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“O governo não
nos chamou
para discutir absolutamente nada”
Diário do Sul - O PPS
de Tubarão está mais próximo do PSDB ou do PMDB?
Flávio Alves - Nós ainda
temos uma pré-candidatura aberta a coligações, mas vemos um pouco de
dificuldade em conduzi-la até os últimos dias. Como ainda estamos
tratando de pré-candidaturas, tanto a prefeito, quanto a vice, quanto a
vereador, não temos uma definição sobre os rumos do partido. O partido
hoje é constituído por um diretório municipal, deixou de ser comissão em
novembro do ano passado. A partir do momento que formou-se o diretório,
é ele quem vai escolher os rumos em Tubarão. Nós temos o aval do
deputado federal Fernando Coruja e do deputado estadual Altair Guidi e
faremos em Tubarão a melhor coligação para o PPS, a que o partido
entender ser melhor para a sociedade tubaronense e para o
desenvolvimento da nossa cidade.
Diário do Sul - Existe
uma tendência maior de apoiar uma das duas pré-candidaturas que aparecem
dispostas a fazer coligações?
Flávio - Nós falamos em
três candidaturas, pelo respeito que eu tenho pelo PT e pelo seu
candidato Olávio Falchetti. Mesmo que em nenhum momento o PT tenha nos
procurado, até porque eu entendo isso da parte deles. Nós, em nível
nacional, estamos muito distantes. Já estivemos mais próximos no
passado, mas hoje estamos muito distantes. Mas eu respeito a decisão
deles e também não os procurei porque existe uma orientação do nosso
diretório estadual e dos nossos deputados Coruja e Altair de procurar
preferencialmente os partidos integrantes da tríplice aliança do governo
do Estado (PMDB, PSDB e DEM). Então eu não posso reclamar de não ter
sido procurado porque também não os procurei, por respeito a essa
distância que existe no governo federal.
“O PMDB não cumpriu o que foi acordado
com algumas lideranças em 2004
e isso cria uma certa resistência no PPS”
Diário do Sul - Em
2004, PT e PPS estavam mais próximos no plano nacional e chegaram a
conversar sobre a possibilidade de firmar uma coligação. Por que a união
não vingou?
Flávio - Porque nós
tínhamos um compromisso inicial com algumas lideranças do PMDB,
inclusive de abrir a proporcional para que nós pudéssemos compor com
eles. Infelizmente, no apagar das luzes, nós fomos tomados de surpresa
com o encaminhamento que o PMDB deu, nos deixando de fora da coligação
na proporcional (o PMDB acabou coligando-se apenas com o PTdoB na
eleição para a câmara de vereadores).
Diário do Sul - Então o
PMDB não cumpriu com o que foi acordado?
Flávio - Não cumpriu com
o que foi acordado. Não foi assinado, mas existia um compromisso verbal
com algumas lideranças do partido. E quando a coisa afunilou e fomos
avisados no próprio dia da convenção, à noite, que não estaríamos na
coligação da proporcional, as nossas lideranças e as pessoas que estavam
comprometidas comigo e com a candidatura da majoritária do PMDB não
conseguiram se reunir e traçar outro rumo. Esta foi a nossa dificuldade,
e não uma falta de simpatia pelas lideranças ou pela nominata do PT.
Diário do Sul - O
partido acabou encabeçando uma coligação com PCdoB, PHS, PL e PTB,
partidos pequenos da cidade, e o sr. não se elegeu por falta de legenda,
apesar de ter sido o nono mais votado. Se a coligação tivesse sido feita
com o PT, a história poderia ter sido diferente?
Flávio - Eu não gosto
muito de falar coisas tristes (risos), mas acredito que sim. Acredito
que elegeríamos um vereador na proporcional e outro na sobra. Mas o PPS
hoje não tem nada fechado. Claro que existe um sentimento de tendência,
mas se eu me posicionar, posso influenciar para um lado ou outro. E se
nós tivermos que bater chapa, eu não quero ser o primeiro voto, mas sim
o último.
Diário do Sul - O fato
de o PMDB não ter cumprido o que algumas lideranças combinaram com o sr.
cria uma resistência dentro do PPS?
Flávio - Cria. Há um
sentimento de desconforto, todo compromisso no meio político, mesmo que
seja verbal, tem que ser cumprido. Eu tive três mandatos na câmara de
vereadores, passei por quatro candidaturas e fui vereador nos mandados
de Irmoto Feuerschuette, Genésio Goulart e Carlos Stüpp. E desafio
qualquer pessoa a dizer que eu não respeitei as tratativas, como
vereador ou como representante do partido. Tanto que eu fui candidato
sempre por partidos diferentes (elegeu-se como suplente em 1992 pelo
PDS, hoje PP; em 1996 pelo PMDB; e em 2000 pelo PDT; e em 2004 não se
elegeu pelo PPS) e nunca tive problema nenhum em sair dos partidos.
