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O secretário regional César Damiani,
do DEM, representa o governo
do Estado na região. Desde que
foi fundado, o seu partido está
na prefeitura de Tubarão, seja
como prefeito, vice ou apoiando
a chapa vencedora. Neste ano, César
considera que, mais uma vez, o DEM
será o fiel da balança. Mas os ex-pefelistas
ainda não sabem se irão apoiar o PMDB, o PSDB ou se irão com chapa própria.

 



 

CÉSAR DAMIANI
SECRETÁRIO REGIONAL
Sábado, 19 / dom., 20/ segunda /20/2008 

a


“Mais uma vez, quem tiver o
apoio do DEM vencerá a eleição.” 

Diário do Sul - Quem é a maior liderança do DEM tubaronense?
César Damiani -
Nós temos várias lideranças: o Irmoto Feuerschuette, o Jairo Cascaes, o Ângelo Zabot e o Geraldo Althoff. Esses estão à disposição do partido para a eleição deste ano, com exceção ao dr. Geraldo, que não quer participar.

DS - E o Júlio Garcia, não é uma liderança do DEM tubaronense?
César - O Júlio foi suplente de deputado estadual (em 1986), com domicílio eleitoral em Tubarão. Mas naquela época algumas lideranças começaram a cogitar outros nomes para disputar a eleição para a Assembléia e sequer o colocaram como delegado do partido, então ele preferiu ir buscar espaço em outros ares para seguir sua carreira política. Mas ele continua atuando aqui, é a maior liderança do partido no Sul.

DS - E em nível estadual, quem é hoje a maior liderança do partido: Júlio Garcia, Raimundo Colombo ou Jorge Bornhausen?
César - O Raimundo Colombo. Ele é o presidente do partido e já foi lançado pré-candidato a governador em 2010, apoiado pelo ex-senador Jorge Bornhausen. A grande votação que ele fez ao Senado o credenciou para concorrer ao governo. Ele é o sucessor de Bornhausen.

DS - E o Geraldo Althoff, como é a posição dele no DEM tubaronense e em nível estadual?
César - Em Tubarão, ele não tem participado das reuniões, mas segue exercendo uma liderança estadual, até por ser secretário de governo e ex-senador.

DS - É verdade que, na carta enviada ao partido em que ele desistia da pré-candidatura a prefeito, Geraldo teria recomendado apoio à candidatura de Manoel Bertoncini?
César - Na carta enviada ao partido, ele apenas retirou sua candidatura. Essa carta foi enviada por fax e lida pelo Rodrigo Althoff numa reunião do diretório. Essa recomendação pelo apoio ao PSDB de fato aconteceu, mas foi feita em conversa reservada com algumas lideranças. É a avaliação dele e nós respeitamos.

DS - O Raimundo Colombo ficou um ano na televisão fazendo propaganda ao lado de um cabide, afirmando que as secretarias não passavam de cabide de empregos. Hoje, o DEM ocupa algumas delas, inclusive a de Tubarão. Não é contraditório?
César - Antes da eleição, ele tinha uma visão do que seria a secretaria regional mas, quando se aprofundou e viu como elas funcionavam, mudou e passou a apoiar a descentralização. Ele era contra sem ter conhecimento do funcionamento. Hoje sabe que o governo está mais perto da população e que a solução é mais rápida e menos burocrática.

DS - Como está a aliança do seu partido com o PMDB e o PSDB em nível estadual?
César - São três grandes partidos e todos vão querer ocupar seus espaços em 2010 e fazer a sucessão de Luiz Henrique. Cada um vai lançar seus candidatos e no segundo turno haverá uma composição. O Democratas já lançou a pré-candidatura do Raimundo Colombo. O partido está há algum tempo longe do governo do Estado (desde 1994, quando Vilson Kleinübing deixou o cargo) e está na hora, com Raimundo Colombo.

DS - Em Tubarão, o DEM vai apoiar o PMDB ou o PSDB? Ou vai rachado?
César – O diretório é que vai definir. Hoje há quem defenda o apoio ao PMDB, quem defenda o apoio ao PSDB e quem defenda uma candidatura própria. O que for definido pelo partido será acompanhado pelos demais.

DS - O DEM fez parte da base do prefeito Stüpp. Apoiou ele na eleição e reeleição. Neste momento o partido é oposição ao governo Stüpp?
César - Nós fazemos parte do governo, mas existe um certo ressentimento em função do pouco espaço que o partido tem na administração. Nós ajudamos na sua eleição e poderíamos ter uma maior participação. Na reforma administrativa, a grande maioria das secretarias ficou com o PSDB. O PP tem uma secretaria, o PDT tem uma e o DEM tem outra. Nós temos uma participação bem reduzida.

