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Possível candidato do PMDB ao governo do Estado em 2010, o lagunense radicado em Criciúma Eduardo Pinho Moreira, 58 anos, preside o diretório estadual do partido. Foi deputado federal entre 1987 e 1993, quando renunciou ao cargo para assumir a prefeitura de Criciúma. Foi secretário de Estado e vice-governador, chegando a assumir o posto por nove meses, quando Luiz Henrique renunciou para dedicar-se exclusivamente à reeleição. Hoje, preside a Celesc.

 



 

EDUARDO MOREIRA
PRESIDENTE ESTADUAL DO PMDB
Sábado, 3/ e Domingo 4/5/2008 

a


“O DEM estará conosco em Tubarão,
faz parte do acordo político” 

Diário do Sul - O deputado Joares Ponticelli (PP) tem repetido reiteradamente que o sr. não gosta de Tubarão. Como o sr. avalia isso?
Eduardo Moreira -
Essa é mais uma das atitudes radicais do deputado. Para não dizer que ele está mentindo, vou dizer que ele se equivoca propositadamente. Ele tem feito isso de forma reiterada e o caso mais emblemático aconteceu numa viagem que o governador Luiz Henrique da Silveira fez aos Estados Unidos. Ele foi à tribuna da Assembléia dizer que o governador viajava para passear, mas foi contestado no mesmo dia por um membro da sua bancada, o deputado Valmir Comin, que disse que ele estava dizendo inverdades, porque o governador, em suas viagens, é um homem extremamente trabalhador, dedicado àquilo que foi tratar como representante de Santa Catarina. Ele cria estes fatos porque talvez veja em mim o adversário mais forte que o seu partido pode enfrentar na eleição para o governo do Estado em 2010. E como eu sou do Sul do Estado e tenho uma condição muito forte na região, nascido em Laguna, casado com uma mulher de Tubarão e trabalhando em Criciúma, talvez ele queira me enfraquecer para poder ter vantagem eleitoral.

Diário do Sul - A que o senhor atribui a pouca quantidade de obras do governo do Estado em Tubarão?
Eduardo Moreira -
No novo sistema de governo, os prefeitos e presidentes de câmaras de vereadores e dois representantes da sociedade civil se reúnem uma vez por mês para discutir as prioridades da sua região e da sua cidade. As conquistas vêm dessa discussão. Aqui em Tubarão não houve a participação do prefeito, que não acreditou no processo da descentralização administrativa e durante os primeiros anos não participou efetivamente destas discussões. O prefeito de Concórdia (Neodi Saretta), que é do PT, participa efetivamente das reuniões e conseguiu um centro de eventos, que está praticamente concluído. Em Chapecó, Criciúma, Joinville, Blumenau, Itajaí e Lages, para citar as maiores cidades do Estado, de todos os partidos, todos participam das reuniões da secretaria e discutem as prioridades. Havendo disponibilidade financeira, elas são atendidas.

Diário do Sul - Mas o governo admite que pouco investiu na região?
Eduardo Moreira -
As obras realizadas na região, especificamente em Tubarão, não são poucas. Foram conquistas. Foram mais de R$ 7 milhões no ano passado, na pavimentação para a Guarda; dezenas de escolas reformadas e construídas; recursos para o hospital de Tubarão. Na história de Santa Catarina _ e a cidade já teve pelo menos dois secretários da Saúde _ nunca um governo do Estado repassou tantos recursos para o hospital. Eu e o governador Luiz Henrique temos o diploma de amigos do Hospital Nossa Senhora da Conceição por ações e recursos repassados. Existe a participação do Badesc, que por decisão do governo do Estado repassou recursos a Tubarão. Há obras que estão aí para todos verem. As pessoas não podem reclamar de o governador ir a Joinville uma vez por semana, numa cidade que o respeita e o apóia.

Diário do Sul - O deputado Joares Ponticelli também afirmou que o sr. tem feito o possível para impedir e atrapalhar as obras do aeroporto de Jaguaruna, numa defesa ao de Forquilhinha. Afinal, qual deve ser a prioridade?
Eduardo Moreira -
É mais um equívoco do deputado. Quando eu disputo uma eleição, disputo para ganhar e nesse momento se usa de vários argumentos e várias posições mais radicais. Passado o período eleitoral, o eleito deve representar sua região, seu município e seu segmento na busca de conquistas. Eu não gostaria de ser guiado pelo que o deputado Ponticelli, de forma mentirosa, diz, mas ele usa sua manifestação de forma radical e às vezes histérica. A pista do Aeroporto Regional de Jaguaruna está pronta e ele precisa ser concluído, os investimentos vão chegar próximos de R$ 50 milhões. É preciso fazer a obra de edificações, trazer os equipamentos para tornar o aeroporto operacional e fazer o acesso. Mas isso não impede que se melhore as condições operacionais do aeroporto Diomício Freitas, em Forquilhinha. Sem aeroporto e com a duplicação da BR-101 em curso, nós estamos isolados por terra e por ar.

