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Paulo Coelho
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O viajante silencioso
O governador e sua comitiva
estavam em um trem quando notaram, no mesmo vagão, um senhor
mal-vestido, com os olhos fechados. Alguém resolveu
afastá-lo dali, mas o governador impediu; aquela criatura
serviria para distrai-los durante a viagem.
Provocaram o homem durante
todo o trajeto, com gracejos e humilhações.
Quando chegaram à estação,
porém, viram que muita gente viera receber o estranho:
tratava-se de um dos mais conhecidos rabinos da América, e
seus seguidores tinham ajudado a eleger o governador.
Imediatamente, este se deu
conta do erro. Puxando-o para um canto, pediu:
“Perdoa as nossas
brincadeiras e abençoa-nos, rabino”.
“Eu posso abençoá-lo, mas
não posso perdoá-lo. Naquele trem, eu estava, sem querer,
representando todos os homens humildes deste mundo. Para
receber o perdão, percorra a terra inteira e se ajoelhe
diante de cada um deles”. |
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