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Aos 53 anos, Ademir da Silva Matos é pré-candidato a prefeito de Braço do Norte. Já comandou o executivo municipal entre 1997 e 2004 e também esteve à frente da Secretaria de Desenvolvimento Regional de Tubarão até fevereiro. Enquanto esteve na prefeitura de Braço do Norte, presidiu a Associação dos Municípios da Região de Laguna (Amurel) por dois anos e foi secretário-executivo da Federação Catarinense de Municípios (Fecam) por dois mandatos consecutivos.

 



 

ADEMIR MATOS
PRÉ-CANDIDATO DE BN
Sábado, 4 / Domingo, 27/4/2008 

a


“Vou concorrer.
Minha saída da secretaria regional é irreversível” 

Diário do Sul - O governo do Estado resolveu criar uma secretaria regional a mais na região, em Braço do Norte, além das que já existiam em Tubarão e Laguna. A região precisa mesmo de três secretarias?
Ademir Matos -
Nós passamos a ter três estruturas de governo, ao invés da única que tínhamos no primeiro mandato do governador Luiz Henrique da Silveira. E isso beneficiou muito os municípios, especialmente os menores. E temos alguns exemplos muito claros de como isso trouxe melhorias. A Fatma, por exemplo, não dá conta de atender todas as prefeituras da nossa região. Mas, quando houver estrutura da Fatma em cada uma das regiões, tudo ficará mais fácil. Os pequenos municípios terão suas demandas atendidas com mais facilidade.

Diário do Sul - Quando foi anunciada a intenção de criar a secretaria de Braço do Norte, instalou-se uma grande polêmica porque muitos setores da sociedade avaliaram que isso poderia enfraquecer a secretaria de Tubarão. Como o governo lidou com essa possibilidade?
Ademir -
A criação desta secretaria estava no plano de governo do governador, que sempre agiu em conjunto com a sociedade. Antes de ser tomada essa decisão, eu, como secretário regional na época, convoquei uma reunião com as associações comerciais de toda a região e perguntei a opinião deles. Se eles se manifestassem contra a criação da nova secretaria, elas não seriam criadas. Fizemos questão de ter o aval das associações.

Diário do Sul - O projeto de fazer as três secretarias trabalhar em conjunto tem dado certo?
Ademir -
Esse trabalho unido tem trazido resultados expressivos. Conseguimos trazer o comando da Polícia Militar de Criciúma para Tubarão, o que significou um grande avanço para toda a região. Estamos próximos de conseguir elevar a Companhia do Corpo de Bombeiros de Tubarão à condição de Batalhão, criando companhias em Braço do Norte, Laguna e Imbituba. Essas mudanças poderão ser anunciadas no dia 15, numa audiência pública que será realizada com a presença do secretário de Segurança Pública e Defesa do Cidadão, Ronaldo Benedet. E, conjuntamente, estamos pleiteando a criação de uma delegacia da Receita Federal em Criciúma, o que prova que, mais uma vez, toda a região está trabalhando conjuntamente e ampliando a presença da estrutura de governo.

Diário do Sul - A oposição insiste no argumento de que a criação destas secretarias serviu apenas para criar novos empregos. Não é uma realidade?
Ademir -
Não houve aumento no número de cargos comissionados. Os que foram criados nas novas secretarias foram retirados de outras.


“Não houve aumento de cargos comissionados
com as novas secretarias. Foram todos
transferidos de outras”.


Diário do Sul - Por que o comando da secretaria regional de Braço do Norte, que é da Amurel, está nas mãos de Gelson Padilha (PSDB), que é ex-prefeito de Orleans, município que pertence à Amrec (Associação dos Municípios da Região Carbonífera)?

Ademir - Para o governo do Estado, a divisão que vale é a da base dos partidos. Na divisão feita pelo governador entre os partidos da base aliada, ficou definido que, no sul do Estado, o PMDB teria o comando de três secretarias (Laguna, Araranguá e Criciúma), o PSDB teria uma (Braço do Norte) e o DEM teria uma (Tubarão). O PSDB de Braço do Norte tinha o poder de indicar o secretário regional de lá, mas talvez tenha faltado um pouco de articulação dentro do partido para que a vaga ficasse por lá, e aí surgiu o nome do Gelson Padilha. Sem querer me meter nas questões internas do PSDB, mas talvez tenha acontecido isso.

