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Retrospectiva 2007
08/12/2007

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Explorando a leitura com criatividade na aula

TUBARÃO – Nos primeiros quatro meses de implantação do projeto, o trabalho realizado envolveu as diretoras das escolas – para que elas pudessem entender a amplitude do programa, esclarecendo dúvidas e levantando questões relevantes para a melhor aplicação do conteúdo jornalístico como complemento do conteúdo curricular, entre crianças e adolescentes.

Já no primeiro mês (junho), quando o jornal passou a fazer parte das atividades em sala, cada escola recebeu a visita da coordenação do projeto, quando foram exposta as propostas, esclarecidas as dúvidas e adequando o planejamento geral aos objetivos específicos de cada professor e suas respectivas disciplinas.

Durante os meses de junho e julho o jornal enviou sugestões de atividades às escolas – através de uma apostila explicativa – para que os professores entendessem e implantassem diariamente as atividades com os alunos.

Em agosto e setembro as escolas deram continuidade às primeiras atividades, com visitas à redação do Diário do Sul, produção de murais, peças teatrais, criação de informativos e participação no 1º Concurso de Redação promovido pelo projeto (ver mais na página 3).

Nossa Voz - Na Escola Manoel Rufino Francisco, o jornal na sala de aula tem ajudado os alunos a descobrirem inúmeras possibilidades de explorar o que é aprendido na escola. A professora de Língua Portuguesa Jane de Fátima criou um roteiro, assim que começou a trabalhar com as notícias, para que o rendimento acontecesse de maneira gradativa. O primeiro passo foi manusear o jornal, entender a distribuição das matérias em cada página, chegando aos conceitos de editorias, manchetes e notícias. “Abordamos quatro pontos iniciais: Explorando para entender; Entendendo para escrever; Escrevendo para aprender; Aprendendo para informar”, conta.

O passo seguinte foi partir para explorar os gêneros textuais apresentados pelo DS. Foram avaliadas: capa, notícias, charges, tiras, cruzadas, humor e crônicas. Agora, os alunos produzirão painéis, com textos de cada seção do jornal, analisados e reescritos por eles.

Informativo - Paralelo a isso, as turmas de 6ª séries produziram o primeiro informativo da escola, com pautas, reportagens, textos e diagramação feitos por eles – com a orientação dos professores de Língua Portuguesa e Ciências. “Eles saíram em campo, receberam aula sobre mata ciliar, à beira do rio Tubarão. Também entrevistaram moradores, tiraram fotos e escreveram as matérias, seguindo o estilo do Diário do Sul”.

Além do jornal impresso, a escola adotou o jornal como fornecedor de pautas e notícias para a redação da rádio escolar, que transmite duas vezes por semana sua programação durante o recreio e também serve como parceiro para divulgar os trabalhos dos alunos no mural “Nossa Escola é Notícia”.

Despertando a crítica nos alunos
TUBARÃO – Os alunos do Ensino Fundamental da Escola João Paulo I (Caic) estão aprendendo a fazer e a entender melhor a história. Através das notícias, eles acompanham de perto os principais acontecimentos do mundo, discutem causas, conseqüências, relacionam ao passado, presente e futuro.

Jefferson Prudêncio, professor de História, começou a colocar a idéia em prática e já colhe os primeiros resultados, com o empenho dos estudantes em explorar a criatividade nos trabalhos escolares.

As turmas foram divididas em grupos para mostrar o entendimento sobre “A Consciência do Terceiro Mundo”. Surgiu, então, a idéia de simular programas de rádio e TV para narrar as notícias do jornal e explicar os fatos históricos, passando pela África, Independência da Índia, Revolução Chinesa, Conflitos entre Árabes e Israelenses, entre outros.

Bianca Martins, 14 anos, explicou a estratégia adotada como melhor maneira de prender a atenção dos colegas. “O professor pediu criatividade e alguns grupos usaram cartazes. Nós buscamos mostrar a força da comunidade na condução dos fatos. Além disso, temos o exemplo (com o uso do jornal) de que é bem mais interessante aprender assim, através dos veículos de comunicação. Desse modo, conseguimos fazer com que eles ficassem ligados no que explicávamos”, garantiu a menina.

Rendimento - Para o professor Jefferson não há como negar a eficiência do jornal em sala de aula. “Nossas aulas estão crescendo muito em rendimento, produtividade e participação. Espero que possamos realmente dar continuidade à proposta nos próximos anos”, diz o professor.

Concurso de redação surpreende educadores

TUBARÃO – Eles pintaram a cidade com letras firmes, seguros de seus propósitos e idéias. Respondendo à pergunta “Como você vê Tubarão no Futuro?”, jovens estudantes esbanjaram talento e surpreenderam escritores experientes. Alguns viajaram em máquinas do tempo e foram bem longe na imaginação. Visualizaram progresso, estradas impecáveis, segurança, meio ambiente respeitado, boas escolas e igualdade nas oportunidades. Entre as interrogações, surgiram cobranças desconcertantes aos adultos, como: “Você tem consciência que o rio Tubarão está perdendo o seu brilho natural e puro e ficando sem vida?”. Criativos, sonhadores ou realistas, todos os participantes conseguiram a unanimidade dos julgadores: eles foram brilhantes.

