Quinta-feira,
06 de janeiro de 2004
Ano 1 - edição 184

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Não foi a primeira vez

Na Copa das Confederações, antes do Mundial 2006, na Alemanha, perdemos para o México, 1 x 0, com um gol de Borghetti. Depois ganhamos a Copa. Será assim na Venezuela? Não garanto, mas o Brasil não está morto. O que é que aconteceu em Porto Ordaz? Tivemos um gol, de Elano, não validado por erro do auxiliar do árbitro. O atacante brasileiro não estava impedido. Era um gol com muita importância, pois faria o México jogar não só no contra- ataque. Em jogos equilibrados, e futebol não é golfe, quando se dá “handicap” aos mais fracos, não se pode ter um gol anulado. Quando falo em “handicap”, ele é feito para mostrar o valor dos concorrentes e até os melhores têm que jogar com o seu “handicap”. O Brasil, pelos seus títulos, por ser campeão da última Copa América, deve dar vantagem aos adversários? Não, claro. Joga como todos, com o mesmo objetivo. Teve falhas de iniciante no primeiro gol. Em outros momentos, dominou por inteiro, caso do segundo período. O México se fechou atrás. Defesas do goleiro, bola na trave, zagueiro em cima da linha evitando o gol e até um pênalti cometido sobre Afonso (o árbitro deu cartão para ele) não marcado. Jogamos com raça, dedicação plena, no segundo período. Não deu para virar o placar. Ficou claro que precisamos jogar mais, eliminar o contra-golpe do adversário e acertar a pontaria. Hoje é normal que se jogue em velocidade, no contra-ataque. Todos jogam assim e partem para a idéia do empate ou, se o adversário permitir, para gols e vitória. Foi o que aconteceu, mais uma vez. O que se exige é dedicação e isso não faltou. Gostei do Robinho, sempre lutando e com técnica apurada. Agora é pensar no Chile, que perdia do Equador e virou o placar para vencer nos últimos minutos. Perder significa dizer adeus à competição e não é isso que o futebol brasileiro quer.

Cavalo de batalha
Quem é que tem que se meter na atividade sexual de um jogador de futebol ou de quem quer que seja? Ninguém tem nada com isso e faz-se agora um “cavalo de batalha” a respeito de um profissional do São Paulo. Isso chega a ser mesquinho e desrespeitador. Mostra o quanto as pessoas são pobres de espírito.

Fora do armário
Desde que o mundo é mundo as preferências existem, incluindo os assexuados. Problema e preferência de cada um. Isso não impede absolutamente nada. Todos devemos respeito ao próximo e, tendo isso, nada mais interessa a ninguém. Brincadeira tem hora e é bom lembrar que figuras importantes da política, das artes, do esporte e da vida são e foram homossexuais. A diferença de muitos, para esse rapaz futebolista, é que ele “saiu do armário”, como se diz. Assumir as coisas nem sempre é comum nos humanos, e ele foi forte o suficiente para isso. O que me entristece é perceber que a cada instante este país mostra em várias oportunidades o quanto o preconceito ainda existe em todas as áreas.



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