Nunca deixei um partido antes da eleição, sempre após o período
eleitoral. Na última eleição, para poder acompanhar a Acit, a CDL, a
imprensa e o sentimento popular no Voto pela Amurel, eu deixei de ajudar
os candidatos do PPS a deputado federal e estadual para não trazer
prejuízo à nossa região. E por isso eu corri um sério risco dentro do
partido, de ficar à parte do processo por não ter o acompanhado. Naquele
momento eu preferi deixar em falta o partido para não deixar em falta a
minha região e a minha cidade.
Diário do Sul - O PPS
pretende formar uma coligação na proporcional com PSDB, PMDB ou até
mesmo com o PT?
Flávio - Quanto ao PT,
não tenho nada contra. Eu tenho um grande respeito pelas lideranças do
partido, inclusive as que são pré-candidatas na proporcional. Fui colega
de câmara com o Matusa, que na época era mais polêmico. Hoje ele faz
parte do governo federal e sabe que é preciso ceder para poder
administrar. Votei diversas vezes com o Matusa na câmara. Voltou a se
falar na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 333 que pode fazer com
que Tubarão tenha 17 vereadores. Se isso acontecer, o PPS não tem
necessidade de coligar na proporcional e vamos rever o processo e dar
outros encaminhamentos. Mas hoje, com dez vereadores, nós vamos coligar
na proporcional e em qualquer aliança que venha a acontecer nós temos
interesse em compor na proporcional.
Diário do Sul - E como
está formada a proporcional do PPS? O que o partido tem a oferecer a
possíveis coligados?
Flávio - Nossa chapa está muito melhor do que na última eleição.
Nossas lideranças aumentaram significativamente e alguns pré-candidatos
estão dispostos a concorrer com dez ou 17 vagas. Alguns são lideranças
comunitárias respeitadas. Temos seis ou sete presidentes de centros
comunitários, o que demonstra que nosso partido, em Tubarão, tem
simpatia de lideranças populares.
Diário do Sul - O sr.
retirou a sua candidatura a vereador. A sua carreira política acabou?
Flávio - Não,
absolutamente. Nós estamos num momento de pausa para organizar e
administrar o partido. Na semana passada eu fui guindado à condição de
coordenador regional-sul do PPS e nem tive tempo ainda de iniciar a
visitação em outros municípios, de Florianópolis à divisa com o Rio
Grande do Sul. Tanto que eu nem me inteirei ainda da situação nestes
municípios, e eu sempre fiz um trabalho sério e com os pés no chão. Eu
sou reconhecido na cidade como uma pessoa que tem compromisso com o
trabalho que assume. Nós iniciamos a reestruturação do PPS no ano
passado sem uma moeda no bolso, sem cargo e sem condições, à base de
muito diálogo, com telefone de cartão. Fazer partido assim não é fácil e
eu tenho orgulho disso, de conseguir crescer tanto à base de conversas.
E não crescemos mais por falta de tempo.
“A gente vê oposição construtiva na TV
Senado, na TV Câmara, mas aqui falta.
Quantas polêmicas houve em quatro anos?”
Diário do Sul - O sr.
acha que a câmara perdeu com a diminuição de 17 vereadores para dez?
Flávio - A câmara
perdeu, perdeu a população. Antes a população pagava e levava; hoje,
paga e não leva. O vereador, queira ou não, é um agente não apenas
político na sociedade. A obrigação dele é legislar e fiscalizar, mas ele
tem que atuar na comunidade. O vereador vai para a comunidade para
levantar o sentimento, para sentir a base, o que a população está
querendo. Se a finalidade da redução era diminuir os gastos, por que
reduzimos as pessoas e mantivemos os gastos? Não se justifica, é uma
falha absurda. Santa Rosa de Lima, por exemplo, tem 2 mil eleitores e
Tubarão tem 62 mil, aproximadamente. São 30 eleitores por um, mas Santa
Rosa de Lima tem nove vereadores e Tubarão, dez. A comunidade de Santa
Rosa de Lima não perdeu, o número de vereadores de lá é até excessivo,
poderiam ser sete, não são nem 250 eleitores por vereador. Tubarão
deixou de ter 19 agentes políticos buscando e trocando idéias e
sentimentos na cidade para ter dez. Existe até um certo descrédito da
população quanto à câmara. Muitas pessoas e até mesmo vereadores dizem
que sentem a minha falta, dos debates entre os vereadores, de haver
oposição. A gente vê debates e oposição construtiva na TV Senado, na TV
Câmara, mas aqui falta isso. Quantas polêmicas houve em quatro anos?