Diário do Sul - E como ficará essa divisão de secretarias entre os partidos, já que vários secretários podem deixar os cargos para serem candidatos?
Ademir -
Isso vai ter que ser renegociado. Esse processo já aconteceu comigo, que sou pré-candidato a prefeito de Braço do Norte. O governo cumpriu o acordado, que era repassar a secretaria ao DEM, mas o próprio secretário regional atual, César Damiani, pode deixar a secretaria, já que é visto como um nome de consenso para ser candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada pelo deputado Genésio Goulart (PMDB). Tudo vai depender muito da situação que se apresentar e também, é claro, do resultado das eleições.

Diário do Sul - Caso César Damiani deixe a secretaria regional para participar das eleições em Tubarão, o sr. poderia retornar ao cargo, desistindo de ser candidato à prefeitura de Braço do Norte?
Ademir -
Em hipótese alguma. Essa negociação pela minha permanência na secretaria regional deveria ter sido feita antes, mas tudo ficou para em cima da hora e não há mais tempo para isso. O projeto para eu me candidatar à prefeitura de Braço do Norte está de pé e eu não vou voltar atrás.

Diário do Sul - O sr. deixou a secretaria regional a contragosto?
Ademir -
Nunca escondi de ninguém que o meu projeto político passava pela permanência na secretaria e buscar a eleição para deputado estadual em 2010. Mas respeito a decisão do partido, que entendeu ser importante a minha participação na eleição de Braço do Norte e vou cumprir este papel com todo o orgulho.

Diário do Sul - O sr. chegou a cogitar, caso permanecesse na secretaria regional, a possibilidade de transferir seu domicílio eleitoral para Tubarão?
Ademir -
Era uma possibilidade que existia. Como candidato a deputado estadual, eu precisaria dar um caráter regional à campanha, e assim poderíamos aliar a forte penetração que temos na região do Vale do Braço do Norte ao trabalho que desempenhamos, ao lado da minha equipe, aqui em Tubarão. Eu fui muito bem recebido por funcionários, pela população e tive uma afinidade muito grande com a imprensa, que sempre cobrou bastante o governo, mas dando a oportunidade de fazermos as explicações devidas. Recebi um título de cidadão tubaronense e criei um carinho muito grande por esta cidade.

Diário do Sul - O PMDB tinha o comando da secretaria regional e cedeu seu espaço ao DEM. Essa transferência de poder não significa que os dois partidos estarão lado a lado nas eleições de outubro?
Ademir -
Toda essa costura foi feita pelo deputado Genésio Goulart, até porque o governador Luiz Henrique da Silveira dá muita autonomia às bases. Então, acredito firmemente que o apoio do DEM ao candidato do PMDB à prefeitura de Tubarão esteja acertado, até porque o candidato deve ser o próprio Genésio. Não seria cabível o PMDB ceder a secretaria a um partido que estará contra a própria sigla em outubro. Acredito que o apoio esteja alinhavado e, se não estiver, o acordo foi malfeito pelo Genésio. Seria um absurdo ter o DEM como adversário nestas condições.

Diário do Sul - Comentou-se que, na última visita a Tubarão, o governador Luiz Henrique da Silveira teria convidado o sr. a retornar ao comando da SDR, com César Damiani deixando o cargo para ser o vice do Genésio. Isso de fato aconteceu?
Ademir -
Essa hipótese foi levantada numa visita que eu e minha esposa, Zalene, fizemos ao Palácio, alguns dias atrás. Comentou-se que a Zalene poderia ser candidata a prefeita ou vice, mas ela refutou qualquer possibilidade neste sentido. Não faz parte dos planos dela. E a minha pré-candidatura também está consolidada e não há mais como voltar atrás.

