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Após 76 anos, menina mártir torna-se beata
TUBARÃO - A menina Albertina
Berkenbrock era o orgulho da pequena São Luiz. Obediente,
religiosa, mansa e bondosa, encantava a todos pelo sorriso
tímido e pelas boas ações, sempre disposta a ajudar. Em 15
de junho de 1931 a garota, na época com 12 anos de idade,
foi cruelmente assassinada ao resistir bravamente às
investidas de um conhecido da família, que a surpreendera
em um ponto isolado da comunidade rural.
Neste sábado, 76 anos
depois de seu martírio, Albertina será finalmente
beatificada, em cerimônia que deve reunir mais de 20 mil
pessoas na Catedral Diocesana de Tubarão e que promete
entrar para a história da Igreja Católica no Sul do país.
O título oficial tem peso e consistência, mas para seus
devotos a menina já é vista como santa desde sua morte.
Graças alcançadas e depoimentos emocionados estão aí para
reforçar a fé e a devoção de milhares de religiosos em
todo o Brasil.
Por ter morrido muito
jovem, com apenas 12 anos, Albertina é vista como uma
espécie de símbolo para crianças e jovens católicos.
Durante o processo de beatificação, a defesa baseou-se em
dois pontos importantes: a intenção pecaminosa do
assassino e a resistência de Albertina ao ataque, por
motivos religiosos. A menina jamais se submeteria aos
caprichos de seu algoz _ e por diversos motivos, sendo os
mais fortes sua irrepreensível orientação religiosa e a
certeza de que seria preferível morrer a ceder.
Norma Berkenbrock
Schotten, sobrinha de Albertina e uma das envolvidas nos
preparativos para a festa cristã que vai tornar a
menina-mártir beata, agradece a três religiosos que
batalharam arduamente para que este sonho fosse
concretizado. Ao se tornar bispo, o catarinense de Rio dos
Cedros dom Hilário Moser, que nasceu no mesmo ano da morte
de Albertina, em 1931, foi trabalhar em Pernambuco, no
final da década de 1980. Na época, ele sonhava em um dia
ser transferido para a cidade de Tubarão, onde reabriria o
esquecido processo de beatificação da menina.
“Coincidentemente, anos depois ele foi designado para cá
e, realmente, em 1996 retomou o processo, contando com o
valoroso apoio de seu substituto, dom Jacinto Bergmann, e
do padre Sérgio Jeremias, todos sempre incansáveis em
promover Albertina a bem-aventurada”, agradece Norma.
Uma vida de muita fé, virtude e
determinação
IMARUÍ - Para a família
Berkenbrock, a figura de Albertina é tão palpável e
próxima que é como se todos a tivessem conhecido_ mesmo as
gerações que só vieram após a morte da menina. Católicos
fervorosos, é comum recorrerem à beata com pedidos de
graças e orações de agradecimento. O sobrinho Walério
Berkenbrock habituou-se às constantes congratulações que
recebe de amigos e de meros desconhecidos. “Todos dizem
que é uma dádiva fazer parte da família de Albertina.
Concordo e agradeço a Deus”, diz.
A triste história da
menina loira que, sem se queixar, ajudava nos afazeres
domésticos e na roça, e que nas horas vagas cuidava das
flores no jardim da família já comoveu o Brasil. Albertina
_ excelente aluna, católica fervorosa, filha e irmã
dedicada _ cuidava de um grupo de crianças da vizinhança
enquanto o pai delas trabalhava em uma olaria. Era o dia
15 de junho de 1931, e os meninos aos quais enlevava e
distraia eram os filhos de Maneco Palhoça _ ou Indalício
Cipriano Martins _ o homem que, horas depois, a mataria
por ser repelido numa tentativa de estupro.
À tarde, os pais de
Albertina pediram que ela fosse a uma região afastada
procurar um animal da propriedade da família. No meio do
caminho, a menina teria encontrado com Maneco. Ao
perguntar do boi, teve como resposta que o animal teria se
afastado para longe, num local de difícil acesso _ o que
era mentira. Ao chegar na região indicada, Albertina foi
atacada pelo homem, que por um atalho já se encontrava a
sua espera. De baixa estatura, descrito como sendo fraco
pelos que o conheceram, Maneco teria se surpreendido com a
resistência da jovem, que lutou até o fim de suas forças,
quando, furioso, o homem puxou de uma faca e a retalhou no
pescoço.
