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O fim de 2009 será bem mais feliz para o prefeito Manoel Bertoncini do que foi o de 2008. Tranquilo e reagindo bem ao tratamento do câncer no pulmão que descobriu há cerca de um ano, projeta um 2010 com reforma administrativa e realizações.


Matheus Madeira
redacao@diariodosul.com.br

 



 

MANOEL BERTONCINI
Prefeito de Tubarão
31/12/2009

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“Como diz a música: ‘Deixa a vida me levar‘” 

Diário do Sul - O senhor declarou que, com base em uma pesquisa de opinião feita na cidade, a população deu ao seu primeiro ano de governo uma nota melhor que a que o senhor mesmo daria. Qual é a sua avaliação de 2009?
Manoel Bertoncini -
Foi um ano difícil e a nota da pesquisa foi surpresa para mim. Eu tinha uma expectativa muito maior de realizações. A primeira delas era o pronto-atendimento municipal, que eu queria ter iniciado em agosto, mas até hoje não conseguimos nos desvencilhar da burocracia, das solicitações da Vigilância Sanitária, da avaliação da Caixa Econômica Federal. O recurso está disponível desde o início do ano e até agora não conseguimos a liberação. Pela última conversa, acredito que em fevereiro a gente consiga colocar a licitação na rua. O canil é outra. Nós temos intenção de fazer, mas estamos tendo uma dificuldade enorme em achar um local apropriado. Uma hora é um sambaqui, outra é o proprietário que não tem a documentação necessária para fazer a desapropriação e vão se somando as dificuldades. Na infraestrutura do município, nós já esperávamos ter pavimentado algumas ruas em alguns bairros prioritários. Atingimos algumas áreas críticas, como a de alagamentos, o que é algo que precisa ser constante em todo o Estado porque água dentro de casa sempre traz um prejuízo muito grande. A atuação da secretaria da Saúde contribuiu bastante para a boa avaliação, assim como a Educação e a manutenção das creches abertas no período de férias. Muitas pessoas também citaram a busca de recursos junto ao governo federal. São pessoas que acreditam que estes recursos possam vir para a nossa cidade para fazermos as nossas realizações. Nós tivemos notas entre 7,6 e 8 da população e na avaliação do que eu pretendi e do que foi realizado, acredito que ficamos em torno de 60%. Então, dou uma nota 6. Deu para passar de ano, mas vamos ter três anos para recuperar e tirar notas melhores.

Diário do Sul - Como foi a sua primeira experiência com a estrutura do Poder Executivo?
Manoel -
A burocracia é um mal que está presente em todos os atos públicos da prefeitura. Tudo é demorado, difícil, sempre tem que ter todas as justificativas possíveis. É complicado em relação à iniciativa privada, aqui as decisões são mais difíceis e exigem o cumprimento de um rol de exigências. Eu vejo que existe necessidade, mas temos que achar uma fórmula de cumprir com essas exigências com maior agilidade e é o que estamos procurando implementar aqui.


“No primeiro ano de governo, tivemos notas entre 7,6 e 8 da população
e acredito que fizemos 60% do que planejamos. Então, dou uma nota 6”.


Diário do Sul - O senhor tem buscado recursos federais e estaduais. Não teme que o fato de 2010 ser um ano eleitoral possa atrapalhar os repasses?
Manoel -
Não, porque estamos entrando com as solicitações ainda em 2009, apenas o encaminhamento será em 2010. E eu acredito que posso ser um dos prefeitos que, em 2010, vá aproveitar os recursos do ISS, graças a uma ação corajosa do ex-prefeito Carlos Stüpp, que foi atrás destes recursos em 2001. De todas as obras, talvez a mais importante do ex-prefeito tenha sido essa: a coragem de enfrentar Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) e todas as outras condições do ISS. Com a aprovação do Supremo Tribunal Federal, acredito que vou poder aplicar em Tubarão um valor bastante considerável em relação a essa arrecadação. Tenho praticamente certeza de que 2010 será um ano de realizações.

Diário do Sul - O senhor declarou que espera receber R$ 20 milhões do ISS em 2010, mas a sua expectativa de 2009 não se confirmou. Não teme que isso se repita?
Manoel -
Nós tínhamos uma expectativa de R$ 10 milhões e recebemos algo em torno de R$ 2,5 milhões, mas não tínhamos o resultado desse julgamento do STF. Quando não se tem um resultado de última instância, as possibilidades de recorrer em instâncias primária e secundária são maiores e a associação dos bancos não ficou parada esperando fazer o pagamento: recorreu de todas as formas. Agora, com a decisão, não tem mais como recorrer. O que a Justiça, mesmo primária, determinar terá que ser cumprido. Além desse recurso todo do passado, vamos ter o acréscimo de R$ 6 milhões a R$ 7 milhões na arrecadação. Por isso que eu digo que essa é a maior obra: porque também projeta um aumento de arrecadação.