Diário do Sul - É possível agradar às regiões de Criciúma e Tubarão com uma mesma obra?
Eduardo Moreira -
Nós, do Sul de Santa Catarina, precisamos nos unir em torno das conquistas, e não disputar coisas. O aeroporto de Jaguaruna merece o apoio de todos nós. Eu não posso chegar em Criciúma e dizer para não fazer nenhuma obra no aeroporto. Isso não existe. Nós só teremos vôos quando tivermos passageiros de Tubarão, de Criciúma, de Araranguá, de Braço do Norte. É isso que vai viabilizar novos vôos. Para o Oeste os aviões vão lotados: dois vôos de Florianópolis e um de São Paulo para Chapecó. Para Forquilhinha os poucos vôos vêm com poucos passageiros porque nós não conseguimos dar esse caráter regional. E eu acredito que esse papel é do aeroporto de Jaguaruna. Numa área de 180 km, há um aeroporto em Florianópolis, outro em Navegantes e outro em Joinville, além de um regional, o Quero-Quero, de Blumenau. Nós aqui temos um, podemos ter um segundo e estamos brigando.

Diário do Sul - O investimento no aeroporto de Forquilhinha não seria equivocado, já que ele poderia vir para acelerar a obra de Jaguaruna?
Eduardo Moreira -
Quem tem que dizer isso são os empresários, não os políticos.

Diário do Sul - Criciúma e Próspera receberam recentemente recursos do governo do Estado para reformarem seus estádios. Por que o mesmo não acontece em Tubarão?
Eduardo Moreira -
Não existe diferença nenhuma de tratamento. Receberam recursos o Próspera, o Criciúma, o Avaí, o Figueirense, o Joinville, o Guarani de Palhoça, a Chapecoense, enfim, todos recebem _ e o Tubarão também vai receber. Se não chegou aqui é porque não tramitou corretamente. O governador Luiz Henrique da Silveira esteve inúmeras vezes em Tubarão, gosta de Tubarão, não existe nenhum tipo de discriminação. É preciso acabar com essa roupagem, porque ela é irreal, não é verdadeira. Os recursos para o Tubarão, se não vieram, virão.

Diário do Sul - A que o sr. atribui essa pecha de que o governo não gosta de Tubarão?
Eduardo Moreira -
O deputado da oposição usa isso sistematicamente, e eu já falei que nós não devemos ser pautados pelas mentiras que ele conta. O governador Luiz Henrique veio aqui várias vezes, estendeu a mão aos seus opositores. Sempre procurou o prefeito Stüpp na busca de um entendimento. O governador não discrimina ninguém.

Diário do Sul - Quais as metas traçadas pelo PMDB para as eleições deste ano?
Eduardo Moreira -
O PMDB de Santa Catarina terá seu grande desempenho nas eleições deste ano. Nós elegemos 114 prefeitos em 2004. A nossa meta é chegar a 50% dos municípios catarinenses, que seriam 147, já que nós temos 293 municípios. Hoje nós governamos 39% das cidades. E uma das regiões em que nós mais vamos crescer é a Amurel. Pelos nomes apresentados e pelo trabalho, não tenho nenhuma dúvida da vitória em Braço do Norte, da recuperação da prefeitura de Capivari de Baixo, da vitória, através de muito trabalho, em Tubarão e Laguna, onde as pesquisas são muito favoráveis. Além de recuperar estas prefeituras, vamos manter as que temos e crescer muito. No Estado, teremos entre 240 e 250 candidatos a prefeito. Em 2004 nós tivemos 220 e nós vamos crescer no número de candidaturas.


“Se não chegou verba para o
Tubarão (clube de futebol), é porque
o projeto não tramitou corretamente”


Diário do Sul - O PMDB vai priorizar a eleição de Tubarão por tratar-se de uma prefeitura estratégica no Sul do Estado, onde o partido perdeu espaço nos últimos anos?
Eduardo Moreira -
Na eleição passada eu me dediquei muito a Criciúma. Neste ano, vou ter uma presença mais próxima em outros municípios. Estarei presente inúmeras vezes em Tubarão, em Braço do Norte, em Laguna, em Imbituba. No Sul do Estado, vou trabalhar de forma muito intensa e quero contribuir nos planos de governo. Tubarão merece um plano de governo realizador e nós precisamos estar preparados para o desenvolvimento que virá com o destravamento da BR-101.

