.


“O PMDB não cumpriu o que foi acordado
com algumas lideranças em 2004
e isso cria uma certa resistência no PPS”


Diário do Sul - Em 2004, PT e PPS estavam mais próximos no plano nacional e chegaram a conversar sobre a possibilidade de firmar uma coligação. Por que a união não vingou?
Flávio - Porque nós tínhamos um compromisso inicial com algumas lideranças do PMDB, inclusive de abrir a proporcional para que nós pudéssemos compor com eles. Infelizmente, no apagar das luzes, nós fomos tomados de surpresa com o encaminhamento que o PMDB deu, nos deixando de fora da coligação na proporcional (o PMDB acabou coligando-se apenas com o PTdoB na eleição para a câmara de vereadores).

Diário do Sul - Então o PMDB não cumpriu com o que foi acordado?
Flávio - Não cumpriu com o que foi acordado. Não foi assinado, mas existia um compromisso verbal com algumas lideranças do partido. E quando a coisa afunilou e fomos avisados no próprio dia da convenção, à noite, que não estaríamos na coligação da proporcional, as nossas lideranças e as pessoas que estavam comprometidas comigo e com a candidatura da majoritária do PMDB não conseguiram se reunir e traçar outro rumo. Esta foi a nossa dificuldade, e não uma falta de simpatia pelas lideranças ou pela nominata do PT.

Diário do Sul - O partido acabou encabeçando uma coligação com PCdoB, PHS, PL e PTB, partidos pequenos da cidade, e o sr. não se elegeu por falta de legenda, apesar de ter sido o nono mais votado. Se a coligação tivesse sido feita com o PT, a história poderia ter sido diferente?
Flávio - Eu não gosto muito de falar coisas tristes (risos), mas acredito que sim. Acredito que elegeríamos um vereador na proporcional e outro na sobra. Mas o PPS hoje não tem nada fechado. Claro que existe um sentimento de tendência, mas se eu me posicionar, posso influenciar para um lado ou outro. E se nós tivermos que bater chapa, eu não quero ser o primeiro voto, mas sim o último.

Diário do Sul - O fato de o PMDB não ter cumprido o que algumas lideranças combinaram com o sr. cria uma resistência dentro do PPS?
Flávio - Cria. Há um sentimento de desconforto, todo compromisso no meio político, mesmo que seja verbal, tem que ser cumprido. Eu tive três mandatos na câmara de vereadores, passei por quatro candidaturas e fui vereador nos mandados de Irmoto Feuerschuette, Genésio Goulart e Carlos Stüpp. E desafio qualquer pessoa a dizer que eu não respeitei as tratativas, como vereador ou como representante do partido. Tanto que eu fui candidato sempre por partidos diferentes (elegeu-se como suplente em 1992 pelo PDS, hoje PP; em 1996 pelo PMDB; e em 2000 pelo PDT; e em 2004 não se elegeu pelo PPS) e nunca tive problema nenhum em sair dos partidos. Nunca deixei um partido antes da eleição, sempre após o período eleitoral. Na última eleição, para poder acompanhar a Acit, a CDL, a imprensa e o sentimento popular no Voto pela Amurel, eu deixei de ajudar os candidatos do PPS a deputado federal e estadual para não trazer prejuízo à nossa região. E por isso eu corri um sério risco dentro do partido, de ficar à parte do processo por não ter o acompanhado. Naquele momento eu preferi deixar em falta o partido para não deixar em falta a minha região e a minha cidade.

Diário do Sul - O PPS pretende formar uma coligação na proporcional com PSDB, PMDB ou até mesmo com o PT?
Flávio - Quanto ao PT, não tenho nada contra. Eu tenho um grande respeito pelas lideranças do partido, inclusive as que são pré-candidatas na proporcional. Fui colega de câmara com o Matusa, que na época era mais polêmico. Hoje ele faz parte do governo federal e sabe que é preciso ceder para poder administrar. Votei diversas vezes com o Matusa na câmara. Voltou a se falar na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 333 que pode fazer com que Tubarão tenha 17 vereadores. Se isso acontecer, o PPS não tem necessidade de coligar na proporcional e vamos rever o processo e dar outros encaminhamentos. Mas hoje, com dez vereadores, nós vamos coligar na proporcional e em qualquer aliança que venha a acontecer nós temos interesse em compor na proporcional.

