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AMANDA MENGER




 
 

Quinta-feira, 08/11/2018, às 06:00

Balanços

Fim de ano se aproximando, aniversário também, e o momento é propício para fazer balanços. Como está a vida? Está tranquilo e favorável ou está na bad, descendo a ladeira? Ou ainda não está bom, mas não está ruim? Chegar aos 3.5 faz a gente pensar muito. Metade da vida já passou ou metade da vida pela frente? Copo meio cheio? Ou meio vazio? Na astrologia, os 35 são um dos muitos retornos de Saturno (ciclos de sete anos) e indicam a consolidação da personalidade e a maturidade.

O fato é que mais uma folha do calendário virou, mais uma primavera chegou (acho até descolada esta expressão, meio vintage, né?). O que temos na mesa? E tem para comemorar? O que tem de bom no ano que passou? O que ficou de ruim? O que é possível aprender com as coisas não tão legais ou que não deram certo no ano que passou? O que o balanço indica? Qual o saldo?

Em um nível pessoal, observando só o que eu, como indivíduo, fiz, o que planejei e aconteceu e o que não aconteceu, ou, pelo menos, não da forma como eu imaginava, os desafios e as dificuldades, o ano foi bom. Algumas conquistas financeiras importantes, outras ainda no processo, como ter um relacionamento mais saudável com o dinheiro, procurando ter um consumo mais sustentável, de menos impulso, como falei várias vezes por aqui nos últimos tempos.

Porém, em um nível coletivo, como integrante de uma sociedade, de vários grupos, o ano foi decepcionante, e o que se avizinha no horizonte são nuvens pesadas. Virão tempestades ou os ventos poderão dissipar as tormentas? Não dá para prever. Espero estar errada. Mas tenho mais receio de estar certa. Nem no futebol o ano foi bom. A Seleção Brasileira, nem é possível comentar, de tão fraco que foi o desempenho. Meu time, o Grêmio, nadou e morreu na praia, quem sabe no ano que vem dá certo e o tetracampeonato da América venha.

Diante de tantas ameaças e de retrocessos, ser otimista é um caminho de ilusão. Penso que é melhor ser mais pessimista e agir racionalmente. Nestas horas, a ansiedade, esta criatura que me habita, mostra seu lado produtivo: pensar em diversos cenários e em graus diferentes de catástrofe ajudam a refletir sobre o que pode ser feito e as alternativas viáveis para resolver. O problema é que, em muitos cenários, não há opção, e aí a criatura mostra suas garras e solta o veneno: a desesperança.

Se o balanço do ano é assim contraditório, o saldo da vida como um todo deve ser encarado por outro viés. Em tempos sombrios, temos dificuldades de enxergar a perspectiva do conjunto da obra. Mas há que se fazer um esforço para ver e entender as complexidades da vida e do contexto histórico em que vivemos. As realizações em nossas vidas são, em parte, resultado de nossos esforços e parte da conjuntura em que estamos inseridos. Não ter esta percepção é achar que você fez tudo sozinho, o que nem de longe é viável. Coisas boas e coisas ruins acontecem e nos afetam como seres sociais e culturais que somos. Somos fruto de nosso tempo. Para o bem e para o mal, com todas as suas escolhas e consequências.




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