Diário do Sul - O PMDB de Tubarão conta com o apoio do DEM?
Eduardo Moreira -
Eu não tenho nenhuma dúvida disto. O compromisso da saída do Ademir Matos da Secretaria Regional estipulava um compromisso de apoio recíproco em Tubarão e também em Braço do Norte. Isso foi um acordo político e essa seria uma condição para nós, DEM e PMDB, buscarmos juntos o crescimento regional. As lideranças dos dois partidos têm uma idéia muito forte de desenvolvimento. Eu sou um homem do Sul e sei que nós passamos por uma depressão econômica e a região precisa de cuidado. Essa conversa superior é que motivou esse acordo partidário.

Diário do Sul - Mas as lideranças do DEM têm dito que o acordo é estadual, e não regional. O deputado Genésio Goulart também tem dito isso.
Eduardo Moreira -
Eu, como presidente estadual do PMDB, tive participação no acordo. Essa é a minha colocação e ela é verdadeira.

Diário do Sul - Como o partido tem negociado a formação da tríplice aliança nas maiores cidades do Estado?
Eduardo Moreira -
A decisão do diretório estadual é dar liberdade aos diretórios municipais para a formação de alianças porque nós, evidentemente, respeitaremos as peculiaridades locais. Nas grandes cidades, por ordem de tamanho: teremos candidaturas em Joinville, e não podemos desprezar a força política do governador Luiz Henrique; teremos candidatura em Florianópolis, do atual prefeito Dário Berger; em Blumenau, estamos discutindo a indicação do vice na chapa do prefeito João Paulo Kleinubing (DEM); em São José, teremos candidato ou a vereadora Adeliana Dal Pont ou o vereador Neri Amaral; em Criciúma teremos candidato; em Itajaí, provavelmente teremos uma aliança com o PT; teremos candidatura em Jaraguá do Sul; em Chapecó, provavelmente indicaremos o vice do DEM; e em Lages, deveremos compor com o deputado federal Fernando Coruja (PPS).

Diário do Sul - Qual a principal marca da sua gestão à frente da Celesc na região?
Eduardo Moreira -
A Celesc investiu na região de forma muito expressiva na área social. Fez a toda a troca de aparelhos de ar condicionado do Hospital Nossa Senhora da Conceição. Foram 74 aparelhos de ar condicionado, centenas de lâmpadas, mais de R$ 300 mil investidos no hospital. Fizemos a troca de lâmpadas e do sistema elétrico de três ginásios de esporte em Tubarão. Nossa região não é crítica na área de energia. Temos problemas em Sangão e Garopaba, onde estamos construindo subestações. Também estamos discutindo a construção de um grande escritório da Celesc em Tubarão, para concentrar o trabalho que hoje é feito em diversos lugares.


“Eu não posso chegar em Criciúma e
dizer para não fazer nenhuma obra
no aeroporto. Isso não existe”


Diário do Sul - O sr. acredita que PMDB, PSDB e DEM estarão juntos na eleição de 2010?
Eduardo Moreira -
O governador construiu a tríplice aliança de forma muito madura, havia a necessidade da consolidação da descentralização administrativa, que era um processo pioneiro no país. Mas hoje os partidos têm nomes fortes para concorrer: o senador Raimundo Colombo (DEM), o vice-governador Leonel Pavan (PSDB) e o PMDB, maior partido de Santa Catarina, também terá candidato. E o meu nome é o que tem sido lançado. Nós podemos trabalhar, no primeiro turno, com três candidaturas e depois estarmos juntos no segundo turno, se houver. Até porque nós vamos enfrentar, do outro lado, duas candidaturas: uma do PT e outra do PP. Eu trabalho com a hipótese de cinco candidaturas fortes em Santa Catarina, dos cinco maiores partidos.

Diário do Sul - O sr. se apresenta como possível candidato ao governo do Estado em 2010. Há adversários dentro do PMDB pela indicação?
Eduardo Moreira -
Eu gostaria que o PMDB tivesse outros nomes, e vai ter. O Mauro Mariani diz que seu candidato sou eu, mas ganhando a prefeitura de Joinville ele se credencia. Também vejo o deputado Edinho Bez, o ex-governadores Casildo Maldaner e Paulo Afonso. Hoje eu diria que o nome mais possível é o meu, sem falsa modéstia, mas estimulo novas candidaturas e respeitarei o partido, que tem que crescer. Não adianta termos um candidato forte e um partido fraco.

