Quinta-feira,
06 de janeiro de 2004
Ano 1 - edição 184

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Leticia Penter Niehues
Psicologia e Comportamento
Psicóloga - Fone: (48) 99760094

Atualização às segundas

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Relacionamento com filhos adolescentes


A sugestão veio de uma amiga através de um carinhoso e-mail que dizia "quem sabe tu falas um pouco sobre relacionamento com filhos adolescentes..." Gostei, o tema é bom mesmo! Vou tentar abordar algumas idéias. A adolescência inicia com a puberdade, ou seja, são as diversas alterações corporais que sinalizam a nova fase. O término dela está mais vinculado às mudanças sociais, geralmente é a definição da carreira profissional e a independência econômica que marcam o começo da idade adulta. Entre um ponto e outro, muita instabilidade emocional "vai rolar". Ora, é bom lembrar que a principal tarefa a ser cumprida pelos adolescentes é desenvolver o senso de identidade própria, respondendo perguntas do tipo: quem sou eu, quem devo ser e qual o caminho a seguir.

A fase é de adaptação total, tanto para a gurizada quanto para os pais, afinal, crescer é assunto de família. De um lado temos adultos se esforçando para acertar na criação de seus rebentos e, de outro, filhos querendo fazer valer suas opiniões e vontades. A convergência desses objetivos costuma produzir momentos de discórdia e tensão, entretanto, há necessidade de construir uma relação de convivência positiva. E aí vai a primeira idéia, a responsabilidade dos pais é maior nessa construção. São os pais que precisam dispor de equilíbrio emocional, firmeza de valores e uma boa dose de esperteza para lidar com essa galera. Pois se, até bem pouco tempo atrás, as questões cotidianas pareciam tão mais simples, de repente não são mais. Horários, roupas, corte de cabelo, tarefa de casa, estudo para prova compunham o cotidiano da família e a paz quase que reinava em boa parte do tempo.

Acontece que, na adolescência, ações de rotina e de importância menor acabam por promover grande desgaste emocional desnecessário, se os pais permitirem. É que entra em ação o egocentrismo do adolescente. Em suma, eles têm dificuldade de perceber e aceitar as visões das outras pessoas, pois firmemente acreditam que o mundo gira em torno deles, ponto. Para facilitar o acesso, pode ser muito útil reconhecer essa posição, ter disponibilidade para ouvir, permitindo a expressão de opiniões e pensamentos sem críticas ou julgamentos antecipados. Adotar este comportamento costuma transmitir uma mensagem evidente de abertura e aceitação, oportunizando a eles a agradável sensação de ter suas idéias consideradas importantes (o que não significa que automaticamente serão aceitas...).

Vale lembrar que ao provocar no outro algum sentimento positivo verdadeiro, se amplia a possibilidade que qualquer postura inicial de oposição se suavize. Manter-se aberto a negociações dentro de um limite considerado razoável para os pais oportuniza o aprendizado de que na vida é preciso lutar por aquilo que se quer. Adolescentes não batalham contra os pais, embora às vezes pareça que sim, mas a favor de seu crescimento. Eles precisam de certa dose de liberdade para que possam ter preservada a intimidade de pensamentos e sentimentos.

Se na infância a família era o ambiente que permitia o exercício da sociabilidade, na adolescência o grupo de amigos é o "laboratório social" onde serão explorados diversos tipos de comportamento. Os pais costumam ter medo de que certos amigos "levem para o mau caminho". É verdade que os pares exercem forte influência, fato esse compreensível se nos lembrarmos que eles, os jovens, ainda não sabem exatamente quem são, o que querem ser e qual o caminho que querem seguir. Na prática, a melhor maneira de enfrentar a força do grupo é se unindo a ele, abrindo espaço, sempre que possível, para a convivência. Essa atitude costuma favorecer o olhar atento e a proximidade com as interações que se estabelecem entre os componentes do grupo, podendo assim construir opiniões baseadas em fatos, e não em "achismos". Afinal, qual adolescente vai aceitar um "acho que fulano não é boa companhia para ti", assim, simplesmente? Reúna evidências concretas e só então proponha um diálogo franco. É obrigação das gerações mais experientes transmitir princípios e valores sólidos sobre os quais os mais novos irão construir sua identidade, pois pais adultos sabem que uma conduta inadequada transitória pode ter efeitos bastante duradouros. Boa semana e até a próxima!
 


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