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Tubarão
136 anos

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Micheline Zim, Fernanda Souza, Rafael Matos e Adriana Stüpp

Tubarão comemora seus 136 anos e consolida crescimento

TUBARÃO - No ano em que completa 136 anos, a cidade tem muito do que se orgulhar. Considerado o 20ª município em qualidade de vida no país, este ano Tubarão se consolida de vez como pólo comercial, com a inauguração, em outubro, do Farol Shopping. Além disso, a presença da Unisul, que também coloca o município no patamar de cidade universitária, e os dois hospitais, o Nossa Senhora da Conceição e Socimed, também remetendo ao status de referência em saúde, fazem de Tubarão um dos melhores locais para se viver e constituir família.

A característica ainda de uma cidade pacata, mesmo crescendo e com uma população de quase cem mil habitantes, é outro fator que atrai cada vez mais pessoas de fora a adotar Tubarão para morar. E quem vem, se apaixona.

Pessoas das mais diversas áreas, que por opção ou mesmo por conseqüência profissional vieram morar em Tubarão, são enfáticas em dizer que hoje se sentem tubaronenses, e não têm planos de sair da cidade que as acolheu. E são justamente algumas dessas pessoas as personagens principais desse caderno especial em comemoração ao aniversário da Cidade Azul, que contam por que amam Tubarão.

Contando a história de TB

TUBARÃO - Do rio surgiu seu nome. Dos trilhos nasceu sua história. Da natureza veio o encanto. E do seu povo vem a hospitalidade. Tubarão é assim, uma terra com motivos de sobra para conquistar.

A abertura do caminho entre Lages e Laguna e a concessão de sesmarias são as bases iniciais que solidificaram a história desta terra. Em 1773, com o fechamento da barra da lagoa dos Patos pela Esquadra Espanhola, foi necessário abrir outro caminho de ligação entre a serra e o mar. Com mulas carregadas de charque, queijo e outros produtos oriundos da região serrana, os tropeiros começaram a utilizar os portos do "Poço Fundo" e do "Poço Grande", como eram chamados, para descanso.

Por causa das paragens, feitorias foram construídas para abrigar os viajantes e suas mercadorias. As primeiras famílias começaram, então, a se instalar na região para dar assistência às tropas. Começa, assim, a história desta pujante cidade, que teve como primeira denominação oficial Poço Grande do Rio Tubarão, sendo o 5º Distrito de Laguna.

Tanto Poço Grande como Poço Fundo localizavam-se sobre a sesmaria do Capitão João da Costa Moreira, o pioneiro fundador de Tubarão, ao contrário do que muitos pensam. "Comprovadamente, o Capitão fez benfeitorias agrícolas sobre a sua sesmaria e a do sogro, sargento Mor Jacinto Jaques Nicós. Ambos requereram aquelas sesmarias, percebendo a importância estratégica da área e, por isso, historicamente João da Costa Moreira deve ser considerado o fundador da cidade", explica o historiador Amadio Vettoretti.

No ano de 1812, João Teixeira Nunes, residente em Laguna, comprou a sesmaria de uma herdeira do Sargento Nicós. Anos mais tarde, doou uma área à Irmandade de Nossa Senhora da Piedade, para construir a Igreja matriz, por este motivo foi confundido como fundador da cidade. Em maio de 1836, o governo provincial cria a Paróquia (Freguesia) Nossa Senhora da Piedade de Tubarão. Trinta e quatro anos depois, em 27 de maio de 1870, foi decretada e sancionada a lei nº 635, que criou o município "do Tubarão", emancipando-o política e administrativamente da cidade de Laguna.

A Comarca de Tubarão foi criada em 1875, e instalada no ano seguinte. Além da criação do município e da comarca, a década de 1870 registra dois fatos responsáveis pelo incremento e o desenvolvimento no então vasto município: a imigração européia, predominando a italiana, seguida da alemã e outros, como também a formação da Cia. Inglesa "The Donna Thereza Cristina Railway Co. Ld." (Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina).
 


