No início da vida cristã, logo após a subida de Jesus
aos céus, a grande preocupação dos primeiros cristãos era
a difusão da mensagem evangélica e a orientação das
consciências dos que se convertiam à fé. Todo o esforço
era feito no sentido de que eles se afastassem do pecado e
pautassem suas vidas segundo os ensinamentos de Jesus. Mas
nos Atos dos apóstolos já encontramos o reconhecimento por
parte dos apóstolos do poder que o Senhor lhes tinha
concedido de ligar e desligar, de reter e perdoar os
pecados. É o caso da fraude de Ananias e Safira, colocados
diante do apóstolo Pedro.
São também claras as admoestações de s. Paulo contra os
idólatras, adúlteros, avarentos, ladrões, blasfemadores,
aos quais os cristãos de Corinto pertenciam antes de sua
conversão (Cor 5,9-11). Reflete-se nas cartas paulinas a
convicção de que a Igreja não é só santa, mas nela há
também pecados a serem perdoados. Alguns pecadores
impenitentes são tratados com certa dureza, outros são
afastados da comunhão da Igreja.
Se os apóstolos falam do pecado, não deixam de acentuar
o perdão divino. "Se alguém pecar, temos um advogado junto
ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. Ele é a propiciação por
nossos pecados" (1Jo 2,1-2). "Se confessamos nossos
pecados, fiel e justo é Deus para nos perdoar e nos
purificar de toda iniquidade" (Jo 1,9). Estabelece-se a
distinção entre os que não se reconhecem pecadores e os
que, reconhecendo-se pecadores, se entregam à misericórdia
de Deus no desejo de viverem "na luz". Eis um forte e
claro apelo à conversão, à mudança de vida: deixar as
trevas do pecado e do mal e ser iluminado por Cristo,
tornando-se testemunha de sua mensagem de amor e de paz.