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Na linguagem
popular, é a situação que exige providências imediatas. Em
termos médicos, sangria é a extravasão de sangue provocada
artificialmente. Já foi prática comum. Retirava-se da
circulação determinada quantidade de sangue como terapia
para aliviar e até curar certos males. Seria fatal que se
desatassem as ataduras aplicadas no local da sangria, pois
isso provocaria a morte pelo escoamento do sangue, razão
para acudir o mais depressa possível.
Simbolicamente, o corre-corre do dia-a-dia é uma sangria
desatada. A expressão, aliás, se aplica como luva à mulher
moderna pelo acúmulo e urgência de seus deveres domésticos,
conjugais, profissionais, maternais, pessoais, tantos que o
dia de 24 horas parece pequeno. Ao contrário do que dizem os
machistas, mulher sofre muito mais que o homem. E, por falar
em sangria, ela ainda padece todo mês da incômoda TPM para
lhe tirar o humor.
Tango
Como o samba, o tango
tem raízes na África. Do candombe, herdou o ritmo; da
milonga, a coreografia; da habanera, a linha melódica.
Tangomao designava o traficante de escravos. As primeiras
referências ao tango são do século 17, no Uruguai. Lá, assim
se chamavam as reuniões de negros para dançar e cantar. No
século 19, o tango se tornou a marca da música argentina,
mas continuou sendo o ritmo nacional uruguaio. Por sua
agressiva sensualidade, foi, a princípio, considerado
impróprio para ambientes familiares. Aos poucos, porém,
consagrou-se como dança de salão. Seu mais célebre
compositor, Carlos Gardel, nascido em Toulouse, na França, é
ícone argentino e um clássico da música popular universal.
Apesar da rivalidade boboca que muitos alimentam com nossos
hermanos, todos concordam em que, assim como o samba para
nós, o tango é um bom produto de exportação dos argentinos.
Leva platéias ao deslumbramento por sua extrema elegância e
intenso erotismo. Tesão coletivo.
Mórmon
Sabe aquela dupla de
rapazes bem apessoados, camisa social branca de manga curta,
que faz cordiais visitas a famílias de classe média? Pois é,
eles são da religião mórmon, a Igreja de Jesus Cristo dos
Santos dos Últimos Dias. Fundada por Joseph Smith em 1823
nos EUA, estabeleceu-se em Salt Lake City, no estado de Utah.
O profeta Mórmon, que viveu no século 4 a.C., foi autor do
Livro de Mórmon. Revelado a Smith, inspirou o advento da
doutrina. Seus fiéis pregam dois deveres básicos: o
patriotismo e o pagamento de dízimos, considerados como a
décima parte dos pecados cometidos. Inicialmente, praticavam
a poligamia, mas ela foi proibida em 1890 pela legislação
americana. Joseph Smith morreu linchado em 1844, aos 39
anos, sendo substituído por Brigham Young. Os mórmons se
expandem pelo mundo em grandes templos, inclusive no Brasil,
onde possuem milhares de fiéis. Seu estilo é pragmático,
poucas aleluias públicas e proselitismo leve mas
convincente. Se aquela dupla de rapazes bater à sua porta,
prepare-se para ouvir edificantes mensagens. Escute, medite
e decida.
Espaço do Leitor
As leitoras Maria
Queiroz e Antonieta Nogueira Viana, ambas de Brasília,
DF, desejam saber a origem da palavra aposentadoria. É a
condição do aposentado, aquele que se recolhe a seus
aposentos para descansar, cumpridos os anos estipulados em
lei para o exercício de determinada atividade ou, antes
desse prazo, por invalidez.
Analogamente, após longo vôo as aves
pousam para tomar fôlego e reiniciar a jornada, imagem
que gerou a palavra apousentar no português
antigo, referindo-se aos andarilhos que procuravam
aposento ou pousada depois de um dia de caminhada. Do
latim pausis, parada, derivou pouso e
pausa.
A aposentadoria encerra o trabalho diário e
dá lugar ao lazer. Em condições de boa remuneração – coisa
rara no Brasil –, o sujeito passa a fruir o otium cum
dignitate, o ócio com diginidade de que falava
Cícero, a boa vida sem hora para levantar, prazerosa atenção
aos netos – que os pais educam e os avós deseducam... –, e
novas atividades como freqüentar diariamente o mercado,
encher o saco da mulher reclamando da empregada e da demora
no almoço, virar noveleiro, motorista da família. |