Qualidade de vida é a maior característica de TB

TUBARÃO - A resposta é unânime quando a pergunta é o que mais atrai em Tubarão: qualidade de vida. Para a médica dermatologista Maria Virginia de Melo Guedes, natural de São Paulo e morando há quatro anos na cidade, foi justamente essa qualidade de vida o fator preponderante para que ela não tenha mais vontade de ir morar na metrópole brasileira e queira ficar para sempre na Cidade Azul.

Maria Virginia é casada com o médico lagunense André Luz Guedes, que também escolheu Tubarão para viver e se firmar profissionalmente. Os dois se conheceram em São Paulo, onde André fez sua residência médica. Concluída a especialização, veio a idéia de voltar para o Sul. Como já estavam casados, Maria Virginia veio para Tubarão para acompanhar o marido - mas com a ressalva de que, se não se adaptasse, os dois voltariam para a capital paulista. "Confesso que a adaptação no início não foi fácil. Sentia falta da família e da agitação de São Paulo, principalmente quando chegava sábado à tarde e o comércio todo ficava fechado", lembra.

"Também me sentia um pouco insegura quanto à minha carreira. Mas a médica diz que essa "estranheza" e a insegurança foram apenas no início, enquanto o consultório não ficava pronto e ela não começava, definitivamente, a trabalhar. "Cheguei em abril em Tubarão e meu consultório só ficou pronto em outubro. Nesse meio tempo atendia apenas dois dias na Pró-Vida. Como estava acostumada ao ritmo frenético da cidade grande, senti muita diferença no começo, que logo se dissipou assim que comecei a trabalhar de vez no consultório, todos os dias", revela.

Largar tudo e recomeçar em uma cidade totalmente diferente de onde foi criada foi o maior desafio para a médica, que hoje vê em Tubarão o "seu lugar" e nem pensa mais em ir morar em São Paulo. "Hoje estou completamente adaptada, com a carreira consolidada e com amigos", comenta, orgulhosa de ter sempre seu consultório cheio. "As pessoas aqui são amistosas".

Aliás, fazer amizades foi outra característica que marcou para a médica na cidade. "Fui muito bem recebida aqui, tanto profissionalmente como na questão de amigos", diz.

Tempo e qualidade para criar o filho

TUBARÃO - A dermatologista Maria Virginia de Melo Guedes destaca o que de melhor recebeu de Tubarão. "Eu adoro Tubarão, foi ela que me deu o meu maior presente: o meu filho", afirma, categórica. "E poder criá-lo tranqüilamente, podendo dispor muito do meu tempo a ele, é muito importante", completa, se referindo ao filho Gabriel, de nove meses. "Isso não tem preço", garante.

A afirmação se deve ao fato de que morando em Tubarão, mesmo trabalhando todos os dias, a médica pôde ter seu filho, plano adiado por um bom tempo enquanto morava em São Paulo, justamente porque lá o ritmo de vida era bem diferente. Poder conciliar a carreira profissional com a vida de esposa e mãe é um ponto importante para a médica. "Em São Paulo, saía de casa antes das 8 horas da manhã e só voltava à noite. O trânsito caótico e a distância de tudo tornariam impossível eu me dedicar a ser a mãe que queria ser. Aqui em Tubarão isso foi possível. Tudo é perto, hoje posso ficar com meu filho uma boa parte da manhã antes de vir para o consultório, ir para casa e almoçar junto com ele, e, no meio da tarde, caso algum paciente cancele a consulta, ainda posso dar um pulinho em casa e dar um beijo nele", afirma, animada.

Sem violência - A tranqüilidade de poder sair à noite para ir ao supermercado ou qualquer outro programa comum para os tubaronenses era inexistente para a médica quando ela morava em São Paulo. "Hoje faço isso normalmente aqui", diz. Ver pela TV a sua cidade passar pela onda de violência que se abateu dias atrás só a preocupou porque sua família ainda mora na capital paulista, mas morar numa cidade ainda considerada pacata como Tubarão acalma Maria Virginia. "Hoje nem penso mais em me mudar daqui. São Paulo, só a passeio. Tubarão agora é minha cidade", conclui.
 


