Quinta-feira,
06 de janeiro de 2004
Ano 1 - edição 184

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Os supositórios

Um certo dia estava no Bar Vitória, tomando cafezinho com os amigos Manequinha da Farmácia, Tufi Mussi, dr. Aníbal e o compadre Jaime. Entre as conversas sérias, surgem algumas histórias para rir. O Maneca vem com uma de supositórios: uma senhora idosa lá do interior vem com uma receita prescrevendo uma caixa de supositórios de Anuso, medicamento para hemorroidas.

Ele entregou o remédio e a senhora pergunta como é usado. Ele disse: "O médico não explicou para a senhora?". "Não". "É um supositório, deve usar com água duas vezes por dia". Ela pergunta: "Posso tomar com um pedaço ou uma banana?" Ele não aguentava mais aquele papo e disse onde ela devia enfiar o remédio. "Ela olhou pra mim com cara de brava e disse pra não ser malcriado, e saiu com cara de poucos amigos".

Realmente, não é um remédio fácil de explicar para as pessoas do interior. Elas não aceitam a posologia do medicamento. Também já me aconteceu uma história com supositório. Um freguês chegou em minha farmácia e disse que a mulher não ia aos pé há uma semana: "Falei por telefone com o dr. Léo. Ele disse para passar na farmácia e comprar dois supositórios de glicerina para adulto. Usa um; se não deu certo, usa o outro". Ele levou os supositórios e, chegando em casa, a mulher estava na cozinha, ele colocou os supositórios sobre a mesa e disse que era o melhor remédio. "Um já, e o outro, se for preciso, duas horas depois". Ele saiu e foi trabalhar no quintal.

Minutos depois a filha menor chama: "Pai, a mãe está afogada!" Ele correu, pegou uma caneca com água, mandou ela tomar e perguntou o que tinha acontecido. "Também, o médico receitar uma coisa deste tamanho". Ele disse: "Mulher, não é para tomar pela boca, é supositório". Ela disse: "Agora vou morrer envenenada". Ele telefonou para o dr. Léo, mas ele não estava mais em casa. Ele me telefonou e eu disse que não tinha perigo, podemos tomar glicerina, não tem nenhum problema. Uns dias depois, meu freguês vem à farmácia e diz que perdi uma freguesa pela vergonha que ela está sentindo. E por falar em Bar Vitória, que foi por mais de meio século o principal bar da cidade, hoje está muito aquém, precisa fazer uma plástica para acompanhar a evolução da cidade. Basta observar as belas lojas, modernas e funcionais que estão surgindo.


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