Diário do Sul - Se as maiores lideranças locais do PMDB estiverem ocupando prefeituras em 2010, alguma delas pode vir a deixar o cargo para se candidatar a deputado estadual?
Eduardo Moreira -
Não necessariamente os que estarão no cargo de prefeito, mas também é possível. Estarão todos no jogo, participando ativamente do processo político. Eu sei que a pretensão do ex-secretário Ademir Matos era de ser candidato a deputado estadual, mas o partido pediu para ele ser candidato a prefeito de Braço do Norte. Ele vai cumprir uma missão partidária e pode ser que ele ou outro, em certo momento, seja convocado.

Diário do Sul - Como o governo do Estado encarou a declaração do prefeito Carlos Stüpp de que se arrepende de ter apoiado o governador Luiz Henrique da Silveira nas eleições de 2006?
Eduardo Moreira -
Achei desnecessária. O governador Luiz Henrique estendeu a mão, veio aqui inúmeras vezes, teve uma consideração impressionante pelo prefeito Carlos Stüpp. A relação entre um prefeito e o governador não pode se dar na parte emocional, tem que ser na parte racional. O prefeito Stüpp traria mais benefícios para Tubarão se procurasse ter mais do governador. Tubarão não ganha nada com isso. Ganharia se ele buscasse o governador e explicasse pessoalmente as razões pelas quais ele está reclamando.

Diário do Sul - O governo do Estado não poderia, com boa vontade política, resolver o problema das famosas certidões negativas que a prefeitura não tem e a impedem de firmas convênios com o governo do Estado?
Eduardo Moreira -
Eu sou presidente de uma empresa pública e recebo ligações todos os dias pedindo que eu não corte ou que religue a energia de empresas que não pagaram sua energia. É preciso entender que existem condições legais, eu não posso religar o fornecimento de uma empresa que não pagou. O governo do Estado também tem parâmetros estabelecidos pela lei e os computadores não obedecem nossa vontade, bloqueiam. Prefeituras que têm débitos com Casan, Ipesc, Celesc automaticamente estão bloqueadas.

Diário do Sul - O sr. acha que o deputado Joares explorou politicamente o caso da bomba que decepou a mão de um torcedor em Criciúma (Guilherme Fretta Lacerda, o último dos identificados como supostos autores do crime, é sobrinho de Eduardo Moreira)?
Eduardo Moreira -
Não tenho nenhuma dúvida. Nunca falei dos problemas pessoais do deputado Ponticelli, e ele os tem e não são poucos. Eu tenho comprovação de tudo isso, mas que benefício teria em denegrir a imagem dele? É um menino em uma situação grave e a família está muito preocupada com a condenação prévia sem culpa comprovada, e isso precisa ficar muito esclarecido. Isso é aproveitado politicamente numa situação de sofrimento familiar.

Diário do Sul - As eleições em Tubarão são tradicionalmente muito disputadas. Mas, em 2004, o prefeito Stüpp foi reeleito com larga vantagem de votos sobre o candidato do PMDB (Amilton Lemos). Onde o partido errou?
Eduardo Moreira -
No não lançamento do nosso melhor candidato naquele momento. Se nós lançássemos o Genésio, que estava muito bem nas pesquisas, mas, por uma decisão pessoal, não foi candidato, teríamos ganhado a eleição. Quando você não joga com o time principal, corre o risco maior de perder, e foi o que aconteceu em 2004. Agora não, nós vamos com o time principal em campo.

Diário do Sul - Como o sr. avalia a possibilidade de o governador Luiz Henrique ter seu mandato cassado?
Eduardo Moreira -
Há um advogado, Glay Sagaz, competente, que tem um passado nebuloso na área jurídica, já foi condenado por falsidade ideológica, mas é competente. Ele foi traçando uma rede ardilosa ao longo dos anos. Pegava um jornal de Tubarão, um de Chapecó, um de Brusque, um de Criciúma, e a cada dia ia formando uma rede. O governador Luiz Henrique foi o único do Brasil a renunciar a seu mandato para concorrer à reeleição e não se preocupou com isso.

Diário do Sul - Então o governador efetivamente deu margem à ação que sofre?
Eduardo Moreira -
Sim, houve um descuido. A própria defesa não foi contundente, não imaginava que isso pudesse acontecer. O governador saiu do cargo seis meses antes da eleição, mas foram buscar questões de um ano atrás. Foi feito de forma ardilosa com o objetivo de enredar o governador, que não percebeu. E nem nós. Quando vimos, a situação estava criada e felizmente foi revertida. Imagino que o problema esteja sanado. Agora, temos tempo de reforçar a defesa, que até então era feita por advogados de Santa Catarina, sem trânsito adequado em Brasília. Até agosto, quando saiu o voto pela cassação, o assunto não havia chamado a atenção. Não havia nenhum advogado contratado em Brasília, que milite nas cortes superiores, e o caso já estava no Tribunal Superior Eleitoral. Isso é uma desatenção.
 

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