Segurança e o sentimento de ser de Tubarão

TUBARÃO - Em meio a notícias diárias de violência, é um orgulho poder dizer que em mais de um ano apenas um homicídio foi cometido em Tubarão. O fato se deve à cidade pacata e ao bom trabalho da polícia. E muitos desses policiais que cuidam tanto da segurança da cidade não são naturais de Tubarão, mas cuidam como se fossem. Um exemplo é o delegado Giovanni Floriani.

Natural de Lages, Giovanni veio para Tubarão em 1998 para preencher a falta de delegado na cidade. A princípio provisoriamente, acabou ficando mais do que imaginava e hoje não pensa mais em sair daqui. Casou com uma tubaronense e teve seu primeiro filho, mais um tubaronense. Sua vida profissional e familiar então acabou sendo em Tubarão, que ele diz já ser sua cidade do coração.

Condições climáticas favoráveis, uma cidade de um porte pequeno, mas com toda a infra-estrutura necessária para viver bem e até a questão da segurança, que ele conhece como ninguém, são algumas das qualidades enumeradas pelo delegado, que ainda acrescenta a existência de uma universidade referência como a Unisul e a proximidade com a Capital, Florianópolis. "Realmente é muito bom viver aqui. E mesmo tendo ido trabalhar durante quatro anos em Jaguaruna, minha casa sempre foi aqui. Hoje, mais do que nunca, não tenho vontade alguma de sair daqui", revela.

A condição de tubaronense nato Giovanni já incorporou. "Hoje, quando me perguntam de onde eu sou, respondo de imediato: Tubarão. Só depois que penso um pouco e acrescento que sou natural de Lages", diz. "A cidade receptiva que é faz com que a gente crie vínculos que não se dissipam", completa.

Nestes oito anos por aqui, Giovanni diz que viu muitas mudanças na cidade. Como ponto preocupante, o crescimento das drogas e o aparecimento das chamadas gangues, mas nada que tire o brilho e a paixão pela cidade que o acolheu e que ele assumiu como sua. "Mesmo com alguns problemas, que nem se comparam a outras cidades aqui mesmo por perto, Tubarão é uma cidade pacata, e a unificação das delegacias tornou o trabalho mais prático, melhorando o atendimento", revela. "Crimes graves são muito raros de ocorrer, o que coloca Tubarão num patamar até invejável", ressalta o delegado. "Tubarão está de parabéns de ser a cidade que é", conclui.
 


Do futebol aos trabalhos sociais com o esporte

TUBARÃO - Como muitas pessoas, Cássio Rogério Carreira, 33 anos, veio morar em Tubarão por motivos profissionais. Mas acabou se apaixonando pela cidade, constituindo família e tornando-se, praticamente, um tubaronense. Jogador de futebol, Cássio veio morar na Cidade Azul pela primeira vez em 1997, quando veio jogar no então time do Tubarão Futebol Clube. Natural de Apucarana, no Paraná, Cássio passou por alguns times, em muitas cidades do país, mas foi em Tubarão que ele resolveu fixar residência.

No mesmo ano em que veio morar em Tubarão, Cássio casou e teve seu filho, hoje com oito anos. Um legítimo tubaronense. Morou na cidade por um ano e se mudou para Recife, onde foi jogar do Sport, mas retornou à cidade em 2000 e então não saiu mais. "Gosto muito daqui. Tubarão é uma cidade que tem de tudo, e é perto de tudo também. Temos águas termais, praias, serra e uma infra-estrutura espetacular. Não dá pra reclamar", revela. Até um grande shopping center, que era o que faltava, teremos este ano. Além de ser uma cidade calma, ideal para criar os filhos", pontua.

Hoje, com as "chuteiras penduradas", Cássio se dedica, através do esporte, às melhorias na cidade que escolheu para viver. Trabalha como chefe de setor do esporte comunitário da prefeitura de Tubarão, atua na formação de atletas pelo Dingo’s Point Ball e ainda realiza um trabalho social no bairro Recife, visando tirar o menor da rua através de práticas esportivas. "Trabalhar com o lado social, através do esporte, é importante porque abrange todas as classes sociais", comenta, orgulhoso, e completa: "É gratificante trabalhar com esses jovens e dar oportunidade a eles".