DS - Isso seria empecilho para firmar um novo acordo para 2008?
César - Falei para o Stüpp, na época, que lá na frente isso poderia atrapalhar. Agora teria que haver uma renegociação com o PSDB, até para colocarmos em prática as nossas idéias e sugestões. Nós ficamos com a secretaria de Cultura, Esporte e Turismo e só. Nas demais áreas sequer tivemos a oportunidade de sermos ouvidos. Não digo tanto pelos cargos, mas principalmente pela possibilidade de apresentar idéias.

DS - O sr. considera as obras do asfalto na cidade eleitoreiras?
César - Como tubaronense, quero as obras a qualquer tempo. Que a cidade cresça. Mas na eleição de outubro o povo vai dizer se concorda com isso ou não. Grande parte das obras é recuperação de ruas e avenidas que estavam necessitando. Isso é válido, mas teria que pavimentar mais ruas, principalmente no interior, que está carente de estrutura. E há problemas na Saúde. Faltam medicamentos e médicos. Outras áreas poderiam ser vistas com maior clareza. É preferível deixar 500m de rua sem asfalto a deixar de investir em medicamentos de pacientes que precisam usá-los continuamente.


“Nós vamos brigar pela cabeça-de-chapa,
mas vamos estar na chapa majoritária.
Com candidato a prefeito ou com vice.”


DS - Há 20 anos o DEM não lança um candidato a prefeito. Vai ficar mais quatro ou vai lançar chapa pura?

César - O desejo é estar na chapa majoritária, com candidato a prefeito. Mas vai depender de uma ampla negociação com outros partidos. O partido está contratando uma pesquisa para avaliar os nossos candidatos e os propensos aliados.

DS - Há oito anos o partido não participa nem da chapa, como vice. Abriria mão em mais uma eleição, para apoiar uma chapa Bertoncini-Pepê Collaço (PSDB-PP)?
César - Nós vamos brigar pela cabeça-de-chapa, mas vamos estar, sem dúvida, na chapa majoritária. Ou com o candidato a prefeito ou com o vice.

DS - Mas o Pepê não foi convidado para ingressar no DEM, no ano passado?
César - Ele esteve praticamente no Democratas. Só não assinou a filiação por receio de ter o mandato cassado por conta da infidelidade partidária. Eu mesmo estive na casa do pai dele, conversando sobre a filiação.

DS - A intenção era lançá-lo a vice pelo partido?
César - Ele viria disputar a indicação com os demais membros do partido.

DS - Após estes anos ausente da cabeça-de-chapa, o DEM diminuiu de tamanho no município?
César - Pelo número de filiações do ano passado e pelas lideranças expressivas, o DEM foi o partido que mais cresceu. Temos um contingente respeitável de lideranças e quase dois mil filiados. Então, o partido cresceu.

DS - O seu partido sempre foi o fiel da balança. Quem ele apóia acaba ganhando a eleição, e isto vem desde 92, com Irmoto, depois com Genésio e por último com Stüpp. Ele será o fiel da balança mais uma vez?
César - Tanto o PSDB quanto o PMDB sabem da importância de ter o DEM ao seu lado. Quando estiveram junto com o partido, ganharam a eleição. E mais uma vez o Democratas será o ponto-chave. Quem tiver o nosso apoio vencerá de novo.

DS - Mas apesar de começar no governo, o DEM não terminou bem com nenhuma destas alianças. Por que nenhuma deu certo?
César - Falta o cumprimento dos acordos pré-eleitorais. O espaço deveria ser dado ao partido, mas, no fim do mandato, ele vai encolhendo. Nós temos espaço reduzido hoje na prefeitura e isso cria desconforto entre o partido e o governo.

DS - Se o DEM fechar com o PMDB, é verdade que o Con não vai apoiar o Genésio?
César - O Con tem participado ativamente das reuniões do partido e em nenhum momento se manifestou contra as decisões do diretório. Até porque não chegamos a discutir alianças. A não ser que ele tenha se manifestado a alguns companheiros de maneira não-oficial.

DS - Mas não seria estranho ele pedir votos para um partido que é oposição à administração da qual ele faz parte, como vice-prefeito?
César - São oito anos como vice-prefeito, mas é preciso saber se ele teve o espaço imaginado dentro do governo.

DS - Há um compromisso do partido em lançar o Irmoto a vice? Houve este acerto quando ele ingressou no DEM?
César - Quando chegou ao partido, ele se colocou à disposição para disputar qualquer cargo, inclusive o de vereador. De um tempo para cá, ele passou a declarar na imprensa que não quer mais ser candidato à Câmara, só se interessa pela majoritária. Mas vai ter que disputar dentro do diretório, o partido é bastante democrático. Nós sabemos do seu peso eleitoral, principalmente no interior, mas não existe compromisso.

