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AMANDA MENGER




 
 

Ontem, 19/10/2017, às 06:00

O campo floriu

Ao chegar do trabalho para almoçar nesta quarta-feira, saí abrindo as janelas para ventilar o apartamento. Quando abro a janela do escritório, me deparo com uma paisagem muito bonita: o campo florido. São pequenas flores amarelas e roxinhas, típicas flores do campo. Próximo ao muro do prédio, as hortênsias já estão carregadas de flores. É uma explosão de cores: vários tons de verde, azul, amarelo e roxo.

É a natureza confirmando o que diz o calendário: estamos em meados de outubro, a primavera está indo em direção ao seu auge e o ano nos escapa pelos dedos, mais uma vez. A marcha do tempo é inexorável. Tentamos fugir dele, mas ele nos alcança. Tentamos burlá-lo adiantando/atrasando o horário, porém ele está ali, à nossa espreita. Esta mudança no horário é tipo presente de grego. Não agrada a todos e tem efeitos colaterais que nem os fãs escapam. A primeira semana é um martírio. Difícil sincronizar o relógio biológico. Claro que há as suas compensações. Um dia com mais horas de sol é um convite para ficar ao livre. Já notou como as pessoas estão mais dispostas a sair? E a ficar até mais tarde na rua?

Tentamos escapar da passagem do tempo com dietas, com cremes. Porém, mesmo que o exterior não retrate ou retrate demais, o tempo passa e nos engole. Não é à toa que os gregos, de novo eles, descrevem em sua mitologia a lenda de Cronos. O titã, filho de Urano e Gaia, destrona o pai, casa-se com a irmã Réia e, após ter uma visão de que seria destronado do poder por um de seus filhos (exatamente como ele fez com Urano), passa a engoli-los. Réia se revolta com a situação e engana Cronos. Ela dá a ele uma pedra no lugar de Zeus. A criança cresce escondida em uma floresta. Ao se tornar adulto, consegue a ajuda de outros titãs e derrota Urano, tornando-se o deus mais poderoso, e habitando o Olimpo.

Cronos é o senhor do tempo. E o que o tempo faz conosco? Nos devora. Nós somos filhos do tempo e ele nos devora. Exatamente como Cronos fazia com seus filhos. Por mais que tenhamos evoluído em ciência e tecnologia, a imortalidade ainda não é possível. Ou seja, não achamos um Zeus para derrotar Cronos. Continuamos sendo derrotados por ele.

Como essa vitória ainda está longe, vamos aproveitando o tempo que temos. Bom seria se conseguíssemos tempo para observar a passagem do tempo. Em um dia a dia tão corrido, às vezes não nos damos conta das mudanças que ocorrem ao nosso entorno. E ficamos atordoados pensando em como o ano passou rápido. Logo, logo é Natal. E quando percebermos, o campo não está mais florido, e sim branquinho, coberto pela geada ou até, quem sabe, pela neve. De novo.




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