Diário do Sul - Por que o comando da secretaria
regional de Braço do Norte, que é da Amurel, está nas mãos de Gelson
Padilha (PSDB), que é ex-prefeito de Orleans, município que pertence à
Amrec (Associação dos Municípios da Região Carbonífera)?
Ademir - Para o governo do Estado, a divisão que
vale é a da base dos partidos. Na divisão feita pelo governador entre os
partidos da base aliada, ficou definido que, no sul do Estado, o PMDB
teria o comando de três secretarias (Laguna, Araranguá e Criciúma), o
PSDB teria uma (Braço do Norte) e o DEM teria uma (Tubarão). O PSDB de
Braço do Norte tinha o poder de indicar o secretário regional de lá, mas
talvez tenha faltado um pouco de articulação dentro do partido para que
a vaga ficasse por lá, e aí surgiu o nome do Gelson Padilha. Sem querer
me meter nas questões internas do PSDB, mas talvez tenha acontecido
isso.
Diário do Sul - E como ficará essa divisão de
secretarias entre os partidos, já que vários secretários podem deixar os
cargos para serem candidatos?
Ademir - Isso vai ter que ser renegociado. Esse processo já
aconteceu comigo, que sou pré-candidato a prefeito de Braço do Norte. O
governo cumpriu o acordado, que era repassar a secretaria ao DEM, mas o
próprio secretário regional atual, César Damiani, pode deixar a
secretaria, já que é visto como um nome de consenso para ser candidato a
vice-prefeito na chapa encabeçada pelo deputado Genésio Goulart (PMDB).
Tudo vai depender muito da situação que se apresentar e também, é claro,
do resultado das eleições.
Diário do Sul - Caso César Damiani deixe a secretaria
regional para participar das eleições em Tubarão, o sr. poderia retornar
ao cargo, desistindo de ser candidato à prefeitura de Braço do Norte?
Ademir - Em hipótese alguma. Essa negociação pela minha permanência
na secretaria regional deveria ter sido feita antes, mas tudo ficou para
em cima da hora e não há mais tempo para isso. O projeto para eu me
candidatar à prefeitura de Braço do Norte está de pé e eu não vou voltar
atrás.
Diário do Sul - O sr. deixou a secretaria regional a
contragosto?
Ademir - Nunca escondi de ninguém que o meu projeto político passava
pela permanência na secretaria e buscar a eleição para deputado estadual
em 2010. Mas respeito a decisão do partido, que entendeu ser importante
a minha participação na eleição de Braço do Norte e vou cumprir este
papel com todo o orgulho.
Diário do Sul - O sr. chegou a cogitar, caso
permanecesse na secretaria regional, a possibilidade de transferir seu
domicílio eleitoral para Tubarão?
Ademir - Era uma possibilidade que existia. Como candidato a
deputado estadual, eu precisaria dar um caráter regional à campanha, e
assim poderíamos aliar a forte penetração que temos na região do Vale do
Braço do Norte ao trabalho que desempenhamos, ao lado da minha equipe,
aqui em Tubarão. Eu fui muito bem recebido por funcionários, pela
população e tive uma afinidade muito grande com a imprensa, que sempre
cobrou bastante o governo, mas dando a oportunidade de fazermos as
explicações devidas. Recebi um título de cidadão tubaronense e criei um
carinho muito grande por esta cidade.
Diário do Sul - O PMDB tinha o comando da secretaria
regional e cedeu seu espaço ao DEM. Essa transferência de poder não
significa que os dois partidos estarão lado a lado nas eleições de
outubro?
Ademir - Toda essa costura foi feita pelo deputado Genésio Goulart,
até porque o governador Luiz Henrique da Silveira dá muita autonomia às
bases. Então, acredito firmemente que o apoio do DEM ao candidato do
PMDB à prefeitura de Tubarão esteja acertado, até porque o candidato
deve ser o próprio Genésio. Não seria cabível o PMDB ceder a secretaria
a um partido que estará contra a própria sigla em outubro. Acredito que
o apoio esteja alinhavado e, se não estiver, o acordo foi malfeito pelo
Genésio. Seria um absurdo ter o DEM como adversário nestas condições.
Diário do Sul - Comentou-se que, na última visita a
Tubarão, o governador Luiz Henrique da Silveira teria convidado o sr. a
retornar ao comando da SDR, com César Damiani deixando o cargo para ser
o vice do Genésio. Isso de fato aconteceu?
Ademir - Essa hipótese foi levantada numa visita que eu e minha
esposa, Zalene, fizemos ao Palácio, alguns dias atrás. Comentou-se que a
Zalene poderia ser candidata a prefeita ou vice, mas ela refutou
qualquer possibilidade neste sentido. Não faz parte dos planos dela. E a
minha pré-candidatura também está consolidada e não há mais como voltar
atrás.
