Quinta-feira,
06 de janeiro de 2004
Ano 1 - edição 184

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O perdão à pecadora

O encontro com Jesus jamais deixa alguém indiferente. Sente-se atraído por Ele ou O rejeita. Jesus, porém, não deixa de ser bondoso para com todos, embora, por vezes, suas palavras sejam, até mesmo, duras. A cena da ceia na casa do fariseu, com os pecadores reunidos, deixa transparecer bem forte a atitude de Jesus em sua divina misericórdia. Ainda mais quando diante dEle se encontra a pecadora difamada, o que leva S. Gregório Magno a exclamar: "Porque Maria Madalena viu claramente as manchas de sua vergonha, correu para lavá-las na fonte da Misericórdia e não teve vergonha diante dos convivas. Ela tinha, no seu interior, tão grande vergonha que não temia mais nada do exterior... Que mais temos a admirar? Maria que se aproxima ou o Senhor que a recebe? Mas deveríamos dizer que Ele a recebe ou Ele a atrai? Melhor seria dizer que Ele a atrai e a recebe, pois Ele a atrai no interior de sua misericórdia e a recebe com bondade".

Ela permanece atrás, como que se considerando indigna de se aproximar de seu Deus; prostra-se aos seus pés, indicando a manifestação tangível da corporeidade do Salvador; suas lágrimas expressam a súplica silenciosa ao Senhor; o perfume consagra ao Senhor o supérfluo. É uma cena exemplar da expectativa secreta por perdão de toda a humanidade, desde o pecado de Adão, e é também o espelho do amor redentor de Jesus.

Os fariseus se prendem às aparências e ao passado desta mulher. Ela é "rotulada" e desprezada, mas encontra coragem, que lhe vem da fé para chegar a Jesus e se colocar à mercê da misericórdia divina. De fato, ao inverso da reação farisaica, Jesus, sendo Deus, não só sonda "os rins e os corações", mas é Ele que, em seu amor, criou o coração humano e lê o que se encontra no seu interior. À súplica da pecadora, Ele responde com o seu perdão: "Porque ela demonstrou muito amor, seus numerosos pecados lhe estão perdoados".

"Senhor, vossa graça é suficiente para mim. Enchei meu coração de amor e gratidão pela misericórdia que tendes demonstrado comigo e dai-me liberdade e alegria para amar-vos e servir aos meus semelhantes como tendes ensinado".
 


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