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LÚCIO FLÁVIO




 
 

Sábado, 20/01/2018, às 06:00

Uma cidade dividida

Eu já cheguei a pensar que fosse culpa do rio, que divide a cidade em duas. Só quando li os escritores que contaram nossa história é que fui entender que era por obra dos trilhos que trouxeram o progresso, e com eles uma divisão logo de início: os operários moravam próximo às oficinas da Rede Ferroviária, e os engenheiros, no Centro, na vila que serve até hoje como sede da prefeitura. Falo da linha imaginária que cortaria nossa cidade em duas, tal qual o Tratado de Tordesilhas, e que divide o Centro da cidade do bairro de Oficinas.
Isso explica por que Tubarão tem dois times, ao contrário das maiores cidades, como Joinville, Criciúma, Lages e Chapecó, unidas em torno das mesmas cores. O Hercílio Luz era o time do Centro. O Ferroviário, o time de Oficinas. E criou-se uma rivalidade tamanha que não permitiu fundir os dois clubes num único que representasse a cidade. Apenas a união na década de 90, que teve seus dias de glória, mas terminou tão rápido quanto os casamentos atuais.
Nem sei se é bom ou ruim a cidade ter dois times. Brusque, afinal, que é um município pouco maior que o nosso, mas muito mais rico, na década de 80 uniu seus dois clubes num só e nem por isso se tornou uma equipe forte. O que sei é que se há algo bom no fato de ter dois times na cidade é que isso faz com que um queira ser melhor que o outro. E serve de motivação para se conseguir melhores resultados. E mais: serve também para que tenhamos jogos memoráveis, como foi esse da última quarta-feira, que marcou o primeiro jogo entre dois times de Tubarão na série A do Campeonato Catarinense, depois de 26 anos.

PSD x UDN
Essa divisão não aconteceu só no futebol, é importante dizer. A política fez com que ela se estendesse para os clubes recreativos. O Clube 29 de Junho era o reduto dos pessedistas, liderados pela família Cabral, enquanto o Clube 7 de Julho, vermelho e branco até nas próprias cores, reunia os udenistas, comandados pela família Fretta. Não por coincidência, até poucos anos atrás o Cartório Cabral ficava no térreo do Clube 29, e o então Cartório Fretta, no térreo do Clube 7.

Na capital
Essa divisão que os trilhos deixaram mais evidentes em Tubarão se repete, claro, por outras cidades. A começar pela capital do Estado, como explica o jornalista Laudelino José Sardá no livro “Paulo May: Vida e lições de um prefeito inovador e... malcriado”. Ele registra que o Clube 12 de Agosto concentrava os pessedistas, partido controlado pela família Ramos, enquanto o Lira Tênis Clube era o da preferência dos udenistas, liderados pela família Konder-Bornhausen. No esporte o Avaí era o time do PSD, que homenageia o ex-governador Aderbal Ramos da Silva com o nome do seu estádio. O Figueirense era o clube preferido da UDN.

A vez anterior
Falei que faz 26 anos do último clássico, e preciso explicar: o último Ferro-Luz, válido pelo Campeonato Catarinense da primeira divisão, ocorreu em 17/11/1991, e terminou com vitória do Ferrinho por 2x1. Em 1995 os dois disputaram a série A pela última vez, mas ficaram em chaves diferentes e não se enfrentaram ao longo da competição. O Ferroviário já com o nome mudado para Tubarão FC.

Partilha do mundo
Já que citei o Tratado de Tordesilhas, fecho a coluna com a indignação do rei Francisco I, da França, contestando à época, com fina ironia, a validade jurídica do tratado firmado entre Portugal e Espanha, com a mediação do Vaticano: “Gostaria de ver a cláusula do testamento de Adão que me afastou da partilha do mundo...”




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