Diário do Sul - Destas obras projetadas por parcerias com os governos federal e estadual, qual é mais concreta?
Manoel -
A nossa parte da estrada Serra-Mar, a rodovia Ageu Medeiros até a divisa com Laguna. Porque é uma emenda conjunta dos parlamentares de Santa Catarina. Também já foi solicitado junto a alguns ministérios a construção de duas pontes, uma no Centro (próxima à Unisul) e outra na Guarda, além de uma passarela. Temos o compromisso de alguns parlamentares de isso estar incluído no PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal), que vai tratar de mobilidade. E também a dragagem do Rio Tubarão, cujo projeto nos foi entregue pela SDR. Estas eu tenho a esperança de iniciar em 2010. Além dos que já estão aí, como a macrodrenagem da Margem Esquerda, a efetivação da obra do pronto-atendimento, a pavimentação de, no mínimo, 50 ruas e a melhoria das vias do interior através de uma patrulha mecanizada. Já estamos tendo a parceria de alguns deputados com emendas particulares. E a arena multiuso: tivemos a sinalização do governador Luiz Henrique de 21 parcelas de R$ 500 mil, que devem começar a ser repassadas no final do ano.

Diário do Sul - O senhor tem em mente um esboço da reforma administrativa que acontecerá em 2010?
Manoel -
Tenho algumas ideias sedimentadas. Existe a possibilidade de diminuirmos a estrutura, mas não muito. Muitas pessoas estão esperando uma redução drástica, o que é inviável. Algumas têm fundo próprio, como Assistência Social, Educação e Saúde. Elas vão existir sempre. Algumas outras podem ser associadas, criando uma de Infraestrutura, juntando Obras e Serviços Públicos; uma de Setor Econômico, juntando Turismo, Agricultura e Indústria e Comércio. O que queremos implementar também são as três fundações: Cultura, Esporte e Meio-Ambiente. Elas vão ter CNPJ próprio e isso vai facilitar a busca por recursos e as parcerias com a iniciativa privada.

Diário do Sul - O senhor avalia que a estrutura da prefeitura está inchada?
Manoel -
Eu estive fazendo uma avaliação e acredito que possamos enxugar um pouco, mas nada que seja motivo de manchete no Diário do Sul. Vamos fazer uma reformulação diante da necessidade, diminuir o número de cargos comissionados. Alguns serviços podem ser terceirizados, o que vai fazer com que as secretarias não tenham mais que efetuar o serviço, mas apenas fiscalizá-lo.

Diário do Sul - A falta de estrutura para a fiscalização é um dos problemas mais graves da prefeitura?
Manoel -
Nós pretendemos aumentar e dar condições de estrutura. Neste primeiro ano, conseguimos dar um veículo para a fiscalização do meio-ambiente, outro para a de ruas e comércio ambulante e mais uma para o serviço público. Cada setor tem um veículo novo, mas é pouco. Só que precisa ser feito de acordo com as possibilidades do município. Fiscalização é arrecadação. Dos sete veículos que compramos neste ano, três foram para a fiscalização. Estamos avançando.


“Podemos criar a secretaria de Infraestrutura, unindo Serviços
Públicos e Obras; e uma de Setor Econômico, unindo
Indústria e Comércio, Turismo e Agricultura”.


Diário do Sul - A decisão de implementar dois turnos na prefeitura é definitiva?
Manoel -
A partir de março faremos um novo horário, provavelmente das 8h às 12h e das 13h30 às 17h30. Os secretários vão ter autonomia de manter algumas atividades das 8h às 17h30, para que o cidadão possa ser atendido.

Diário do Sul - O senhor cogita uma reaproximação com o vereador João Fernandes (PSDB)?
Manoel -
Algumas situações são irremediáveis e nessa eu confesso ter algumas dificuldades. Os motivos são vários e eu não gostaria de fazer muitos comentários.

Diário do Sul - Como está a sua saúde neste final de ano? O senhor segue descartando ser candidato à reeleição?
Manoel -
Não tenho problema nenhum em falar da minha saúde, até porque estou fazendo o que posso fazer: o tratamento, com apoio que eu não imaginava que teria. Essa questão está acima da minha vontade, tenho que torcer para que Deus siga olhando para mim. Até agora estou muito bem, em totais condições de trabalhar. A possibilidade de eu disputar uma reeleição é remota, mas vamos passo a passo, dia a dia. O compromisso é fazer uma gestão de quatro anos que atenda a minha expectativa, porque é uma frustração muito grande quando se almeja algo e não se consegue, e da população. Como diz a música: "Deixa a vida me levar". É uma frase excelente.
 

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