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AMANDA MENGER




 
 

Quinta-feira, 20/09/2018, às 06:00

Prazo de validade

Não são só os alimentos que têm prazo de validade. Você já observou como as coisas estão durando cada vez menos? E isso não é só aquele papo de quem passou de uma determinada idade e começa a achar que antigamente os objetos eram mais duráveis. Eles, de fato, estão com prazos mais limitados de vida útil. Exemplo disso são os smartphones de uma marca famosa aí. E tem até um novo termo para isso: obsolescência programada.

Esta terminologia significa que, após um determinado prazo, o produto vai começar a apresentar problemas ou não funcionar direito, até que para completamente. Fiquei pensando nisso depois de ter, pelo terceiro mês seguido, um problema com o carro. Ele tem 12 anos, e estou com ele há cinco anos, e estou cansada de fazer manutenção. Não é nenhum problema absurdo, mas, juntando os pingados já gastos, doeu no bolso.

Com este episódio do carro, lembrei de um parente meu que troca de carro a cada cinco anos. Mal terminou de pagar, já troca. Ele diz que é porque o carro começa a dar problemas. Por outro lado, ele não se livra das dívidas. Sempre tem boletos chegando. E aí é que está a questão: os produtos têm prazo de validade para que você fique sempre comprando o novo modelo, que às vezes nem tem uma grande diferença do anterior.

Comprar produtos novos com um tempo programado tem como consequência sérios problemas, principalmente para o meio ambiente. O uso de recursos é desenfreado. Já estamos vivendo no cheque especial da natureza. Muitos veículos de comunicação noticiaram o levantamento feito pela ONG Global Footprint Network. Segundo o estudo deles, os recursos naturais de 2018 foram esgotados em agosto, e a cada ano geramos um déficit cada vez mais cedo.

O segundo problema é o econômico, e aí temos dois lados da mesma moeda. Um deles é que o endividamento também aumenta, reduzindo a possibilidade de fazer uso dos recursos financeiros em outros produtos ou atividades. O segundo deles é que a roda da economia precisa girar, os empregos precisam ser criados e mantidos, porém, muitos destas mercadorias são produzidas de forma, no mínimo, discutível.

Nos questionarmos antes de comprar algum produto é importante. Quantas vezes poderíamos estender o uso daquele objeto por mais um tempo antes de trocar? Ou mesmo pensarmos na possibilidade de comprar algo já usado, mas que esteja em boas condições? Sei que muitas pessoas não gostam desta possibilidade, e eu mesma tenho muitos receios, mas já mudei bastante em relação a isso, e hoje procuro bastante, inclusive em bazares, brechós e briques antes de comprar.

A preocupação econômica é importante, mas acredito que o fator ambiental é um sério problema, e é isso que vai acabar sendo o fiel da balança. Não terá emprego e nem produção se não tiver matéria-prima. Aliás, é provável que não tenha nem vida humana, tal o nível de degradação a que submetemos o planeta.




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