MENU

COLUNISTAS


Variedades

AMANDA MENGER




 
 

Quinta-feira, 24/05/2018, às 06:00

Dores e delícias

Toda fase da vida tem suas dores e delícias. Exemplo disso são as mudanças de estação. Nem chegamos no auge do inverno e já começaram as brigas entre os adeptos de frio e calor. Dá até um cansaço este tipo de rusga nas redes sociais. Qual é a dificuldade de entender que há coisas boas e outras nem tanto em cada momento do ano?

Há alguns meses escrevi uma crônica que falava que o verão tinha gosto de melancia e de milho verde. Pois o outono e o inverno, pra mim, tem gosto de pinhão e bergamota. Amo as duas coisas. No entanto, eu não sei comprar e nem cozinhar pinhão. Nesta semana vi uma receita de pinhão para Airfryer, que supostamente em dez minutos estaria pronto. Estou bem tentada em pegar a máquina da mãe e testar. Ainda mais que a promessa é que a casca do pinhão praticamente se solte sozinha, o que é uma maravilha. Eu não sei descascar pinhão. Passo o maior trabalho.

Já as bergamotas...que delícia ficar no sol, logo após o almoço, lagarteando e saboreando uma bergamota. E o cheiro? Impossível comer bergamota e não ser denunciado pelo cheiro. Outra coisa boa é que descascar a fruta é molezinha. Talvez seja uma forma de compensar a dificuldade de abrir o pinhão.

Também gosto do frio e da possibilidade de comer coisas mais saborosas e calóricas com menos culpa, afinal, no frio, precisamos de mais calorias, para ficar mais quentinhos. O frio também me desonera a culpa de beber tanto café, chá e chimarrão quando este está acessível, porque eu sou uma gaúcha que não sabe preparar chimarrão, só sei tomar. Outra coisa boa do frio é que não preciso arrumar desculpas pra não ir a um rolê, porque o clima já é convidativo para ficar em casa, entre as cobertas, maratonando séries e devorando livros. Aliás, vem julho pra eu hibernar com a Netflix e as séries de livros do Bernard Cornwell.

Claro que tem as dores. A começar pelo frio em si. O frio dói. Ainda mais quando você tem que dirigir e o seu carro não tem ar-condicionado. Meus dedos ficam roxos todos os dias quando eu chego ao trabalho. Por falar em dor...lavar a louça, ou mesmo lavar as mãos, é um martírio. Assim como achar um eletricista que não queira um rim como pagamento para instalar a torneira elétrica.

A dor pode ser sempre maior. Já sinto um arrepio na espinha ao pensar que a temperatura vai cair tanto que vai gear e eu vou precisar tirar gelo do vidro do carro, porque o meu prédio não tem garagem coberta.  Por outro lado, é lindo ver o campo atrás do condomínio branquinho de
geada. Já tive vontade de chorar ao ter dificuldade de tirar o gelo do vidro.

No entanto, ainda pior que a geada foi uma noite de cerração tão absurda que não consegui chegar em casa, precisei dormir na casa de uma colega. No dia seguinte, ainda era difícil ter visibilidade, não se enxergava quase nada. Fiquei com medo, e acho que nunca dirigi tão devagar e sobressaltada. Alívio ao chegar em casa e pensar que eu estava de folga naquele dia e não precisaria botar os pés na rua nem pra levar o lixo. Outra coisa que eu não gosto no inverno são os dias seguidos de chuva. A umidade é um horror. Nada seca e tudo cheira de um jeito estranho. Não há bergamota que dê jeito!




OUTRAS COLUNAS









MAIS LIDAS










Avenida Marcolino Martins Cabral, 1315, 6º piso Praça Shopping
Centro - Tubarão/SC - CEP 88701-105 - 48. 3631-5000
Todos os direitos reservados - JORNAL DIÁRIO DO SUL