O primeiro Concurso de Redação promovido em parceria pelo Diário do Sul e a Secretaria Municipal de Educação de Tubarão _ com o objetivo de estimular a leitura e desenvolver o senso crítico em crianças e adolescentes _ movimentou cinco escolas da rede municipal de ensino durante quase dois meses. A comissão julgadora _ formada pelos escritores Pedro Corrêa, Myriam Mayer, Edgar Nunes e José Warmuth, membros da Academia Tubaronense de Letras (Acatul) _ ficou debruçada durante uma semana sobre os textos, somou os pontos de cada participante e mostrou agradável surpresa com a precocidade dos autores em suas perspectivas para a vida dos tubaronenses em algumas décadas.

Na categoria aberta aos estudantes de 4ª e 5ª séries, a grande vencedora foi Camila Genovez Antunes (da Escola São Judas Tadeu); em segundo lugar ficou Igor da Silva Claudino (Escola João Paulo I – Caic); em terceiro a aluna Rita de Cássia Pacheco Eufrásio (Escola Maria Emília Rocha).

Na categoria dos alunos de 6ª a 8ª séries, levou o primeiro lugar Ana Paula Beatriz Helena (Escola Manoel Rufino Francisco); em segundo Laís Balduíno Nunes (Escola Maria Emília Rocha); em terceiro José Dias Linhares Júnior (Escola São Judas Tadeu).

Concorrência - A disputa envolveu estudantes, de 4ª a 8ª séries, das cinco escolas integrantes do projeto Jornal na Educação. Entre os quase 600 nomes inscritos, foram selecionados 50 textos – com 10 alunos representando cada instituição.

“É impressionante a qualidade dos textos e a maturidade mostrada pelas crianças. Foi difícil julgar, justamente por isso. O jornal e a secretaria estão de parabéns pela iniciativa. Estímulos assim empurram os nossos jovens para a frente”, elogiou o escritor José Warmuth.

Depois de enfrentar o crivo dos professores, as redações passaram pela segunda fase, sendo reavaliadas por jornalistas do DS, que chegaram aos 20 finalistas – quatro selecionados por escola (dois representantes por categoria). Em seguida, foram encaminhados à Acatul.

Prêmios - O primeiro lugar de cada categoria levou para casa um microcomputador Celeron de 2.66 GHZ, o segundo um MP4 e o terceiro livros infanto-juvenis.

A entrega dos prêmios mobilizou toda a equipe da secretaria municipal de Educação e familiares dos alunos selecionados, com a presença de autoridades, escritores, jornalistas, diretores de escolas e professores.

Senso crítico leva a júri popular na escola

TUBARÃO – Um julgamento diferente envolveu os alunos das 7ª e 8ª séries da Escola João Paulo I (Caic) no final de novembro: no banco dos réus, tendo qualidades e problemas avaliados pelos advogados de defesa e acusação, o município de Tubarão. A idéia foi lançada no início do semestre, baseada nas discussões e nos comentários diários – após a implantação do jornal em sala de aula.

De acordo com a professora, o empenho dos alunos foi surpreendente durante todo o processo. “Eles encararam com maturidade, responsabilidade e disciplina. Alguns descobriram a vocação para o Direito e já pensam em buscar a profissão no futuro”, conta.

Para dirigir os trabalhos, Sônia destacou a colega Jaqueline Gonçalves Cardoso (professora de Educação Artística), que exerceu as funções de juíza. “Estamos ansiosos e orgulhosos, ao mesmo tempo. Eles alcançaram ótimos progressos. Estão mais críticos e mais conscientes”, elogiou Jaqueline.

A acusação (feita por alunos da 7ª série) citou a violência sexual, os acidentes de trânsito, foragidos da penitenciária, roubos e falta de saneamento básico em bairros mais humildes. Ao final, fez um apelo. “Esperamos que esses problemas sejam direcionados, neste tribunal, às autoridades competentes, para que possamos tirar o melhor proveito do veredicto”.

A defesa, representada pela 8ª série, ressaltou a vocação para o comércio e destacou a qualidade na educação. Em nome dos colegas, Karoline Valgas pediu que a juíza levasse em consideração as provas apresentadas, através de matérias do Diário do Sul. Ao final, o veredicto foi conciliatório.

Apostando no projeto Jornal na Educação

TUBARÃO - Implantado no primeiro semestre deste ano em cinco escolas municipais de Tubarão, o Projeto Jornal na Educação - possível graças à parceria da Secretaria Municipal de Educação e Diário do Sul – está promovendo a utilização do jornal como instrumento pedagógico em sala de aula, beneficiando mais de 1.200 alunos, sendo ampliado,em 2008 para mais três escolas da rede. A implantação é pioneira na região e se baseia em mais de 50 projetos semelhantes, espalhados pelas cinco regiões do país, com resultados positivos em cerca de 17 mil escolas e 5 milhões de estudantes, envolvendo 130 mil professores.

