|
A bola pequena da
Europa
Quando passei por Paris na
semana do GP de Mônaco, me surpreendi com a promoção de uma
grande loja de eletrodomésticos, se não me engano, chamada
Saturno, com anúncios de páginas inteiras em jornais
franceses comunicando que todo comprador de aparelhos de
televisão naqueles dias que antecediam à Copa receberia o
dinheiro de volta se a seleção da França ganhasse o Mundial.
Achei corajosa a promoção. O Galvão me disse que a chance de
terem de cumprir a promessa era zero. Mas futebol, sabe como
é, já ouvi de tantos técnicos, é "uma caixinha de
surpresas". Agora entendi que não havia mesmo risco algum.
E, não bastasse o fracasso do futebol, a última imagem da
curta permanência da seleção francesa na Copa da África foi
aquela atitude ridícula do Raymond Domenech negando-se a
cumprimentar o Parreira. Graças à decência do Parreira, que
o segurou pelo paletó e insistiu numa explicação, a
deselegância do francês foi até atenuada perante bilhões de
espectadores no mundo todo. Fiquei me perguntando como é que
ele voltaria a viver na França, agora eternizado pelas
manchetes dos jornais como um impostor junto com boa parte
dos jogadores?
A Copa do Mundo vista de
Valência. Neste fim de semana a Fórmula-1 se reencontra em
plena Copa com jogos importantes rolando na África do Sul. A
Ferrari, por exemplo, apressou a montagem dos carros por
causa do jogo da Itália, mas o que seria um descanso para os
mecânicos acabou se tornando um pesadelo. Decepcionados no
futebol, tomara que eles trabalhem bem na F-1 este fim de
semana. De fato, a Copa do Mundo está evidenciando mudanças
importantes na hierarquia do futebol. Até na bola, a Europa
está perdendo força.
Como acontece desde a
primeira edição do GP de Valência, um grupo de brasileiros
se reúne no começo da noite de sábado. Em cada ano foi
escolhido um local diferente, mas o deste ano tem a cara do
Brasil. Chama-se "O Rei da Caipirinha" na Calle Vicente
Sancho Tello. O do ano passado foi em um lugar muito louco
chamado La Bestia, que, aliás, tem um de seus endereços numa
das ruas que fazem parte do circuito. Pelo desfalque que a
Copa do Mundo provoca entre os jornalistas brasileiros, a
turma vai ser menor, mas Robert Satler, o engenheiro
brasileiro da Force India, conseguiu convocar todo mundo.
Como pano de fundo do jantar, o jogo entre Estados Unidos e
Gana, já pelas oitavas.
Apesar de ser um circuito
urbano, as ruas de Valência são bem mais largas que as de
Mônaco, o que o deixa com características parecidas com as
de um autódromo. No trecho em que se alcança a velocidade
máxima (223,31 km/h no ano passado), o tempo de aceleração
plena dura doze segundos. E de um total de 25 curvas, apenas
uma é feita em velocidade abaixo de 100km/h. Em dois anos de
GP, a cidade de Valência só viu vitória brasileira. No ano
de estreia, venceu Felipe Massa, com Hamilton e Kubica no
pódio. No ano passado, foi a vez de Rubens Barrichello, com
Hamilton e Raikkonen completando o pódio. Como a corrida era
disputada em agosto, na sequência da Hungria, a edição do
ano passado acabou sendo a primeira em que a Ferrari não
contou com Massa (o acidente ocorreu três semanas antes).
Valência não comprou a
ideia da corrida como esperavam seus organizadores na época
do lançamento da ideia. O público até foi bem razoável em
2008, mas decepcionou no ano passado. Agora já se vendeu bem
mais ingressos, provavelmente pela presença de Alonso na
Ferrari, mas as muitas arquibancadas erguidas junto à marina
não estarão cheias. A Comunidade Valenciana se preocupa com
a falta de público, mas, neste momento, tem a garantia de
mais dois anos por contrato. Como a falta de público já está
levando a Turquia a perder seu GP e, com a sobra de
candidatos no mercado, Valência sabe do risco que corre.
|