O circuito de Magny-Cours, das 8 vitórias de Schumacher, uma
pole position memorável de Rubinho Barrichello na Stewart,
das estratégias estranhas que podem dar certo (Frentzen
venceu com um pit stop, Schumacher com 4) se despede da
Fórmula-1 neste domingo. Bem que poderia ser uma despedida
com vitória brasileira neste GP que insiste em não tocar o
hino nacional do Brasil há 23 anos. Nem mesmo para retribuir
às 6 vitórias de Alain Prost, uma de Jacques Laffite e uma
de René Arnoux em nosso País. O GP da França negou esse
direito não só a Massa e Barrichello recentemente, mas
também a Emerson Fittipaldi e Ayrton Senna.
O único brasileiro a vencer este GP foi
Nelson Piquet em 1985. O curioso é que isso aconteceu em
Paul Ricard com um carro Brabham pouco competitivo, um motor
BMW até então pouco confiável e no ano em que os pneus
Pirelli estavam voltando à F-1 depois de quase 30 anos de
ausência. Foi uma zebra. Antes disso, Emerson esteve muito
perto de vencer em 1973, quando foi jogado pra fora da pista
pelo quase estreante Jody Scheckter, um sul-africano cheio
de talento, mas dono das maiores irresponsabilidades no
começo da carreira. Isso aconteceu na terceira corrida dele
na F-1, e uma semana depois, ainda na primeira volta do GP
da Inglaterra, Scheckter causou um outro acidente envolvendo
17 carros e interrompendo a corrida por uma hora. Para os
leitores mais novos, vale dizer que, mais tarde, o
sul-africano acabou sossegando, ganhou 10 corridas e foi
campeão pela Ferrari em 79.
Com Ayrton Senna tudo dava errado no GP da
França. Basta dizer que das suas 65 poles, apenas uma veio
em pista francesa, em 86, e nesse ano ele bateu na corrida.
Em 10 tentativas, Senna conseguiu um 2º lugar e outros dois
pódios em 3º. Rubinho fez aquela pole position de 99
derrotando Ferrari e McLaren, mas só terminou em 3º. E não
fez nada melhor do que isso nos seus anos de Ferrari. Felipe
Massa fez a pole no ano passado, mas perdeu a corrida para
Raikkonen na estratégia bem executada pelo finlandês.
Magny-Cours é um circuito bonito, funcional,
com pista seletiva e espaço para abrigar a F-1 e todas as
categorias suportes. Nada contra o autódromo. O problema é
que fora do autódromo não existe nada. Imaginem que o
churrasco das sextas feiras criado por nosso grupo de
jornalistas, numa casa alugada (mais esta, também não
existem bons hotéis) foi ganhando adeptos até que, uns anos
atrás, recebemos 62 pessoas, inclusive o engenheiro de
Schumacher. Tivemos que dar um basta. De Magny-Cours vou
levar boas lembranças desses churrascos da nossa turma, com
direito a mergulhos no lago em frente à casa e assistir a
jogos de futebol da Seleção com sinais captados do ar pelas
traquinagens dos técnicos de televisão. Ainda dos gramados,
levo também lembranças das alegres reuniões para ver os
jogos da Copa de 94. E uma, muito especial, do show do Roger
Waters aqui mesmo, dentro do autódromo.
Magny-Cours se despede ainda sem
substituto. No ano passado já era para ser o último. Bernie
Ecclestone cedeu aos apelos franceses, mas avisou que desta
vez é o último mesmo. O próximo endereço do GP, na cabeça
dele, são algumas ruas do centro de Paris. É bem isso. Um
circuito de rua em Paris. Bernie sonha tanto com isso que
até a oferta da Disney ele recusou. A Disney só guarda
sonhos de infância já esquecidos. O atual é mais desafiador.
Adieu Magny-Cours! Mas não consigo dizer "já vai tarde".