Diante das provas incontestáveis trazidas pelos números e pela melhoria significativa na qualidade do aprendizado em todos os locais onde foi implantado, a equipe da Secretaria de Educação apostou no projeto e já começa a obter os primeiros resultados nas escolas tubaronenses. Os professores, coordenadores e diretores têm sido unânimes em afirmar que levar o jornal para a sala de aula é como trazer o mundo para dentro da escola, pois as informações divulgadas pelo veículo propiciam maior interação dos alunos com a informação atualizada.

“Professores ressaltam que os alunos estão mais concentrados, com o envolvimento no projeto, demonstrando interesse pelas notícias e curiosidade pelos fatos da atualidade que envolvem a nossa região”, diz o secretário de Educação, José Santos. Por outro lado, nem só os alunos são beneficiados, já que o material estudado em sala de aula está sendo levado para casa; familiares também podem usufruir, para melhorar seus conhecimentos e estar em contato mais direto com a comunidade.

Sendo assim, os pais passaram a acompanhar com mais atenção as crianças na escola, sendo atraídos ao projeto, e conseqüentemente, ao processo educacional de seus filhos.

“Tenho certeza de que, desse modo, estamos formando cidadãos mais conscientes e capazes de transformar a sua realidade” atesta.

Resultados são confirmados por professoras e diretoras de escolas

TUBARÃO - “Não tenho a menor dúvida de que, durante esses três anos de administração – esse é o melhor projeto implantado em nossa área”, revela José Santos. Para o secretário, as crianças estão cada vez mais próximas e conscientes da realidade, além de terem adquirido o hábito da leitura, bem mais rápido do que se imaginava. “A abrangência é maior do que pretendíamos e isso nos anima a querer dobrar a proposta. Recebo sempre pedidos de diretoras de escola, que também querem ser inseridas, o que nos dá a certeza de que estamos no caminho certo”, afirma.

A percepção dos resultados chegou à diretora da Escola São Judas Tadeu, Terezinha Simoni, junto com as matrículas para o próximo ano letivo. “Sentimos que a comunidade começou a reconhecer a qualidade de ensino que oferecemos com o grande número de alunos novos para 2008. Antes, nem sabiam que existíamos. Agora somos prestigiados”, comemora.

Rosemary Schotten, da Manoel Rufino Francisco, também ressaltou o respeito conquistado. “Nosso empenho começa a ser reconhecido e a auto-estima de nossos alunos cresce a cada dia. É realmente gratificante ver a satisfação que eles têm quando trabalham com o jornal e se reconhecem nele”, avaliou. “Espero que possamos dar continuidade ao projeto, para que outras crianças tenham a mesma oportunidade”.

No Caic, o projeto levou os alunos a levantarem os principais problemas e os pontos positivos no cotidiano tubaronense, através das matérias do jornal – o que culminou com o júri popular. “Foi uma pesquisa ampla, séria, que movimentou toda a escola. O crescimento que eles tiveram esse ano foi marcante, graças à leitura e à participação constante do jornal na escola”, reconheceu a diretora do Caic, Flora Maria de Mendonça.

Jornal faz crescer o interesse pela leitura

TUBARÃO - O que normalmente é uma batalha árdua e diária dos professores com alunos, tem se tornado um hábito prazeroso para os estudantes das 7ª e 8ª séries na Escola Professora Maria Emília Rocha, no bairro Recife. Desde junho deste ano, a professora de Língua Portuguesa Maria Elizabete Teixeira Oliveira encontrou um aliado perfeito para conquistar suas turmas: o jornal.

Para que a nova atividade não fosse recebida como imposição da escola, Elizabete usou de criatividade e partiu de seções que gerassem identificação imediata com o universo dos estudantes. “Através das Palavras Cruzadas eles sentiam que tinham uma pausa, um momento de lazer entre um assunto e outro. Com isso, eu reforcei o conteúdo e ainda consegui que eles tomassem a iniciativa de pesquisar em dicionários as palavras desconhecidas”, explica a professora.

Assim que eles começaram a cobrar o jornal em sala, a professora percebeu que poderia se aprofundar mais. Então, começou a trabalhar as matérias que chamavam mais a atenção da turma, tendo um resultado surpreendente.

O primeiro passo foi reconhecer os conteúdos vistos nos livros sendo empregados na prática, nos textos jornalísticos: pronomes, preposições, artigos, adjetivos, conjunções, advérbios, concordância, entre os vários assuntos explorados.

Depois de experimentar os recursos do jornal na compreensão da gramática, a professora Elizabete resolveu somar ainda mais. Uniu a parte teórica ao entendimento da informação, à ênfase dada pela edição a cada notícia. “Não há melhor recurso para o entendimento do que acontece lá fora do que a leitura diária. Só ganhamos com a inclusão do jornal em sala de aula”, concluiu Maria Elizabete.




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