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AMANDA MENGER




 
 

Quinta-feira, 17/08/2017, às 06:00

Guinada à direita

Para o mundo! Por favor, quem controla aí as coisas, please, para o mundo! O que está acontecendo com a humanidade? Marcha pró-nazismo e supremacia branca? Para. Por. Favor. Humanidade, repense. Para onde acham que estão indo assim? Isso não é direito à livre expressão. Isso é incitação ao ódio, à violência. Como podem achar que uma pessoa é superior a outra por sua origem, por sua etnia, seu grupo social, sua cor de pele, seu gênero, sua religião?

A humanidade vai por um caminho muito errado. Há uns cinco anos uma professora falava, no intervalo de uma aula, que havia sérios indicativos de uma guinada à extrema-direita em termos de políticas públicas e econômicas, tanto no aspecto nacional quanto internacional. Vendo esta marcha realizada nos Estados Unidos, no último fim de semana, fico horrorizada em ver que as previsões se confirmaram. Aliás, a eleição de Trump já era indício disso.

O Brasil não fica para trás. A redução das políticas públicas em áreas como assistência social, a remodelação de outras na saúde, na educação e o anúncio de cada vez mais cortes nestes setores é outro indicativo de que marchamos para dias cada vez mais sombrios. Isso sem contar em leis que estão em vias de serem aprovadas retirando direitos e fragilizando cada vez mais as relações trabalhistas e dando mais força ao “Deus mercado”. Tudo em nome do lucro de uns poucos sob a desgraçada miséria de outros muitos. E ainda, leis que cerceiam o direito de ensinar, como a da Escola Sem Partido e da Ideologia de Gênero.

E por quê guinada à extrema-direita? Inclusive este é tema de muito debate no Brasil atualmente, o que é direita e esquerda. Estes conceitos abrangem várias esferas, como a econômica e a política, e tem a ver com questões mais profundas, como o tipo de sociedade que se propõe construir, qual a sua base, quem participa das decisões, quem produz, como produz e quem tem acesso à riqueza que advém daí. A origem histórica da direita e da esquerda vem da Revolução Francesa. A “profe” de História explica:

Durante a realização da Assembleia Constituinte na França, em 1789, os grupos estavam divididos basicamente em três e a maneira como eles se organizaram dentro da assembleia e o que eles propunham deu origem aos termos direita e esquerda. Na direita estavam os girondinos, grupo que pregava uma monarquia constituinte. Já à esquerda estavam os jacobinos, que defendiam a instalação da República com a eleição de um presidente. O terceiro grupo estava no meio, e bem, isso já diz bastante coisa.

Desde a Revolução Francesa as posições políticas e econômicas que preveem poucas mudanças no status quo, na forma de organização social, política e econômica recebem o título de direita e aqueles que se posicionam por mudanças mais profundas nestas mesmas estruturas, como de esquerda. Portanto, pensamentos que geram preconceitos e estimulam intolerância são identificados como de extrema-direita, a exemplo do nazismo.

Ler notícias como a da marcha em Charlottesville me faz crer que a humanidade está indo de mal a pior. Como bem escreveu Hannah Arendt, quando o mal é banalizado o que vem é a barbárie. E aí, queridos, ela não está se referindo à invasão dos povos ditos “bárbaros” ao Império Romano. Está falando da morte daquilo que nos torna humanos. Vamos deixar isso acontecer?




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