MENU

COLUNISTAS


Geral

LÚCIO FLÁVIO




 
 

Ontem, 18/11/2017, às 06:00

Coisa de branco

Estamos na Semana da Consciência Negra, cujo dia 20 de novembro homenageia Zumbi dos Palmares. Não bastasse ser uma época propícia a esse debate, o jornalista William Waack estarreceu a todos com seu preconceito descabido, e proliferaram discussões país afora sobre as bobagens que ele disse sem saber que era gravado. Se teve algo de bom nesse episódio lamentável foi que serviu para jogar luz num tema que normalmente não é devidamente discutido. Basta dizer que a maior revista semanal do país, a Veja, trouxe o assunto em sua capa dessa semana, mas, ao invés de discutir o racismo, preferiu abordar o tema pela ótica de como as manifestações dos internautas nas redes sociais tiraram o jornalista da bancada do Jornal da Globo. Também não foram poucos os que o defenderam, dizendo que sua punição foi apenas para atender ao “politicamente correto”. Ou que ele disse apenas uma frase infeliz. Infeliz certamente foi, mas é também uma frase racista e reveladora do quanto o país precisa ainda discutir esse tema e evoluir para uma sociedade mais democrática e justa. Seria menos ruim se esse episódio grotesco servisse como um marco para várias mudanças, sendo a maior delas a conscientização de que ninguém é melhor do que ninguém, não há uma raça superior à outra e, sobretudo, que racismo é crime.

Retratação histórica
A semana marcou uma reparação histórica de racismo contra o maior expoente da literatura catarinense, Cruz e Sousa,  principal poeta do simbolismo brasileiro. Nomeado promotor em Laguna em 1883, não pode tomar posse no cargo devido à pressão de políticos locais, que não o aceitaram devido à cor da sua pele. Na segunda-feira, a Câmara de Vereadores de Laguna promoveu sessão solene de retratação ao promotor Cruz e Sousa, e celebrou a lei estadual que o reconheceu como promotor público, de autoria do deputado Dirceu Dresch, do PT.

Valores esquecidos

Quarta-feira foi feriado da Proclamação da República e desconfio que muita gente nem sabia o que se comemorava. Como neste domingo, 19, é o dia da Bandeira e muitos nem sabem. A mesma bandeira que Ayrton Senna se orgulhava de ostentar a cada vitória, e acabamos nos lembrando dela apenas em época de Copa do Mundo. Conhecer nossa história, respeitar nossos símbolos, são deveres de cada um de nós. Se tivéssemos um pouco mais de patriotismo, talvez não fôssemos tão tolerantes com o que corruptos e corruptores fazem com nosso amado Brasil.

Aprende-se em casa
Fecho com o Nobel da Paz Nelson Mandela: “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar”.




OUTRAS COLUNAS









MAIS LIDAS










Avenida Marcolino Martins Cabral, 1315, 6º piso Praça Shopping
Centro - Tubarão/SC - CEP 88701-105 - 48. 3631-5000
Todos os direitos reservados - JORNAL DIÁRIO DO SUL