DS - O Irmoto teve uma aliança desfeita com o PFL, em 95, quando não entregou a prefeitura para o Celso Meneghel, conforme tinha acordado por escrito. Isto já foi superado?
César - Pode até existir certa resistência dos membros do partido que viveram isso. Mas a maioria do diretório é formada por lideranças novas, poucos são daquela época.

DS - O Jairo Cascaes vai ser candidato a vereador ou a vice-prefeito?
César - Nós queremos contar com o Jairo como candidato a prefeito, vice ou vereador. Se ele quiser ser candidato a vereador o partido tem que respeitar, até porque vai ajudar na legenda, já que é o vereador mais votado da história de Tubarão (fez 3.093 votos em 2004). Não adianta impor algo sem a vontade dele.

DS - O sr. já foi candidato a vice-prefeito na chapa do PMDB, em 92. Isto pode se repetir este ano?
César - Nós temos grandes nomes no partido, mas se não houver uma disposição por parte deles eu tenho até o dia 4 de julho para decidir. Eu não queria assumir nem a SDR. Desde dezembro eu vinha relutando, mas aceitei atendendo ao apelo de companheiros e do Júlio Garcia, que disseram que eu era o nome ideal para o cargo.

DS – Em 94, o sr. foi candidato a deputado federal e logo após as eleições anunciou seu afastamento da política. O que o levou a tomar aquela decisão?
César - Naquela época eu estava participando de eleição quase de dois em dois anos. Havia sido candidato a vereador, a vice-prefeito e a deputado federal. Eu havia perdido as duas últimas eleições, então chegou o momento de parar. A estrutura do PDT, na época, era muito pequena. Eu era o único candidato do partido no Sul e, na maioria das cidades em que eu ia pedir votos, havia pouca estrutura ou não havia nenhuma. E nós enfrentamos partidos grandes e organizados.

DS - E por que retornou à política? Quais seus planos?
César -
Só voltei agora por este apelo dos companheiros, mas não passa pela minha cabeça disputar outra eleição. Eu tive que buscar o aval da minha família para assumir a secretaria e meu filho Cesinha foi peça importante neste convencimento.

DS - O que falta para sair a construção do terminal do aeroporto?
César - Falta o lançamento do edital do terminal de passageiros, o balizamento da pista e as obras complementares ao terminal. Está sendo elaborado o edital, que está no Tribunal de Contas esperando o aval para abrir a licitação. E há a parte do governo federal: o acesso da BR-101 ao aeroporto, são 4.800m, com recursos alocados no Orçamento da União em torno de R$ 15,8 milhões. O projeto já está no Dnit, junto ao estudo de viabilidade que o Estado já fez. As duas etapas estão prestes a lançar a licitação.

DS - E a estrada do Camacho, quando fica 100% pronta?
César -
Nós tivemos que resolver alguns problemas ambientais e fazer algumas mudanças na fiação de energia elétrica da Cergal. Os postes tiveram quer ser retirados para alargar a rodovia. O sistema de água do Camacho a Jaguaruna estava no meio da estrada, então tivemos que deslocá-lo para a lateral. Mas agora a obra está em ritmo acelerado. Devemos iniciar este mês a construção da ponte que está interditada e vamos concluir o mais rápido possível.

DS - Por que vem poucas obras do governo estadual pra Tubarão?
César - Porque falta mais pressão por parte de nossas lideranças. Mas também porque a prefeitura não possui as famosas certidões negativas. Tanto que recursos solicitados pela prefeitura para secretarias e órgãos financeiros do governo comandados pelo PSDB, partido do prefeito, também não vieram pelo fato de a prefeitura ter dívidas com a Casan, Ipesc, Cidasc... Enfim, para se liberar recurso para qualquer órgão, o sistema pede as negativas. Se não tiver, é cancelado na mesma hora.

DS - O sr. chegou a conversar com o prefeito sobre essa situação?
César -
Eu assumi a secretaria numa quinta-feira. Na segunda-feira seguinte, eu tive uma audiência com o prefeito e me coloquei à disposição para procurarmos as soluções destas pendências. Fiquei no aguardo e, depois das férias dele, voltei a procurá-lo, acompanhado pelo vice-prefeito Ângelo Zabot e pelo vereador Jairo Cascaes. Ele disse que não tinha mais interesse em recursos do Estado porque o governo tiraria proveito das obras. Então eu me despedi e me retirei.