Diário do Sul - Quando a prefeitura de Tubarão retirou-se do processo de escolha do terreno para a construção do presídio regional, o sr. deu um prazo de seis meses para que a indefinição sobre o terreno fosse resolvida. O atual secretário, César Damiani, apesar de admitir cumprir o prazo, comentou que este teria sido um compromisso seu. Como o sr. encarou esta declaração?
Ademir -
Não foi um compromisso meu, foi um compromisso do governo do Estado. O secretário regional é o governador na região e eu disse isso com a autonomia que me foi dada pelo governador Luiz Henrique da Silveira. O compromisso era de todo o governo e será cumprido. Não venceram os seis meses e estamos próximos de finalmente chegarmos a um acordo. O governo do Estado vai comprar o terreno, essa construção é prioridade na região.

Diário do Sul - O governo do Estado tem incentivado e até mesmo ajudado na manutenção da tríplice aliança no maior número possível de municípios. Em Braço do Norte, como estão as tratativas para que seja fechado um grupo envolvendo PMDB, PSDB e DEM?
Ademir -
Muito adiantadas. Os três partidos, além da afinidade estadual, têm muita conexão na cidade. Se esta possibilidade de fato se confirmar, temos tudo para ter a minha candidatura com um vice que seria indicado consensualmente por PSDB e DEM, naturalmente com o aval do PMDB.

Diário do Sul - O sr. chegou a ser procurado pelo PP, maior opositor do governo estadual do PMDB?
Ademir -
Informalmente sim. Mas é uma situação que não tem possibilidade de acontecer porque o PP tem feito a oposição mais sistemática e radical ao governo do PMDB. Então, como defensores do governo, não podemos nos aliar com quem o ataca. Tenho dito aos meus aliados que não adianta namorar a moça se os pais não querem. Temos ótimo relacionamento com o PP municipal, mas numa briga que envolva o governo, estamos sempre ao lado do governo.

Diário do Sul - Em Tubarão, é praticamente certo que não haverá uma reedição da tríplice aliança, já que PMDB e PSDB deverão estar à frente de duas candidaturas diferentes. Como o governador se comportaria numa situação como esta?
Ademir -
O governador tem dito que onde a tríplice aliança não estiver formada, ele não irá apoiar a candidatura de um partido em detrimento de outro aliado. Mas nessa situação existe uma exceção: a presença do PP na chapa majoritária. Se o PSDB de Tubarão lançar uma candidatura própria com um vice do PP, o governador não hesitará em apoiar a candidatura do PMDB.

Diário do Sul - A situação seria a mesma em casos de partidos que estejam coligados com o PT, que também faz oposição ao governo do Estado?
Ademir -
Acredito que não. A oposição feita pelo PP é a que mais incomoda o governador, por ser mais radical e intransigente.

Diário do Sul - A declaração dada pelo prefeito Carlos Stüpp ao Diário do Sul em que diz estar arrependido de ter apoiado Luiz Henrique da Silveira nas eleições de 2006 pode fazer com que o governador dedique-se um pouco mais ao apoio à candidatura do PMDB?
Ademir -
Pode até ser, mas o governador certamente estará muito presente por conta da provável participação do PP na chapa majoritária encabeçada pelo PSDB. Esse será o fator principal da dedicação, muito mais do que a declaração do prefeito.

Diário do Sul - Existe um comentário em Braço do Norte que o sr. teria um acordo com o Evanísio Uliano (o Vânio, do PP) para que os dois não concorram, um contra o outro. É verdade?
Ademir -
Não há nada disso. Tanto eu quanto o Vânio temos histórias ligadas à cooperativa agropecuária, mas nunca chegamos a concorrer um contra o outro. Quando eu era presidente da cooperativa, me licenciei para ser candidato à prefeitura de Braço do Norte, e depois ele chegou (hoje, Vânio é o presidente). Não existe nada disso.

