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Ficha criminal?
A vida fluía para nós no seu costumeiro ritmo: as muitas
atividades que exercemos exigem um certo cronograma para que
possamos atender a todos os chamamentos do cotidiano.
Foi quando um parente,
morador em Florianópolis, pediu-nos para ser seu fiador na
ocupação de um pequeno apartamento naquela cidade.
Acedemos numa boa e ele
ficou de mandar, por e-mail, a lista dos documentos que eu
deveria enviar.
Quando recebi a lista,
quase caí para trás. Como poderia eu arranjar tempo para
providenciar tamanha papelama?
Era uma verdadeira devassa
em minha vida: eu teria que fornecer à imobiliária:
1. Xerox da carteira de
identidade minha e da minha mulher;
2. Xerox do meu CPF e da
minha esposa;
3. Certidão de casamento
atualizada;
4. Declaração do imposto de
renda completa;
5. Extratos bancários;
6. Contracheques de
rendimentos;
7. Escritura (atualizada)
de um imóvel em Florianópolis;
8. Nome de lojas onde
fazemos compras;
9. Bancos onde temos conta
corrente;
10. Assinatura de um
contrato com firma reconhecida, com presença em cartório;
11. Endereço eletrônico;
12. Profissão;
13. Local de trabalho;
14. Renda mensal;
15. Lista de propriedades
(eventuais imóveis).
Somente não tivemos que
apresentar curriculum vitae e informar filiação partidária,
credo religioso e desempenho conjugal na cama.
O acontecimento nos remete
à seguinte reflexão:
Será que não existem mais
inquilinos e fiadores honestos na capital do Estado?
Estaria a imobiliária
exorbitando em sua exigência?
Se o que acontece se
enquadra na primeira hipótese, deplore-se este estado de
coisas que leva as pessoas a tal extremo para garantir-se de
logro.
Só por isso toleramos e
atendemos a aludida investigação.
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