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Álvaro Lopes
50 anos
de imprensa
21/5/2007 |
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A comunicação no DNA da família de radialistas
TUBARÃO - Desassociar a história recente
da imprensa tubaronense de Álvaro Lopes é tarefa
impossível. Ex-radialista e colunista político de
prestígio e credibilidade incomparáveis no sul do Estado,
Álvaro trilhou pela comunicação um caminho já marcado no
seu DNA. Alguns de seus irmãos também escreveram páginas
importantes da história do rádio na região. Arnaldo foi
proprietário da rádio Guarujá, de Orleans, e candidato a
deputado estadual pelo MDB em 1982; Guido Carlos marcou
época na rádio Tubá no comando de atrações musicais; Luiz
passou pelas rádios Tubá, Santa Catarina e Tabajara (hoje
Band) e apresentou por 25 anos o Show do Rádio, além de
ter editado os jornais O Tubarão e Jornal de Tubarão.
Sinval Barreto, outro grande nome da história do rádio
tubaronense, é seu primo.
Outros irmãos de Álvaro não militaram na
imprensa, mas tiveram atividades fundamentais para o
desenvolvimento da região. João Salomão, o Peixeiro, foi
um grande empresário do mercado de frutos do mar em
Tubarão entre as décadas de 50, 60 e 70; Aroldo implantou
na mesma cidade a venda de peças e acessórios para fogões
a gás; Manoel foi coletor estadual em diversas cidades;
Ézio, contador da Portughisi & Cia. e da Vesul.
Vocação revelada na infância começou a se manifestar no
esporte
TUBARÃO – Se a influência familiar foi
determinante para que Álvaro Lopes seguisse a carreira de
comunicador, sua infância também não deixou dúvidas de que
este seria o caminho do rapaz nascido no dia 25 de maio de
1935 - embora seus documentos apontem o ano de nascimento
como 1934, erro justificado pela dificuldade existente na
época em se fazer os registros de nascimento. “Minha mãe
teve 16 filhos e registrava aos poucos”, brinca Álvaro.
Filho dos comerciantes de peixe Salomão
Lopes e Clarisdina Vieira Lopes, viveu seus primeiros anos
na localidade de Figueira, que pertencia a Imaruí na época
e hoje faz parte do território de Laguna. Três meses mais
tarde, a família veio para Tubarão. “Eles eram
comerciantes e se mudavam com muita freqüência. Moramos em
diversos lugares da região, como Roça Grande e Camacho,
além de Florianópolis”, conta. Ainda morando em Tubarão,
ele chegou a estudar por alguns anos em Canoinhas.
Álvaro perdeu o pai aos oito anos de idade
e sua mãe voltou a Tubarão. Aos 18 anos, passou por um
grande susto que acabaria por revelar sua vocação para a
radiofonia. “Eu fiquei três meses internado por
tuberculose. Nesse tempo no hospital, meu divertimento era
narrar jogos que eu imaginava. Ficava sentado na cama
narrando os jogos imaginários e o Vasco sempre ganhava”,
brinca, contando que essa já era sua diversão desde a
infância.
Nos primeiros meses de 1957, Álvaro chegou
à rádio Tubá cobrindo os campeonatos de futebol amador ao
lado de Walmor Silva. Já nos dois primeiros anos de
atividade profissional, cobriu o bicampeonato estadual do
Hercílio Luz Futebol Clube, seu time de coração. Também
passou pela rádio Tabajara e trabalhou em outras cidades
catarinenses, como Blumenau, Itajaí, Laguna e Criciúma.
Ao lado de João Kuerten, transmitiu um
jogo histórico entre Brasil e Resto do Mundo em que a
rainha Elizabeth estava na arquibancada e, em campo,
figuravam nomes como Pelé, Tostão, Rivellino, Puskas e
Cruyff.
Uma voz que salvou vidas na enchente de 1974
TUBARÃO - O momento mais marcante da
carreira do radialista Álvaro Lopes aconteceu no momento
mais trágico da história de Tubarão. A enchente de março
de 1974, que contabilizou, oficialmente, 199 mortes. Em um
misto de visão, coragem e oportunismo, Álvaro acredita que
salvou algumas vidas na ocasião. “A chuva estava forte e,
um dia antes de transbordar o rio, eu e o diretor da rádio
Tubá, Sérgio Custódio, fomos a Orleans avaliar a situação
por lá. A situação era muito preocupante, o alagamento era
intenso”, recorda. “A água estava com uma vazão muito
forte e já ultrapassava as pontes”, completou.