Diário do Sul - O fato
de o candidato do PMDB na última eleição (Amilton Lemos), apoiado pelo
PPS, ter feito uma votação muito abaixo da média do partido dificultou a
eleição na proporcional?
Flávio - Ela prejudicou.
Quando a majoritária não puxa, a nominata da proporcional fica
prejudicada.
Diário do Sul - Mesmo
aposentado, o sr. tem participado das discussões sobre questões que
envolvam a Celesc no sul do Estado. O governo estuda mesmo transferir as
agências de Orleans e Lauro Müller, hoje na regional de Tubarão, para a
de Criciúma?
Flávio - Eu ainda sou
sindicalizado, faço parte da seguridade social e fui convidado na semana
passada para um encontro com funcionários, que estavam bastante tensos e
desestimulados porque havia o sentimento de que as agências de Orleans e
Lauro Müller seriam transferidas para Criciúma. Eu, como presidente e
coordenador do Sul do PPS, acho que cada região tem que ocupar o seu
espaço e Criciúma já tem um espaço significativo, até a divisa com o Rio
Grande do Sul. As agências regionais de Tubarão e Criciúma têm
diferenças administrativas. Nesta reunião estava o presidente do
Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica do Sul do
Estado de Santa Catarina, Henri Machado Claudino, que confirmou que
existe essa possibilidade, as palavras dele deram a entender que isso
realmente aconteceria. Também estava presente o representante dos
empregados na comissão de gestão da regional. Mas eu fui tomado de
surpresa quando eu vi um manifesto do presidente da Celesc, Eduardo
Moreira, dizendo que isso é conversa e não vai acontecer. Eu acho que
ele tem razão e acredito nele, mas existe um movimento do secretário
regional de Criciúma (Acélio Casagrande) pedindo a transferência da
Celesc de Orleans e Lauro Müller para Criciúma e também existe
movimentação de políticos desta cidade de que isso aconteça.
“Existe um movimento da SDR de
Criciúma para levar para lá as agências
da Celesc de Orleans e Lauro Müller”
Diário do Sul - Quais
seriam os prejuízos da região com essa mudança?
Flávio - Além de ser uma
perda significativa para a nossa cidade, com perda de faturamento,
número de consumidores e investimento, existe um problema funcional: a
agência de Tubarão tem um número de funcionários acima do necessário
para a condução do tamanho dela. Se você tira mais serviço da regional,
essa situação se agrava. Na reunião, o sindicato garantiu aos
funcionários que ninguém vai perder o emprego, mas nem tudo na vida é a
segurança do emprego. Também é importante ter trabalho. A usina de
preservação de postes de Capivari de Baixo, que tratava postes de
madeira e supria todo o Estado com a nossa produção foi fechada e
ninguém sabia. Agora, para suprir a necessidade do serviço, a Celesc
compra. Algumas lideranças da Celesc dizem que isso é boato, mas não é,
e eu gosto que falem a verdade, principalmente quando se fala em
empresas públicas. Um grande erro do governo Fernando Henrique Cardoso
foi a onda de privatizações, mas isso era discutido, debatido e votado.
Muitas vezes eu me manifestava na câmara contra a privatização da Celesc.
Eu era questionado se estava querendo garantir o meu emprego, mas nunca
fui apegado a isso, a cargo. Eu era gerente comercial, com um dos
melhores índices da regional de Tubarão. Reelegemos o governador Luiz
Henrique e os deputados Edinho e Genésio e eu resolvi sair da Celesc,
mesmo tendo condições de galgar cargos maiores na empresa, mas achei que
já tinha cumprido meu papel. Com todo o respeito às lideranças, mas essa
história não era conversa, existia esse boato nos bastidores. Muita
gente disse que eu me precipitei, que não existe nada oficial. Estão
querendo me fazer de bobo, porque depois que for oficializado não tem
mais volta. Tem que ser discutido agora. Quando eu era gerente comercial
aqui, trabalhei para não receber empreiteiras, trabalhar e valorizar o
corpo profissional e batemos todos os recordes de atendimento e
qualidade.
Diário do Sul - O sr.
sempre teve atuação firme e fiscalizadora na câmara sobre as contas da
Unisul. Como está encarando o processo de sucessão da reitoria na
universidade?