Atual momento do futebol - O fim do Tubarão Futebol Clube e a criação do recente Atlético Cidade Azul - que não apresentou bons resultados - leva o ex-jogador a comentar o momento difícil pelo qual o futebol tubaronense atravessa. "Um time de sucesso não depende apenas dos jogadores, mas de estrutura adequada e bom planejamento, aí sim teremos um resultado de sucesso", destaca o jogador, que ainda pretende ser treinador de futebol.

Mas mesmo o atual momento do futebol tubaronense não diminui a paixão de Cássio pela cidade que o acolheu e de onde não pretende mais sair. "Aqui é a minha casa, a minha cidade", afirma.
 


Cavalgada e eventos especiais no aniversário

TUBARÃO - A Segunda Cavalgada Tropeira pelo Picadão da Serra, mais um evento alusivo ao aniversário de Tubarão, passa pela cidade neste sábado. Mais de 50 pessoas da região de Tubarão, entre cavaleiros de Itapirubá, Imbituba, Laguna, Capivari de Baixo e Gavatal, além de Tubarão, estão participando.

Do solo tubaronense, os integrantes da Cavalgada Tropeira seguiram no dia 20 para Lages, onde permaneceram nos dias 21 e 22, partindo para São Joaquim. Na cidade, ficaram até o dia 24, seguindo para Bom Jardim da Serra. De lá, partiram quinta-feira para Lauro Müller, de onde saíram nesta sexta-feira, passando por Pedras Grandes.

Em Tubarão, os tropeiros chegaram nesta sexta-feira e serão recepcionados no sábado pelo prefeito Carlos Stüpp. Eles chegam à cidade no marco do Monumento aos Tropeiros, no bairro São João (MD). "Será com certeza uma satisfação imensa receber pessoas de nossa cidade e mesmo de outras regiões, no aniversário de 136 anos de emancipação político-administrativa de Tubarão. Iremos festejar o desenvolvimento do município de forma cultural e bem festiva", reforça Stüpp.

Os cavaleiros então rumam a Capivari de Baixo e Laguna, destino ainda no sábado da equipe e cidade onde será finalizada a Segunda Cavalgada Tropeira pelo Picadão da Serra. Grupos folclóricos e tradicionalistas recepcionarão os participantes, em verdadeiros momentos de confraternização e muita diversão.

Outros eventos - Desde o dia 12 Tubarão está com uma série de eventos comemorativos ao aniversário de emancipação político-administrativa. Neste sábado, o esporte marcará a data, com a realização da 6ª Corrida Rústica Unimed/CME. A largada ocorre às 15 horas, em frente ao CMC.

No domingo, uma bela atividade irá integrar toda a família tubaronense ao redor do rio Tubarão. Será realizado, a partir das 8 horas, o 6º Torneio de Pesca de Arremesso, do Clube Tubaronense de Pesca e Esportes Náuticos, até a divisa com Laguna.

O Dia do Desafio irá finalizar o cronograma de eventos, em 31 de maio, quando todos os tubaronenses serão motivados à prática de exercícios físicos, por pelo menos 15 minutos.
 


Casamento com tubaronense e oportunidade de trabalho

TUBARÃO - Natural de Arapoti, no Paraná, Luis Mário Novochadlo, 44 anos, Luís Mário veio para Santa Catarina para estudar Engenharia Mecânica na Universidade Federal de Santa Catarina. Conheceu, em Florianópolis, a tubaronense Simone, com quem casou e teve três filhos: Karen (20 anos), Michele (19 anos) e Yuri (15 anos). Então, em 1985 veio morar em Tubarão, quando ingressou na Rede Ferroviária Federal S/A, empresa onde adquiriu experiência na área de manutenção, gerenciamento, planejamento e operação ferroviária.

