Quinta-feira,
06 de janeiro de 2004
Ano 1 - edição 184

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Tiro de Guerra

Também conhecido como TG, é instituição militar do Exército incumbida de formar reservistas para a Força Terrestre. Os TGs são estruturados de modo a que o convocado possa conciliar a instrução militar com o trabalho ou o estudo.

A organização de um TG resulta de acordo firmado entre a prefeitura e o comando da respectiva Região Militar. O exército fornece os instrutores, fardamento e equipamentos, enquanto a administração municipal providencia as instalações. Hoje há mais de 200 TGs em quase todo o país.

Seu berço nos conduz ao ano de 1902, quando se fundou, na cidade gaúcha de Rio Grande, uma sociedade de tiro ao alvo. Impulsionada pela pregação de Olavo Bilac em prol do serviço militar obrigatório, ela levou, em 1916, ao advento da Liga da Defesa Nacional e se transformou, com o apoio de comunidades municipais, num celeiro de reservistas. O berço etimológico da expressão vem do latim tiro, jovem soldado, recruta.

Além de propiciar a prestação do serviço militar, os TGs contribuem para estimular a interiorização e evitar o êxodo rural —, nobre missão que, aliás, deveria estender-se ao sexo feminino, você não acha? Como atividade complementar, colaboram no funcionamento de ensino profissionalizante em suas dependências e fomenta práticas cívicas, esportivas e sociais em benefício da comunidade.

Como se vê, um rol abrangente que promove a cidadania desde os verdes anos da mocidade. É de pequeno que se torce o pepino.

Yin e Yang
São os dois princípios básicos e complementares da filosofia chinesa. Não deixa de refletir, de certa maneira, um viés preconceituoso do mundo. Yin seria o princípio negativo, a escuridão, a passividade, o feminino e Yang o princípio positivo, a claridade, o céu, o masculino. Da união de Yin com Yang surgiria uma totalidade denominada Tao, o caminho da harmonia com a Natureza, base da doutrina do Taoísmo, que inspira milhões de seres humanos desde tempos imemoriais, quando a China, era conhecida como Império do Meio. Quem poderia imaginar as voltas que o mundo daria nos séculos que viriam, em que a sabedoria oriental contida no aforismo Ex Oriente Lux , do Oriente, a Luz, não apenas o confirma mas também o mescla aos níveis atingidos pela tecnologia de nossos dias — ao mesmo tempo fantásticos e assustadores.

Dores do Indaiá
Mais uma cidade de nome singular na coleção que vimos pesquisando. Localizada no centro-oeste de Minas Gerais e, segundo Euler Silva Velloso, Secretário de Administração do município, com população de cerca de 15 mil habitantes, tem, dentre seus filhos mais conhecidos, Francisco Luiz da Silva Campos —, também conhecido como Chico Ciência, famoso constitucionalista, e o cientista político Bolivar Lamounier. O berço do nome da cidade faz referência a sua padroeira Nossa Senhora das Dores, associado à denominação da palmeira conhecida como indaiá, abundante em tempos passados e que batiza o rio em cuja bacia ocorreu o povoamento da região. Na verdade, Dores do Indaiá é um baú das Gerais: muitas palmeiras, igrejas que rezam com o povo, frango com quiabo, tutu com torresmo, uma terra vermelha abençoada e um céu lindamente azul, sem falar em seu luar tecido em prata que inspira poetas e namorados.

Espaço do leitor

O leitor João Carlos Alexim, do Rio de Janeiro, RJ, quer saber o berço do nome Tutu Marambá.

É uma figura inventada como bicho papão que veio para o Brasil nas histórias dos negros africanos trazidos na época da escravidão. Também chamado de bicho tutu, ele morava nas cantigas de ninar que as amas cantavam para as crianças à noite.

Conta a lenda que há vários tipos de tutu: Tutu Moringa, assim chamado porque tem a barriga parecida com bojo de uma moringa, o Tutu Zambê, Tutu Zere e o mais conhecido, o Tutu Marambá.

Como outras cantigas que, na verdade, em vez de ninar acabam assustando as crianças - "Atirei o Pau no Gato", "A Canoa Virou", "Boi da Cara Preta" (!) e outras igualmente absurdas -, o Tutu Marambá faz parte desse repertório sonífero, e é cantado com mórbida delicadeza, assim: "Tutu Marambá/ não venhas mais cá/ que o pai do menino/ te manda matar"...

 



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