Quinta-feira,
06 de janeiro de 2004
Ano 1 - edição 184

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Tchau mesmo!

O circuito de Magny-Cours, das 8 vitórias de Schumacher, uma pole position memorável de Rubinho Barrichello na Stewart, das estratégias estranhas que podem dar certo (Frentzen venceu com um pit stop, Schumacher com 4) se despede da Fórmula-1 neste domingo. Bem que poderia ser uma despedida com vitória brasileira neste GP que insiste em não tocar o hino nacional do Brasil há 23 anos. Nem mesmo para retribuir às 6 vitórias de Alain Prost, uma de Jacques Laffite e uma de René Arnoux em nosso País. O GP da França negou esse direito não só a Massa e Barrichello recentemente, mas também a Emerson Fittipaldi e Ayrton Senna.

O único brasileiro a vencer este GP foi Nelson Piquet em 1985. O curioso é que isso aconteceu em Paul Ricard com um carro Brabham pouco competitivo, um motor BMW até então pouco confiável e no ano em que os pneus Pirelli estavam voltando à F-1 depois de quase 30 anos de ausência. Foi uma zebra. Antes disso, Emerson esteve muito perto de vencer em 1973, quando foi jogado pra fora da pista pelo quase estreante Jody Scheckter, um sul-africano cheio de talento, mas dono das maiores irresponsabilidades no começo da carreira. Isso aconteceu na terceira corrida dele na F-1, e uma semana depois, ainda na primeira volta do GP da Inglaterra, Scheckter causou um outro acidente envolvendo 17 carros e interrompendo a corrida por uma hora. Para os leitores mais novos, vale dizer que, mais tarde, o sul-africano acabou sossegando, ganhou 10 corridas e foi campeão pela Ferrari em 79.

Com Ayrton Senna tudo dava errado no GP da França. Basta dizer que das suas 65 poles, apenas uma veio em pista francesa, em 86, e nesse ano ele bateu na corrida. Em 10 tentativas, Senna conseguiu um 2º lugar e outros dois pódios em 3º. Rubinho fez aquela pole position de 99 derrotando Ferrari e McLaren, mas só terminou em 3º. E não fez nada melhor do que isso nos seus anos de Ferrari. Felipe Massa fez a pole no ano passado, mas perdeu a corrida para Raikkonen na estratégia bem executada pelo finlandês.

Magny-Cours é um circuito bonito, funcional, com pista seletiva e espaço para abrigar a F-1 e todas as categorias suportes. Nada contra o autódromo. O problema é que fora do autódromo não existe nada. Imaginem que o churrasco das sextas feiras criado por nosso grupo de jornalistas, numa casa alugada (mais esta, também não existem bons hotéis) foi ganhando adeptos até que, uns anos atrás, recebemos 62 pessoas, inclusive o engenheiro de Schumacher. Tivemos que dar um basta. De Magny-Cours vou levar boas lembranças desses churrascos da nossa turma, com direito a mergulhos no lago em frente à casa e assistir a jogos de futebol da Seleção com sinais captados do ar pelas traquinagens dos técnicos de televisão. Ainda dos gramados, levo também lembranças das alegres reuniões para ver os jogos da Copa de 94. E uma, muito especial, do show do Roger Waters aqui mesmo, dentro do autódromo.

Magny-Cours se despede ainda sem substituto. No ano passado já era para ser o último. Bernie Ecclestone cedeu aos apelos franceses, mas avisou que desta vez é o último mesmo. O próximo endereço do GP, na cabeça dele, são algumas ruas do centro de Paris. É bem isso. Um circuito de rua em Paris. Bernie sonha tanto com isso que até a oferta da Disney ele recusou. A Disney só guarda sonhos de infância já esquecidos. O atual é mais desafiador. Adieu Magny-Cours! Mas não consigo dizer "já vai tarde".



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