Quinta-feira,
06 de janeiro de 2004
Ano 1 - edição 184

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Olho gordo

Será que existe mesmo? Bem, além de ser o espelho da alma, o olho é também grande emissor de magnetismo e energia. Há pessoas que, apenas com o olhar, curam doentes.

Muitos consideram superstição o fenômeno do Olho Gordo, mas ele já fora mencionado por Lao-Tsé, criador do Taoísmo, muitos séculos antes de Cristo, e pelo próprio Confúcio.

Na verdade, é a canalização, através dos olhos, de uma força interna gerada pelo desejo de possuir o que é dos outros, e também pela inveja.

É próprio de pessoas em estado de descontentamento e portadoras de complexo de inferioridade. Seguem o tempo todo lamentando sua má sorte, mas nada fazem para construir uma vida feliz. São, por assim dizer, vampiros de energia.

A dona-de-casa compra uma samambaia e a coloca em lugar bem destacado. Chega uma amiga, olha a planta e exclama: – Que samambaia linda!

Minutos depois, a planta murcha e morre, para espanto de sua dona.

Olho gordo existe, sim, minha amiga.

Relógio
Do grego horologion, horas e lego, dizer – relógio é o maquinismo que indica as horas. No latim, virou horologium; no italiano, orologio; no francês, horloge; no espanhol, reloj. Embora exista controvérsia sobre a construção do primeiro relógio mecânico, o papa Silvestre II é considerado seu inventor. Modernamente surgiram os relógios de bolso, verdadeiras jóias e ícones da aristocracia. Mas o relógio mais popularizado no mundo é mesmo o de pulso, inventado por Santos Dumont. Amigo do joalheiro francês Louis Cartier, certo dia o Pai da Aviação reclamou que não tinha como ler a hora durante o vôo, em seu relógio de bolso. Da sugestão para a fabricação foi um pulo. Em 1904 surgiu o primeiro relógio de pulso com a marca SANTOS, que permitia ver as horas mantendo as mãos nos comandos. Uma historinha curiosa e absurda: em 1999, turistas brasileiros que passavam pela cidade de Lodz, no interior da Polônia, foram convidados pela guia de turismo a conhecer uma fábrica de relógios local. Confirmando a conhecida ironia polonesa, um empregado da fábrica garantiu que os relógios ali produzidos eram os mais rápidos do mundo.

Escargot
O nome dessa sofisticada iguaria vem do francês escargot, caracol. Ela foi introduzida no Brasil por cozinheiros franceses, apesar de não ser originária da França. Na Antigüidade, gregos e romanos já a consumiam. Trata-se de um molusco terrestre que se arrasta pelo chão e que, dizem, é delicioso como entrada em refinados bródios. Sua carne tem alto teor protéico, baixo nível de colesterol e é rica em sais minerais. Como pertence ao gênero hélix, sua criação é denominada helicicultura e seu criador é o helicicultor. As diversas espécies de caracol se distinguem especialmente pela concha – que é, na verdade, o esqueleto externo do animal. Formam casais e copulam, em média, 4 vezes ao ano, num encontro que dura até 10 horas! O bicho caminha 5 metros por hora e produz uma trilha viscosa que funciona como lubrificante para lhe facilitar o deslocamento. Entre nós, é normalmente vendido em latas. Nelas, apenas a carne do escargot, acomodada dentro do próprio caracol, de onde sai para ser servida.

Talvez o maior problema de comer escargot esteja no talher especial, para seguir os padrões tradicionais de etiqueta. Um jogo de pratos e pinças custa caro e é difícil de encontrar. Aliás, vale a pena ver um iniciante no métier tentar ingerir o escargot. É cena chapliniana, tais as contorções e os malabarismos manuais e bucais do comensal para fazer o alimento chegar à boca – coisa reservada a especialistas. Um conselho de amigo: se você não estiver treinado no assunto, não se meta a experimentar, senão vai dar vexame e fazer lambança – e que lambança.

Espaço do leitor

O leitor e amigo Genserico Encarnação Júnior, de Vitória, ES, pede a explicação da origem da expressão latina ex-voto. Ela assim se decompõe: ex, por causa de, em virtude de e voto, ablativo singular de votum, voto, promessa – ou seja, em virtude de promessa feita. Exemplificando: alguém tem uma ferida na perna. Para curá-la, faz promessa a um santo de sua devoção. A ferida desaparece e a pessoa paga a promessa colocando, numa igreja ou capela, uma peça em cera reproduzindo a perna machucada. É uma forma de agradecimento pela graça alcançada, prática comum no tempo do Brasil Colônia. Ainda hoje, ao visitar igrejas no interior do país, você encontra freqüentemente um recinto cheio de pernas, braços, mãos, ali guardados. São os ex-votos que testemunham a gratidão dos fiéis.

Chega a ser assustadora a cena, mas ela nada mais é que uma singular demonstração de fé.
 

 



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