MENU

COLUNISTAS


Variedades

JOSÉ WARMUTH




 
 

Sexta-feira, 25/05/2018, às 06:00

O fura-bolo

“Minguinho, seu vizinho, pai de todos, fura- bolo, mata piolho”. Esta é a primeira nomenclatura que aprendemos na infância para nomear os dedos da nossa mão.

Com o passar dos anos, vamos aprendendo as funções de cada um deles, e um dos mais expressivos é o indicador.

É o dedo que fica em riste quando fazemos uma advertência. As crianças traquinas temem-no deste jeito. Dois adultos com o dedo em riste muitas vezes é o primeiro tempo de uma luta corporal.

 É o dedo que faz a escolha, na casa comercial, na casa de permissão; que orienta a direção a tomar por algum interlocutor que pede uma informação quanto à rota a seguir.

Um uso indigno para este quirodáctilo é a tarefa que o seu dono lhe dá de puxar um gatilho. Um movimento sutil que pode tirar a vida de um ser humano e desencadear uma sucessão de sentimentos e consequências trágicas.

Alguns modismos também lhes dão tarefas insólitas: o agitar do gelo no whisky “on the rocks” é um deles.

Para muitos, como nós, da velha geração, são de grande importância para a digitação de textos no teclado dos microcomputadores. Para os jovens, digitar com os dez dedos é, hoje em dia, uma habilidade de primordial importância.

Em oposição ao seu vizinho “mata piolho”, formando um círculo, para os americanos significa desejar sorte. Para os brasileiros, é um gesto obsceno.

Na Medicina, enluvado e bem juntinho com o “pai de todos”, faz o toque que irá decidir sobre a conduta a ser adotada: cesariana ou parto normal.

Furar bolo, só na infância mesmo, como uma travessura.

Mas, entre todas, a função mais terna e sugestiva que lhe é dado executar é aquela de, num momento de intimidade da mulher, chamar, com flexões sucessivas, o seu companheiro para um aconchego amoroso em seu ninho.




OUTRAS COLUNAS









MAIS LIDAS










Avenida Marcolino Martins Cabral, 1315, 6º piso Praça Shopping
Centro - Tubarão/SC - CEP 88701-105 - 48. 3631-5000
Todos os direitos reservados - JORNAL DIÁRIO DO SUL