Diário do Sul - E como está formada a proporcional do PPS? O que o partido tem a oferecer a possíveis coligados?
Flávio
- Nossa chapa está muito melhor do que na última eleição. Nossas lideranças aumentaram significativamente e alguns pré-candidatos estão dispostos a concorrer com dez ou 17 vagas. Alguns são lideranças comunitárias respeitadas. Temos seis ou sete presidentes de centros comunitários, o que demonstra que nosso partido, em Tubarão, tem simpatia de lideranças populares.

Diário do Sul - O sr. retirou a sua candidatura a vereador. A sua carreira política acabou?
Flávio - Não, absolutamente. Nós estamos num momento de pausa para organizar e administrar o partido. Na semana passada eu fui guindado à condição de coordenador regional-sul do PPS e nem tive tempo ainda de iniciar a visitação em outros municípios, de Florianópolis à divisa com o Rio Grande do Sul. Tanto que eu nem me inteirei ainda da situação nestes municípios, e eu sempre fiz um trabalho sério e com os pés no chão. Eu sou reconhecido na cidade como uma pessoa que tem compromisso com o trabalho que assume. Nós iniciamos a reestruturação do PPS no ano passado sem uma moeda no bolso, sem cargo e sem condições, à base de muito diálogo, com telefone de cartão. Fazer partido assim não é fácil e eu tenho orgulho disso, de conseguir crescer tanto à base de conversas. E não crescemos mais por falta de tempo.


“A gente vê oposição construtiva na TV
Senado, na TV Câmara, mas aqui falta.
Quantas polêmicas houve em quatro anos?”


Diário do Sul - O sr. acha que a câmara perdeu com a diminuição de 17 vereadores para dez?
Flávio - A câmara perdeu, perdeu a população. Antes a população pagava e levava; hoje, paga e não leva. O vereador, queira ou não, é um agente não apenas político na sociedade. A obrigação dele é legislar e fiscalizar, mas ele tem que atuar na comunidade. O vereador vai para a comunidade para levantar o sentimento, para sentir a base, o que a população está querendo. Se a finalidade da redução era diminuir os gastos, por que reduzimos as pessoas e mantivemos os gastos? Não se justifica, é uma falha absurda. Santa Rosa de Lima, por exemplo, tem 2 mil eleitores e Tubarão tem 62 mil, aproximadamente. São 30 eleitores por um, mas Santa Rosa de Lima tem nove vereadores e Tubarão, dez. A comunidade de Santa Rosa de Lima não perdeu, o número de vereadores de lá é até excessivo, poderiam ser sete, não são nem 250 eleitores por vereador. Tubarão deixou de ter 19 agentes políticos buscando e trocando idéias e sentimentos na cidade para ter dez. Existe até um certo descrédito da população quanto à câmara. Muitas pessoas e até mesmo vereadores dizem que sentem a minha falta, dos debates entre os vereadores, de haver oposição. A gente vê debates e oposição construtiva na TV Senado, na TV Câmara, mas aqui falta isso. Quantas polêmicas houve em quatro anos?

Diário do Sul - O fato de o candidato do PMDB na última eleição (Amilton Lemos), apoiado pelo PPS, ter feito uma votação muito abaixo da média do partido dificultou a eleição na proporcional?
Flávio - Ela prejudicou. Quando a majoritária não puxa, a nominata da proporcional fica prejudicada.

