Quinta-feira,
06 de janeiro de 2004
Ano 1 - edição 184

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Leticia Penter Niehues
Psicologia e Comportamento
Psicóloga - Fone: (48) 9976-0094

Atualização às segundas

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Mas ele diz que me ama...


E por hoje ser o Dia Internacional da Mulher busquei na estante uma obra que li já faz algum tempo, mas que esperava uma oportunidade para ser comentada. O livro “Mas ele diz que me ama” é uma história em formato diferente (são quadrinhos) que trata de um tema comum: a violência contra a mulher. A personagem principal é uma empresária canadense bem-sucedida que ao longo de 10 anos viu sua incrível história de amor transformar-se em pesadelo e de mulher livre passou a ser a esposa violentada e maltratada.

Para mulheres com histórias semelhantes, vale o alerta. Relacionamento conjugal violento não é apenas resultado das ações de um indivíduo tirano, é uma produção “a quatro mãos” que se baseia em comportamentos hostis e submissões diárias que vão sendo negados e validados por ambos. Os incidentes costumam começar menores, passam a ser aceitos e justificados, porém, com o tempo, a situação entra em estado de descontrole. A mulher que se sustenta na relação costuma acreditar que seu amor pelo companheiro fará com que ele mude e adote outras atitudes. Engana-se.

Fazer as mudanças desejadas sem a ajuda de terceiros geralmente é bastante difícil, uma vez que pessoas constantemente agredidas tendem à autoestima rebaixada e assim dispõem de poucos recursos internos de enfrentamento. Quando a mulher tenta pedir ajuda, o agressor teme por sua independência e de todas as formas busca bloquear qualquer tipo de auxílio externo (profissional, familiar ou de amigos). O ciclo se mantém quando a vítima, inferiorizada e destituída de poder sobre sua própria vida, passa a acreditar que sim, deve cuidar dele em detrimento de si mesma, e mais: deve haver algo de errado consigo por não conseguir fazer do outro uma pessoa melhor. O basta costuma ser fruto da coragem em aceitar que ambos padecem de um tipo de cegueira que não os permite ver as amplas consequências da relação doentia. Ao final, o livro deixa o recado: “Se abdicarmos de nossa força pessoal em nome do amor, corremos o risco de nos desintegrar aos poucos”.

Boa semana e até a próxima!

 


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