A exemplo de tantos
outros homicidas que assustam pela frieza, Maneco
imediatamente procurou a família Berkenbrock comunicando
que havia encontrado a menina no meio do mato, brutalmente
assassinada. Culpou um andarilho que circulava pelas
redondezas, mas este conseguiu ser inocentado em poucos
dias. A culpa recaiu sobre Palhoça, que acabou confessando
o crime com riqueza de detalhes. Foi levado para um
presídio em Laguna, e, posteriormente, a Florianópolis,
condenado a 30 anos. Morreu na cadeia.
Processo continua
em busca da canonização
TUBARÃO - O Brasil, um dos maiores países católicos do
mundo, esperou mais de cinco séculos para ter sua primeira
santa, Paulina, canonizada em maio de 2002. Em maio deste
ano, foi a vez de frei Galvão ser aclamado santo, em
evento conduzido pelo próprio papa Bento 16, em sua
primeira visita ao Brasil. Espera-se que para a
canonização de Albertina o tempo de espera seja menor.
Morta em 15 de junho de
1931, Albertina passou a ser vista como a menina mártir,
símbolo da pureza e da virtude. Um ano após sua morte,
ergueu-se uma cruz no local do assassinato. Relatos
populares dão conta de que, naquela época, surgiu o que
seria o primeiro milagre da menina, a cura de um garoto
paralítico, colega de escola de Albertina.
A Igreja iniciou o
processo de beatificação da catarinense em 1952. A tarefa
coube à arquidiocese de Florianópolis, que abrangia, na
época, a paróquia de Vargem do Cedro, da qual faz parte a
capela de São Luís. Com a criação da diocese de Tubarão,
em 1955, seu primeiro bispo, dom Anselmo Pietrulla,
assumiu a causa. Em 1956, ele realizou um pequeno processo
complementar sobre a fama de martírio e santidade da
jovem. A partir de 1959, por circunstâncias pouco claras,
o processo parou, para ser reaberto em 1996 pelo então
bispo da diocese dom Hilário Moser, e continuado pelas
mãos de padre Sérgio Jeremias e do atual bispo da diocese
de Tubarão, dom Jacinto Bergmann.
Futuro - Após a
beatificaçã, é necessário aguardar pela comprovação de um
milagre ocorrido por intermédio de Albertina. A história
deverá ser encaminhada a Roma, com atestados médicos, para
então aguardar uma futura canonização.
Com a beatificação, neste
sábado, Albertina poderá ser cultuada em todo o país e em
sua região. Após a canonização, tornando-se santa de fato,
a menina é inscrita no Catálogo Universal dos Santos.
Sobrinhas coletam
casos de graças alcançadas
TUBARÃO - Integrantes
dos Berkenbrock colecionam uma série de graças, recebidas
por membros da família e por um sem-número de anônimos,
que eventualmente os procuram para relatar suas histórias
de superação e fé.
As irmãs Celita e Norma
Berkenbrock Schotten já colheram o depoimento de muita
gente que tornou-se devota de Albertina após conseguir
superar um obstáculo ou vencer um problema, na vida.
Norma, que em Tubarão é
conhecida por promover trabalhos voluntários, confessa ela
mesma já ter recebido um auxílio ímpar da tia
bem-aventurada. Ela e o marido, Anselmo Schotten, são
eternamente gratos a Albertina e à força que a beata lhes
concedeu num momento difícil.
Em 1996, Anselmo, que
participava de um encontro com colegas de profissão em
Laguna, sofreu um violentíssimo ataque cardíaco e chegou
quase sem vida ao hospital. “No momento que soube da
notícia, virei-me para a imagem de Albertina que temos em
casa e pedi: minha tia, agora chegou a nossa vez. Se tu
puderes, salva o meu marido. Foram semanas sofrendo, com
Anselmo internado na UTI, em estado gravíssimo. Os médicos
o desenganaram, e sugeriram, inclusive, que já tomássemos
as devidas providências para o seu passamento.
Subitamente, após orações da família inteira, fui
surpreendida pelo médico que o acompanhava, que perguntou:
a senhora acredita em milagres? Pois acho que um milagre
acabou de acontecer. Meu marido estava recuperado”, conta,
emocionada.