Diário do Sul - O anel viário, defendido pelo sr., é mesmo necessário para Braço do Norte?
Ademir -
É uma idéia que eu defendo e pretendo botar em prática, se houver apoio. Hoje o trânsito pesado, de caminhões inclusive, passa pela avenida Felipe Schmidt, pelo Centro da cidade. É preciso desviar este tráfego. Alguns setores defendem que isso tirará o movimento do comércio da cidade, mas o acesso da SC-438 vai tirar é o trânsito que não interessa à população em geral, é o trânsito da estrada.


“O anel viário seria importante para Braço
do Norte. Tiraria do Centro apenas
o transporte pesado, de caminhões”


Diário do Sul - O sr. cogita a possibilidade de trabalhar, nos primeiros seis meses, com apenas um secretário para depois nomear o restante?
Ademir -
Não. O que nós vamos fazer é promover uma redução do número atual de secretarias. Há setores que podem ser reunidos numa única pasta, temos certeza disso. Pelo menos duas secretarias deixarão de existir caso eu seja eleito, para concentrar melhor o trabalho.

Diário do Sul - A oposição tem repetido que a tríplice aliança não segue de pé até 2010, quando termina o mandato de Luiz Henrique da Silveira. O governo tem feito um grande esforço para sustentá-la, mas PSDB e DEM lançaram, respectivamente, Leonel Pavan e Raimundo Colombo como pré-candidatos. O senhor acredita que cada partido poderá lançar a sua própria candidatura?
Ademir -
Isso é possível, porque a nossa eleição é de dois turnos. Em 2002, todo mundo achou que o Esperidão Amin ia bater o Luiz Henrique ainda no primeiro turno, mas o Luiz Henrique acabou vencendo no segundo turno. Em 2006, todo mundo achou que ia acontecer o inverso, que o governador venceria no primeiro turno, mas mais uma vez houve um segundo turno. Então, por esta tradição do Estado, é possível que os três partidos lancem seus nomes e depois haja um reagrupamento em torno de quem passar ao segundo turno. Não haveria problema nisso.

Diário do Sul - O senhor manifestou claramente a disposição em não deixar a secretaria regional de Tubarão e ser candidato a deputado estadual em 2010. O sonho de chegar à Assembléia Legislativa acabou?
Ademir -
Eu diria que está adiado. Não sabemos como os fatos vão se desenrolar, mas é uma vontade que persiste.

Diário do Sul - Uma candidatura já em 2010, mesmo com o senhor se elegendo prefeito de Braço do Norte, está descartada?
Ademir -
Acredito que o partido terá nomes em condições de concorrer. Algumas das lideranças atuais podem ser candidatas neste ano, como Osny Souza Filho (Imbituba), Luiz Carlos Brunel Alves (Capivari de Baixo) e eu, mas outros nomes podem aparecer até lá. Eu acredito que cada partido tem condições de lançar até mais de um candidato na região. O que não podemos é permitir que os votos daqui vão para candidatos de outras regiões. Eu sempre defendi o voto em candidatos da região, mesmo que sejam de outro partido. O José Nei Ascari (chefe de gabinete do presidente da Assembléia Legislativa, Júlio Garcia, do DEM) é outra liderança que pode receber forte apoio na nossa região.

Diário do Sul - O pré-candidato do PMDB à prefeitura de Tubarão, Genésio Goulart, considerou as obras de asfaltamento de ruas do centro de Tubarão, iniciadas neste ano, como eleitoreiras. O prefeito Carlos Stüpp alegou ter iniciado as pavimentações quando a prefeitura tinha condições de fazer as obras. O sr. as considera eleitoreiras?
Ademir -
Para a cidade, as obras estão sendo muito boas. A administração pública é complicada, você precisa usar o orçamento só podendo apostar em garantias. O prefeito alegou que neste ano a arrecadação do IPTU está sendo muito superior que a dos outros anos. É preciso cuidado nestas análises. No meu último ano de mandato, eu asfaltei a avenida Felipe Schmidt, a principal de Braço do Norte, e também recebi este tipo de crítica. Mas a obra foi feita quando houve suporte nos cofres da prefeitura.
 

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