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Pequenino nada
ordinário
Domingo o povo votou.
Escolheu os mandachuvas municipais. Das oito da manhã às
cinco da tarde, eleitores saíam de casa e se dirigiam à zona
eleitoral. Foi a festa da democracia. Depois, veio a
apuração. Prefeitos que se elegeram de primeira. Outros
terão de continuar a luta.
Sem conseguir a maioria dos
votos, vão disputar o segundo turno. Será um pega-pra-capar.
A alternativa é levar ou cair fora. Daí a importância da
conjunção ou. Bivalente, a pequenina dá dois recados. Ora
indica exclusão; ora, inclusão. As diferentes mensagens se
refletem na concordância:
Se o ou exclui, dá passagem
ao singular: Ou Marta ou Kassab será prefeito de São Paulo.
Fogaça ou Maria do Rosário governará Porto Alegre até 2012.
Ou João ou Rafael se casará com Vitória. Ou Obama ou McCain
será eleito presidente dos Estados Unidos.
Viu? Só há uma vaga de
prefeito e de presidente. Também só um dos pretendentes pode
se casar com a moça que tem nome de vencedora. O ou, então,
tem uma saída — mandar um dos candidatos passear na esquina.
Daí a exclusividade do singular.
Se o ou inclui, a história
muda de enredo. Como mais de um sujeito pode praticar a
ação, o verbo, vaquinha de presépio, vai atrás. Flexiona-se
no plural: Um ou outro artista apareceram na festa. Carlos
ou Paulo sairão antes das 10h. Um colega ou outro serão
convidados para a reunião do grupo.
Qual é a sua?
Seu candidato ganhou, perdeu ou está pendurado no segundo
turno? Pra responder à questão, vale dar uma espiadinha nos
particípios do verbo eleger. São dois. Um deles é elegido.
Ele é regular porque termina do mesmo jeitinho que o dos
verbos da 3ª conjugação (partido, dividido, dormido,
vestido). O outro é eleito. Eleito joga no time dos
irregulares porque foge do modelo. Você sabe quando usar um
ou outro? Então prove. Marque a resposta certinha da silva:
a. Meu candidato foi
eleito.
b. Meu candidato foi
elegido.
c. As duas opções estão pra
lá de corretas.
***
a. Eu tinha elegido o
candidato da oposição.
b. Eu tinha eleito o
candidato da oposição.
c. As duas formas
merecem nota 10.
E daí?
Escolheu a letra a no 1º teste e a c no 2º? Acertou. O xis
da questão é o auxiliar. Com ser e estar, só eleito tem vez.
Com ter e haver, ambos os particípios são bem-vindos:
Curitiba nunca tinha elegido (eleito) um candidato com tanta
diferença de votos. Curitiba nunca havia elegido (eleito)
candidato com tanta diferença de votos. Íris Rezende está
eleito. Gabeira não foi eleito no primeiro turno. Será no
segundo?
Reforma ortográfica
4
Esta é a terceira coluna que trata do emprego do hífen na
reforma ortográfica. As novas regras entram em vigor em 1º
de janeiro de 2009. Mas, durante quatro anos, as novas e as
velhas regras conviverão simultaneamente. Em outras
palavras: até 31 de dezembro de 2013, valem as duas grafias.
Em provas, concursos, redações oficiais, você pode escrever
de um jeito ou outro. A alternativa é uma só: acertar ou
acertar.
O assunto de hoje são os
prefixos terminados em vogal que se juntam a palavras
começadas por R ou S. No caso, o hífen não tem vez. Pra
manter a pronúncia, duplicam-se o R e o S: antirrábico,
antirrugas, antissocial, biorritmo, contrassenso, infrassom,
microssistema, minissaia, multisseculas, neossocialismo,
semirrobusto, ultrarrigoroso, ultrassom.
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