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Beatificação
impulsiona turismo religioso
SÃO LUIZ - A exemplo do que
acontece hoje em Aparecida do Norte (São Paulo) e em Nova
Trento (Santa Catarina), agora a Amurel integra,
definitivamente, um grupo de regiões privilegiadas pelo
turismo religioso (entre tantas outras modalidades
turísticas encontradas por aqui). De acordo com padre Sérgio
Jeremias de Souza, um dos responsáveis pelo processo de
beatificação de Albertina, a cerimônia vai “levar toda a
região ao cenário religioso nacional, e vai ajudar a
desenvolver o turismo religioso e rural, a exemplo de Nova
Trento”, observa.
Investimentos neste
segmento turístico, aliás, vêm se mostrando acertadíssimos.
A Amurel só tem a lucrar com a beatificação de Albertina. “E
como cidade pólo desta região, Tubarão deverá receber os
peregrinos que por ventura virão até a comunidade de São
Luiz, já que possui estrutura melhor”, observa padre Sérgio.
São Luiz, no entanto, não
tenciona ficar parada. Desde o anúncio da beatificação,
romeiros de diversas partes do Brasil já deram o ar da graça
naquela pequena localidade, que de distrito absolutamente
rural agora vem se arriscando em outras áreas. Rapidamente,
dois restaurantes e uma lanchonete foram inaugurados, e já
existe uma pequena pousada para receber os devotos. Só nos
finais de semana são cerca de três mil pessoas circulando
pela região. Não deve parar por aí.
“Tem um bocado de gente
passeando por aqui e procurando uma área para construir e
investir”, entrega Antônio Zamir da Rosa, o Toninho,
proprietário do Bar e Lanchonete Lagoa, localizado bem em
frente à igrejinha de São Luiz, que neste domingo ficará
repleta de devotos de todo o Brasil, em comemoração à
beatificação.
Há dez anos, os moradores
de São Martinho e Imaruí (São Luiz pertence a Imaruí, mas
fica a 28 quilômetros do Centro desta cidade. De São
Martinho, são só sete quilômetros) migravam para centros
urbanos maiores a fim de estudar e trabalhar. Quase nunca
voltavam. “Hoje o que vemos é gente fazendo o caminho oposto
e vindo procurar um cantinho aqui para levar a vida”,
acrescenta Toninho.
Lindomar Luiz Feuser, dono
da Fluss Haus, o badalado ponto turístico instalado em
Vargem do Cedro, na cidade de São Martinho, comemora a
beatificação de Albertina e conta que, desde seu anúncio, a
movimentação tem crescido consideravelmente. “Já recebíamos
gente do mundo inteiro e, é claro, visitantes de todo o
Brasil. Agora, além de turistas ecológicos, virão romeiros e
devotos de todo o país”, observa.
Feuser destaca os
constantes incrementos que o setor turístico tem ganho
naquela localidade. “Temos orgulho de sermos os pioneiros.
Há dez anos abrimos a Fluss Haus, e a cada ano novos
empreendimentos abertos ao turismo têm surgido”, diz o
empreendedor. De acordo com o empresário, hoje, em São
Martinho, mais de 60% da comunidade depende exclusivamente
do turismo. Com a beatificação de Albertina _ e,
futuramente, a edificação de um santuário que lá será
construído _ este número só tem a crescer.
Estrada - Há um ano a estrada geral que liga São Martinho a
localidade de São Luiz preocupava moradores e usuários
devido às suas péssimas condições de trafegabilidade. Com a
proximidade da beatificação, este problema ficou ainda mais
evidente. Como paliativo, a estrada passou por intensas
sessões de terraplanagem, para eliminar buracos e extirpar a
lama, que tomava conta de praticamente toda a estrada, em
dias de chuva. Para receber visitantes, este fim de semana,
São Luiz está bem preparada. Para as excursões que irão
acontecer, em breve, alguns investimentos mais vistosos
deverão ser feitos, como a pavimentação asfáltica desta
mesma estrada, o que facilitaria o fluxo de veículos.
