Quinta-feira,
06 de janeiro de 2004
Ano 1 - edição 184

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Reginaldo Leme
Coluna atualizada aos sábados

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A bola pequena da Europa

Quando passei por Paris na semana do GP de Mônaco, me surpreendi com a promoção de uma grande loja de eletrodomésticos, se não me engano, chamada Saturno, com anúncios de páginas inteiras em jornais franceses comunicando que todo comprador de aparelhos de televisão naqueles dias que antecediam à Copa receberia o dinheiro de volta se a seleção da França ganhasse o Mundial. Achei corajosa a promoção. O Galvão me disse que a chance de terem de cumprir a promessa era zero. Mas futebol, sabe como é, já ouvi de tantos técnicos, é "uma caixinha de surpresas". Agora entendi que não havia mesmo risco algum. E, não bastasse o fracasso do futebol, a última imagem da curta permanência da seleção francesa na Copa da África foi aquela atitude ridícula do Raymond Domenech negando-se a cumprimentar o Parreira. Graças à decência do Parreira, que o segurou pelo paletó e insistiu numa explicação, a deselegância do francês foi até atenuada perante bilhões de espectadores no mundo todo. Fiquei me perguntando como é que ele voltaria a viver na França, agora eternizado pelas manchetes dos jornais como um impostor junto com boa parte dos jogadores?

A Copa do Mundo vista de Valência. Neste fim de semana a Fórmula-1 se reencontra em plena Copa com jogos importantes rolando na África do Sul. A Ferrari, por exemplo, apressou a montagem dos carros por causa do jogo da Itália, mas o que seria um descanso para os mecânicos acabou se tornando um pesadelo. Decepcionados no futebol, tomara que eles trabalhem bem na F-1 este fim de semana. De fato, a Copa do Mundo está evidenciando mudanças importantes na hierarquia do futebol. Até na bola, a Europa está perdendo força.

Como acontece desde a primeira edição do GP de Valência, um grupo de brasileiros se reúne no começo da noite de sábado. Em cada ano foi escolhido um local diferente, mas o deste ano tem a cara do Brasil. Chama-se "O Rei da Caipirinha" na Calle Vicente Sancho Tello. O do ano passado foi em um lugar muito louco chamado La Bestia, que, aliás, tem um de seus endereços numa das ruas que fazem parte do circuito. Pelo desfalque que a Copa do Mundo provoca entre os jornalistas brasileiros, a turma vai ser menor, mas Robert Satler, o engenheiro brasileiro da Force India, conseguiu convocar todo mundo. Como pano de fundo do jantar, o jogo entre Estados Unidos e Gana, já pelas oitavas.

Apesar de ser um circuito urbano, as ruas de Valência são bem mais largas que as de Mônaco, o que o deixa com características parecidas com as de um autódromo. No trecho em que se alcança a velocidade máxima (223,31 km/h no ano passado), o tempo de aceleração plena dura doze segundos. E de um total de 25 curvas, apenas uma é feita em velocidade abaixo de 100km/h. Em dois anos de GP, a cidade de Valência só viu vitória brasileira. No ano de estreia, venceu Felipe Massa, com Hamilton e Kubica no pódio. No ano passado, foi a vez de Rubens Barrichello, com Hamilton e Raikkonen completando o pódio. Como a corrida era disputada em agosto, na sequência da Hungria, a edição do ano passado acabou sendo a primeira em que a Ferrari não contou com Massa (o acidente ocorreu três semanas antes).

Valência não comprou a ideia da corrida como esperavam seus organizadores na época do lançamento da ideia. O público até foi bem razoável em 2008, mas decepcionou no ano passado. Agora já se vendeu bem mais ingressos, provavelmente pela presença de Alonso na Ferrari, mas as muitas arquibancadas erguidas junto à marina não estarão cheias. A Comunidade Valenciana se preocupa com a falta de público, mas, neste momento, tem a garantia de mais dois anos por contrato. Como a falta de público já está levando a Turquia a perder seu GP e, com a sobra de candidatos no mercado, Valência sabe do risco que corre.


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