Quinta-feira,
06 de janeiro de 2004
Ano 1 - edição 184

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Ficha criminal?

A vida fluía para nós no seu costumeiro ritmo: as muitas atividades que exercemos exigem um certo cronograma para que possamos atender a todos os chamamentos do cotidiano.

Foi quando um parente, morador em Florianópolis, pediu-nos para ser seu fiador na ocupação de um pequeno apartamento naquela cidade.

Acedemos numa boa e ele ficou de mandar, por e-mail, a lista dos documentos que eu deveria enviar.

Quando recebi a lista, quase caí para trás. Como poderia eu arranjar tempo para providenciar tamanha papelama?

Era uma verdadeira devassa em minha vida: eu teria que fornecer à imobiliária:

1. Xerox da carteira de identidade minha e da minha mulher;

2. Xerox do meu CPF e da minha esposa;

3. Certidão de casamento atualizada;

4. Declaração do imposto de renda completa;

5. Extratos bancários;

6. Contracheques de rendimentos;

7. Escritura (atualizada) de um imóvel em Florianópolis;

8. Nome de lojas onde fazemos compras;

9. Bancos onde temos conta corrente;

10. Assinatura de um contrato com firma reconhecida, com presença em cartório;

11. Endereço eletrônico;

12. Profissão;

13. Local de trabalho;

14. Renda mensal;

15. Lista de propriedades (eventuais imóveis).

Somente não tivemos que apresentar curriculum vitae e informar filiação partidária, credo religioso e desempenho conjugal na cama.

O acontecimento nos remete à seguinte reflexão:

Será que não existem mais inquilinos e fiadores honestos na capital do Estado?

Estaria a imobiliária exorbitando em sua exigência?

Se o que acontece se enquadra na primeira hipótese, deplore-se este estado de coisas que leva as pessoas a tal extremo para garantir-se de logro.

Só por isso toleramos e atendemos a aludida investigação.
 


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