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JOSÉ WARMUTH




 
 

Sexta-feira, 15/12/2017, às 06:00

O espião da natureza

O domicílio de nossa neta localiza-se em um moderno condomínio no bairro da Barra, no Rio.

O lugar merece o nome que tem: Cidade Jardim, já que, para uma grande área de dezenas de edificações com cerca de vinte andares cada uma, tem igual área verde, com um bonito paisagismo: muitas flores, gramados, arbustos e árvores ornamentais, além de locais sob telhados com aparelhos para musculação, playgrounds e ciclovias.

Em face da criminalidade no Rio, cada conjunto tem pelo menos dez seguranças que exercem uma rigorosa vigilância sobre quem entra, quem sai, seja a pé ou sobre rodas.

Até aí tudo bem.

Em uma bela tarde, munidos de nossa câmera, fomos à área verde com a intenção de capturar imagens bonitas da nossa pródiga natureza.

Já estávamos bem longe do acesso quando um segurança uniformizado nos abordou:

- O senhor tem licença para tirar fotos?

- Para que licença? Eu estou fotografando as flores, somente elas, respondi.

- É porque a “central”, através das câmaras que estão espalhadas por aí, está estranhando que o senhor esteja fotografando.

- Diga-lhes que eu sou fotógrafo amador, moro em Santa Catarina e tenho um livro temático de fotografias de natureza, publicado.

- O guarda, então, deixou-me prosseguir.

Já a duzentos metros adiante, lá veio o guarda atrás de mim:

- Senhor! Para continuar fazendo fotos, o senhor tem que ir até a portaria do seu bloco e pedir uma autorização!

- O quê? Voltar meio quilômetro só para pegar um “pode” para tirar fotos de flores?

 - É, senhor. Esta foi a ordem que recebi da “central”.

  - Guardando a câmara no estojo, perguntei: posso continuar meu passeio?

E fui em frente, passando pela frustração de admirar lindas flores sem as poder fotografar.

Fui, assim, vítima de uma absurda exorbitância de autoridade cometida por pessoas que, no contexto das nações de primeiro mundo, seriam taxadas de ignorantes e atrasadas.

Frustradas ficaram também as mimosas flores, por perderem a oportunidade de ter sua beleza exibida em exposições fotográficas, e quiçá terem suas imagens eternizadas nas páginas de um livro.

Isto é Brasil!




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