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AMANDA MENGER




 
 

Quinta-feira, 19/07/2018, às 06:00

Músicas

Você já imaginou a sua vida sem música? Eu, não. Todos os momentos da minha vida têm trilha sonora. É quase como se fosse um filme ou novela, sempre tem música. Exatamente por isso achei tão interessante uma brincadeira no Facebook. Uma amiga de infância me marcou para participar, assim como o marido a tinha marcado. A ideia é você escolher dez álbuns que te marcaram, não precisa explicar o porquê, e você deve marcar outras pessoas para brincar também.

Como fui marcada e achei a ideia interessante (vou participar, mas não vou marcar ninguém porque, sim, sou destas que gosta de inverter a ordem, é meu ascendente em aquário, desculpa aí), fiquei pensando em quais álbuns eu escolheria. Aí percebi que os meus “álbuns” se restringiam a um período de pouco mais de uma década. A explicação é simples: a invenção e a popularização do compartilhamento me fizeram ter músicas avulsas de vários artistas, mas não mais o álbum.

Para uma garota nascida na década de 1980, pude testemunhar estas mudanças tecnológicas. Meus primeiros álbuns foram LPs, tinha discos da Xuxa, da Turma do Balão Mágico e de algumas trilhas sonoras de novelas. Eu amava novelas. Lembro até hoje do último LP que ganhei: a trilha sonora nacional (porque antes lançavam duas trilhas: a nacional e a internacional) de Vamp, quem aí não lembra de “Calaadaaaaaa noite pretaaaaa, noite pretaaa....”? Foi o último LP, porque já estávamos no início dos anos 1990 e o negócio eram as fitas k-7, todas devidamente compradas nos camelôs. A trilha internacional de Vamp foi em k-7.

A fita k-7 se manteve bem viva até o início dos anos 2000. Uma das principais utilidades era gravar as músicas da rádio. Quem mais odiava o locutor que falava no início ou no fim da música? E quem nunca saiu em disparada para apertar no rec quando ouvia os primeiros acordes da música tão esperada?

Depois veio a inovação dos CDs. Meu primeiro CD foi Mamonas Assassinas. Era 1995, e eu ganhei um aparelho que era CD, rádio e toca-fitas. Como a família toda sabia que eu tinha ganhado um aparelho de som, ganhei dois CDs: Mamonas Assassinas, da minha irmã Angelita; e a trilha sonora internacional de ‘A Próxima Vítima’, da minha madrinha Nani. Minha madrinha era muito antenada em dar vinis e, depois, CDs. Foi uma festa de aniversário memorável. A última festinha de criança: muitos docinhos, bolo, amigas da escola, primos, sobrinhos, festa a tarde toda, com direito a jogo de vôlei no pátio e videogame à noite.

Durante o ensino médio, na segunda metade dos anos 1990, ganhar CD era como ganhar livros: os preços estavam mais baixos, mas não dava para comprar sempre. Natal, aniversário e Páscoa eram bons momentos para ganhar estes presentes. Nunca esqueço uma Páscoa que me contentei em ganhar uma barrinha de chocolate e um CD da Legião Urbana, ao invés de um ovo grande. Melhor Páscoa. Legião era a sofrência da juventude dos anos 1990. Quem nunca abriu um berreiro ouvindo Vento no Litoral?

Ao longo dos anos, a popularização da internet facilitou, e muito, a troca de músicas. Durante a faculdade, já em Tubarão, no início dos anos 2000, descobri o MP3, o Napster, o Emule e tantos outros falecidos buscadores e “socializadores” de músicas. Foi o fim dos álbuns. Os últimos CDs que comprei foram do U2, Beautiful Day e Red Hot Chilly Peppers, com Californication. Hoje, escuto Spotify para descobrir novas músicas e artistas, e dificilmente baixo músicas, quanto mais álbuns. O que me leva a pensar: quais serão as inovações tecnológicas dos próximos anos?




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