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LÚCIO FLÁVIO




 
 

Sábado, 08/12/2018, às 06:00

O crime que compensa

O atentado a Bolsonaro foi uma armação, porque não havia mancha de sangue, como se podia ver num vídeo que circulou no WhatsApp nos dias seguintes ao ataque sofrido pelo então candidato. Dito agora, isso soa o que realmente sempre foi: uma bobagem imensa, sem comprovação alguma. O que chamamos de fake news. No calor da campanha, no entanto, não foram poucas as pessoas que conheço, e as tenho como esclarecidas, que sustentavam ser verdadeira tal afirmação e reencaminhavam para amigos e grupos de WhatsApp, como se fosse a mais pura verdade. Como inúmeras outras fakes que todos recebemos: Jean Willys seria ministro da Educação se Fernando Haddad fosse eleito. Alexandre Frota é que seria, caso Bolsonaro vencesse. Todas com interesse político por trás, deixando evidente que somos massa de manobra dos disseminadores de fake news.

E as urnas eletrônicas que autocompletavam o voto no 13, assim que se digitasse o número 1? Quantos vídeos mostrando urnas fraudadas você recebeu? Mensagens dizendo que era preciso votar ate as 16h, porque as urnas estavam programadas para o horário de verão! As fake news se alastraram com as redes sociais e muito já se falou sobre elas. Pouco se fala, no entanto, sobre as punições as quem cria as fake news. É porque praticamente não há. Pelo contrário. Teve até quem se elegesse para o Congresso Nacional ao ganhar popularidade espalhando fake news em canais pelo YouTube. A Justiça Eleitoral, tão rigorosa na distribuição do tempo de TV, por exemplo, e com regras extremamente rígidas para candidatos e veículos de comunicação, consegue ser solenemente ignorada pelas empresas donas das redes sociais e pelos disseminadores de fake news, numa indiferença que é recíproca.


A era dos desinformados

Enquanto não houver punição para quem cria e dissemina as fake news, vai ter muita gente boa acreditando que a embalagem do leite é reaproveitada, e as marcações no fundo da caixinha servem para mostrar quantas vezes ela já foi utilizada. Que o Brasil importa ovos da China, e de plástico! E que o papa realmente disse tudo aquilo que lhe atribuem. Pudera! Tem gente que até hoje acredita que o Lulinha é dono da Friboi.

Influência indevida
Os boatos espalhados pela internet azucrinam a vida do cidadão, que acaba desconfiando do leite e dos ovos, mas têm potencial para causar estragos ainda piores, quando espalham informações falsas sobre medicamentos, vacinas e doenças, ou quando influenciam nas eleições. Não se engane, achando que as fake news são criadas por desocupados, que não têm o que fazer. Há interesses econômicos por trás delas, evidenciados quando roubam nossos dados pessoais, e algoritmos são desenvolvidos para nos manipular. É um problema mundial, que precisa ser enfrentado pelos governos, pelo menos os democráticos.

Em terra de cego...
Há um grande número de pessoas que se informam pelas redes sociais, e apenas por elas. Isso acaba criando uma distinção que é perceptível em qualquer grupo de Whatsapp, onde quem compartilha mensagens claramente falsas é imediatamente repreendido pelos demais participantes. Paga um mico enorme. Do contrário, neste mundo repleto de fake news, quem detém a informação correta tem um tesouro em mãos. Acaba sendo fonte confiável. E tratado como rei, em terra de cegos.




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