“Falta mais empenho da nossa representação política.
Nós vamos brigar por uma fatia maior
do Orçamento do Estado em 2009.”


DS - E a arena multiuso, que não depende de terreno nem de negativas da prefeitura, por que não sai?
César -
A Unisul se propôs a ser a parceira e apresentou um projeto de R$ 15 milhões. Mas como havia dificuldade para conseguir a captação através do Fundo Social, ela desmembrou o projeto em três etapas. Na primeira, está só a construção da arena propriamente dita, com 3,6 mil lugares. A segunda etapa iria contemplar teatro, restaurante e mais salas de oficinas de teatro. O projeto está na Secretaria da Fazenda para que a primeira etapa possa ser liberada, com a contrapartida da Unisul, que seria o terreno e a manutenção. A prioridade do governo é o presídio, mas isso não quer dizer que a arena esteja em segundo plano.

DS - Onde será o terreno do presídio?
César -
Nós já visitamos vários terrenos. O terreno do Exército não tem condição porque ele é da União e precisaria de autorização do Legislativo. Pelo ritmo em que o Congresso Nacional está trabalhando, isso levaria um ano ou mais, e o governador determinou a construção do presídio como prioridade. O Estado vai comprar o terreno e já tem dinheiro para isso. Encontrando um terreno com a topografia e a área necessárias, vamos comprar. Todos os proprietários dos terrenos que nós vimos têm interesse em vender, então não haverá problema de desapropriação. São terrenos afastados, longe de aglomerações residenciais.

DS - E onde ficam?
César -
Já visitamos terrenos em Congonhas, São Cristóvão, Sombrio, Sanga da Areia e entre Congonhas e Mato Alto. Estamos apenas aguardando a avaliação do departamento de Engenharia da Secretaria de Segurança para iniciar a negociação com os proprietários.

DS - Quando o prefeito desistiu de dar o terreno para o presídio, o então secretário Ademir Matos disse que o governo definiria esta obra em seis meses. O prazo está expirando e não há terreno definido. O prazo não vai ser cumprido?
César -
Se ele falou nesse prazo, o compromisso seria dele, mas nós vamos cumprir esse prazo. A solução desse problema não deve passar de uma semana.

DS - É verdade que o governador convidou Ademir para voltar à secretaria para que o sr. pudesse ser candidato a vice-prefeito na chapa de Genésio?
César -
Não. O governador esteve quinta-feira na secretaria e ficamos uma hora conversando apenas sobre assuntos administrativos. Não se falou em política, eleição ou mudança de secretário. Houve algumas invenções.

DS - O deputado Joares Ponticelli (PP) solicitou há algum tempo a instalação de câmeras de segurança nas esquinas, que também independem de terreno e negativas. Por que elas não saíram?
César -
O Joares fez essa solicitação via Assembléia. Mas, com a descentralização, as ações do governo têm que passar pelo Conselho de Desenvolvimento Regional. Eu sugiro ao Joares que faça a solicitação na secretaria. Se ele não tomar essa liberdade de vir à secretaria, nós vamos, juntamente com a associação comercial, com a Guarda Municipal e a secretaria de Segurança do município, fazer um projeto para que Tubarão seja contemplada.

DS - O sr. acredita que o fato de o deputado Joares ser um dos maiores opositores do governo estadual prejudica a região, no sentido de não conseguir obras pra cá?
César -
Pode ser que outras regiões estejam recebendo mais, mas nós também estamos recebendo. De 2003 a 2007, o governo do Estado investiu R$ 25 milhões só em Tubarão, sem contar os outros seis municípios da SDR. Aí se soma a estrada do Camacho, onde são mais R$ 15 milhões. O hospital recebeu na última semana R$ 500 mil e serão repassados outros R$ 500 mil, e mais R$ 1,8 milhão para complementar a compra de equipamentos. Na Educação, tivemos uma série de novas escolas, com acabamento de primeira. E a prefeitura poderia receber mais se estivesse com as famosas negativas. Em Jaguaruna, foi colocada uma faixa em frente à prefeitura dizendo: "Graças a Deus, estamos com as negativas em dia. Já conseguimos recursos". A cidade recebeu financiamento do Badesc, 28 casas da Cohab e uma série de recursos para um município governado por um ferrenho adversário do governo do Estado.

DS - O que falta para a região ter a mesma atenção de outras?
César -
Falta mais empenho da nossa representação política. O deputado Genésio tem se empenhado, mas é preciso se empenhar mais. E nessa situação eu, como secretário, me incluo. Nós vamos brigar por uma fatia maior do Orçamento do Estado em 2009.
 

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