Flávio - Eu sou um
simpatizante verdadeiro da democracia, não a defendo apenas até quando
ela me beneficiar. A Unisul é pública ou não é? Nós temos que partir
deste princípio. Se ela é pública, temos que atuar desta forma. Eu ainda
não discuti a questão das eleições com pessoas com conhecimento de
causa. Em outras épocas disseram que eu não entendo nada de Unisul, mas
eu sei que nós não podemos esvaziar a universidade em Tubarão, porque eu
entendo da necessidade de emprego, de um comércio forte, de um
crescimento da universidade aqui em Tubarão. Eu fui um dos poucos que se
levantaram na época daquele projeto grande na Pedra Branca, em Palhoça.
Não que eu não quisesse a construção, mas por que investirmos mais fora
do que aqui, no berço da Unisul? Eu sou bairrista, já fui chefe de
torcida e estou defendendo a questão local. Se ela é pública, nós
precisamos debater o que é melhor. Quando saiu o time de vôlei em
Florianópolis, eu, com pouco conhecimento, tinha que debater com cinco
funcionários da universidade que também eram vereadores. E não é fácil
debater na tribuna com Rodrigo Althoff, Maurício da Silva, José Santos
Nunes, Léo Rosa de Andrade e Dura. Mas eu debatia porque estava
tranqüilo com a minha consciência e sei o quanto é importante para
Tubarão uma Unisul forte, uma Alcoa forte. Eu nunca me preocupei muito
com a questão político-partidária, tanto que votei duas vezes no Lula.
Não votei no PT, mas no Lula. Se o meu partido não tem um candidato
pronto, que eu tenha certeza de que será o melhor para o País, para o
Estado ou para o município, ele não terá o meu voto.
Diário do Sul - O sr.
disse que existe uma orientação do partido para coligar com os partidos
da tríplice aliança, mas aqui ela deverá estar dividida. Há uma
tendência maior a apoiar o PMDB, do governador Luiz Henrique?
Flávio - Não é uma
determinação, até porque o nosso presidente estadual, o deputado Coruja,
é uma pessoa extremamente simpática e atenta à realidade local. O PPS
vai compor com o PT em 200 cidades do País, não existe radicalismo
contra o PT e o presidente Lula, mas sim contra algumas ações. O nosso
presidente é contra a volta da CPMF e sugeriu formas de arrecadação sem
recriá-la. O PPS até pode se coligar com o PMDB, se o diretório definir
isso, mas não existe nenhuma facilitação para isso. E para mim não
existe a possibilidade de coligar com fulano porque tem mais chances de
ganhar, eu gosto é de desafio. Eu saí da Celesc depois da reeleição do
governador e não é cargo e nem caneta que define o meu direcionamento,
mas sim projetos e propostas colocados com sinceridade. E não existe
vínculo com nenhum partido e em nenhum momento nós fomos ouvidos para
definição da secretaria regional ou qualquer outra nomeação. Nós não
fomos ouvidos para nada. E estamos muito à vontade para compor com quem
tiver a melhor proposta para Tubarão.
“Não é fácil debater na câmara sobre a
Unisul com quatro ou cinco vereadores
que são funcionários da universidade”
Diário do Sul - E qual
dos pré-candidatos tem apresentado as melhores propostas?
Flávio - Eu não ouvi de
nenhum dos pré-candidatos, por exemplo, uma proposta concreta, e não
demagógica, para a juventude, para os estudantes que vão sair da Unisul
com um diploma e sem emprego, enquanto sobram empregos no Norte. Nós
temos pessoas de influência com o governador, com o vice-governador e
com o governo federal e ninguém nos traz uma proposta de trazer uma
indústria de peso para a região. Eu, quando era vereador, votei na
câmara o pagamento da prefeitura pelo terreno do aeroporto de Jaguaruna,
no mandato passado e ainda tem político subindo no palanque assinar
manifesto. Nós não estamos brigando politicamente para conquistar
coisas, mas sim para manter o que temos.
Diário do Sul
- Mas surgiu uma possibilidade de o César Damiani (DEM) deixar a SDR e a
vaga ser assumida pelo PPS. Ela é real?
Flávio - Os funcionários
da Celesc escutaram que a possibilidade de transferir as agências de
Orleans e Lauro Müller era conversa e essa é mais uma. O partido não foi
chamado e respeitado quando deveria, porque nós fomos à rua para pedir
votos para o Luiz Henrique e para os candidatos da região, deixando de
lado os do nosso partido. Nós fizemos isso porque sem indústria e sem
comércio não existe emprego e imposto.
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