Diário do Sul - Mesmo aposentado, o sr. tem participado das discussões sobre questões que envolvam a Celesc no sul do Estado. O governo estuda mesmo transferir as agências de Orleans e Lauro Müller, hoje na regional de Tubarão, para a de Criciúma?
Flávio - Eu ainda sou sindicalizado, faço parte da seguridade social e fui convidado na semana passada para um encontro com funcionários, que estavam bastante tensos e desestimulados porque havia o sentimento de que as agências de Orleans e Lauro Müller seriam transferidas para Criciúma. Eu, como presidente e coordenador do Sul do PPS, acho que cada região tem que ocupar o seu espaço e Criciúma já tem um espaço significativo, até a divisa com o Rio Grande do Sul. As agências regionais de Tubarão e Criciúma têm diferenças administrativas. Nesta reunião estava o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica do Sul do Estado de Santa Catarina, Henri Machado Claudino, que confirmou que existe essa possibilidade, as palavras dele deram a entender que isso realmente aconteceria. Também estava presente o representante dos empregados na comissão de gestão da regional. Mas eu fui tomado de surpresa quando eu vi um manifesto do presidente da Celesc, Eduardo Moreira, dizendo que isso é conversa e não vai acontecer. Eu acho que ele tem razão e acredito nele, mas existe um movimento do secretário regional de Criciúma (Acélio Casagrande) pedindo a transferência da Celesc de Orleans e Lauro Müller para Criciúma e também existe movimentação de políticos desta cidade de que isso aconteça.


“Existe um movimento da SDR de
Criciúma para levar para lá as agências
da Celesc de Orleans e Lauro Müller”


Diário do Sul - Quais seriam os prejuízos da região com essa mudança?
Flávio - Além de ser uma perda significativa para a nossa cidade, com perda de faturamento, número de consumidores e investimento, existe um problema funcional: a agência de Tubarão tem um número de funcionários acima do necessário para a condução do tamanho dela. Se você tira mais serviço da regional, essa situação se agrava. Na reunião, o sindicato garantiu aos funcionários que ninguém vai perder o emprego, mas nem tudo na vida é a segurança do emprego. Também é importante ter trabalho. A usina de preservação de postes de Capivari de Baixo, que tratava postes de madeira e supria todo o Estado com a nossa produção foi fechada e ninguém sabia. Agora, para suprir a necessidade do serviço, a Celesc compra. Algumas lideranças da Celesc dizem que isso é boato, mas não é, e eu gosto que falem a verdade, principalmente quando se fala em empresas públicas. Um grande erro do governo Fernando Henrique Cardoso foi a onda de privatizações, mas isso era discutido, debatido e votado. Muitas vezes eu me manifestava na câmara contra a privatização da Celesc. Eu era questionado se estava querendo garantir o meu emprego, mas nunca fui apegado a isso, a cargo. Eu era gerente comercial, com um dos melhores índices da regional de Tubarão. Reelegemos o governador Luiz Henrique e os deputados Edinho e Genésio e eu resolvi sair da Celesc, mesmo tendo condições de galgar cargos maiores na empresa, mas achei que já tinha cumprido meu papel. Com todo o respeito às lideranças, mas essa história não era conversa, existia esse boato nos bastidores. Muita gente disse que eu me precipitei, que não existe nada oficial. Estão querendo me fazer de bobo, porque depois que for oficializado não tem mais volta. Tem que ser discutido agora. Quando eu era gerente comercial aqui, trabalhei para não receber empreiteiras, trabalhar e valorizar o corpo profissional e batemos todos os recordes de atendimento e qualidade.

