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LÚCIO FLÁVIO




 
 

Sábado, 13/04/2019, às 06:00

Culpa da imprensa?

Não tem sido fácil ser jornalista nestes últimos tempos. Políticos vivem atacando a imprensa, quando flagrados em atos ilegais ou imorais. Não me refiro só aos recém-eleitos. É assim desde sempre, mas foi intensificado a partir das denúncias do mensalão e com as reportagens sobre os desvios na Petrobras. Petistas e esquerdistas acusam a imprensa de golpista, e disseminam até hoje pelas redes sociais que Dilma sofreu um golpe, e não um impeachment, dentro dos ritos da lei, conduzido pelo Congresso. E que Lula está preso não por que foi acusado, teve amplo direito de defesa, e condenado pelo Poder Judiciário em duas instâncias. Dilma caiu e Lula está preso por causa da imprensa golpista. Os demais corruptos presos, os empreiteiros, marqueteiros e doleiros confirmando os desvios, todos fariam parte deste conluio, capitaneado pela mídia?

Esse discurso serve para inflamar seguidores fanáticos, mas não encontra o menor respaldo na realidade. Não importa o inimigo da vez, importante é que se tenha um, para desviar o foco e manter o controle e a unidade da tropa. Pode ser o socialismo, a Venezuela ou a bandidagem. E, para variar, a imprensa. É a nova política usando as artimanhas manjadas dos velhos políticos. Bolsonaro é craque nisso. Candidatos-laranja desviando dinheiro do fundo eleitoral? Culpa da imprensa, e não do seu partido. O assessor do filho recolhia parte do salário dos servidores do gabinete, o tal do “rachid”, e é culpa da imprensa, que divulga essas coisas. Ao chegar aos 100 dias de governo com a popularidade em baixa e a rejeição em alta pôs a culpa na imprensa, que só publica notícia ruim. O mito virou “minto”.


Vai uma diária aí?

Aqui em Santa Catarina, rezando pela mesma cartilha de ataques à imprensa, temos a deputada Ana Caroline Campagnolo, também do PSL, flagrada cobrando diárias da Assembleia Legislativa para ela e mais um assessor, ao mesmo tempo em que aproveitava para fazer o lançamento do seu livro em várias cidades do Estado. A divulgação desta informação, feita pelo jornalista Altair Magagnin, do jornal Notícias do Dia, na semana passada, rendeu uma acusação generalizada: “Jornalistas são canalhas e têm problemas cognitivos”, foi como se defendeu a representante da nova política.

Escola do meu partido
Ana Campagnolo costuma se envolver em assuntos polêmicos, o que a mantém em evidência. Defensora do escola sem partido, ganhou notoriedade ao pedir que alunos filmassem “professores doutrinadores” em sala de aula. Acontece que ela é professora de História, e já deu aula vestindo uma camiseta do então candidato Bolsonaro – fato que um ex-aluno relembrou postando uma foto em uma rede social. Pelo visto, o que ela pretende não é uma escola com neutralidade, mas uma escola onde não haja espaço para a discussão da cidadania.

Seu passado a condena
Ana Campagnolo é pródiga no uso das redes sociais, mas elas deixam uma pegada digital, para o bem e para o mal. Essa semana ela excluiu a sua conta no Twitter, após virem à tona posts antigos, como um em que dizia que “é impossível legalizar a maconha porque ela já é legal pra ca###ho”, e que precisava “de alguma (c)ois(a) para co(n)seguir estud(a)r (b)em rap(i)dinho esses artigo(s)”. As letras em destaque formam a palavra “canabis”.




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