Casos de graças
atribuídas à beata
IMARUÍ - As graças alcançadas por intermédio da
bem-aventurada Albertina são cuidadosamente analisadas e
arquivadas. O próximo passo, após o processo de
beatificação, é registrar (e confirmar) um milagre,
ocorrência que não tenha explicação científica e que seja
atribuída à menina _ o bispo dom Jacinto Bergmann, da
Diocese de Tubarão, lembra que milagres acontecem por
intercessão dos santos, e não por conta deles, mas sim de
Deus.
O primeiro
Histórias de fé e de superação envolvendo o nome de
Albertina Berkenbrock surgem todos os dias, e cada vez em
maior número. O primeiro registro de uma graça alcançada por
intermédio de Albertina ocorreu com um membro de sua
família, Oto Berkenbrock, de Rio do Oeste, ainda em 1950.
“Aos sete anos contraí poliomielite, que causa a paralisia
infantil. Rapidamente, a doença deixou minhas pernas
paralisadas. Foi quando minha mãe recorreu à Albertina para
que ela intercedesse a Deus pela minha cura. Fez uma
promessa: caso eu voltasse a andar, iríamos a São Luiz rezar
o rosário. A promessa foi cumprida. Apesar das seqüelas,
pude voltar a caminhar e levar uma vida completamente
normal. Os médicos sempre afirmavam que, diante do meu
histórico, a recuperação fora um verdadeiro milagre, até
porque casos de paralisia infantil semelhantes ao meu não
têm recuperação”.
Apego à Serva
de Deus
Albertina Ricardo Batista, de Criciúma, lembra que a
gravidez de sua mãe (que a esperava) foi de extremo risco
para ambas. “Minha mãe, Noêmia Nunes Ricardo, foi acometida
por uma grave pneumonia dupla aos quatro meses de gravidez.
Como não era possível tratar com antibióticos, ela passou 45
dias internada no hospital, sob cuidados intensivos.
Recuperou-se, voltou para casa (onde tinha mais seis filhos
para cuidar), mas sofreu uma recaída, já no oitavo mês de
gestação. Os médicos davam como certo a sobrevivência de
apenas um dos dois (mãe ou bebê). Um dia, minha mãe, que
chorava muito, no hospital, foi abordada por um padre, que
sugeriu que ela se apegasse à Serva de Deus Albertina
Berkenbrock e lhe fizesse uma promessa: batizar o filho (ou
filha) em homenagem à bem-aventurada. Uma semana depois, sem
aviso prévio, minha mãe deu a luz, no quarto do hospital,
completamente sozinha, já que não houve tempo de chamar por
alguém. Ali estava eu, forte e saudável. Os médicos não
entendiam como eu podia ter nascido tão rápido e sem
complicações. Atribuíram a isso um milagre. Minha mãe também
se recuperou perfeitamente. Tudo isso graças a Albertina, de
quem herdei o nome”.
Coração novo
Nelson Back, de Vidal Ramos, atribui à Albertina o milagre
da vida de seu filho. “Quando meu filho Ivens nasceu,
descobrimos que ele tinha um gravíssimo problema cardíaco
(artérias transpostas), e precisou ser levado às pressas à
UTI, onde ficaria até a realização de uma cirurgia
delicadíssima, só oferecida em Porto Alegre. A cirurgia
levou horas, não parávamos de pedir proteção para Albertina.
O garoto ficou sedado por dias, mas eu podia sentir que no
domingo, dia do Senhor, algo bom iria acontecer. Fomos à
missa, pedimos e rezamos muito, e soubemos em seguida que
nosso bebê tão amado havia acordado e se recuperava com
rapidez. Hoje somos muito felizes com nosso garotão, que só
nos traz alegrias”.
Albertina inspira
famílias ao batizarem seus filhos
TUBARÃO - Quando a
menina nasceu, o pai, Zoroastro, ficou tão comovido e
orgulhoso que envolveu o bebê numa mantinha e saiu à rua,
mostrando-o para todos os vizinhos. Ao retornar, a família
já percebeu uma espécie de chiado na respiração da
pequenina. Imediatamente, mãe e filha foram levadas ao
hospital (o Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão), até a
recuperação completa de ambas. O episódio aconteceu em
Jaguaruna, e por ter resistido firme e forte, a menina foi
devidamente batizada de Albertina, uma forma de homenagear a
mártir assassinada aos 12 anos, cuja história já havia
corrido por todo o Estado.