Diário do Sul - O sr. sempre teve atuação firme e fiscalizadora na câmara sobre as contas da Unisul. Como está encarando o processo de sucessão da reitoria na universidade?
Flávio - Eu sou um simpatizante verdadeiro da democracia, não a defendo apenas até quando ela me beneficiar. A Unisul é pública ou não é? Nós temos que partir deste princípio. Se ela é pública, temos que atuar desta forma. Eu ainda não discuti a questão das eleições com pessoas com conhecimento de causa. Em outras épocas disseram que eu não entendo nada de Unisul, mas eu sei que nós não podemos esvaziar a universidade em Tubarão, porque eu entendo da necessidade de emprego, de um comércio forte, de um crescimento da universidade aqui em Tubarão. Eu fui um dos poucos que se levantaram na época daquele projeto grande na Pedra Branca, em Palhoça. Não que eu não quisesse a construção, mas por que investirmos mais fora do que aqui, no berço da Unisul? Eu sou bairrista, já fui chefe de torcida e estou defendendo a questão local. Se ela é pública, nós precisamos debater o que é melhor. Quando saiu o time de vôlei em Florianópolis, eu, com pouco conhecimento, tinha que debater com cinco funcionários da universidade que também eram vereadores. E não é fácil debater na tribuna com Rodrigo Althoff, Maurício da Silva, José Santos Nunes, Léo Rosa de Andrade e Dura. Mas eu debatia porque estava tranqüilo com a minha consciência e sei o quanto é importante para Tubarão uma Unisul forte, uma Alcoa forte. Eu nunca me preocupei muito com a questão político-partidária, tanto que votei duas vezes no Lula. Não votei no PT, mas no Lula. Se o meu partido não tem um candidato pronto, que eu tenha certeza de que será o melhor para o País, para o Estado ou para o município, ele não terá o meu voto.

Diário do Sul - O sr. disse que existe uma orientação do partido para coligar com os partidos da tríplice aliança, mas aqui ela deverá estar dividida. Há uma tendência maior a apoiar o PMDB, do governador Luiz Henrique?
Flávio - Não é uma determinação, até porque o nosso presidente estadual, o deputado Coruja, é uma pessoa extremamente simpática e atenta à realidade local. O PPS vai compor com o PT em 200 cidades do País, não existe radicalismo contra o PT e o presidente Lula, mas sim contra algumas ações. O nosso presidente é contra a volta da CPMF e sugeriu formas de arrecadação sem recriá-la. O PPS até pode se coligar com o PMDB, se o diretório definir isso, mas não existe nenhuma facilitação para isso. E para mim não existe a possibilidade de coligar com fulano porque tem mais chances de ganhar, eu gosto é de desafio. Eu saí da Celesc depois da reeleição do governador e não é cargo e nem caneta que define o meu direcionamento, mas sim projetos e propostas colocados com sinceridade. E não existe vínculo com nenhum partido e em nenhum momento nós fomos ouvidos para definição da secretaria regional ou qualquer outra nomeação. Nós não fomos ouvidos para nada. E estamos muito à vontade para compor com quem tiver a melhor proposta para Tubarão.


“Não é fácil debater na câmara sobre a
Unisul com quatro ou cinco vereadores
que são funcionários da universidade”


Diário do Sul - E qual dos pré-candidatos tem apresentado as melhores propostas?
Flávio - Eu não ouvi de nenhum dos pré-candidatos, por exemplo, uma proposta concreta, e não demagógica, para a juventude, para os estudantes que vão sair da Unisul com um diploma e sem emprego, enquanto sobram empregos no Norte. Nós temos pessoas de influência com o governador, com o vice-governador e com o governo federal e ninguém nos traz uma proposta de trazer uma indústria de peso para a região. Eu, quando era vereador, votei na câmara o pagamento da prefeitura pelo terreno do aeroporto de Jaguaruna, no mandato passado e ainda tem político subindo no palanque assinar manifesto. Nós não estamos brigando politicamente para conquistar coisas, mas sim para manter o que temos.

Diário do Sul - Mas surgiu uma possibilidade de o César Damiani (DEM) deixar a SDR e a vaga ser assumida pelo PPS. Ela é real?
Flávio - Os funcionários da Celesc escutaram que a possibilidade de transferir as agências de Orleans e Lauro Müller era conversa e essa é mais uma. O partido não foi chamado e respeitado quando deveria, porque nós fomos à rua para pedir votos para o Luiz Henrique e para os candidatos da região, deixando de lado os do nosso partido. Nós fizemos isso porque sem indústria e sem comércio não existe emprego e imposto.
 

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