Os dois funcionários da rádio confessam
que se espantaram com o que viram. “Nós sabíamos que era
uma chuva forte, mas não imaginávamos que fosse um caso
tão grave. As trombas d’água vinham de Lauro Müller.
Entramos em contato imediatamente com a rádio e fizemos um
flash alertando a população de Tubação”, resumiu Álvaro.
Ao chegar em Tubarão, porém, veio a
surpresa desagradável. “A situação ainda estava tranqüila
e nós passamos por sensacionalistas. O Exército não
acreditou nos nossos relatos e lacrou a rádio, impedindo
que se noticiasse o que estava acontecendo sob o pretexto
de não alarmar a população”, explicou. “Eu estava
recebendo visitas naquele dia e fui jantar em um
restaurante. Quando ia voltar para casa, fui informado por
um garçom que teria que fazer um caminho alternativo,
porque a rua pela qual eu tinha ido já estava inundada.
Daí em diante foi tudo muito rápido”, recorda.
O Rio Tubarão, que vinha enchendo
rapidamente desde a sua nascente, transbordou e só então a
Tubá pôde voltar a fazer suas transmissões. Ainda assim,
apenas com os radialistas e com as informações que o
exército liberasse. “Mas muita gente veio me agradecer na
época. Por terem ouvido o flash de Orleans, tomaram
precauções e salvaram suas vidas e as de suas famílias”.
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Vinte anos consecutivos de atuação política
TUBARÃO - Em
Tubarão, nenhum político superou até hoje a marca de Álvaro
Lopes, membro da câmara de vereadores da cidade por 20 anos
consecutivos. A primeira vitória nas urnas veio em 1976,
quando, filiado ao MDB - embrião do PMDB atual -,
candidatou-se pela primeira vez a convite do então deputado
estadual Aderbal Guarany da Rosa, o Babá, e do médico Nilo
Bello, e tornou-se vereador. “Minha atuação na rádio pouco
influiu. Meu trabalho social é que me rendeu a aprovação
popular”, explicou. Por trabalho social, entenda-se a
participação em eventos como jogos de futebol até a
arrecadação e distribuição de alimentos aos atingidos pela
enchente de 1974.
Seu primeiro
mandato durou seis anos e Álvaro voltou a sair vencedor de
um pleito em 1982, quando obteve 570 votos, desta vez pelo
rival PDS - partido de origens na Arena e que depois mudou
seu nome para PPB e, posteriormente, para PP - e ficou com
uma das 17 cadeiras. “Na época era proibido ‘misturar’ o
voto. Se você votasse no candidato a prefeito de um partido,
teria que votar em um candidato a vereador do mesmo partido.
Eu tinha amigos tanto no MDB quanto no PDS, mas fui a
convite do Ademar Ghisi”, recorda.
Em 1988, com
721 votos, ganhou mais quatro anos na câmara, desta vez
defendendo as cores do Partido da Frente Liberal - PFL, hoje
chamado de Democratas. “Fui convidado para mudar mais uma
vez de partido pelo Júlio Garcia, que sempre me apoiou
muito”, resumiu. Na ocasião foram eleitos 19 edis e o hoje
secretário estadual de Articulação Nacional Geraldo Althoff,
também do PFL, foi seu colega de casa. Ainda na sigla
liberal, Álvaro chegou ao seu quarto e último mandato em
1992, com 688 votos. “Sempre estive junto à comunidade e
tinha um eleitorado fiel”, recorda.
Última eleição e volta à imprensa
TUBARÃO - Em
1996, Álvaro Lopes participou de maneira atribulada de sua
última eleição. “Tive algumas divergências com o presidente
do PFL e fui convidado pelo César Damiani para me filiar ao
PDT. Disputei a eleição em retribuição ao pedido do
ex-prefeito Paulinho May, mas antes mesmo do dia da votação
anunciei que aquela seria minha última campanha”. Com 371
sufrágios, não conseguiu o quinto mandato, derrotado também
pelo baixo quoeficiente do partido.
