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JOSÉ WARMUTH




 
 

Sexta-feira, 22/03/2019, às 00:00

A poça de água

A  chuva se foi. Em uma pequena depressão do terreno, formou-se uma poça de água.

Ela ficará ali por pouco tempo, pois o sol abrasador já aparece por detrás das nuvens.

Aliás, ela será notada por espelhar, tal qual uma pintura no chão, retalhos de um belo firmamento composto por nuvens que parecem chumaços de algodão, o céu azul tal qual uma imensa água marinha, e o astro rei ainda com pouca majestade, aparecendo fugidio e tímido por trás das agitadas nuvens.

Então, alguém distraído pisa nela, e com isto respinga a calça de cor clara. Ouve-se alguns impropérios, e o desligado se afasta.

Eis que surge um cãozinho daqueles sem qualquer pedigree, um verdadeiro mestiço, um pária entre os demais canídeos.

A língua para fora denuncia estar ele encalorado e sedento pela carreira que teve de dar para fugir daquele furioso e prepotente bulldog.

Ele toma alguns goles da água e recolhe a língua já mais calmo e reconfortado.

Então, uma habitante do microcosmo aparece no espaço aéreo da poça: uma “mosquita” vem pôr seus ovos na poça, numa decisão errônea, pois a poça vai se desfazer sem dar tempo para a formação das larvas. Assim, o DNA do humano que ela picou terá seu fim na poeira que vai restar naquele inóspito lugar.

Uma vaidosa borboleta é mais prudente: apenas sobrevoa aquele espelho d’água para ver sua própria e graciosa imagem ali espelhada.

Um novo aliado do sol implacável se faz sentir: é o vento, que vem favorecer a evaporação da pouca água que resta.
Ironicamente, a superfície fica ondulada a cada lufada do vento, e assim está até mais bonita.

Então, a poça d’água vai minguando, desidratando, até que, em agonia, a última gota se consome.

É o fim de um fenômeno físico para o qual pouco damos importância, mas que, de certo modo, imita a nossa vida pelos momentos do nascimento, da plenitude, da decadência e da morte.




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