Com a privatização da ferrovia em 1997, foi convidado a fazer parte da diretoria da nova empresa – Ferrovia Tereza Cristina S/A (FTC), onde participou e contribuiu com o crescimento e melhorias da empresa. Sua área de atuação é na manutenção dos ativos da companhia, que compreendem as áreas de Via Permanente, Vagões e Locomotivas. Ocorreram desde o início da operação da FTC significativos investimentos na recuperação de seus ativos e instalações, como também crescimento no volume de transporte da companhia.

Em 2000, com a criação da subsidiária da Ferrovia, a Transferro Operadora Multimodal, Luis Mário também foi convidado a participar da diretoria da empresa, que atua na movimentação interna de carvão da moega / pátio para as caldeiras do complexo termelétrico Jorge Lacerda, bem como da manutenção dos equipamentos de transporte de carvão da usina.

Hoje, Luis já se sente em casa, e Tubarão é sua cidade, a cidade onde ele criou sua família e onde tem sua profissão. A tranqüilidade e as facilidades que o município oferecem também fazem com que ele goste cada vez mais de morar aqui.

História da Ferrovia em TB

TUBARÃO - A Estrada de Ferro Dona Thereza Christina foi construída em uma época em que se buscava a possibilidade de explorar o carvão da região de Lauro Müller e, para que o negócio fosse bem-sucedido, era necessário, entre outras coisas, um meio eficiente de transporte para escoar o minério. Foi com este objetivo que se construiu a Ferrovia, ligando a região carbonífera ao Porto de Imbituba. A inauguração da estrada de ferro aconteceu no dia 1º de setembro de 1884, com uma grande festa em Tubarão.

Desde sua construção até 1940, a Ferrovia esteve sob concessão federal, permitindo que o capital privado – nacional ou estrangeiro – alternadamente administrasse a empresa. Em 1957, a estrada de ferro foi incorporada à Rede Ferroviária Federal SA, passando, a partir de 1965, a atender as necessidades de abastecimento do complexo termelétrico Jorge Lacerda, situado no município de Capivari de Baixo. Desde 1º de Fevereiro de 1997, a Ferrovia encontra-se novamente sob administração privada, transportando carvão para o abastecimento do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda.

Construída com capital inglês, para um prazo de exploração por 90 anos, a Ferrovia empregou em grande parte mão-de-obra dos imigrantes italianos que começavam a se instalar no sul de Santa Catarina. Foi a construção da estrada de ferro que impulsionou o desenvolvimento de toda a região, trazendo trabalho e dinheiro para os colonos. Antes da Ferrovia, os imigrantes viviam apenas mediante a produção e troca de produtos, já que não possuíam a moeda brasileira – na época os réis. Ainda hoje, a Ferrovia Tereza Cristina se constitui um importante fator de desenvolvimento econômico e social da região sul catarinense. A empresa conta com cerca de 150 colaboradores diretos e mais 90 terceirizados, que fazem o transporte anual de aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de carvão.

Em 2004, a Ferrovia Tereza Cristina iniciou a diversificação das cargas, com o transporte de produtos cerâmicos com destino à exportação através do Porto de Imbituba, promovendo investimentos em material rodante e capacitação de pessoal para a nova atividade. Este ano demonstrou mais uma vez seu potencial empreendedor, iniciando o transporte de contêineres do Criciúma Terminal Intermodal até o Porto de Imbituba.

"Com um saldo de 23 milhões de toneladas de cargas transportadas e investimentos que ultrapassam R$ 30 milhões, a Ferrovia Tereza Cristina, após nove anos de concessão, trilha um novo caminho com o início do transporte de contêineres. A iniciativa impulsiona a ferrovia de história centenária e traz fôlego extra para as indústrias da região sul catarinense, que exportam pelo Porto de Imbituba", destaca Luis Mário.
 


Universidade cria talentos e atrai moradores para Tubarão

TUBARÃO - Fazer as malas, arrumar as coisas e se mudar para outro município e até Estado, não é fácil. Em cidades universitárias isso é muito comum. Em Tubarão, por exemplo, a cada ano a procura por imóveis próximos à Unisul cresce. Novos acadêmicos, professores e funcionários de outras cidades buscam a praticidade de morar perto da instituição.

