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Castigo anda a cavalo
Acabávamos de escrever uma
crônica para o DS, parodiando uma consulta feita por uma
senhora de pouca cultura a um especialista em aparelho
digestivo, quando tivemos que empreender viagem até
Florianópolis para comparecer à festa de casamento de um
parente.
Até o Morro dos Cavalos a
viagem foi tranqüila, e o único estresse foi o de termos que
estar atentos às dezenas de desvios existentes na BR-101, em
duplicação.
E foi ali que o tráfego
entupiu. Ficamos parados, no total, por pouco mais de uma
hora. Uma colisão múltipla entre jamantas, ficamos sabendo,
interrompeu a estrada.
Nós, que "chuleávamos"
chegar a Floripa a tempo de comer rodelas de lula a dorê num
restaurante já conhecido, na praia de Coqueiros, acabamos
tendo que almoçar numa churrascaria em posto de gasolina, na
Enseada de Brito. Até aí tudo bem, até porque o "rango"
estava legal.
Chegados a Florianópolis,
dirigimo-nos até a capela da cerimônia religiosa. Longe pra
dedéu!. Depois rumamos para o salão de festas da recepção
aos convidados.
Tudo muito bonito, muito
bem decorado. Já na entrada tivemos "um visual" dos
magníficos doces que seriam servidos após a ágape.
Então, depois de mais ou
menos duas horas sorvendo e misturando alguns tipos de
bebidas, ouviu-se "o pode" para que os convivas atacassem o
bufê.
A coisa se deu como de
praxe: uma correria disfarçada, em busca de rechear os
pratos com as delícias disponibilizadas.
Aí é que foi: o cardápio,
previamente colocado em cada mesa, previa pratos
parcialmente indecifráveis para nós, tais como: "Crostines
de queijo cremoso com presunto de Parma, seleção de folhas
nobres ao tomate cereja e mussarela de búfala, escalopes de
minhon ao molho Cabernet Sauvignon com shitake, pernil com
abacaxi flambado ao vinho branco e perfume de canela (!)", e
outros mais.
E nós, que pensávamos ser
bons gourmets.
Experimentamos de tudo, é
claro, glutões que somos.
Às duas da matina, sem
esperar pelo "brodo" de frango que seria servido "after
hours", dirigimo-nos ao hotel.
Eram seis horas da
madrugada, quando uma tremenda dor em garra deu o ar de sua
graça, bem na "boca do estômago", como teria dito aquela
paciente previamente citada. E ali ficou instalada até as
oito e meia, quando foi melhorando graças a um abençoado
remédio que tomamos.
Novamente, a lula a dorê
teve que ser cancelada. A Marlen, sempre solidária com seu
companheiro de quarenta e sete anos, aquiesceu com alguma
tristeza.
Pé na estrada, rezando para
não encontrarmos mais um engarrafamento monstro pela frente.
Para completar o magnífico
fim de semana, o Botafogo empatou em casa!
Castigo anda a cavalo,
começando no Morro dos Cavalos.
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