Diário do Sul - Quando a prefeitura de Tubarão
retirou-se do processo de escolha do terreno para a construção do
presídio regional, o sr. deu um prazo de seis meses para que a
indefinição sobre o terreno fosse resolvida. O atual secretário, César
Damiani, apesar de admitir cumprir o prazo, comentou que este teria sido
um compromisso seu. Como o sr. encarou esta declaração?
Ademir - Não foi um compromisso meu, foi um compromisso do governo
do Estado. O secretário regional é o governador na região e eu disse
isso com a autonomia que me foi dada pelo governador Luiz Henrique da
Silveira. O compromisso era de todo o governo e será cumprido. Não
venceram os seis meses e estamos próximos de finalmente chegarmos a um
acordo. O governo do Estado vai comprar o terreno, essa construção é
prioridade na região.
Diário do Sul - O governo do Estado tem incentivado e
até mesmo ajudado na manutenção da tríplice aliança no maior número
possível de municípios. Em Braço do Norte, como estão as tratativas para
que seja fechado um grupo envolvendo PMDB, PSDB e DEM?
Ademir - Muito adiantadas. Os três partidos, além da afinidade
estadual, têm muita conexão na cidade. Se esta possibilidade de fato se
confirmar, temos tudo para ter a minha candidatura com um vice que seria
indicado consensualmente por PSDB e DEM, naturalmente com o aval do
PMDB.
Diário do Sul - O sr. chegou a ser procurado pelo PP,
maior opositor do governo estadual do PMDB?
Ademir - Informalmente sim. Mas é uma situação que não tem
possibilidade de acontecer porque o PP tem feito a oposição mais
sistemática e radical ao governo do PMDB. Então, como defensores do
governo, não podemos nos aliar com quem o ataca. Tenho dito aos meus
aliados que não adianta namorar a moça se os pais não querem. Temos
ótimo relacionamento com o PP municipal, mas numa briga que envolva o
governo, estamos sempre ao lado do governo.
Diário do Sul - Em Tubarão, é praticamente certo que
não haverá uma reedição da tríplice aliança, já que PMDB e PSDB deverão
estar à frente de duas candidaturas diferentes. Como o governador se
comportaria numa situação como esta?
Ademir - O governador tem dito que onde a tríplice aliança não
estiver formada, ele não irá apoiar a candidatura de um partido em
detrimento de outro aliado. Mas nessa situação existe uma exceção: a
presença do PP na chapa majoritária. Se o PSDB de Tubarão lançar uma
candidatura própria com um vice do PP, o governador não hesitará em
apoiar a candidatura do PMDB.
Diário do Sul - A situação seria a mesma em casos de
partidos que estejam coligados com o PT, que também faz oposição ao
governo do Estado?
Ademir - Acredito que não. A oposição feita pelo PP é a que mais
incomoda o governador, por ser mais radical e intransigente.
Diário do Sul - A declaração dada pelo prefeito
Carlos Stüpp ao Diário do Sul em que diz estar arrependido de ter
apoiado Luiz Henrique da Silveira nas eleições de 2006 pode fazer com
que o governador dedique-se um pouco mais ao apoio à candidatura do
PMDB?
Ademir - Pode até ser, mas o governador certamente estará muito
presente por conta da provável participação do PP na chapa majoritária
encabeçada pelo PSDB. Esse será o fator principal da dedicação, muito
mais do que a declaração do prefeito.
Diário do Sul - Existe um comentário em Braço do
Norte que o sr. teria um acordo com o Evanísio Uliano (o Vânio, do PP)
para que os dois não concorram, um contra o outro. É verdade?
Ademir - Não há nada disso. Tanto eu quanto o Vânio temos histórias
ligadas à cooperativa agropecuária, mas nunca chegamos a concorrer um
contra o outro. Quando eu era presidente da cooperativa, me licenciei
para ser candidato à prefeitura de Braço do Norte, e depois ele chegou
(hoje, Vânio é o presidente). Não existe nada disso.
Diário do Sul - O anel viário, defendido pelo sr., é
mesmo necessário para Braço do Norte?
Ademir - É uma idéia que eu defendo e pretendo botar em prática, se
houver apoio. Hoje o trânsito pesado, de caminhões inclusive, passa pela
avenida Felipe Schmidt, pelo Centro da cidade. É preciso desviar este
tráfego. Alguns setores defendem que isso tirará o movimento do comércio
da cidade, mas o acesso da SC-438 vai tirar é o trânsito que não
interessa à população em geral, é o trânsito da estrada.