Nascido em Viamão (RS), o professor Ildo Silva da Silva já morou em várias cidades, como Blumenau e Brasília. Jornalista formado há 22 anos, trabalha hoje na Unisul de Tubarão. Professor do curso de Comunicação Social, ele era obrigado a vir de Florianópolis, onde morava, quase todos os dias. Há mais ou menos um ano ele resolveu mudar com sua família para Tubarão.

Dessa forma, a esposa, Eloá, transferiu o curso de Direito do campus da Grande Florianópolis para o campus de Tubarão. O filho mais novo do casal, Fernando, passou a estudar no Colégio Dehon e não teve dificuldades de adaptação. Apenas o filho mais velho, Ildo Teixeira da Silva, continuou em Florianópolis para concluir o curso de Fisioterapia.

O professor, que já se mudou para várias cidades diferentes em função da profissão, afirma que a mudança para Tubarão foi a mais tranqüila. "A cidade é agradável, pacata e sem violência. Isso ajudou muito na hora da escolha da minha família", comenta o professor.

Com a mudança, Ildo pode ter uma maior participação na universidade. Atualmente ele ministra três disciplinas no curso de Jornalismo, orienta projetos experimentais de Rádio e TV e é o diretor do projeto de implantação da TV Unisul Canal 4.

O professor afirma que a tecnologia permite que ele more onde quiser. "Eu posso estar em Tubarão e através da Internet e do celular mandar informações necessárias para uma assessoria em Florianópolis, por exemplo. A minha profissão permite isso", acrescenta.

Carreiras profissional e artística andando juntas

TUBARÃO - O jornalista Fábio Cadorin, 28, natural de Turvo, mora em Tubarão desde 1998, quando iniciou o curso de Comunicação Social na Unisul. A permanência na cidade, que, inicialmente se restringiria a quatro anos, período de realização do curso, foi se prolongando e hoje o jornalista não pretende sair tão cedo de Tubarão. "Inicialmente, minha intenção era concluir o curso e ir embora, mas gostei da cidade desde o primeiro dia e, com o surgimento de propostas de trabalho, fui ficando. Hoje, adoro viver aqui, porque a cidade oferece tudo que eu preciso, sem deixar de ter um ar de interior, como na minha cidade natal", comenta o jornalista.

O jornalismo, no entanto, é apenas uma das habilidades de Fábio, que ainda não sabe definir ao certo se é um jornalista que canta ou um cantor que escreve. Dono de um talento musical inconfundível, o jornalista por formação e músico por vocação imprime dedicação e perfeccionismo em tudo que faz, por isso acredita que as duas atividades, até certo ponto, se complementam. "Gosto muito da área jornalística e procuro fazer tudo muito bem feito, mas acredito que a veia artística me toca mais profundamente, porque é a expressão da sensibilidade, já o jornalismo é algo mais técnico", confessa.

Morar em Tubarão possibilita ao jornalista exercer as duas atividades simultaneamente. Como jornalista, Fábio atua, à tarde, na secretaria de Comunicação Social da prefeitura. Já o lado artístico é demonstrado nos eventos dos quais participa à noite e nos fins de semana. "Esse é mais um motivo que me faz gostar desta cidade. Aqui eu consigo me realizar profissionalmente, exercendo atividades jornalísticas, ao mesmo tempo em que tenho como desenvolver minha vocação artística, participando de diversos eventos e cursos de aperfeiçoamento musical", salienta Fábio.

Continuar morando em Tubarão está nos planos do artista-jornalista, mas como o futuro é incerto, ele se limita a dizer que vontade de continuar na cidade não falta. "Não sei para quais caminhos a vida me levará, mas como gosto muito de Tubarão e pretendo continuar por aqui por um bom tempo. Gosto das facilidades que a cidade oferece. Tudo é próximo, o clima é agradável e as pessoas me receberam com muito carinho. Só aqui encontro possibilidades que minha cidade natal não oferece, sem, no entanto, perder a qualidade de vida típica das cidades menores. Tubarão é um grande pólo, que, felizmente, não perdeu o estilo de cidade do interior. E isso me agrada muito", ressalta.



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