Albertina Helena Barreto
Cardoso, hoje com 43 anos, viu chegar, ansiosa, o grande dia
da beatificação da jovem mártir, cuja história aprendeu
desde cedo, contada pelos pais. “Queria saber o porquê de
ter recebido aquele nome. Quando relataram a história,
fiquei comovida. Meus pais já eram devotos de Albertina,
minha mãe nasceu no mesmo dia que a beata, em 11 de abril
(mais alguns anos depois)”, conta.
Por ser tão ligada à menina
que neste sábado será beatificada, Albertina tem um carinho
especial com a futura santa. “Rezo para ela, peço graças.
Acompanhar a história de Albertina Berkenbrock é lembrar,
saudosamente, de uma parte importante da minha vida”,
conclui, orgulhosa.
O passo-a-passo da
missa de beatificação
TUBARÃO - A partir das 14 horas de sábado jovens de todas as
paróquias da região sairão em passeata de suas respectivas
igrejas, uma belíssima homenagem à mais nova beata da Igreja
Católica, Albertina Berkenbrock. Às 16 horas, inicia-se a
grande missa de beatificação, que vai acontecer no pátio da
Catedral Diocesana, totalmente revitalizado pela prefeitura
de Tubarão.
A missa solene será
presidida pelo cardeal português José Saraiva Martins,
prefeito da Congregação para a Causa dos Santos e enviado do
papa Bento 16, e concelebrada por vários bispos e padres. A
celebração também vai contar com a participação do núncio
apostólico, espécie de embaixador do Brasil em Roma, o
italiano dom Lourenço Baldisseri.
No domingo, as comemorações
em torno da beatificação de Albertina continuam, desta vez
no local onde nasceu a menina, na comunidade de São Luiz, em
Imaruí. Às 9h30, moradores de toda a região saem em carreata
da localidade de Vargem do Cedro até a igreja local, com a
imagem. Às 10h, Santa Missa com dom Nelson Westrup. Às 14h,
encenação de uma peça de teatro sobre a vida de Albertina,
organizada pelo grupo Discípulos da Arte, de Tubarão. Às 16
horas, última missa, com dom Hilário Moser, um dos
responsáveis por reabrir o processo de beatificação de
Albertina.
Detalhes - A cerimônia de beatificação é o rito solene de
proclamação das virtudes heróicas e da santidade do
candidato a santo, no caso, Albertina. Acontece logo no
início da missa, dentro dos ritos iniciais. Tudo começa com
o pedido de beatificação feito pelo bispo. O cardeal Saraiva
realiza a leitura da biografia de Albertina e da Carta
Apostólica do papa, que a reconhece beatificada,
oficialmente. Em seguida, descerra-se a estampa de
Albertina. A família da beatificada (participarão do evento
mais de 200 familiares da mártir) traz ao altar suas
relíquias. A partir daí, a missa segue seu curso normal.
Norma Schotten, sobrinha de
Albertina e filha de Vendelino, três anos mais velho que a
irmã bem-aventurada, conta que logo no início do ano, com a
passagem do aniversário de 91 anos do pai, ofereceu a ele um
belo terno como presente. “Ele quer inaugurar o traje na
cerimônia. Até deixou o terno aqui na casa, onde virá se
arrumar. Está ansioso e bastante feliz”, observa Norma,
igualmente feliz e orgulhosa, assim como toda a população
catarinense.
Carta Apostólica
Nós,
acolhendo o desejo de Nosso
Irmão Jacinto Bergmann, bispo de Tubarão, de muitos outros
Irmãos no Episcopado e de muitos fiéis, depois de ter tido o
parecer da Congregação para as Causas dos Santos, com a
Nossa Autoridade Apostólica concedemos que a Venerável Serva
de Deus Albertina Berkenbrock, virgem e mártir, adolescente
leiga que por amor de Cristo defendeu a dignidade de seu
corpo e a sua virgindade até o sacrifício da própria vida,
de agora em diante seja chamada Bem-Aventurada e que se
possa celebrar a sua festa nos lugares e segundo as regras
estabelecidas pelo Direito, cada ano no dia do seu
nascimento para o céu, dia 15 de junho.
Em nome do Pai, do Filho e
do Espírito Santo.
Amém.
Papa Bento XVI |
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