“Naquela época
a candidatura do Joares Ponticelli estava impugnada por ele
não ter se desvinculado da prefeitura no prazo legal, mas
uma decisão da justiça permitiu que ele concorresse sete
dias antes da eleição. Aí eu perdi muitos cabos eleitorais,
que estavam me auxiliando porque não podiam trabalhar com o
Joares”, explicou. Na época, algumas outras candidaturas
foram impugnadas. “Mas não houve problema nenhum. Tanto que
hoje o Joares se tornou uma grande liderança do Estado”,
avalia. “Eu cheguei a receber convite do PTB na época. E se
tivesse aceitado, estaria eleito”, lembra. Vasco Neto, do
partido, elegeu-se com 47 votos a menos que Álvaro e ficou
com a última das 19 cadeiras. |
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Sete anos de Diário do Sul
TUBARÃO -
Encerrada a carreira como político, Álvaro não abandonou o
convívio com o meio. “Essa experiência de enxergar a
situação por ângulos diferentes me fez ver que os políticos
mudaram muito ao longo do tempo, mas os eleitores se mantêm
com as mesmas características. Muitos ainda vendem o voto e
muitas vezes por pouca coisa, por qualquer trocado”.
Para quem
esteve por 20 anos na câmara de vereadores, a impressão de
que a classe evoluiu. “Os políticos de hoje são muito mais
espertos que os de antigamente. Se informam mais, não são
surpreendidos como antes. Sabem o que acontece com os
aliados e com os rivais e não confiam tanto apenas na
palavra”, avaliou.
Álvaro estreou
sua coluna política no Diário do Sul em 1º de abril de 2000.
E conta que começou a sentir como nunca o reconhecimento.
“Trabalhei em, rádio e TV e fui vereador por 20 anos, mas
nunca fui tão reconhecido como agora, no jornal. A
credibilidade do jornal é imensa em todos os segmentos
partidários”, revela. O reconhecimento nas ruas por pessoas,
das mais poderosas às mais simples, é a prova cabal de que
Álvaro Lopes tornou-se a maior referência quando o assunto é
política.
O dia em que a câmara disse “não” a um ministro
TUBARÃO - Em 50 anos de imprensa e 20 anos
de câmara de vereadores, Álvaro Lopes colecionou histórias
das mais diversas. Das emocionantes e comoventes às
históricas e trágicas, passando, claro, por aquelas cômicas
em que a rivalidade política acabou sendo praticada com
doses de crueldade.
Mário Andreazza foi ministro dos Transportes
nos governos Costa e Silva e Médici, entre as décadas de 60
e 70, e foi responsável por algumas das maiores obras do
país, como a Ponte Rio-Niterói, que liga a capital
fluminense à cidade vizinha sobre a Baía de Guanabara. No
governo de João Figueiredo, foi ministro do Interior.
Em meados dos anos 70, o seu partido, o PDS,
resolveu fazer uma grande festa e homanageá-lo com o título
de cidadão tubaronense. Todos os vereadores pareciam
convictos de que as obras do seu ministério faziam valer a
premiação. Mas, na chegada do ex-ministro à cidade, os
vereadores do PDS promoveram uma grande festa e
“esqueceram-se” de convidar os adversários do MDB. “Nós
ficamos sabendo daquilo e decidimos que não iríamos aprovar
o título sob hipótese alguma”, revela Álvaro, entre
gargalhadas.
Cientes da besteira que haviam feito,
diversos líderes do partido governista correram atrás dos
colegas de bancada de Álvaro Lopes, mas foi em vão. “Eles
imploravam, tentavam negociar, mas nós estávamos
determinados. E no dia da sessão, votamos contra mesmo”,
recorda.
Já com Mario Andreazza na cidade e sem saber
o que fazer, os vereadores e líderes do PDS resolveram
promover uma premiação simbólica, em um palanque em praça
pública, onde foi intitulado “Amigo de Tubarão”. “Foi uma
coisa ridícula. Eles não sabiam o que fazer e improvisaram
uma premiação para não deixar o Andreazza voltar de mãos
abanando. Mas passaram a nos respeitar mais”, conclui.
