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LÚCIO FLÁVIO




 
 

Sábado, 09/09/2017, às 06:00

Independência ou falência

Parece carregado de simbolismo o fato do corruptor maior de nossa República ter sido intimado a depor justo no dia em que o país comemora sua independência. Só essa palavra, independência, já inspirou as mais diversas teses. Somos realmente livres? Do que ou de quem? Basta o presidente do Banco Central norte-americano expressar uma opinião negativa sobre nossa economia para o dólar disparar, a bolsa cair e a gasolina e tudo o mais aumentar o preço. Neste mundo globalizado, para o bem ou para o mal, somos todos dependentes uns dos outros. Mas uma dependência certamente é muito negativa. Refiro-me à que existe entre políticos e empresários corruptos. Um não vive sem o outro. O político corrupto precisa de dinheiro para pagar as despesas de campanha e, claro, para enriquecimento próprio. O empresário corruptor usa essa necessidade para conseguir acesso a obras públicas superfaturadas, financiamentos sem garantias em bancos estatais, e também, logicamente, para ganhar dinheiro. Pelos livros de história, essa relação conflituosa entre os interesses privados e público vem desde a época do Barão de Mauá, o primeiro grande industrial brasileiro, ainda no Brasil imperial, e que acabou indo à falência após perseguição política. Intensificou-se com a República e chegou ao nosso tempo. Há, no entanto, uma diferença crucial em relação ao que vemos atualmente. Hoje, os empresários corruptores, como os da JBS, é que são os beneficiados, e quem quebrou foi o país.

Não ficam sabendo?
A maioria de nós concorda que a corrupção é o que faz com que o Brasil, que deveria ser um país rico, esteja nessa condição de miséria eterna, sem educação, saúde, segurança e infraestrutura adequadas. Mas por que muitos continuam, então, votando em políticos corruptos? Será que a maioria dos eleitores é mesmo ignorante, como se acostumou dizer? Será capaz que nessa época de internet, redes sociais e informação farta, uma grande parcela dos eleitores não ficará sabendo, por exemplo, que certo político baiano escondeu R$ 51 milhões num apartamento? Votarão nele de novo no ano que vem?
 
Dois pesos e duas medidas
Mais impressionante ainda é o fato de muitos não se indignarem como deveriam contra os empresários corruptores. Todo mundo critica os políticos corruptos, falam mal deles nas rodas de conversa e nas redes sociais, mas muito poucos condenam a atitude dos empresários corruptores. Também não se viu uma entidade como a Fiesp ou CNI censurar ou mesmo expulsar quaisquer dessas empresas envolvidas em corrupção de seus quadros. Nem existe boicote contra essas empresas por parte de associações de consumidores. O que há é um silêncio geral e conivente quando se trata dos corruptores, em atitude oposta ao que se vê quando se fala dos corruptos.

Aos amigos, os benefícios da lei
Tem uma outra pergunta que todos deveríamos fazer a cada vez que um esquema de corrupção é descoberto após uma delação premiada: para que servem os caríssimos órgãos de controle, como Tribunais de Conta, Câmaras de Vereadores, Assembleias Legislativas, Ministério Público, Receita Federal? Será possível enganar a todos assim tão facilmente, bastando ser amigo do rei?

Não custa sonhar
Será que é muito fantasioso imaginar que seja possível mudar esse comportamento? Onde não haja negociatas, subornos, pagamentos indevidos, tráfico de influência. Onde se privilegie o honesto e não o desonesto. Será que nunca viveremos uma época onde a integridade seja a regra, e possamos comemorar um Sete de Setembro com verdadeiro orgulho de nosso país?




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