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Será que existe mesmo? Bem,
além de ser o espelho da alma, o olho é também grande
emissor de magnetismo e energia. Há pessoas que, apenas com
o olhar, curam doentes.
Muitos consideram
superstição o fenômeno do Olho Gordo, mas ele já fora
mencionado por Lao-Tsé, criador do Taoísmo, muitos séculos
antes de Cristo, e pelo próprio Confúcio.
Na verdade, é a
canalização, através dos olhos, de uma força interna gerada
pelo desejo de possuir o que é dos outros, e também pela
inveja.
É próprio de pessoas em
estado de descontentamento e portadoras de complexo de
inferioridade. Seguem o tempo todo lamentando sua má sorte,
mas nada fazem para construir uma vida feliz. São, por assim
dizer, vampiros de energia.
A dona-de-casa compra uma
samambaia e a coloca em lugar bem destacado. Chega uma
amiga, olha a planta e exclama: – Que samambaia linda!
Minutos depois, a planta
murcha e morre, para espanto de sua dona.
Olho gordo existe, sim,
minha amiga.
Relógio
Do grego horologion, horas e lego, dizer – relógio é o
maquinismo que indica as horas. No latim, virou horologium;
no italiano, orologio; no francês, horloge; no espanhol,
reloj. Embora exista controvérsia sobre a construção do
primeiro relógio mecânico, o papa Silvestre II é considerado
seu inventor. Modernamente surgiram os relógios de bolso,
verdadeiras jóias e ícones da aristocracia. Mas o relógio
mais popularizado no mundo é mesmo o de pulso, inventado por
Santos Dumont. Amigo do joalheiro francês Louis Cartier,
certo dia o Pai da Aviação reclamou que não tinha como ler a
hora durante o vôo, em seu relógio de bolso. Da sugestão
para a fabricação foi um pulo. Em 1904 surgiu o primeiro
relógio de pulso com a marca SANTOS, que permitia ver as
horas mantendo as mãos nos comandos. Uma historinha curiosa
e absurda: em 1999, turistas brasileiros que passavam pela
cidade de Lodz, no interior da Polônia, foram convidados
pela guia de turismo a conhecer uma fábrica de relógios
local. Confirmando a conhecida ironia polonesa, um empregado
da fábrica garantiu que os relógios ali produzidos eram os
mais rápidos do mundo.
Escargot
O nome dessa sofisticada iguaria vem do francês escargot,
caracol. Ela foi introduzida no Brasil por cozinheiros
franceses, apesar de não ser originária da França. Na
Antigüidade, gregos e romanos já a consumiam. Trata-se de um
molusco terrestre que se arrasta pelo chão e que, dizem, é
delicioso como entrada em refinados bródios. Sua carne tem
alto teor protéico, baixo nível de colesterol e é rica em
sais minerais. Como pertence ao gênero hélix, sua criação é
denominada helicicultura e seu criador é o helicicultor. As
diversas espécies de caracol se distinguem especialmente
pela concha – que é, na verdade, o esqueleto externo do
animal. Formam casais e copulam, em média, 4 vezes ao ano,
num encontro que dura até 10 horas! O bicho caminha 5 metros
por hora e produz uma trilha viscosa que funciona como
lubrificante para lhe facilitar o deslocamento. Entre nós, é
normalmente vendido em latas. Nelas, apenas a carne do
escargot, acomodada dentro do próprio caracol, de onde sai
para ser servida.
Talvez o maior problema de
comer escargot esteja no talher especial, para seguir os
padrões tradicionais de etiqueta. Um jogo de pratos e pinças
custa caro e é difícil de encontrar. Aliás, vale a pena ver
um iniciante no métier tentar ingerir o escargot. É cena
chapliniana, tais as contorções e os malabarismos manuais e
bucais do comensal para fazer o alimento chegar à boca –
coisa reservada a especialistas. Um conselho de amigo: se
você não estiver treinado no assunto, não se meta a
experimentar, senão vai dar vexame e fazer lambança – e que
lambança.
Espaço do leitor
O leitor e amigo Genserico
Encarnação Júnior, de Vitória, ES, pede a explicação da
origem da expressão latina ex-voto. Ela assim se decompõe:
ex, por causa de, em virtude de e voto, ablativo singular de
votum, voto, promessa – ou seja, em virtude de promessa
feita. Exemplificando: alguém tem uma ferida na perna. Para
curá-la, faz promessa a um santo de sua devoção. A ferida
desaparece e a pessoa paga a promessa colocando, numa igreja
ou capela, uma peça em cera reproduzindo a perna machucada.
É uma forma de agradecimento pela graça alcançada, prática
comum no tempo do Brasil Colônia. Ainda hoje, ao visitar
igrejas no interior do país, você encontra freqüentemente um
recinto cheio de pernas, braços, mãos, ali guardados. São os
ex-votos que testemunham a gratidão dos fiéis.
Chega a ser assustadora a
cena, mas ela nada mais é que uma singular demonstração de
fé.
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