Depoimentos
“Ler a coluna de Álvaro Lopes é estar
interado sobre os principais assuntos políticos da região.
Quero desejar ao colunista e grande personalidade da
imprensa, que o sucesso conquistado nestes 50 anos de
profissão continuem a lhe acompanhar por muitos anos”.
José Roberto Martins
Prefeito de Imbituba
“O desenvolvimento de nossa região, bem como
as ações das entidades envolvidas dependem de profissionais
da imprensa que façam a divulgação dessas ações, sempre
imprimindo seu olhar crítico, formando opinião e
potencializando o esforço da sociedade civil organizada. Por
isso, só temos a agradecer a Álvaro Lopes por estar sempre
presente ao longo de seus 50 anos como colunista, com
competência e profissionalismo como membro da imprensa
regional”.
Eduardo Silvério Nunes
Presidente da Acit
“Álvaro Lopes trilhou uma careira
profissional brilhante, construída e consolidada na
seriedade, e que contribui há 50 anos para a evolução da
sociedade tubaronense”.
Jairo Cascaes
Vereador DEM
“Trata-se da coluna política mais lida na
região. Por isso, aumenta a sua responsabilidade com a
transparência e com a imparcialidade para continuar
merecendo a confiança dos leitores”.
Maurício da Silva
Vereador PMDB
Um exemplo a ser seguidos
Sempre que eu dormia na casa da minha avó,
ainda criança nos anos 70, era acordado de manhã cedinho com
o inesquecível cheiro de café com bolinho de chuva e o rádio
ligado na Tubá. Quem apresentava o programa informativo das
7 da manhã era o Luiz Lopes, que nunca conheci pessoalmente,
mas, mesmo sem saber, acabou por me apresentar ao
jornalismo.
Ouvia ainda, nestas visitas de neto à avó
bem informada, o Jornal das 12, também na rádio Tubá. Em
casa, meu pai assinava o Correio do Povo e O Estado, que,
claro, todos os filhos líamos. Foi desta forma que o
jornalismo foi se revelando para mim.
Muitos anos depois, já trabalhando na
imprensa, vim a conhecer um outro Lopes, irmão do Luiz, mas
que também teria grande importância no meu aprendizado.
Álvaro Lopes escrevia num jornal semanal, e o convidamos, em
2000, para assumir a coluna política do DS.
Quem não vive o meio jornalístico muitas
vezes não tem idéia da dificuldade que é escrever uma coluna
política. Os excessos podem ser cometidos tanto por quem só
critica quanto por aqueles que só elogiam. O sucesso está na
independência e no equilíbrio. Nosso colega Álvaro Lopes
consegue transitar por todos os partidos e setores da
sociedade, e mais do que isso: é respeitado por todos.
Agora, ele comemora 50 anos de jornalismo.
Esta marca, por si só, já seria motivo para merecidas
homenagens. Mas são 50 anos de ótimos serviços prestados à
nossa imprensa, completados no momento em que ele é o
colunista político mais lido e respeitado da nossa região.
Por isso, nós aqui do DS lhe prestamos esta homenagem na
forma deste caderno, com o apoio dos patrocinadores, que
também fizeram questão de homenageá-lo.
Para nós, jornalistas, Álvaro Lopes é um
exemplo de profissional imparcial, ético e que vai aonde a
notícia está, além de ter cativado inúmeras fontes, o que
lhe permite dar informações exclusivas. Muitos alunos e
novos profissionais do jornalismo, que se acomodaram com as
facilidades do celular e da internet, e esperam a notícia
lhes cair no colo, têm muito a aprender com ele.
E para os demais profissionais Álvaro é um
exemplo de longevidade na profissão. De alguém que não se
acomodou e se mantém atualizado. De alguém que chega a meio
século de trabalho e ainda desperta admiração e
reconhecimento, quando muitos só acumulam, ao longo dos
anos, desgaste e cansaço.
Se, como disse Aristóteles, "a grandeza não
consiste em receber honras, mas em merecê-las", Álvaro fez
por merecer todas as homenagens que lhe forem prestadas por
ocasião dos seus 50 anos de atuação na imprensa. Que
continue a nos brindar com sua coluna diária por muitos e
muitos anos. |
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